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“Experimentalistas” just wanna have fun…

por em 25/11/2011
 
muuu!, por h.filmes

muuu!, por h.filmes

Hoje é dia de filosofar. Ok? Então vamos lá.

Navegando pela rede mundial de computadores, também conhecido como “internet” e essas coisas modernas, tenho percebido alguma dificuldade de alguns fotógrafos de entender a informalidade em que outros fotógrafos tratam a fotografia. Percebi inclusive que isso vai além do “amador e profissional”. É algo como se houvesse (e talvez haja) uma “fotografia séria” e uma “fotografia não séria”.

Sem Título, por Blue-Hand

Sem Título, por Blue-Hand

Essa fotografia “não séria” eu vou chamar de “fotografia infantil”. E vou chamar assim como referência a um tweet que eu vi outro dia que falava (sem maldade, acredito) da Holga CatFace como “câmera fotográfica para crianças”. na hora fiquei meio chocado… mas depois pensei “Ei! EU TENHO uma CatFace… e quando eu uso ela, eu ME SINTO como uma criança!”… e não tem nada de errado nisso, tem?

Pois bem. Estou falando dos fotógrafos que usam câmeras analógicas? Não. Estou falando de ALGUNS desses. Estou falando daqueles que gostam de experimentar, que curtem as lentes de plástico da mesma forma que crianças curtem aqueles óculos de… lentes de plástico.

Estamos falando de tribos opostas? Inimigas? Certamente não. Sim, com certeza existem aqueles que só querem experimentar, e aqueles que só querem tirar “fotografia séria”. Mas acredito que todos nós somos um pouco dos dois. Quando nós, hobbistas, pegamos uma Trip 35, ou uma SLR, com um filme PB, e tentamos imitar Sebastião Salgado, Capa ou Cartier-resson, estamos sendo “fotógrafos sérios”. Quando pegamos essas mesmas câmeras, tacamos um cromo pra depois fazer revelação cruzada, e saímos pra tirar fotos sem preocupação, ou quando pegamos nossas Holgas, Dianas, Fisheyes e afins, estamos sendo crianças novamente. Estamos sendo experimentalistas, como são as crianças, que experimentam de tudo. E isso, minha gente, é bom. É muuuuito bom (não é? :-)

Então tá… mas e daí? E daí que, como falado em alguns posts anteriores (aqui e aqui), acho válido nos esforçarmos um pouco pra entendermos o que gostamos de fazer,pra assim encontrarmos mais facilmente aqueles que também gostam disso, evitar conflitos desnecessários, e aprendermos que existem outras visões diferentes da nossa.

É sempre bom ser adulto e criança ao mesmo tempo quando se trata de fotografia. Eu costumo ter sempre umas três câmeras carregadas com filmes. Eu associei estereótipos às minhas câmeras, e isso faz meu dia-a-dia mais divertido. Minha Trip 35 me faz sentir um Cartier-Bresson, com seus filmes pbs. Minha LC-A, com seus cromos em xpro, me faz sentir um europeu maluco visitando a Iugoslávia cada vez que saio pra fotografar, minha Lubitel 166+ me faz sentir um retratista do século retrasado… e por aí vai. Não deixa de ser, como um todo, uma visão infantil, amadora (no sentido de “amante da fotografia”), mesmo quando estou fingindo ser um Robert Capa, andando nas ruas como se estivesse na segunda guerra mundial. Afinal, o que eu quero é ter prazer. O que eu quero é me divertir.

000005, por renatamlima

000005, por renatamlima

Então, é isso. Se pra muitos, fotografia é (não apenas, mas principalmente) trabalho, seriedade, suor, pra tantos outros é diversão, prazer, descobertas, experimentação sem ambição. Acho isso fantástico, e, sinceramente, desejo que todos encontrem, alimentem e estimulem essas crianças dentro de si. Com certeza fará deles fotógrafos (profissionais ou amadores) mais felizes.

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comentários
 
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  • 13/12/2012 em 3:52 pm

    eu me sinto uma criança quendo estou com qualquer câmera, mesmo nas horas “profissionais” dou um jeito de “brincar”. (Se não for divertido, não vale a pena, este é o meu lema!)
    Claro que fora do serviço, aí é só festa, é só amor! Pego minha Olympus pen e fotografo até dentro do ônibus! hauhauhau
    Incrivelmente e contrariando muita gente, me sinto mais livre com as analógicas do que as digitais.vai entender… *-*

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  • Bia
    07/10/2012 em 12:12 am

    Uau, parabéns pela postagem e pelo blog. Achei o blog a uns meses atras, pq estava procurando por laboratórios… a maioria dos ”mais velhos”(dizendo assim, literalmente e aqueles que trabalham com fotográfia a um bom tempo) falando ruim sobre as famosos lentes de plásticos. Como vc escreveu em um post ”todas as fotos são manipuladas de algum jeito” então, pq não inventar, viajar, descobrir, fazer experiências em câmeras experimentalistas ou não?. Enfim…

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  • 19/08/2012 em 9:42 pm

    Adorei o texto!
    E adorei ver a minha foto aqui! ;)

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  • Elis Batina
    16/05/2012 em 2:44 pm

    André eu adorei cada palavra que você escreveu aqui.

    Fotografia é um troço(os fotógrafos “sérios” que me desculpem pelo termo) muito particular, é o mundo (leia-se personalidade) de cada um; e como diria José Arthur Giannotti: “A arte não explica o mundo, ela cria um mundo.”…
    Cada um cria o seu mundinho fotográfico do jeito que bem entender, e não adianta ditar uma fórmula para essa craição e muito menos tentar explica-la.
    Sou super a favor da troca de experienciências, dos debates construtivos e tal; mas não me venha com gessos top de linha, regras milenares e #mimimis.

    #prontofalei #ufa

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  • 21/04/2012 em 3:35 pm

    hahaha, eu sou careta mas concordo com o que você disse.

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  • 23/02/2012 em 8:21 pm

    Só descobri hj que tinha uma foto minha aqui no blog…hehe fiquei feliz…Muuuu!

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