Update 04/01/2012: devido a uma confusão comum entre os aficcionados por analógicas, este post estava, desde sua publicação, até hoje, chamando o filme 120 de 120mm, o que está errado, já que o filme não tem 120mm. O erro, pelo que observei, é tão comum (até o site da Lomography comete, como vocês podem ver nos videos abaixo) que estamos providenciando um post detalhando as nomenclaturas dos filmes e seus formatos para os próximos dias. Desculpem a nossa falha.
Update de 05/01/2012: O post prometido está aqui.
E agora voltamos à nossa programação normal.
Ah, o filme 120… olha, é uma parada que vicia. É charmoso, exige carinho e atenção, e te entrega um negativo grandão, que dá vontade de pendurar na parede :-D
Agora chega de babação. Vamos ao assunto.
Pois bem, filme 120, é um filme igual ao de 35mm, só que cortado e enrolado em um formato diferente. É isso. Acabou.
Ok… vamos falar mais então…
Filmes 120 são um dos váaarios tamanhos de filmes chamados de médio formato (qualquer dia falaremos sobre todos os formatos existentes, mas não hoje. não seja ansioso. Faz mal pro coração).
Ele tem um tamanho bem maior do que o de 35mm, e por isso as fotos tiradas com ele são maiores, permitindo maior nitidez nas imagens (mais espaço, mais detalhes. Simples assim). Outra diferença do filme de 35mm é que as fotos (geralmente) são quadradas, o que dá mais um charme às fotos.

Um dos meus favoritos ;-)
Esse formato de filme têm voltado à moda graças às toycameras que fazem uso dele, como as famosas Diana+, da Lomography e a Holga, da fábrica chinesa que fabrica ela e ninguém sabe o nome. Por ser um formato antigo (inventado a trocentos anos), ele tem algumas características interessantes. Por exemplo, ele não tem cartucho, como o filme 35mm. Ele é nada mais que um rolo de filme enrolado numa bobina de plástico, com uma camada de papel colada atrás de toda a extensão do filme pra proteger ele da luz. Esse mesmo papel traz numerozinhos pra você poder passar o filme pra frente sabendo quando parar de girar a rodinha (vendo os vídeos abaixo vai ficar mais fácil de entender…). E ele vem numa embalagem parecida com de chocolate… é um prazer por si só abrir um rolo de 120… só que já fez sabe como é :-P
Tá, mas o que ele tem de ruim? Os gastos. Um rolo de 120 geralmente é mais caro que seu similar de 35mm, e permite tirar menos fotos. Logo, seu dinheiro rende menos fotos, apesar de as fotos que saírem ficarem muito mais nítidas. A revelação pode ser o mesmo preço ou mais cara que o similar de 35mm. mas, novamente, você vai gastar mais. Pra cada 36 fotos em um filme 35mm você paga uma revelação. Pra cada 36 fotos em um filme 120… você paga 3 revelações, um pra cada rolo de 12…
[Update de 05/01/2012: A leitora @poneidefesta me chamou a atenção pra falta de detalhes nesse post sobre o tamanho de um filme 120 e a quantidade de poses. Pois bem, um filme 120 não tem tamanhos diferentes, como o 135 (que tem de 12, 24 e 36 poses...). Ele só tem um "modelo", que permite que você tire de 12 a 16 fotos, dependendo do formato que a câmera use (Se você for olhar o manual de uma Diana F+ ou de uma Holga, vai ver que elas vêm com adaptadores que você coloca dentro da câmera pra mudar o formato da foto). Valeu Pônei! :-)
Outro ponto importante: lembra do que falamos sobre revelação aqui e aqui? (se não leu, leia antes de continuarmos, por favor(zinho)). Pois bem... são raros os labs que ampliam fotos de filme 120. Por isso é recomendável que você tenha à sua disposição um scanner pra passar suas fotos pro computador. Os scanners que digitalizam filme não são complicados, ao contrário do que parece, e vêm com softwares que ajudam, instruções claras, e máscaras que esticam o filme pra você scanear mais facilmente. Pra um filme 120 é bem importante ter essa autonomia.
Informação "di grátis" do dia: Existe ainda um filme chamado de 220. Ele é igualzinho um filme de 120, só que maior (com mais poses), e sem o papel atrás. isso faz com que ele seja mais complicado de usar em câmeras "comuns de 120", já que o buraquinho que permite que vejamos os números num filme de 120 deixaria entrar luz, e estragar, um filme de 220. Mas esse papo vai longe... deixa pra outro post.
Agora, pra divertir, uma olhadinha em fotos tiradas só com filmes 120mm.
Finalmente, vamos ao cineminha. Selecionei alguns vídeos que mostram pessoas carregando e descarregando filmes 120 em algumas câmeras. Vai ajudar a entender alguns detalhes que não dá pra explicar escrevendo.
Loading 120 Film Into a TLR
Loading 120 film to your Diana+ from Lomography on Vimeo.
Loading 120 film to your Holga 120 CFN/FN/GCFN/PC/WPC from Lomography on Vimeo.
Unloading 120 film from your Diana+ from Lomography on Vimeo.




Adorei seu post, André. O preço é uma questão que faz as pessoas pensarem realmente em qual filme escolher. Mas como eu sou novata, bem novata mesmo nesse assunto prefiro não me manifestar. E eu ainda tenho dúvidas sobre a minha câmera, como “pode usar qualquer marca de filme em Diana F+?” É uma coisa que eu sempre me pergunto, pesquiso e não acho resposta alguma u.u
Oi Mayara! O lance é que existe marca (Fuji, Kodak…), tipo (cor, preto e branco, slide…) e formato (35mm, 120…) de filme. Uma câmera é associada ao formato, e não ao tipo ou a marca do filme. Ajudei? :-)
Ola André, muito legal este post, fica a duvida, o que compensa mais, uma Rolleiflex de 50 anos em bom estado ou uma destas toycameras ou Diana para trabalhar com médio formato? E quanto a revelação caseira de medio formato é a mesma coisa, incluindo a ampliação? A ideia é fotografar em P&B.
Obrigado
[ ]‘s
Oi André.
Se for para trabalhos sérios é melhor comprar uma câmera séria. Toycams são muto legais, mas a qualidade óptica é ruim os recursos muito limitados. Dá uma lida nesse post pra vcer algumas diferenças entre SLR e Toycams, muitas delas se aplicam ao seu caso: http://www.queimandofilme.com/2012/05/07/toy-camera-vs-slr/
Oi xará, como o Samuel falou, depente do que você tem como objetivo. Fotografar com pb pode ser legal tanto em Dianas quanto em Rolleis… o lance é entender o que, na sua cabeça, é fotografar, e quais resultados espera…
Obrigado pelas dicas. Acho que o negocio é partir para uma Rolleiflex que esteja em bom estado. Eu já fotografo com digital desde as primeiras cameras, comecei com elas, agora quero fazer um resgate indo para o filme, mas gostaria que fazer isto com médio formato e fazer minhas próprias revelações. Interessante que o custo do equipamento, mais o laboratório e incluindo as revelações chegam a ser superiores a uma excelente DSLR, os equipamentos antigos de laboratório que antes o pessoal estava queimando, agora voltaram a se valorizar no mercado e a procura vem aumentando.
Estou em dúvida sobre o custo para revelação do filme 120.
Andei pesquisando e passaram o custo de R$10,00 e em outro local R$ 50,00 por foto.
É isso mesmo? Ou esse valor é a revelação do filme (entre 12 e 16 fotos)?
Carla, esse preço de 50 reais por foto ta irreal. Tem que entender de fato o que eles tão te vendendo.
Importante entender que revelacao é uma coisa, digitalização é outra, e impressão/ampliação é uma terceira. Pode ser que o de 10 reais seja só revelacao, e o de 50 por foto inclua, por exemplo, digitalização em alta resolução e impressão…
André, obrigada pela resposta.
Realmente acho que estão se aproveitando da minha pouca compreensão sobre o assunto.
A digitalização dos negativos também custa caro? Liguei em vários laboratórios e a média é de R$60,00 por filme.
Estou me sentindo muito confusa.
Carla, a digitalização varia muito mesmo, principalmente porque existem várias forma da empresa trabalhar (digitalização manual, automatizada, tercerizada, personalizada, com ou sem tratamento…) e produtos a serem entregues (baixa, média ou alta resolução, com ou sem arquivo bruto…). Vai variar também de cidade pra cidade, e até de bairro pra bairro. O mercado, literalmente, dita o preço.
Logo, é importante comparar “banana com banana” na hora de escolher onde fazer esse serviço, ok? :-)
Abs!
Oi pessoal sou novo aqui,mas fotografo ha muito tempo com filme 120 e 35 preto e branco Tri X da kodak e outros,mas que não usam o processo c41 mas reveladores tipo D76,que podem ser usados facilmente em casa,usando a sua cozinha,com um tanquinho de revelação,baratissimo,e quimicos tambem baratos,faceis de achar,pelo menos aqui em Sampa.apos a revelaçaõ é so mandar digitalizar o negativo.Ha quanto a exposição devemos lembra que o filme preto e branco convencional não aceita muitos erros de exposiçaõ para menos como o colorido.
Falando de ampliações. Qual o tamanho que posso pedir para imprimir as fotos depois do filme revelado. Existe alguma tabela com valores minimos e maximos?
Segundo o manual da Diana F+ se eu não utilizar nenhuma mascara posso ter 12 fotos quadradas grandes: (5,2×5,2cm) / sem máscara / configuração de 12 fotos.
Como/quanto posso ampliar/imprimir isso?
Olha, na verdade, teoricamente, você pode ampliar do tamanho que quiser. Tanto em ampliador analógico quanto impressora. O problema é que alguns labs definem tamanhos com base em aproveitamento de papel, modelo de impressora…
Mas, a grosso modo, você pode imprimir do tamanho que quiser… :-)
Muuuito obrigada, André!!! Estou de olho em uma dessas câmeras… por isso quis tirar a dúvida primeiro… de repente consigo até o 35 fazendo algumas gambiarras! Mas só de saber que é possível ao menos com o 120, já alegra o coração hehe!
Conseguindo pode deixar que eu aviso sim! :)
Um abraço!
No caso de uma Bell & Howell Electric Eye 127, será que consigo usar o 120 nela? Estou com muitas dúvidas e não tenho achado muita informação disso… Pelas coisas que leio, tenho a impressão de que o 127=120… Alguém sabe?
Parabéns pelo site, André!
Oi Isabella!
Olha, dei uma pesquisada e descobri o seguinte.
1. Ainda tem gente empresa fabricando filme 127. Olha o último parágrafo desse (excelente) post sobre o 127… http://camerapedia.wikia.com/wiki/127_film
2.Tem como usar filme 120, mas só transferindo ele pra um rolinho 127 (que eu não sei se você tem)… aqui tem um tutorial: http://www.ehow.com/how_6106289_use-120-film-127-brownie.html
Procurando no Google deve encontrar outros. Eu procurei simplesmente por “How to Use 120 Film in 127 Camera”
Depois conta pra gente se conseguiu!
Bjs,
Caro André,
vou aguardar ansiosamente o(s) “post”(s) sobre o filme 220.
Parabéns pelo blog. Parece que está bombando.
Obigado! :-) Sobre o 220, ainda deve demorar um pouco, já que nem comecei a usar os que tenho! :-D
Abs!
Oi, André. Não manjo de Lomo, venho da publicidade desde meados dos anos 80. Soa estranho para mim “as fotos (geralmente) são quadradas”, porque na publicidade, além da Hasselblad, sempre se usou muito Pentax e Mamiya 6×7 para melhor aproveitamento da área do filme na proporção da página de anúncio; até mesmo as 645, mais utilizadas em moda.
Parabéns pelo blog e pelo incentivo ao estudo da fotografia analógica.
Abs
Oi Andréa! Sim, a diferença está na câmera de fato. As toycams que usam filme 120 de fato trazem novas molduras internas que permitem usar o filme em outros formatos que não os mais conhecidos, às vezes “abrindo” mais o quadro, e usando assim mais filme por foto, às vezes fechando, e assim usando menos filme por foto… Por isso o “geralmente”:-)
Obrigado pelo apoio! :-D
Não sei se é só erro do laboratorista, alguns filmes pb 120 são sensíveis a luz por conta da base sintética que ajuda na duração e estabilidade do negativo.
O filme tem que ser colocado e retirado da câmera em pouca luz. Sempre guarde esses filmes na caixinha, protegido da luz. Não seguir essas “dicas”, pode causar essas entradas de luz no filme.
Veja se o filme que você usou tem essa camada sintética transparente, esse pode ser o motivo, mas também pode ser erro do laboratorista. ;-)
bancando o maleta: não é errado dizer 120mm? que eu saiba o número 120 não tem a ver com a medida, mas sim com o corte que é realizado na folha de filme, assim como o 220. Já o 35mm é chamado assim pois o filme tem 35mm de largura ou 135 que é o corte na folha de filme.
O blog ta muito bom, vim aqui atrás de dicas de labs
Cara, você tá certissimo. valeu! Vou corrigir ;-)
Abs!
Samuel Paz, sou de Brasília também e sofre um problema parecido.
Onde você revela o seus filmes??
Pois eu estou desconfiada que foi erro do laboratorista, já que ocorreu essa “aparecimento de número do papel”, tanto em filmes coloridos como em filmes PB.
Curto muito fotografar com 120, mas meus problemas para a prática constante são os mesmos citados no texto: custo. Uma boa TLR custa caro e o processo de revelar também :/
Vejam aqui as fotos que já fiz com filme 120, tem umas bem legais da cracolândia em 2009 com filme vencido em 1997:
http://www.flickr.com/search/?q=analog+120film&w=39802787%40N00&s=int&m=tags
Olha, o Leo Neves tá certo… essas fotos são muito boas! Você devia continuar nessa linha…
Tenho uma dúvida que me corrói faz tempo: porque os filmes 120 PB se perdem mais facilmente que os coloridos?
Vou explicar melhor.
Quando uso filme colorido na minha Lady Di F+ consigo (geralmente) aproveitar todas as fotos, mas quando uso PB perco muitas devido à superexposição.
Acho que o papel deixa passar alguma luz que sensibiliza mais os filmes PB que os coloridos. Em alguns casos (não é só comigo, já vi isso em fotos de outras pessoas no Flickr), dá até pra ver no negativo a marcação dos números impressos no papel, ou seja, o papel deixa passar luz.
Aqui tem um exemplo de foto com o número aparecendo. Dá pra ver os números 7, 11, 14, 15 e as bolinhas.
http://www.flickr.com/photos/minerva_77/6240815215/
Por Minerva 77 (Marta Díez)
Colei um velcro preto na “janelinha” de trás da câmera para evitar que entre luz, mas ainda não tive tempo de testar. Acho que vai funcionar, porque ficará aberto por pouco tempo, só o necessário para rodar o filme.
Até mais.
Acho que é meio que por ai mesmo, viu… Com certeza varia de filme pra filme, e de câmera pra câmera. Mas pode ser que seja questão de emulsão, ou pelo fato de filmes coloridos terem mais elementos visuais, que por sua vez podem ocultar esses “fantasmas”.
Nunca tive esse problema… Sabe dizer com qual filme, ou quais, isso acontece mais?
Aconteceu com filmes da Lomography e Neopan. Ambos ISO 100.
Valeu!
Os da Lomography são estranhos porque têm o papel preto e as letras brancas. Não sei como isso influencia o a entrada ou não de luz no filme por trás, mas é um ponto a se observar!
Os tais “fantasmas”, como você disse nem atrapalham. Até gosto. Ruim mesmo é quando o filme sai quase todo branco do laboratório.
Pode ser barbeiragem do laboratorista tmabém, mas não tenho como experimentar outro, já quem em Brasília só se revela filme 120 em um lugar.
Não sei se é só erro do laboratorista, alguns filmes pb 120 são sensíveis a luz por conta da base sintética que ajuda na duração e estabilidade do negativo.
O filme tem que ser colocado e retirado da câmera em pouca luz. Sempre guarde esses filmes na caixinha, protegido da luz. Não seguir essas “dicas”, pode causar essas entradas de luz no filme.
Veja se o filme que você usou tem essa camada sintética transparente, esse pode ser o motivo, mas também pode ser erro do laboratorista. ;-)
Samuel Paz, sou de Brasília também e sofre um problema parecido.
Onde você revela o seus filmes??
Pois eu estou desconfiada que foi erro do laboratorista, já que ocorreu essa “aparecimento de número do papel”, tanto em filmes coloridos como em filmes PB.
Nirvana, não acho que o aparecimento dos números seja culpa de quem revela. Tenho certeza que isso acontece porque o papel deixa vazar luz. O que me preocupa, no caso do laboratorista, é a quantidade de filmes totalmente brancos que recebo. Isso aconteceu com 3 dos 5 rolos de filme PB que revelei (comecei tem pouco tempo).
Teve um rolo que saiu todo assim:
http://www.flickr.com/photos/samuelpaz/5969816468/
Só consegui aproveitar esta foto, mesmo assim não achei lá essas coisas.
Sei também que a culpa não é minha , porque revelei o triplo de filmes coloridos (cromo e negativos) e todos vingaram. Eles devem fazer besteira com os PB.
Quanto ao local de revelação, faço na JM. Pelo que sei é a única loja de BSB que revela filmes 120. Nunca tive problema com os 35mm, que revelo na Pro Fox, em Taguatinga.
Té mais.