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O Que é Filme RedScale? Ou “de onde vêm aquelas fotos laranjonas?”

por em 01/12/2011
 

“sobre as nossas cabeças…” Emelly Varela

Essa é fácil. Filme redscale é um lance que inventaram, não sei aonde, por não sei quem, de enrolar o filme (o filme mesmo… o plástico cheio de química...) ao contrário no rolinho da bobina, de modo que a parte que fica exposta à luz quando você bate uma foto é o verso do filme, e não a frente, como deveria ser.

O resultado dessa viagem é que a luz queima a química que forma a imagem da foto de uma forma diferente: ela passa pelo plástico que é a base do filme ANTES de chegar na química. E, como o plástico é avermelhado, ele funciona como um filtro daqueles que se coloca na frente da lente. Um filtro meio laranja, meio vermelho, dependendo do filme.

Spotlights

Spotlights, por André Corrêa

[Update de 17/02/12: Vivendo e aprendendo! O colega Damião Santana nos chamou a atenção pro fato de que a teoria acima é uma “crença popular”, e não é o motivo real das cores laranjona/vermelhonas. O motivo real é que a luz bate nas camadas de química (emulsão) de trás pra frente, batendo primeiro na emulsão vermelha. Isso é que causa a coloração, e é isso que permite as empresas que fabricam redscales bolar resultados diferentes, como cores variáveis de acordo com o ISO. Legal, né? :-)]

Bom, basicamente é isso. O efeito é esse, das fotos do post. Mais fotos podem ser vistas aqui, nesse link pro Flickr.

“E onde é que eu arranjo isso?” Bom, tem a forma fácil e a forma barata.

Forma fácil: comprar os já prontos, fabricados por aí. Conheço os da Rolley e os da Lomography.

Lomography Redscale 100 35mm

por Maria Lopes

Forma barata: comprar filmes muito baratos e fazer em casa. Não é difícil. Já fiz umas dezenas em casa (cheguei a fazer pra vender, inclusive). E, dentro da filosofia “pra que escrever tudo de novo se alguém já escreveu tão bem”, vou recomendar aqui o post do Toy Camera Blog chamado… tcharãaaaa! “Como Fazer Redscale”! :-) [Update de 14/08: o blog onde esse link ficava saiu do ar. Poréeeemmm… temos um outro tutorial aqui mesmo no QF, e você pode acessá-lo aqui! ;-) Mas o blog deixa de fora duas dicas importantes:

  • Filme barato: você pode, e deve principalmente nas primeiras vezes, usar filmes baratos. Aqueles Kodacolor que vendem em lojas de revelação e até em algumas padarias e farmácias já tá ótimo. É por causa DESSA dica que essa passa a ser a “forma barata” de se conseguir um redscale.
  • Compensação de luz:primeiro a dica, depois a explicação chata.
    • DICA: quando usar um redscale caseiro, sempre programe a câmera pra um ISO um ou dois pontos MENOR que o do filme usado. Se o filme é 400, use na câmera 200 ou 100. Se for ISO 100, use 50 ou 25. Se sua câmera não chega a números abaixo de 100, tente tampar o sensor do fotômetro (às vezes ajuda) ou fazer múltiplas exposições, quando não puder usar/aproveitar muita luz.
    • EXPLICAÇÃO CHATA: O plástico dos filmes comuns não são feitos pra receber luz por trás. Portanto, eles são meio escuros, e impedem a passagem de toda a luz necessária pra formar a imagem no filme. Daí o jeito é tratar o filme como se fosse um filme mais lento (lembra das explicações sobre ISO?). Em filmes que já saem de fábrica sendo redscale, isso já vem resolvido.
canonet ql19 - redscale 200@25

por André Auke

E, como diria o falecido tio Steve Jobs, one more thing: na hora de scanear o filme, lembre-se que, como você usou ele ao contrário, voce deve posicionar o filme ao contrário também, ou então girar horizontalmente as imagens depois de scaneadas. Qualquer aplicativo basicão faz isso, inclusive aqueles que já vem no windows e no mac.

[Atualização das 10:42 de 01/12] Outro problema que acontece ao scanear numa loja ou lab é que, como os scaners não estão preparados pra digitalizar uma imagem toda laranja, os ajustes automáticos acabam tentando ajustar a cor, o que pode empalidecer bastante o efeito rescalde. Avise a quem for scanear sobre essa propriedade do filme pra evitar surpresas ruins…

Bom, acho que é só isso só.

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comentários
 
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  • Aiesca
    10/09/2013 em 8:24 pm

    Oi André, nem sei se vc vai responder pq o post e antigo. Bem fiz o redscale caseiro, com um colorplus 200 pus o filme na câmera, uma sprocket rocket e bem feliz fui fotografar. Qual minha surpresa quando peguei as fotos e nada de redscale… O cara do lab disse que eu devo ter colocado na câmera ao contrário mas será?? O que pode ter acontecido?
    Será que eu debobinei sem inverter????
    Me da uma dica do que pode ter acontecido.
    Abs

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    • 10/09/2013 em 11:07 pm

      Oi Aiesca! A gente responde comentários de posts novos e velhos igualmente ;-)

      Olha, se você inverteu o filme e colocou ele ao contrário na câmera, o redscale foi feito. Agora… Quando você diz que não tinha nada de redscale está falando que viu as fotos digitalizadas? Porque elas podem ter sido corrigidas pelo scanner do lab, e aí as cores ficam normais…

      Responder

  • Eloá
    21/11/2012 em 9:44 pm

    olá
    gostaria de saber se o redscale caseiro é revelado normalmente, pelo C-41 mesmo, pois estou com sérios problemas com os laboratórios.. tá difícil de achar um confiável e que atenda minhas necessidades.

    Responder

  • Graziella
    11/08/2012 em 11:49 pm

    poxa, não tem mais como acessar o link, dá algum tipo de erro :(

    Responder

  • 04/04/2012 em 9:50 pm

    Oi, André! Já peguei as fotos… O cara não sabia puxar, então fez 400 mesmo… Elas saíram boas, muito legais mesmo. Só que tem umas faixas horizontais azuis nelas. :o O que pode ser???

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    • 05/04/2012 em 1:24 pm

      Oi Patty! Esses rastros azuis são bem comuns. Eu tenho uma teoria de que essas são marcas dos trilhos do minilab. Só não sei porque esses arranhões dos trilhos causam esse efeito no redscale, mas não nos filmes “comuns”…

      Mas com certeza é do lab. Se voce for olhar galerias de fotos de redscale, do mundo todo, vai encontrar, em uns 20% delas, esse tipo de coisa…

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      • 07/04/2012 em 9:42 pm

        Pois é, eu vi mesmo uns arranhões nos negativos, principalmente nas últimas poses… Será q tem a ver com o lado do filme q é manipulado? Como o redscale está invertido, sei lá… E pior, o cara escaneou ao contrário os negativos… Tive que virar tudo no photoshop… haha

        Responder

        • 08/04/2012 em 12:25 am

          Pois é… Também pensei que tivesse a ver com a forma…. Vish!! Acabei de me dar conta de que o que deve arranhar o filme é a camera, e não o lab! Afinal, no lab ele é manuseado da mesma maneira de sempre… Mas na camera não!

          Esquece tudo que eu disse no comentário anterior. Deve ser a camera… :-)

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  • 28/03/2012 em 9:39 am

    Hey, André! Legais as fotos… Ficaram com mais granulação, né? Mas o contraste é bem legal… Bom, eu vou tentar revelar 500, mesmo pq o dia estava meio nublado, com aquele sol que vai e volta e estou com um pouco de medo de ter subexposições demais… Vou conversar com o cara do lab e ver se ele acompanha meu raciocínio… Pq ele é de bairro e não está acostumado com essas coisas diferentes… rsrs Depois eu aviso o que aconteceu. Bjs!

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  • 27/03/2012 em 10:16 pm

    Usei um redscale 50-200 numa Eximus. Ela não tem regulagem de iso, mas fotografei apenas em ambientes externos e com sol. O filme tem marcado iso 400 nele. Eu devo avisar para o cara do lab puxar o filme? E pra qual valor seria? Ainda estou um pouco confusa, pq pelo q entendi, meu filme deveria receber um pouco mais de luz do que um 200. Se ele for revelado como 400, as fotos ficarão mais claras? :/

    Responder

    • 27/03/2012 em 10:23 pm

      Oi Patty! Seu raciocinio tá certo… a camera expõe meio que como ISO 200. Mas as fotos não vão ficar claras não. Quer dizer, ACHO que não vai ficar mais claro… mas esses filmes de ISO variável me deixam confuso também. O Rollei Nightbird por exemplo também tem ISO variável, e quando revelei em 800, ao invés de ficar mais claro, ficou super contrastado, com as sombras super escuras… olha só: http://www.flickr.com/photos/andrecorrea/sets/72157629355816517/

      Mas eu tentaria revelar em 500 sim, viu?

      Bjs

      Responder

  • Pedro
    21/03/2012 em 6:25 pm

    Só para agradecer, busquei hoje no minilab o filme, fotografei em uma trip 35 como iso 50 um filme 400 invertido, o cara do minilabdisse que revelou como 40 mesmo..

    mas enfim, vale a experiencia, amei as cores :D

    Responder

  • 04/03/2012 em 9:43 pm

    É bacana esse uso do filme invertido né, como escrevi na Foto Inversa #02, aprendi isso sem querer e gostei demais.

    Muito bom o post.
    Abraço!

    Responder

  • Pedro
    07/02/2012 em 5:22 pm

    ok, eu exponho o filme com iso menor mas na hora de entregar o lab eu informo o Iso que eu usei para fotografar ou o iso do filme mesmo?

    Responder

  • 28/01/2012 em 9:18 am

    Nossa, que louco isso. Ameei!

    Responder

  • saulo
    03/12/2011 em 4:36 pm

    Olá! Usei a dica da Toy Camera de usar um filme baratinho e fiz o meu redscale ontem em casa pela primeira vez. Gostei bastante da última dica sobre o escaneamento, tava meio em dúvida com isso, porque já previne esse resultado que eu sempre fico cismando (efeito embranquecido nas partes mais escuras).

    Aliás, isso me lembrou uma dúvida. To usando um Konica Centuria ISO 100 numa Diana Mini, uma câmera onde eu não posso compensar o ISO, só mesmo regular a abertura do diafragma. Devo esperar algum resultado ruim/indesejável? Porque parece que compensar o ISO é uma etapa indispensável quando se usa redscale (pelo menos, nas dicas de técnica redscale que eu vi até agora, sempre mencionaram a regulagem do ISO). Todas as fotos que tirei foram em dias de sol claro com a abertura f/8.

    Responder

    • 03/12/2011 em 6:12 pm

      Opa Saulo! O importante no caso di redscale caseiro é “expor o filme mais a luz do que deveria”, seja compensando o ISO, seja na abertura, seja fazendo dupla exposição, seja usando em ambientes mais iluminados que o necessário. Se você já ta pensando nisso, deve ter resultados interessantes sim. Mas sempre pode ter uma surpresa ruim com toycameras. Faz parte… :-)

      Abs!

      Responder

  • 01/12/2011 em 10:48 am

    A propósito, André, parabéns pelo blog. Muito bacana a iniciativa!

    Responder

  • 01/12/2011 em 10:47 am

    Não seria mais prático usar um filtro laranja?

    Responder

    • 01/12/2011 em 11:12 am

      Opa primo! :-)

      Sim e não… A maioria das câmeras “low-fi” não suporta filtros de vidro. Até dá pra colocar gelatinas como filtros em algumas câmeras analógicas que não têm encaixe pra filtro (tanto antigas quanto a Trip 35 quanto toycams e lomos). Mas a inversão do filme acentua o contraste e os pretos também. Ou seja, o resultado acaba sendo diferente.

      Responder

  • 01/12/2011 em 10:25 am

    Essa eu não sabia. Pensei que fosse uma química diferente.
    Deve ter sido uma daquelas descobertas acidentais. O cara devia estar bêbado, cansado, ou de saco cheio do emprego, cometeu um erro e acabou dando certo :P

    IMPORTANTÍSSIMO: o link para o Toy Camera blog está errado. Está apontando para o site da Lomography.

    Responder

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