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Contando Até 10 Com Marco Gomes

por em 03/12/2011
 
Acende p!, por Marco Gomes

Acende p!, por Marco Gomes

E o nosso papo desse sábado é com o Marco Gomes, empresário, fotógrafo nas horas vagas, e corajoso o bastante pra fazer uma incrível série de fotos na Cracolândia (SP) que deixa muitos fotojornalistas profissionais de boca aberta até hoje.

1. Apresente-se pro povo…

Criador da boo-box. Empreendedor dedicado, nerd veterano, interneteiro profissional, cristão aprendiz, fotógrafo amador, marido apaixonado.

2. O que faz da vida?

Sou empreendedor profissional. Em 2007 criei a boo-box, uma empresa de tecnologia de publicidade. Hoje temos 60 funcionários, atuação no Brasil e América Latina, investimentos da Monashees Capital e Intel Capital. Nosso principal produto é uma rede de publicidade com 220 mil sites onde exibimos anúncios para mais de 65 milhões de pessoas todo mês.

trump tower, por Marco Gomes

trump tower, por Marco Gomes

3. E a fotografia?

Cresci sendo fotografado, senta que lá vem história…

Nos anos 70, quando minha mãe tinha uns 10 anos de idade, meu avô era taxista e um turista esqueceu no carro uma Konica SLR com lente F 1.2. Não existia rede social nem Internet, então meu avô não conseguiu devolver a câmera :)

Como minha mãe tinha 10 anos, cresceu fotografando com essa Konica (com uma lente F 1.2 que é um sonho!). Ela até trabalhou com fotografia em diferentes períodos da vida, atualmente é fotógrafa de eventos no DF. Graças a isso, como eu disse, cresci sendo fotografado :)

Agora ficar atrás da lente é hobby adquirido há poucos anos, em 2009 comprei minha primeira DSLR e comecei a fotografar, 1 mês depois descobri a fotografia analógica e a câmera digital começou a ficar empoeirada :D

4. E a fotografia analógica?

Como eu disse, 1 mês após comprar minha DSLR, conheci a fotografia analógica através dos amigos da comunidade Lomo BR, isso mudou minha vida. Lembro até hj do primeiro rolê, em Paranapiacaba, com filme europeu vencido que ganhei de presente da @michellets. Eu não sabia direito o que estava fazendo e perguntava tudo p/ meus pobres professores :)

Ao revelar o rolo vi que quase todas as fotos haviam saído diferente do que eu esperava, mas ainda assim retratando as cenas do jeito que elas aconteceram, então eu notei como é bom ser surpreendido pelo filme, mas sem perder o controle do todo.

Lógico que com o tempo eu fui aprendendo a controlar mais o resultado da fotografia analógica, mas acho que aquela “surpresa” ao pegar um filme revelado nunca se perdeu e é essa incerteza que traz toda a graça p/ meu hobby.

Dorme, por Marco Gomes

Dorme, por Marco Gomes

5. Quais câmeras analógicas você tem?

Um monte, ainda estou naquela fase inicial de juntar várias e depois ir eliminando pra ficar só com as melhores. Ainda não comecei a eliminar :D

É importante citar que eu não tenho fotômetro e a maior parte das minhas câmeras não tem fotômetro funcional. Em algumas é alimentado com bateria e o circuito está queimado, em outras eu nunca me interessei em colocar bateria. Sempre fotômetro “no achismo”, às vezes eu erro :D

Vou citar as que lembro de cabeça:

  • Nikon F2, comprada em Cuba, meu novo xodó, essa lente F 1.2 é um tesão.
  • Canon EOS Xs. Não é a digital, é a analógica, tecnologicamente é minha melhor câmera, uso quando quero ter segurança de resultado preciso sem risco de ferrar tudo por fotometrar errado.
  • Outra Canon EOS SLR. Eu não lembro o modelo e nunca usei pq a EOS Xs é menor e parece melhor.
  • AGFA Isolette II, ano 1945, filme 120, comprada em Montevideu, antiguidade, recursos limitadíssimos, difícil produzir boas imagens nela, mas de vez em quando eu arrisco e consigo.
  • Polaroid 650 CloseUp, presente da mamãe, estou começando agora, ainda aprendendo a fazer imagens decentes com o filme Impossible Project que precisa ser protegido da luz imediatamente após sair da câmera.
  • Zenit 12 XP. Essa pra mim é tipo um tanque de guerra ou uma AK-47, quando eu preciso ir p/ lugares inseguros ou tenho medo de perder equipamento, levo ela, custa menos de $100 e produz imagens lindas.
  • Olympus Trip 35, a mais prática, em minha opinião amadora a Trip tem o melhor “peso-espaço-benefício” de todas as câmeras analógicas. Sua discrição e velocidade te permite chegar bem perto da cena. Outra vantagem dela é ter fotômetro sem necessidade de bateria.
  • Yashica 35 RC, quase tão boa quanto a Trip, mas bem menor, lente semelhante, está quase virando minha preferida, pena não ter fotômetro não eletrônico como a Trip tem.
  • Lomo Supersampler, um brinquedo legal.
  • Lomo Action Sampler, outro brinquedo legal.
  • Duas kodak de plástico que ganhei em uma promoção, guardo essas p/ crianças usarem quando quiserem fotografar também e eu estiver com ciumes das outras analogicas :D

6. Tem algum filme de preferência?

Terminator II de James Cameron… Ok, ok, gosto muito do Ektar em X-Pro numa Olympus Trip. Gosto muito tb de fazer PB com o Ilford Delta 3200. Gosto de qualquer filme vencido há muito tempo… Ok, gosto de filme, pronto.

simbora pra montmartre, por Marco Gomes

simbora pra montmartre, por Marco Gomes

7. Tem algum estilo de preferência, dentro da fotografia com filme?

Gosto muito de fotografia em ambientes hostis, como guerra, favela, manifestações violentas. Chamam isso de fotojornalismo né?

Não sou muito teórico, não desprezo a teoria de jeito nenhum, mas não tenho muito interesse em ler profundamente sobre meu hobby, então tenho dificuldade em saber direito os termos técnicos p/ o que faço :D

8. Tem algum fotógrafo que seja referência pra você nessa área? Porque?

Como eu disse, não sou nenhum teórico ou profundo estudioso de fotografia, então em nomes p/ admirar eu sou bem clichê, Robert Capa, Cartier-Bresson… Mas na real minhas maiores lições e aprendizados vem da observação dos trampos dos meus amigos e contemporâneos que acompanho no Flickr e Instagram (SIM, por que não?).

timidez, por Marco Gomes

timidez, por Marco Gomes

9. Uma dica pra quem tá começando na fotografia analógica.

Minha mãe é fotógrafa, um dia perguntei a ela: “30 anos atrás como você fazia para saber se acertou a fotometria se não podia ver num LCD digital?” Ela me explicou que anotava tudo num caderninho e conferia depois da revelação, isso mudou minha fotografia analógica, passei a entender muito mais o que acontece em cada foto ao comparar duas imagens da mesma cena feitas com regulagens diferentes da câmera.

Então minha dica é: vc já está fazendo fotografia experimental pela cidade, então aproveita e faz logo o perfil hipster completo! Adicione ao look um bloco de anotações Moleskine cheio de rabiscos sobre câmera, filme, velocidade e abertura das cenas que vc captura :D

10. Outra dica, pra não te chamarem de egoísta…

Fotografe muito! Não vai desperdiçar filme à toa, mas tb não vai ficar guardando algo que foi feito p/ ser queimado :) Chegue perto do seu assunto, se for fotografar um desconhecido, converse, peça autorização e faça sua foto como se fosse a última e mais importante ação da sua vida. Não tenha medo.

E você pode ver mais das fotos analógicas do Marco Gomes no Flickr dele, aqui.

Quanto vale esse post pra você?
Pense nisso e, se achar justo, colabore conosco! Você pode apoiar o Queimando Filme através de doações (faça a sua aqui!), divulgando esse post para seus amigos, ou até simplesmente clicando nos banners dos anunciantes! Tudo isso ajuda o Queimando Filme a continuar postando conteúdo de qualidade para todos os amantes da fotografia analógica ;-)

comentários
 
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  • 03/12/2011 em 3:35 pm

    Isso aí… tá no caminho certo! “Se uma foto não está boa o suficiente é por que não se chegou perto o suficiente” já disse Robert Capa…

    ou seja, se envolver com o que vai ser fotografado é essencial!

    Responder

  • 03/12/2011 em 12:22 pm

    Parabéns pela coragem, Marcos. Suas fotos da cracolândia ficaram ótimas. Transmitem bem a angústia, abandono, sofrimento e outras emoções ruins daquele lugar.

    Seria muito te pedir para contar um pouco sobre a experiência?
    O que te motivou a fazer essa série?
    Como você se sentiu fazendo isso? Teve medo; se emocionou; pensou em desistir?
    Passou por alguma situação de risco?
    Como se sentiu ao ver o resultado?

    PS.: desculpem a intromissão, mas jogar um tema interessante assim na cara de um jornalista só podia dar nisso. :D

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  • Nirvana.
    03/12/2011 em 12:21 pm

    Muito legal!!
    O Marco Gomes faz o tipo de foto que eu gostaria de fazer, o fato é que eu não tenho essa coragem toda e não sou capaz de pedir permissão aos estranho(até porque tem muita gente que logo faz pose e um sorriso e quando você pede para ser natural, acham ruim!)

    Responder

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