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Conheça Davi Caires e seu Projeto BR 27

por em 31/01/2012
 

Como os meus (oito… talvez dez) leitores fiéis sabem, gosto de falar de projetos fotográficos aqui no site, mas raramente aparecem projetos de pessoas próximas complexos o bastante para serem “apurados”, como dizem os jornalistas. Mas eis que surgiu na minha caixa de email outro dia um projeto bem legal, que hoje trago procês.

O projeto BR 27, de Davi Caires, surgiu quando ele recebeu um convite para fazer a direção de fotografia de um documentário que iria percorrer todos os estados brasileiros em quatro meses.

Antes de começar, ele teve a idéia de ir além, e registrar em filme todo o trajeto que a equipe ia fazer. E pra aumentar seu desafio, escolheu apenas um filme e uma câmera, com uma lente: O filme Tri-X de ISO 400, uma Nikon FM-2 e uma boa e velha lente “cinquentinha” (50mm).

Mas porque filme? “Por achar que a relação homem x máquina x resultado artístico seja infinitamente superior quando se utiliza a película do que o digital.”diz Davi. E completa, falando sobre a escolha do filme: “É um filme de confiança plena, ideal para a viagem que teria zilhões de tipos e qualidades de luzes.”

O cara usou 20 rolos de Tri-X, que foram revelados só quando ele voltou do “tour”. “Ainda estou esperando o momento de fazer uma exposição. Como as fotos/temas são atemporais, então sei que, em qualquer momento que eu realizar a mostra, o impacto será o mesmo.” diz.

Mas como será que foi a experiência em si? Como a palavra, o cara:

Viajei com o objetivo de ter pelo menos uma foto publicável de cada estado. Então tive que conciliar esse ensaio, entre a rotina de uma produção de um documentário – que varia entre dez a doze horas diárias – e os momentos livres que tinha. Mas como eu levava sempre a Nikon, então há diversas fotos que fiz enquanto trabalhava.
Antes de viajar me perguntei diversas vezes qual seria meu tema/foco/argumento do ensaio que iria fazer. E confesso que pensei em um monte de coisas, porque achava que quanto mais específico fosse, mais interessante seria. Aí pensava: – só iria tirar fotos de estradas, ou só da arquitetura, ou só de transeuntes, ou só iria tirar fotos, durante a hora mágica, de crianças albinas destras, cujos primeiros nomes começassem com “Q”.

Quando eu pisei o pé na estrada todas essas hipóteses foram por água abaixo.

Minha primeira foto da viagem foi a de um maluco de rua no Rio. Estava sentado na calçada esperando a van chegar, fumando um cigarro. Daí surgiu o maluco e me pediu um cigarro. Dei o cigarro, acendi pro cara, ele se sentou ao meu lado, cruzou as pernas elegantemente, olhou para o outro lado, deu um bom trago no cigarro e continuou com seus delírios cotidianos. Peguei a câmera da mochila, sem despertar atenções, fiz um pré cálculo da fotometragem, apontei pro mendigo, corrigir alguma coisa e tirei a foto. Três segundos depois o cara levantou, não se despediu, foi embora e ainda jogou o cigarro pela metade no chão.

Ele foi embora e eu fiquei um tempo parado absorvendo aquele momento. E cheguei ali na conclusão de que eu não precisava correr atrás, definir e perseguir tema algum naquela viagem. Os temas viriam até a mim! O ensaio seria um registro particular do cotidiano de uma viagem pelo Brasil e ponto.


Uma das fotos que tenho mais apreço é a das crianças acrobatas da Mongólia
, que fiz no Espirito Santo. Ali foi o acaso jogando ao meu favor. Estava em um hotel em Vitória, dentro do elevador e sem querer apertei o botão errado do meu apartamento. Quando a porta se abriu, me deparei com uma das cenas mais geniais dessa viagem. Ali não era meu andar e havia várias crianças orientais, no corredor, treinando e se exercitando para um espetáculo de acrobacias que iria ocorrer em um circo na cidade. Eu sai do elevador, fiz um tipo de uma saudação para a treinadora, mostrei minha câmera e ela acenou que sim com a cabeça. 

Bom, agora é com vocês. Depois de bater esse papo com o Davi, porque não dar uma olhada nas fotos?

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comentários
 
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  • 01/02/2012 em 8:09 pm

    Acabou de ganhar mais uma leitora fiel (:
    sério, já li quase todos os seus posts! hehe
    Parabéns pelo blog :D

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  • 01/02/2012 em 3:09 pm

    muito massa!
    só me falta sair pelo brasil a fora e fazer essas caminhada
    já faço aqui com a minha!

    parabens pelas imagens !
    Satisfação

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  • 31/01/2012 em 6:07 pm

    Muito legal o projeto…

    Dale cinquentinha!!!

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  • Nirvana.
    31/01/2012 em 5:52 pm

    Fotos cotidianas feitas por um ângulo diferente, bastante natural!!!
    Como o filme PB é maravilhoso, dá um toque extremamente especial!
    A foto das crianças no ônibus… adorei!
    Parabéns para o Davi Caires, projeto lindo!
    E como sempre, o blog está incrível ;)
    Abraços.

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  • 31/01/2012 em 4:09 pm

    É interessante como ele consegue capturar a naturalidade das pessoas, mesmo fotografando de pertinho com a 50mm.

    Isso só se consegue com paciência. Tem que ficar no meio das pessoas até que elas se esqueçam que você está lá. Depois é só aguardar o momento certo e clicar. Só? Como assim, só? Isso é difícil pra burro. O cara é muito bom.

    Pronto. Já li o post, vi as fotos, twitei e comentei. Depois volto pra ver as fotos com mais calma :D

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  • 31/01/2012 em 3:45 pm

    Nossa! Fantástica essa experiência…
    Eu chegaria a dizer espiritual… Tá bom, peguei pesado, vamos dizer de auto-conhecimento, rs.

    Gostaria muito de ver essa exposição.

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  • 31/01/2012 em 3:40 pm

    Ah se eu pude$$e ter esse tempo disponível; com o maior prazer do mundo. Maravilhoso o projeto do Sr. Caires!

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