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Câmeras Rangefinder. Saiba o que são, e o que elas têm de tão legal assim…

por em 01/02/2012
 

LilásSenhoras e senhores, vocês podem já conhecê-lo do twitter, ou talvez de participações especiais aqui mesmo no blog (aqui e aqui). Mas hoje nosso amigo Fellipe Carneiro faz sua estréia como colunista do Queimando Filme! ;-) Agora chega de enrolação, e vamos ao que interessa: 

Mas o que raio é uma rangefinder? Calma. Estamos aqui para explicar isso. E é pra já!
O foco aqui é… foco. Sem trocadilhos. O que diferencia uma rangefinder de outras câmeras de visor direto (aquelas aonde você vê uma imagem diferente da que vai pro filme, como a Diana, a Holga, a Fisheye, a LC-A, etc etc etc…) é o sistema de foco. Quem já usou câmeras como a Olympus Trip 35, Lomo LC-A e outras com o foco por zona, sabe que não existe exatidão no processo.

Geométrico 4

“Foco por zona?!” É. Aquele sistema que tem uns símbolos de bonequinhos, que representam uma certa zona (sacou) onde a imagem vai estar em foco. Tudo o que se têm nessas câmeras é uma regulagem com símbolos de uma pessoa, duas pessoas e uma montanhinha. Algumas têm escala em metros, que não vai ser muito útil se o fotógrafo não andar com uma trena no bolso, ou tiver uma PUTA noção de espaço. O jeito é usar o olhômetro.

No geral, isso pode não parecer um problema. Mas é, se você está usando uma câmera com lente clara (como f/2, f1.8 ou menos), onde a profundidade de campo (a tal “zona” que fica em foco) chega a ser coisa de poucos centímetros, dependendo da situação. Já pensou ter uma zona de um centímetro, e ter que acertar “no olho” esse foco?

Então, pra focar direito, uma pessoa, ou uma câmera, tem que saber a distância exata entre a câmera e o assunto da fotografia. E nada melhor que um aparelho chamado rangefinder, (range = distância, finder = achador. “Achador de distância”(ugh!) ou telêmetro, em bom português). Um aparelho desses consegue medir a distância entre você e um objeto qualquer apenas observando-o, o que é ideal para se colocar em uma câmera! Também seria legal poder implantar na sua cabeça… mas isso é assunto pra blogs mais cyberpunks. Este aparelho, somado ao mecanismo de foco da câmera, permite que o ajuste de foco seja perfeito, em qualquer distância. Seu funcionamento se resume a um jogo de espelhos e um prisma, que acoplado com o mecanismo de foco, projeta uma imagem duplicada no centro do visor:

Quando o objeto em questão não está corretamente focalizado, a imagem central aparece desalinhada, como na imagem abaixo (se não conseguir ver, clica pra ver maior):

Bico fora de foco…

Bico em foco.

Ao alinhar ambas, a distância correta foi determinada e o foco está feito, e é só clicar!

Mas… tem que tomar cuidado, porque uma rangefinder não é uma SLR. Apesar do foco ficar perfeito, a imagem que você vê (o quadro montado) não é exatamente o que vai pro filme. Existe a tal da paralaxe: Quando fotografamos algo próximo da câmera, estamos observando por uma janela um pouco distânte da lente principal. normalmente há marcas no visor mostrando qual é o enquadramento esperado, o que ajuda muito.

Outro detalhe é que apesar do telêmetro achar o foco correto automaticamente, é você que gira o anel de foco. Foco correto não é foco automático! Mesmo numa Leica M9, rangefinder digital top top top, o mecanismo e funcionamento permanecem iguais. Nada de motores de foco.

E qual é o barato da rangefinder?

Pescando com estilo IIEm comparação com uma câmera de foco fixo ou foco por zonas, é a precisão da focagem, e como normalmente usam lentes claras, o desfoque. Dá pra conseguir fotos com um desfoque muito bacana. Além disso, esse tipo de câmera, até a invenção da SLR, era a maior sofisticação na fotografia com filme 135, portanto é de se esperar lentes com bastante qualidade.

Em comparação com uma Reflex, as rangefinders são menores e muito mais silenciosas, o que ajuda a ser discreto, fazendo desse modelo de câmera uma campeã para fotos de rua: Basta dizer que o aclamado Henri Cartier-Bresson (o fotógrafo, não o gato) usava uma rangefinder da Leica. Seu mecanismo silencioso também é favorável ao fotografar em locais onde o barulho pode ser um problema, como em um teatro ou em locais de meditação. E como se isso não bastasse, focar nessas câmeras é muito legal!

“Bacaninha, mas quais são, hoje, as câmeras rangefinders mais comuns pra queimar um filme?”

Olympus 35RC

Foto: Tai Chung

Olympus 35RC

Uma câmera pequena, que trabalha normalmente em modo de prioridade de velocidade (equivalente ao S ou Tv nas câmeras modernas) ou então totalmente manual. Pode ser achada em sites de leilão por cerca de R$200,00. Vem com uma lente E. Zuiko 2.8 42mm, enquadrando um pouco mais que a tradicional 50mm.

Yashica Electro 35 GSN

Foto: Tom Hart

Yashica 35 GSN

Um pouco maior que a Olympus, a Yashica trabalha em modo de prioridade de abertura (como os modos A ou Av hoje) e claro, totalmente manual, e também gira na casa dos R$ 200,00 bem conservada. Sua lente é uma Yashinon 45mm 1.7.

Canon QL19

Foto: Luiz Fellipe Carneiro

Canon Canonet QL 17, 19 e 28

As Canonet QL são praticamente iguais, o que muda principalmente entre uma e outra é a lente, sendo uma 45mm com abertura máxima de 1.7, 1.9 e 2.8 respectivamente. Trabalha em modo de prioridade de velocidade, selecionada no barril da lente e não no topo da câmera, como é mais comum. Em funcionamento, seu preço fica entre R$ 120 a mais de R$ 200, dependendo do modelo.

Leica M4.jpg

Foto: Christopher Robin Roberts

Leica M

Não podemos fechar um artigo sobre rangefinders sem falar da mítica Leica M. A qualidade da manufatura de suas câmeras e lentes, sua resistência, precisão e nitidez colocou a marca como um objeto de desejo para qualquer fotógrafo. Mesmo as mais antigas tem preços na faixa dos quatro dígitos. Uma câmera mais conservada e recente pode facilmente passar dos 5 ou 8 mil reais, e com uma lente da marca seu custo pode passar facilmente dos R$ 10.000. Porém, essas máquinas não estão sujeitas a desvalorização como câmeras comuns, sendo tratadas mais como verdadeiras jóias. Quem tem uma garante que vale cada centavo!

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comentários
 
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  • 11/07/2015 em 3:48 am

    Prezados, André e Fellipe!

    Achei bacana os comentários de vocês a respeito das rangefinders, mas há um equívoco em relação à afirmação de que só a Leica continua fazendo este tipo de câmera. Na verdade, a Voigtlander também continua fornecendo os modelos Bessa, novinhas, como estas dos links:
    http://www.bhphotovideo.com/c/product/483744-REG/Voigtlander_AA125M_Bessa_R4A_Camera.html
    http://www.bhphotovideo.com/c/product/476498-REG/Voigtlander_Bessa_R3M_1_1_Viewfinder_35mm.html
    http://www.bhphotovideo.com/c/product/484178-REG/Voigtlander_AA118GM_Bessa_R2A_Camera.html
    http://www.bhphotovideo.com/c/product/483745-REG/Voigtlander_AA126A_Bessa_R4M_Camera.html

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  • 26/04/2015 em 7:18 pm

    A olympus trip 35 não é rangefinder, né? a rangefinder seria a olympus 35 rc, certo???

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  • Milana Ferreira
    12/10/2014 em 9:05 am

    Eu tenho uma yashica electro, ainda não revelei o primeiro filme, eu espero que esse desafio de focar rápido e não perder o momento da foto, resulte em boas fotografias, mesmo estando a lente bem arrahada

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  • Marcelo Pires de Oliveira
    17/09/2014 em 1:57 pm

    Ontem aqui em Sampa , fu na loja do Bueno na Conselheiro , e vi umas 6 Yashicas , todas revisadas. Acho que a maioria ele esta vendendo por R$ 250.00 .

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  • 06/07/2014 em 11:11 pm

    Otimo post!!! galera onde acho pra comprar uma yashica??

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  • Celso
    28/05/2013 em 8:58 am

    Meu Pai utilizou a câmera Yashica Electro 35 em 1970, as fotos que ele tirou na ocasião são em branco e preto, de qualidade muito boa. Certa vez, achei as fotos num álbum antigo da família e comecei a respeitar essas câmeras. Hoje tenho uma idêntica à que ele tinha, além de ser muito boa, tem um design muito bonito, o que o coloca na lista das rangefinders mais procurados por colecionadores.

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  • Luís
    15/03/2013 em 12:20 pm

    Gostava de saber se estas máquinas em questão e o tipo de máquina (rangefinder) têm o modo de múltipla exposição.
    Meus cumprimentos

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    • 16/03/2013 em 7:25 am

      Oi Luis! Olha, depende da câmera. Ter ou não recurso de multipla exposição é uma escolha do fabricante, e não tem relação com o tipo de câmera (Rangefinder, SLR, TLR…)

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  • 08/05/2012 em 1:53 pm

    Ótimo post! Tenho uma Canonet 28 em perfeito estado. Vou voltar a usá-la em breve.

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  • 24/04/2012 em 2:01 am

    adoro rangefinders, já tive muitas. a yashica electro 35 gsn é minha máquina preferida ever.

    uma coisa que você esqueceu de comentar é o tanto que os visores das rangefinders são mais claros que os visores das relfex. e esse é um dos maiores motivos que fazem tanta gente gostar dessas bichinhas. além da vantagem de não terem espelho deixando o clique menos barulhento e com menos movimento fazendo a câmera tremer menos, facilitando bater fotos com velocidade de obturador maior.

    outra vantagem é que como o espaço entre a lente e o filme é muito curto, facilita bastante a construção de lentes que gerem pouca distorção. esse é um dos segredos do sucesso das lentes grandes angulares nesse tipo de câmera.

    e só mais uma coisa, pelo seu texto ficou parecendo que não existem rangefinders com foco automático, mas elas existem. a clássica Contax-G tinha um sistema que funcionava bem para sua época. e a moderna Fuji X-Pro 1 – que será minha próxima câmera digital – também tem foco automático. a Leica M9 não tem simplesmente porque a Leica não quer colocar isso na série M, não é porque não dá para colocar foco automático numa câmera rangefinder.

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    • 24/04/2012 em 7:18 am

      Com toda a certeza André, visor mais claro, independente da abertura da lente é uma grande vantagem, assim como o perfil mais raso da baioneta para o filme.

      A Contax-G e algumas outras poucas têm sim autofoco. Nos fóruns que dei uma lida, parece que há uma certa divisão sobre se são realmente “rangefinder cameras” ou “autofocus cameras”. Pelo que li da Contax-G ela manteve o telemetro, então ainda é uma rangefinder, que talvez alguns não considerem como “pura”. Whatever, tem um telemetro ótico, funciona do mesmo jeito, acredito que pode se encaixar na categoria.

      Já a X-Pro, essa passa longe de ser uma rangefinder (infelizmente). Primeiro não há telêmetro, o que já descaracteriza totalmente. Segundo que o foco é feito de forma 100% eletrônica, mesmo girando o anel de foco com a mão, não se movimenta os componentes mecânicos da objetiva, mas sim, envia um sinal para a câmera, que refaz o foco, o que eu achei muito muito lento. O visor hibrido, apesar de ser maravilhoso, não divide a imagem, fazendo-a coincidir quando do foco, como até a Contax-G faria. O que a X-Pro 1 tem de rangefinder é só o formato mesmo. Uma pena, já que até onde conheço, hoje só a Leica continua fabricando câmeras com essa tecnologia.

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  • Leo Siqueira
    21/04/2012 em 6:25 pm

    Ótimo post! Faltou falar das clássicas Zeiss Ikon Contax que eram as concorrentes diretas das Leica com lentes espetaculares (Sonnar, Biogon entre outras) consideradas até hoje as melhores lentes já produzidas.
    Alguns sites como referência:
    http://elekm.net/zeiss-ikon/contax_iia.html
    http://www.cameraquest.com/conrf.htm
    http://camerapedia.wikia.com/wiki/Contax_rangefinder

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    • Luiz Fellipe Carneiro
      21/04/2012 em 7:14 pm

      Pois é Leo, faltou essas e mais umas tantas, como a Rollei XF 35.
      Essas sobre as quais escrevi eu já tive a oportunidade de colocar meus dedos engordurados nelas!

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  • 29/03/2012 em 10:23 am

    Estou de olho numa Yashica e numa Minolta… A Yashica está novinha, mas não tem a Tampa da bateria :( e li que que as que estão por aí hoje em dia precisam de reparo em algumas partes por desgaste natural… Por isso pensei em ficar só com a Minolta (7s se não me engano)….
    Já vi no Ebay os adaptadores e achei também a capa da bateria, só que pra GSN preta… Alguém sabe se é possível usar essa mesmo? Não quero esperar tanto tempo pra clicar com ela. Se alguém tiver as duas e puder testar pra me contar, agradeço :)
    Ótimo post! Engraçado que os posts daqui quase sempre tem a ver com minhas dúvidas!
    Um abraço!

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  • 27/02/2012 em 8:18 pm

    Não ando sem minha M4. Maravilhosa. Recomendo. Belo site. Parabéns !!!!!

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  • 24/02/2012 em 7:45 pm

    cara, eu amo esse blog… :~~~~~~

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  • 06/02/2012 em 7:28 pm

    Ótimo post.
    Adoro, sou fã das rangefinders.
    Tanto que adoro usar a minha Canonet Ql 19. Mas ainda tenho a esperança de um dia ser dono de uma Leica M, rs.

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  • 01/02/2012 em 9:35 pm

    caramba, há tempos estou atrás de uma rangefinder para chamar de minha, mais especificamente tenho procurado uma olympus XA.

    Essas Canonet e yashicas não tem uma história que dá problema com a bateria por não ser fabricada mais?

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  • 01/02/2012 em 5:28 pm

    Otimo Post!!! parabens pela estreia

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