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Acertando na luz com uma câmera SLR, 2ª parte

por em 08/03/2012
 

Diafragma (clique para aumentar)

No último post da série sobre SLR falei que têm três elementos para controlar a luminosidade da foto: ISO, velocidade do obturador e abertura do diafragma. Pois então, chegou a hora de falar da última entidade da “santíssima trindade fotométrica”.

O diafragma, numa descrição bem livre, é um buraco no meio da lente. O tamanho dele pode mudar conforme a necessidade do fotógrafo, uma hora fica fechadinho, outra hora se arreganha todo. Esse abre e fecha me faz lembrar de  certa parte do corpo humano, sabe qual, né? Hehehe, espertinho… isso mesmo….o olho. Mais especificamente a pupila (aquela bolinha preta).

Faz um teste aí, vai te ajudar a entender. Fique no escurinho e se olhe no espelho. Vai ver que suas pupilas ficam dilatadas. Isso permite que mais luz entre no seu olho e te ajuda a enxergar em lugares pouco iluminados . Depois vá para o claro e repare que ela fica pequenininha, já que tem muita luz.

É assim que você precisa raciocinar na hora de fotografar. Se tiver muita luz, fecha o buraco, se tiver pouca luz, deixa ele aberto. Bem mais fácil do que você imaginava, é ou não é?

Anel do diafragma. Presente em lentes mecânicas (marcando f/16)

“Mas como eu sei se ele tá aberto ou fechado?” É só olhar o número no mostrador do fotômetro, ou então na própria lente, quando ela for do tipo mecânica.

O tamanho da abertura é representado assim: f/8.0, f/16, f/22, etc. Os números pequenos se referem às aberturas grandes e os números grandes às aberturas pequenas. Muita gente faz drama quando vê isso pela primeira vez, pensa que é complicado e tal, mas tem um jeito fácil de aprender (eu disse aprender, e não decorar), é só pensar como se fosse uma divisão.

Mostrador do fotômetro em câmeras Canon modernas (marcando f/5.6)

Quando a gente divide um bolo por um número grande de pessoas, cada uma fica com um pedaço pequeno, não é? Se o bolo for dividido por um número pequeno de pessoas, cada uma fica com um pedaço grande, certo? Então é só pensar que está dividindo o “f”, assim ó:

Números f (clique para ver melhor)

f/1.8 (“f” dividido por 1,8 = buraco grande).

f/16 (“f” dividido por 16 = buraco pequeno).

“Tá, mas o que isso tudo tem a ver com o post anterior, sobre velocidade do obturador?” Tudo uai! Velocidade, abertura e ISO, andam sempre juntos. São a santíssima trindade, lembra?

A fotometria começa com a escolha do filme. Se for fotografar ao ar livre em dia de sol, deve-se escolher um filme de ISO 100 a 400. Se estiver nublado, dispense os de ISO 100 e 200. Pode até apelar para o 800, se estiver muito escuro. Depois é só ajustar a velocidade e abertura conforme a necessidade.

Não tem regrinha mágica pra isso, tudo depende da luz e do que você vai fotografar. Digamos que você vai levar as crianças para brincar no parque e tem um filme ISO 100 na câmera. De repente o céu fica coberto de nuvens escuras. Vai voltar pra casa sem fotos? Não, né.

Tente baixar a velocidade do obturador e abrir bem o diafragma, assim você faz com que muita luz entre na câmera (diafragma) e por mais tempo (obturador). Se o fotômetro disser que está tudo bem, então é porque está mesmo! Em último caso você pode puxar o filme.

Só tem que tomar cuidado pra não baixar muito a velocidade, senão fica tudo tremido, tipo assim:

Fotometria correta, mas velocidade 1/15 e uma menina inquieta não combinam.

Resumindo: o ISO é a base da fotometria. Quando você diz para a câmera “ei, tô usando filme 200, tá?”, ela vai “calibrar” o fotômetro para ISO 200. A partir daí você está livre para variar a velocidade e abertura  conforme a necessidade. Obturador e diafragma são como os dois lados de uma balança. Você tira de um lado, compensa do outro até ficar equilibrado.

Detalhe importante: a fotometria visa conseguirmos fotos com a luminosidade correta, certo? Mas dá pra tirar fotos completamente diferentes da mesma coisa, no mesmo momento, e com o fotômetro cravado no meio. Não entendeu? Eu explico:

Olhe estas fotos da “menininha balançante-hipnotizante” aí de baixo (clique nas fotos para aumentar):

Em termos de luminosidade elas são iguais. Repare as sombras no rosto e no vestido. Idênticas! Isso porque o fotômetro está bem no meio nas duas fotos. Mas são diferentes por dois motivos: velocidade do obturador e abertura do diafragma.

Abertura f/10, velocidade 1/80, ISO 200

A primeira foi tirada com 1/80 (velocidade) e f/10 (abertura). Note que o cata-vento ficou “borrado”, porque 1/80 é uma velocidade muito baixa para congelar o movimento do brinquedo. Outra coisa que dá pra ver é o fundo relativamente nítido. Dá para identificar bem o que está lá atrás. Isso porque o diafragma está fechado, garantindo grande profundidade de campo.

 

 

Abertura f/2.8, velocidade 1/1000, ISO 200

Já a segunda foto foi tirada com 1/1000 e f/2.8. A alta velocidade congelou o cata-vento o diafragma bem aberto encurtou a profundidade de campo, deixando o fundo desfocado. Isso é legal porque evita que o fundo desvie nosso olhar da menina, que é o principal elemento da imagem.

“Mas o que é melhor, velocidade alta + abertura grande, ou o contrário?” Sei lá, não sei o que você vai fotografar. Talvez um meio termo… Essa é uma decisão que se deve tomar a cada foto. Depende do que você quer mostrar, e de como você quer mostrar.

Quer que o cata-vento fique congelado, ou prefere o “borrão” que indique o movimento dele? Quer que o parquinho fique nítido para nunca se esquecer de como ele era, ou basta uma imagem com fundo desfocado, que apenas sugira onde foi tirada a foto.

O importante é pensar o que você quer dizer com a foto, entendeu?

Guia prático (não é pra decorar, é pra entender)

Abertura grande = número pequeno. Deixa entrar muita luz. Provoca desfoque, encurta a profundidade de campo, torna possível o efeito bokeh.

Abertura pequena = número grande. Deixa entrar pouca luz. Diminui o desfoque, aumenta a profundidade de campo.

Velocidade alta = número grande depois da barra. A luz entra por pouco tempo. Congela o movimento.

Velocidade baixa = número pequeno depois da barra, ou representado com aspas duplas quando maior ou igual a 1 segundo. A luz entra por mais tempo. Não congela movimentos mais rápidos.

Dever de casa:

1 – Entre no simulador de SLR e clique no “Manual (go for it)”

2 – Ponha a velocidade (shutter) em 1/500

3 – Corrija a fotometria alterando somente a abertura do diafragma (Aperture)

Depois disso pode ficar à vontade para brincar com o simulador. Experimente várias velocidades e compense a fotometria usando o diafragma. Pode comentar os resultados aqui, se quiser. Se tiver dúvidas pode perguntar.

 

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