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O Projeto Olhar Coletivo precisa de você! Vai encarar?

por em 20/03/2012
 

Durante a primeira semana da campanha “Quero Sua Câmera Velha” recebi um email que me fez parar o que estava fazendo pra ler com calma. Era o email de um cara de BH que cuida de um projeto chamado Olhar Coletivo que ensina fotografia pra crianças de uma comunidade carente. Ele fazia um pedido muito justo. Quem recebesse câmeras demais através da campanha, que mandasse pra eles, porque eles com certeza fariam bom uso.

Achei tão legal o projeto que resolvi escrever esse post dando espaço pra vocês conhecerem e ajudarem eles. Dá uma olhada no projeto e vê o que acha. Com a palavra, o próprio Jorge :-)

O projeto nasceu em 2009 quando a minha esposa, então professora de artes em uma escola da comunidade, encontrou em um armário 13 câmeras analógicas novinhas com filme e baterias. Na semana seguinte lá estava eu, dentro de uma sala de aula, aterrorizado com 17 crianças para ensinar fotografia. Eu nem sabia por onde começar: como eu ia falar sobre iluminação, enquadramento, regra dos terços e essas coisas todas? A solução foi entregar a câmera para o aluno e deixar ele descobrir as possibilidades da fotografia. Aos poucos íamos interferindo na forma como fotografavam, respeitando as escolhas de cada aluno e usando as próprias imagens deles para explicar a técnica.”

“No início de todos anos, com turmas novas percebemos que os alunos têm uma dificuldade em enxergar a comunidade como ela é, e acreditam que não há nada de interessante o suficiente para ser fotografado. Com o andamento da oficina eles não só aprendem a ver o mundo em que vivem de uma maneira mais positiva, como também desenvolvem competências ou, o que chamamos de perfis fotográficos. Os nossos alunos se descobrem fotógrafos de natureza, retratistas, de still life, documentaristas, etc. Além disso esta descoberta faz com que aumentem a autoestima pois percebem que podem fazer um trabalho bacana, de qualidade e respeitável.”

“Quando começamos o projeto tínhamos a ideia de usar a fotografia como outra forma de expressão artística. Hoje, percebemos que o projeto precisa ser maior, para atender crianças com idades a partir de 6 ou 7 anos de idade e desenvolver um trabalho até que esta criança chegue aos 16/17 anos e profissional de imagem. Talvez transformar o projeto em um curso profissionalizante para o que o jovem aprenda as possibilidades que este profissional tem no mercado de trabalho. O nosso receio é que conhecemos outros projetos que tiveram a mesma proposta e que hoje não existem mais. A ideia é ousada, mas não custa sonhar.”

“À primeira vista acreditamos que os alunos são os únicos beneficiados das ações do projeto, mas depois de 3 anos percebemos que nós também somos beneficiados pela alegria, pela convivência, pelo carinho e pelo acolhimento na comunidade. A partir da visibilidade e do sucesso do projeto, os pais, parentes e moradores da comunidade passam a acompanhar o projeto de uma maneira mais próxima, sugerir ações, além de participar ativamente. Isso é muito importante para todos os envolvidos porque sentem que a comunidade como um todo tem importância para a sociedade e não só para aquele lugar em que se encontram. Por isso sempre pensamos em ações a serem desenvolvidas não só na comunidade, mas fora dela também.”

“É uma forma de mostrar a quem está fora que um garoto de 11 anos, por exemplo, morador de uma comunidade é capaz de produzir imagens belíssimas daquele lugar que quase sempre tem sua imagem associada à violência, tráfico de drogas e que é muito diferente daquele lugar que a mídia mostra nos noticiários. O projeto tem o poder de transformar os envolvidos.”

Legal, né? mas tem mais… olha só alguns números do projeto:

  • Quase 80 alunos atendidos desde 2009;
  • 25 câmeras profissionais provenientes de doações, das quais 9 estão em funcionamento;
  • Mais de 250 fotografias expostas em galerias;
  • 7 prêmios concedidos ao projeto;
  • 4 alunos premiados entre os 3 primeiros lugares em concursos fotográficos desde 2009;
  • 13 exposições fotográficas em galerias;
  • 85 matérias publicadas sobre o projeto (tv, rádio, mídia impressa, Internet)
  • Convite para participar de um evento internacional (apresentação do Olhar Coletivo e exposição fotográfica) em Londres.

E ai? Vamos ajudar? Eu já tô catando aqui uma máquina – que funcione! – pra mandar pra eles… e você? Você pode acompanhar o trabalho deles pelo site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

Agora fique com algumas fotos feitas pelos alunos. Todas as fotos foram produzidas na comunidade do Morro do Papagaio, com‚ câmeras chinesas do tipo point and shot, com filme Kodak Proimage ISO 100.

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