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Dynamic Range, ou “porquê minha câmera não é tão boa quanto meu olho?”

por em 22/03/2012
 

Por Ana Carolina Vasconcelos

Você tá num ambiente com várias áreas com sombras e luzes em contraste, e quando você tira uma foto, ficam todas as sombras super escuras ou todas as partes iluminadas estouradas. Daí você se pergunta “Porra! Porquê minha câmera não é tão boa quanto meu olho pra pegar todas essas diferenças na iluminação do ambiente (ou qualquer outra pergunta, sempre começando com um palavrão frustrado)?” Pois bem, a explicação é o tal do Dynamic Range, ou Intervalo Dinâmico, ou Alcance Dinâmico.Acontece que o range, ou o intervalo, de limites mínimo e máximo de captação de variações de luz em uma mesma “cena” do olho, de uma câmera de filme (ou melhor, de um filme), e de uma câmera digital são muito, mas muito diferentes. A Wikipedia explica:

A visão humana possui uma gama dinâmica altíssima. Uma pessoa pode ver objetos tanto sob a luz das estrelas (apesar da diferenciação de cores ser bastante reduzida em situações de pouca luz) quanto sob um sul de meio-dia, mesmo que um um objeto, em uma noite estrelada sem lua, receba um bilhonésimo (ou 1/1.000.000.000) da iluminação que receberia em um dia ensolarado.

Placa do nhoque

Por Felipe Cunha Serrano

Mermão… um bilhonéeeeeesimo!! O olho humano é o bicho! Mas é claro que uma pessoa não consegue ter essas percepcões ao mesmo tempo. Os olhos demoram algum tempo pra se ajustar a diferentes níveis de luz. Mas mesmo assim, em uma determinada cena, ele consegue perceber muito mais variações do que suas imitações, as câmeras fotográficas. O intervalo dinâmico de uma câmera analógica depende do filme. Já a de uma câmera digital depende do sensor. O intervalo dinâmico de um filme, em geral, é bem melhor que a de um sensor digital (lembram do que falamos sobre Latitude? Então… é a mesma coisa), mas bem pior que a do olho humano.

Seus olhos vêem a imagem assim. Luzes e sombras sem estouros.

Mas uma câmera digital fotometrando a luz da cena vê isso: detalhes nas luzes, mas sombras sem detalhes...

...e fotometrando as sombras, vê isso: detalhes nas sombras, mas luzes estouradas.

A forma mais fácil de testar e comprovar isso é tirar uma foto de um lugar com grandes diferenças de luminosidade em diferentes pontos, e comparar o que você vê, com a foto digital, e com a analógica. É claro que o problema é que a analógica você só vai ver dias depois. Mas mesmo assim, quando for comparar a analógica com a digital, vai ver que o filme capturou mais detalhes, tanto nas áreas claras, quanto nas escuras, que o sensor digital. E é por isso, senhoras e senhores, que com a popularização da fotografia digital, ganhou força o tal do HDR, admirado por muitos, odiado por outros. A técnica HDR (que significa High Dinamic Range) nada mais é do que uma forma de vencer essa limitação dos sensores digitais. É simples: você tira três fotos, uma fotometrando a média de luz do ambiente, outra fotometrando os cantos mais escuros, e outra os cantos mais claros. Daí você vai no Photoshop, pega essas três fotos, e monta uma imagem só, usando como base a de luz média, usando as claras da segunda foto e as partes escuras da terceira foto.Antigamente isso era feito na mão. Hoje tem trocentos programas que fazem isso.

Ilha do Superagui, Paraná

Por Isabella de Santa

Uma pausa anti-polêmica aqui: o motivo básico de algumas pessoas odiarem HDR é porque conhecem apenas o trabalho tosco que alguns fotógrafos fazem de criar imagens bizonhas com essa técnica. Acontece que ela é usada todos os dias em milhares de fotos de moda, arquitetura, e outras indústrias, sem que ninguém perceba… e é assim que tem que ser. Um bom HDR não deve ser visto, porque deve ser percebido como uma imagem natural. Afinal, a técnica nasceu pra reproduzir a percepção do olho humano…Enfim, e o que isso tem a ver com minhas fotinhos analógicas que tiro nos meus fins de semana com a minha Holga?” Tem a ver o mesmo que a latitude tem a ver. É importante você saber o que vai e o que não vai sair na foto que você vai tirar daquele quarto escuro com janela aberta, ou daquela estrada rodeada de árvores, e iluminada pelo sol que passa pelas folhagens. “Tá… mas onde vejo o intervalo dinâmico de um filme?” Não vê. Que eu saiba não tem tabela pra isso. Dá pra saber mais ou menos usando as mesmas regras da latitude, mas básicamente é lembrar que o filme tem mais alcance dinâmico que o digital, mas menos que o olho humano. Somando isso ao seu bom senso, dá tudo certo :-) Tenha bom senso, e boas fotos!

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comentários
 
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  • william
    29/09/2014 em 3:06 pm

    João Rocha

    Apenas um pequeno comentário

    A Nikon na d7000 usa sensor da Toshiba,enquanto a Pentax sensor sony na seria k5 e k3

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  • 27/03/2012 em 7:24 pm

    A Sony chegou ser uma grande vendedora de câmeras eletrônicas analógicas. Os modelos da MaViCa anteriores à MaViCa FD eram analógicas, e gravavam em um disquete próprio. Depois que a Sony lançou a versão digital, a FD, que usava disquete de computador. Ainda se acham delas em feiras de antiguidades.

    A Wikipedia tem um bom artigo sobre estas câmeras.

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  • 27/03/2012 em 5:57 pm

    João e Ricardo, belos comentários, complementares ao post! :-) Por mais que o fórum aqui seja de amadores, papos mais complexos e completos são sempre bem-vindos!

    Ricardo, obrigado pelos parabéns!

    João, conheço a fotografia eletrônica “de disquete”, ou analógica eletrônica. Sou um profissional de marketing, e uso meu conhecimento pra levar meu produto (esse blog) pros meus consumidores (os leitores). Os leitores, por conta da Lomography e outros difusores da expressão “fotografia analógica”, a conhecem como tal. Por esse motivo, uso esse rótulo :-)

    Obrigado e, novamente, parabéns pela participação!

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  • 27/03/2012 em 3:24 pm

    João Rocha Braga Filho,
    o que você chama de HDR (levou este nome erradamente)não é….
    HDR vem do áudio e significa aumentar o range dinâmico.
    Aumentar o range dinâmico de uma fotografia é fazê-la mais perto possível do que vê o olho humano.
    O que se vê por aí usando 3, 4, 5 , até 1000 fotos chamam erradamente de HDR.
    Pois o recurso virou efeito…Já fui expulso de um fórum de hdr por tentar ensinar o certo.
    Podemos sim, ainda que vc diga que não, aumentar o range dinâmico com uma e apenas uma foto (a errada)
    Como faz a ferramenta Shadow Highlight do Photoshop…
    O que vem depois é invenção…
    Tamanha invenção que o aumento de range dinâmico da Nikon é chamado de D-light, para que não se confunda com este maluquice chamada HDR que inventaram e infelizmente usaram o nome de HDR….
    mas pode chamar do que quiser…não estou aqui pra ter razão.
    André Corrêa parabéns pelo BLOG…

    Responder

    • 27/03/2012 em 4:33 pm

      Eu estudei eletrônica. O conceito de faixa dinâmica é um muito amplo, usado em muitas situações, inclusive áudio. Não sabia que o termo HDR era usado em áudio, mas faz sentido. Existe o termo HDRI, que é imagem HDR, para especificar que se trata de imagens.

      “Pois o recurso virou efeito…”

      Sim. Muita gente se perde no mapeamento de tons, sem pensar em fazer a imagem realista.

      Eu já fiz imagens com faixa dinâmica superior a do olho humano. Foi proposital. Queria mostrar o máximo que podia da cena. Em alguns casos eu tive que fazer o mapeamento de tons por edição de curva no Cinepaint. Ficou muito realista.

      “Podemos sim, ainda que vc diga que não, aumentar o range dinâmico com uma e apenas uma foto (a errada)”

      Na realidade você só estará evidenciando o que já estava nela. O D-light faz algo assim, modificando a curva durante a conversão de RAW para o JPEG, suavizando as sombras.

      Acho que vou usar mais o termo HDRI, para deixar claro que estou falando de imagens.

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  • 27/03/2012 em 12:46 pm

    Um filme, segundo Ansel Adams, tem 10 pontos de latitude (EV) (2^10, 10^3), mas era possível, porém trabalhoso, atingir 12 EV. É capaz dos filmes terem melhorado, e ele se referia aos filmes preto e branco. Esta faixa é basicamente a da Nikon D90, da D300 etc.

    As câmeras digitais, quando atingem o limite máximo, elas ceifam, cortam. O filme, depois de atingir o limite, ele faz o que chamam de ombro. Entram em uma região não linear que continua variando a sensibilização de acordo com a luz.

    A pausa anti-polêmica foi muito boa.

    PS: Eu não gosto desta mania geral, inclusive que o autor deste blog tem, de chamar a fotografia de filme de analógica. Eu acho que a fotografia de filme não obedece a alguns parâmetros para ser chamada de analógica, e só passou a ser chamada assim depois da popularização da fotografia digital, para dar a ideia de oposição à digital. Sabia que existiu fotografia eletrônica analógica? Sim, ela existiu, mas a eletrônica digital a substituiu.

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  • 27/03/2012 em 12:32 pm

    “É simples: você tira três fotos, ”

    Só 3? Eu já fiz HDR com 8 fotos. Abaixo tem um exemplo de um HDR com mais de 3 fotos:

    http://jgoffredo.blogspot.com.br/2010/10/hdr-um-estudo-de-caso-making-of.html

    O olho humano tem uma faixa dinâmica de 10 elevado à 5, enquanto só agora as boas câmeras digitais (D800, D3x, D7000, um modela da Pentax que usa o mesmo sensor da D7000 etc) chegaram à 10 elevado a 4.

    Aliás, o HDR é muito mal entendido, e parte do ódio vem disto. Muitos tiram uma foto só, em JPEG mesmo, usam as ferramentas de mapeamento de tons, e chamam de HDR. Isto é um Pseudo HDR. E tem vezes que o resultado fica horrível, cafona, além de não ganhar nada nas sombras e nos claros. HDR implica em aumentar o alcance, é aumentar o alcance, para além dos limites da sua câmera. O artigo que indiquei acima deixa isto claro.

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  • 23/03/2012 em 12:33 am

    http://www.facebook.com/photo.php?fbid=3084721990507&set=a.3084714110310.130792.1037602898&type=3&theater

    Pensei que esa foto iria ficar escura, mas subi um ponto de luz e paguei pra ver. Acabou ficando legal. Na digital ficaria bem pior.

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  • 22/03/2012 em 3:06 pm

    amo iso 400 por isso…

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