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Câmera TLR. Aquela coisa estranha com duas lentes na frente…

por em 23/03/2012
 

Lubitel 166+, da Lomography

Todo mundo já viu, quem experimentou adorou, quem não experimentou acha que deve ser difícil pra cacete. Senhoras e senhores, com vocês, as antigas, porém eternas, câmeras TLR.

Elas foram inventadas por volta de 1870, quando alguém se deu conta de que seria legal ter um jeito do fotógrafo ver o que estava sendo fotografado de uma maneira mais realista do que nas câmeras com visor direto (aquela janelinha no canto da câmera que mostra uma imagem que não tem nada a ver com a imagem que entra na lente), e que não desse tanta dor de cabeça quanto as câmeras SLR da época, inventadas cerca de dez anos antes, e que eram um saco, porque você tinha que ficar mexendo manualmente no espelho pra focar e ajustar tudo, e depois mexer de novo pra fotografar, o que fazia o processo ser muito lento.

Por Maíra Erlich, com uma TLR Yashica A

Cá entre nós, é a té engraçado pensar que uma TLR fosse considerada mais rápida e prática que uma SLR, já que, pelo menos nos últimos… sei lá… 50 anos… a percepção geral foi sempre a contrária :-) Mas vamos falar disso depois. Primeiro vamos falar de como funciona essa bixinha.

TLR significa “Twin Lens Reflex” ou, em tradução livre, câmera reflex de lentes gêmeas. “Lentes gêmeas” porque têm duas lentes… gêmeas*… e “Reflex” porque têm um espelho que permite que você, olhando na janelinha de cima, veja o que está na frente da câmera.

Numa TLR, a lente de cima é a que produz a imagem que você vê no visor, e a lente de baixo produz a imagem que vai pro filme. Simples, né? Pois é. Eu disse que era simples.

Tá vendo alí, a imagem que você vê entrando pela lente de cima, e a imagem que vai pro filme entrando pela lente de baixo? Tem até o rolinho de filme 120 nesse desenho... legal ele, né?

As duas lentes são interligadas por umas engrenagens, que podem estar à mostra ou não, que permitem que as configurações que você colocar na lente de cima. Essas configurações são as que você já conhece: foco, obturador, diafragma… só que, dependendo da câmera, os controles podem estar perto da lente de cima, ou da de baixo. Mas dá no mesmo no final das contas.

Mas o grande barato da experiência de fotografar com uma TLR é aquele mega-ultra-grande-e-quadrado visor que tem no topo dela, e pelo qual voê vê a imagem, sem precisar encostar a câmera no rosto, enquanto mantém a câmera na altura do seu umbigo. É, literalmente, uma câmera “Shoot from the hip!” ;-) Esse visor é parecido com o que você tem em uma SLR… só que grande, Muuuito grande. Ele é básicamente do mesmo tamanho do quadro do filme que vai capturar a foto. Ou seja, você vê, em tamanho natural, como vai ficar a foto no negativo.

De resto, é tudo igual às outras câmeras que você conhece. Pronto. Acabou o mistério.

Dream a Little Dream Of Me...

Por André Corrêa, com uma TLR Lubitel 166+

Mentira. Não acabou não ;-) Numa TLR, a imagem que você vê está invertida horizintalmente com relação aos objetos reais.Ou seja, você vê as coisas à sua esquerda no lado direito da imagem, e vice-versa. Isso dá uma onda maneira no começo, mas logo você se acostuma (depois de alguns “woooowww… quê isso, mermão…”).

Pronto. Agora acho que acabou mesmo.

“Mas, enfim… o que tem de mais então uma câmera TLR?” A experiência. Fotografar com uma TLR é… diferente. Desde o fato de você não colocar a câmera na frente do olho, passando pelo lance da imagem invertida, pelos controles manuais espalhados em volta das lentes, até a sua relação com o visor gigante, tudo faz com que a experiência de fotografar com uma TLR seja mais artesanal, mais lenta, mais detalhada… mais íntima. São câmeras deliciosas pra se usar num fim de semana na praia com amigos, pra tirar fotos dos bebês da família, de paisagens… de cenas nas ruas. São câmeras gostosas pra se tirar foto “de longe” e não para closes e snapshots malucos (a não ser que você seja muito, mas muito profissa com ela, como a galera das antigas ;-). Sabe aquele lance de ter um carro e uma moto, o carro pra usar durante a semana, e a moto pros finais de semana? É mais ou menos isso.

Enfim, sugiro que você experimente. E pra experimentar não precisa muito. Câmeras TLR são as que mais se encontram em feiras e lojas de antiguidades. Não precisa comprar uma (funcionando ou não). Pegue uma qualquer, abra, pendure no pescoço, experimente o foco e os outros comandos, enquadre algo por perto, e tire a foto. Depois me diga o que achou. ;-)

Blackbird, Fly, da Toycamera

Se gostar, comprar a sua é bem mais fácil do que você imagina. A Lomography tem a Lubitel 166+, a Toycamera tem a Blackbird Fly e a Recesky TLR (que você monta em casa!), e nas feirinhas você pode encontrar várias funcionando, mesmo que esteja enferrujadas. Afinal, elas eram 100% mecânicas e, se nada quebrou, elas podem estar funcionando como novas, precisando só de uma bela limpeza.

* Na verdade elas não são gêeeemeas mesmo. A lente de baixo costuma ser bem melhor do que a de cima, já que é ela que está captando a imagem que vai pro filme. Na maioria das câmeras, inclusive, ela é maior do que a lente de cima.

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comentários
 
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  • Dison
    16/10/2015 em 12:13 pm

    Bom dia André!
    Estou com uma rolleiflex baby e não consigo achar o filme 127 pra experimentar.
    vc teria alguma dica de de local, seja loja física ou pela internet mesmo, para comprar?
    Agradeço.

    Dison.

    Responder

  • Péricles Dias
    03/06/2014 em 1:06 am

    Como fica o fotometro nesse tipo de câmera? Tô afim de uma Mamiya C330-S. Ela tem fotometro incorporado? Desde já obrigado!

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  • Lucas
    24/09/2013 em 6:05 pm

    Sábado 21/09/13 fui a pegar uma foto numa dessas lojas de fotografia, ou seja lá como se chama, já esta na minha cidade desde antes de eu nascer, acredito que ele não revelem mas filmes P&B, enquanto aguardava vi um filme Kodak 35 mm que lembrou a câmera que minha mãe tinha, não sei porque mas acabei pegando por 11 reais, dai cheguei em casa e fui pesquisar como acontece todo processo de revelação e tal, me interessei bastante e desde então venho acessando sites e encontrei o seu ontem, estou gostando muito da lomografia, já sou apaixonado por fotografia faz um ano, já estou ate planejado o meu presente de aniversário do ano que vem, vai ser uma Canon t3i , mas á encomendei a minha camera anologica que é uma dessas tlr que citou acima. Vai ser provavelmente a minha primeira camera analógica, estou gostando muito do site. Já aprendi varias receitas para revelação caseira de ontem pra cá, como a do cafenol por exemplo, pois os químicos e os materiais não estão acessíveis para mim, pois ainda sou estudante do ensino médio. Bom se tudo der certo e eu conseguir revelar a fotos postarei no Flickr e mandarei pra você.

    Att, Lucas Torres

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  • Álvaro Henrique
    11/09/2013 em 8:59 pm

    Olá André, muito legal seu post!!!Gosto bastante de 6×6! Eu tenho uma Lubitel 2 , mas ela está com o visor com fungos e a lente meio úmida… eu acho que vou troca-la por uma câmera 35mm que tem visor de tlr e visor de slr(não sei o nome da câmera e do tipo dela agora), e talvez comprar depois a Lubitel da Lomography, mas não sei se a da Lomography é boa quanto a velha Lubitel 2…. Oque acha da ideia?

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    • 12/09/2013 em 8:47 am

      Opa Álvaro! Acho boas as opções! A câmera da Lomography é bem mais frágil do que suas antecessoras, mas é bem boa de usar ;-)

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      • Álvaro Henrique
        12/09/2013 em 10:27 am

        Obrigado pela ajuda ;) ! acho que vou troca ela sim e depois comprar uma igual em bom estado e com capa original(a minha não tem capa) no ebay ou no ML , e depois quem sabe comprar a da lomography….

        Responder

  • Nicole
    17/04/2013 em 10:05 am

    Olá André,
    Tudo bem?
    Então, ganhei uma Lubitel 2 da Lomo, mas as lentes vieram com muitos fungos (a máquina estava na praia, acho que se proliferaram devido a exposição a umidade)… Você sabe se tem como retirar as lentes para fazer uma limpeza? Não gostaria de mandar a alguma assistencia pois a máquina está em estado bem delicado e eu tenho cuidado dela em casa mesmo… Abração!

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  • 06/02/2013 em 4:12 am

    TLR é demais, as Toycameras são legais de brincar, mas as Yashica, Mamiya e Rolley não tem nada igual, desde a forma como se fotografa até o resultado, tudo nelas é ótimo.

    Responder

  • Markos
    24/01/2013 em 10:24 am

    Ola André, estou querendo compra uma TLR, estou indeciso entre uma YASHICA A e BLack Bird, qual você acha melhor? E qual tem mais qualidade?

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    • 24/01/2013 em 1:57 pm

      Opa Markos! Olha, apesar das duas serem TLR, são bem diferentes. A Blackbird é uma toycamera, ou seja, simples, de plástico, pra fotos “for fun”. Uma TLR Yashica, por outro lado, é uma câmera (como dizem os mais puristas) “de verdade”, com tudo (ou quase tudo) que se espera de uma TLR tradicional (corpo e lentes de qualidade, opções variadas de abertura e velocidade…

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  • Debora
    15/01/2013 em 8:21 pm

    Oi tudo bem? To querendo comprar uma rolleicord, vc acha que vale a pena? Nao sei bem qual a diferenca de cord pra flex rs pode me ajudar?

    Responder

  • Claudia
    28/10/2012 em 9:53 am

    Minha infância pequenina foi fotografa com uma Rolleyflex Gray Baby. Não existe filme para ela (126). Mas é a câmera mais lindinha do mundo! Os slides que ela faz são um show de definição e tamanho. É a jóia número 1 da minha coleção.

    Responder

  • Claudia
    28/10/2012 em 9:48 am

    Tive uma Mamya c330 que vendi para comprar uma bicicleta. Me arrependo até hoje….

    Responder

  • Abrahaoms
    22/06/2012 em 10:27 pm

    Olá
    André

    Estava pesquisando sobre a Mamyia C330 existem modelos que foram montadas no Brasil e outras genuinamente japonesas? Será que existe alguma diferença na qualidade? Valeu

    Responder

    • 23/06/2012 em 9:48 pm

      Opa! Olha, dei uma pesquisada rápida e não encontrei nada sobre isso. EU diria que não deve ter não… deve ser que nem a Apple, que fabrica iPhone na China e no Brasil, e é tudo igual :-D

      Responder

  • Filipe Cardoso
    21/06/2012 em 10:18 pm

    Texto legal, tenho uma yashica A e um dos colaboradores do blog me deu um filme, estou fotografando com ela, vamos ver o resultado, já que a fotometragem é toda manual… tomara que eu não estoure ou deixe as fotos escuras! hahahaha

    Responder

  • Leandro Ferraz
    13/06/2012 em 8:51 am

    legal o texto André!!
    ganhei uma TLR da minha namorada, uma Amiflex, e a primeira reação foi essa mesmo (oq eu faço com essas duas lentes?!?!?) hehehe

    Mas eu pesquisei um pouco e acho que entendi a mecanica. Não vejo a hora de comprar o filme e começar a aprender a fotografar com ela… espero que esteja funcionando!

    Você já ouviu falar da Amiflex? Pesquisei e pelo o que eu vi fabricaram poucos modelos…

    Responder

    • 13/06/2012 em 8:59 am

      Opa Leandro! Você vai adorar a experiência! É bem diferente de fotografar com uma câmera “comum”;-)

      Sobre a Amiflex, não, não conhecia! Mas parecem ser bem legais, hein?

      Responder

      • Leandro Ferraz
        21/06/2012 em 2:16 pm

        tirei umas fotos com ela… é bem diferente mesmo! Mas é interessante continuar vendo a imagem em quanto tiro a foto… da a impressão que alguma coisa deu errado e que a foto não foi batida.

        Só achei muito dificil usar a camera sem um fotometro. Vocẽ sugere alguma coisa? Será que um fotometro de mão resolve?

        Responder

  • anac
    28/05/2012 em 12:10 pm

    Fui numa feira e tinha uma dessas TLR, eu nem sabia como usá-la haha. E, sério, eu tenho algo com aquela Lubitel 166+, ainda mais agora que descobri que ela aceita filme 135mm (o de 120mm nem vendem na minha cidade)

    Responder

  • Laylah
    26/03/2012 em 11:46 pm

    Fala André! Poxa, essa “bixinha” é mesmo linda, né? Ainda preciso comprar um filme e testar as belezinhas lá de casa… mas é sempre divertido abrir e ficar olhando, focando e desfocando as coisas e imaginando como seriam as fotos enquanto eu não crio vergonha e vontade e corro atrás do filme. É, preciso sair mais da minha zona de “des”conforto…

    Responder

    • 27/03/2012 em 10:34 am

      Poxa Laylah! Só falta comprar o filme? Perde o medo e manda ver!! :-) Compra um filme de ISO 400, colorido, que é uma boa pedida pra quem tá (re)começando, e manda ver!! :-)

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  • 23/03/2012 em 4:25 pm

    Otimo texto André, queria muito uma TLR, mas como Bresson disse para Doisneau

    ” Se o bom Deus quisesse que se fotografasse em 6×6, ele teria colocado nossos olhos na barriga. É incômodo olhar as pessoas pelo umbigo. E depois que você se curva, só falta emendar no pai nosso…’”

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  • Joao Pedro
    23/03/2012 em 1:17 pm

    a Recesky trl é boa? estou afim de uma TRL só que a BLack Bird é um pouco cara e a lubitel q é um sonho nem se fala, pensei na Recesky, pelo preço, mas e a qualidade?

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    • 23/03/2012 em 4:39 pm

      Olha João, nunca usei… mas quero uma! Na verdade, quero as duas. Mas, até onde sei, ambas têm lentes de plástico, o que diferencia muito a qualidade das fotos quando comparadas com uma Lubitel, por exemplo (como ocorre com qualquer comparação entre câmeras com lentes de plástico e lentes de vidro). E ambas usam filme 35mm

      Então é isso… a qualidade das duas (Recesky e Blackbird) não deve diferir muito não, viu? Devge ser meio que nem comparar uma Holga e uma Diana… iguais, mas diferentes ;-)

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  • 23/03/2012 em 1:15 pm

    SHOW heim!
    Eu achei mega estranho qdo peguei uma TLR pela primeira vez e a imagem estava invertida. mais é a coisa mais linda que já vi na minha vida ;o

    E mês que vem chega mais 2 lubitel na lojinha :p guardem dinheiro! uahuahua

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