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Contando Até 10 com Zé Antunes. O Zé, do grupo LomoRJ

por em 24/03/2012
 

O Zé Antunes é uma figura icônica entre os lomógrafos cariocas. Conhecidíssimo dos que participam da lista de emails do Google Groups LomoRJ, está em todos os eventos (na maioria deles como organizador), em todos os debates (principalmente nos acalorados) e está sempre inventando moda. Na qualidade de artista, gosta de inventar de tudo um pouco… e a fotografia analógica vai nessa onda. Dono de um olhar dinâmico, inquieto e questionador, está sempre cheio de fotos ricas em detalhes e significados. Inovador, crítico, polêmico. Com vocês, o Zé.


Yashica MG-1 - Superia 200 - Jul 2009 - 009-pola1) Apresente-se pro povo… Oi… Zé Antunes, carioca, apaixonado por viagens e arte. Poder me contradizer é uma necessidade de expressão. Prazer! =)

2) O que faz da vida?

Muita coisa… a sensação é de que faço mais coisas do que é possível em 24h. Formalmente trabalho em uma Consultoria e em paralelo (noites e finais de semana) tenho diversos projetos ligados à arte. Vou citar os nomes sem explicar muito (os links ficam lá embaixo pra quem tiver curiosidade). Toco baixo no Electric Goat Combo onde, além de música, fazemos material visual (projeções, teasers, etc) e faço parte dos Coletivos: Filé de Peixe, Apêndice e Substantivo Coletivo. Tenho projetos individuais de Mail Art (Arte Postal – com fotografias e colagens) além, claro, de trabalhos voltados pra fotografia. LC-A - Elitechrome 100 - Jul 2009 - 023Além de trabalhos autorais nos coletivos, damos alguns workshops ligados a fotografia Pinhole e a Processos Alternativos (como Cianótipo, Van Dyke, etc). Dentro do Filé de Peixe acabamos de montar o Lab Club que será um espaço para workshops e para experimentação em processos de revelação.

3) E a fotografia?

Fotografia é foda. Felizmente é um tipo de registro que existe na vida de todos desde muito cedo. Apesar de ter tido contato com a fotografia analógica quando criança, foi a fotografia digital que me aproximou do campo das artes visuais. Graças a facilidade disponibilizada pela tecnologia (produção massiva a baixo custo) que meus sentidos se aguçaram pra possibilidade de fazer e não apenas consumir arte. A evolução digital tem sido essencial na democratização de todos os tipos de arte (que é, historicamente, uma atividade elitista). Chicago - Pst + V100 -6

4) E a fotografia analógica?

Não vejo hierarquia de importância entre fotografia digital e analógica. São 2 linguagens, cada uma com características hiper interessantes. Acho a fotografia analógica sensacional porque ela muda a relação de interação com o processo. Você não vai clicar e ver como ficou na hora. Isto tira o imediatismo do registro e muda a sua relação com o objeto, com o tempo e com a imagem. A formação da imagem ocorre mais mentalmente… vc imagina resultados e faz combinações entre filmes e câmeras na qual o resultado real só virá realmente na revelação.

5) Quais câmeras analógicas você tem?

Muitas: Porst 35, XA2, Diana F, Olympus Trip, Olympus RC 35, Smena, Villia, LCA, Holga, PinHole sardinha (feita em casa), Luzia (pinhole desenvolvida pelo Substantivo Coletivo), Supersampler (alterada), Yashica MG-1 e mais um bando. Mas que fique claro que esta quantidade é um colecionismo e não uma necessidade. 04590004

6) Tem algum filme de preferência?

Por “segmentos”: – Para Crossprocess os cromos: EliteChrome 100 e CT Precisa 100. – Negativo para ToyCam: Lucky 200 (principalmente em RedScale com compensação na ASA) e VISTA 200 – P&B – Ilford HP5 Mas não dá pra abrir mão das outras possibilidades. A variação de filmes associados com as diferentes cams é o nosso Photoshop analógico.

7) Tem algum estilo de preferência, dentro da fotografia com filme?

Gosto da fotografia de rua. Todo mundo enxerga em um padrão (altura dos olhos / angulação)… o mundo é visto assim então tento trabalhar com uma fuga do nosso campo de visão. Daí tiro bastante foto com a cam no chão, abaixo ou acima da nossa linha de visão tentando recriar a cena normal de um ponto de vista que não usamos. Não diria que isto é um estilo, apenas uma abordagem. Tenho mais interesse pela correlação imagem e proposta do que por um estilo único.

8) Tem algum fotógrafo que seja referência pra você nessa área? Porque?

Não. Acredito na interdisciplinaridade das artes. Música influenciada por literatura, fotografia por artes plásticas, cinema por música, e por ai vai. Me influencio por tudo e por todos. Desde os clássicos como Cartier-Bresson ou Sebastião Salgado, trabalhos mistos como do Peter Beard na Africa, até fotógrafos amigos/conhecidos como o Gaston Tomasedig, Marcelo Carrera, Larissa, o pessoal do Fotoclube f/508 e todo o pessoal que faz parte das bandas e coletivos em que participo (Fernanda Antoun, Alex Topini, Fabricio Cavalcanti, Dudu Gomes). Diria que meus amigos e conhecidos podem me influenciar muito mais que grandes mestres pois com eles eu tenho a possibilidade de troca de idéias e conversas sobre a visão e o processo de percepção e criação. Isto acaba sendo uma questão muito particular porque depende do modo de interação de cada um. Eu sou mais de trocar idéias do que sentar a bunda e estudar, passar horas analisando as obras históricas, etc. Chicago - Pst + V100 - 17

9) Uma dica pra quem tá começando na fotografia analógica.

Hoje tudo está acessível. Pesquise bastante… o Flickr é um banco de imagens sensacional com Tags pra te dizer que filme foi usado, em que cam, etc. Faça pesquisas de fotos tiradas com o mesmo modelo de sua(s) cam(s) pra conhecer as diversas possibilidades que seu equipamento oferece. Carregue sua cam e solte o dedo. Se não tiver saco pra pesquisar (afinal, cada um tem seu jeito) solte o dedo mesmo assim e vá vendo o que funciona pra você.

10) Outra dica, pra não te chamarem de egoísta…

Viaje no processo e não tenha preconceitos. Tudo é válido. O processo te permite alcançar resultados diferentes e enriquece o seu olhar pra compreensão dos resultados obtidos, tanto dos seus trabalhos quanto dos outros. Gostou? Então dá uma olhada nos Sets do cara… lá você consegue ver não só o que ele apronta com analógicas, como também com digitais, iPhone, pinholeo cara não para, meu… o cara não-pá-ra… 

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