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Cameras SLR: o fotômetro nem sempre tem razão…

por em 27/03/2012
 

P&B0184 - Mercado Municipal Paulistano, de Rogerio Gomes P&B. Fotometria chatinha

Não existe verdade absoluta. Tá, desculpe o clichê, mas isso é absolutamente verdade (ops!).

Nos dois últimos posts sobre SLR eu falei que a fotometria está correta quando o fotômetro crava no meio. Essa “meia verdade” atende bem às pessoas com pouca criatividade, mas…como esse não é o seu caso, vou te explicar como sair da mesmice e não virar refém de um aparelho que, na verdade, é só uma ferramenta: desconfie do fotômetro. “Mas por quê?” Porque ele é burro. Incapaz de ver a cena da mesma forma que você.

Preto no Branco, de André Corrêa

Imagine que você resolva fotografar um gato predominantemente preto, sentado em um sofá branco, encostado em uma parede branca. >>>>>

Esse é o pesadelo de todo fotômetro. Quando você aponta para o gato ele te sugere abertura f/4* e velocidade 1/100*, mas se você mexe um centímetro pro lado ele grita “F/16!!!! F/16!!!!”*. O que fazer, então?

Bem, depende. Se for importante mostrar cada detalhe do gato, fotometre só nele (f/4, 1/100)* e transforme a parede e o sofá em uma brancura só. Se o que te interessa é a textura do sofá, feche o diafragma e transforme o gato em uma mancha preta. Mas se você quer mostrar os dois, mande o fotômetro parar de encher o saco, tire a média e use f/11*. No fim das contas, a decisão é sua, porque o cérebro está dentro da sua cabeça, e não na câmera. 

Nessa foto aí de cima, o André optou pelo meio termo. Não sumiu totalmente com o desenho do sofá, nem deixou de mostrar os pelos do bichano.

Aí o fotômetro disse: "tem muita luz! Fecha o diafragma!", e o André respondeu: "fecha você essa matraca!"

A dica para aprender isso direito é anotar a configuração da câmera em cada foto (ISO, velocidade, abertura) e condições de luz (manhã de sol, tarde nublada, interior bem iluminado). Gaste um rolo de filme fazendo fometria “certinha” (fotômetro no meio).

Depois de pegar as fotos, veja o que deu errado e tente refazer o trabalho nas mesmas condições, mas alterando abertura e/ou velocidade para compensar os erros. Nem ligue se o fotômetro reclamar.

*Valores meramente ilustrativos.

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comentários
 
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  • Alex Villegas
    23/08/2012 em 6:59 pm

    Sistema de zonas só é legal se você usa filme em chapas. Se usar rolos, tem que andar com no mínimo três câmeras, porque na hora de revelar não tem como separar as fotos…

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  • 30/03/2012 em 11:17 pm

    Frequetemente faço fotos pra eventos: teatro, dança e música. Gosto de usar as boas Zuikos adaptadas em uma Canon t3i. Isso hoje mas antes…

    Me motivei depois que fiz as fotos de um show de um amigo com uma Om1 e um proimage 100. Como o fotometro dela estava quebrado fui experimentando, e show é assim: luz quente, luz fraca, só azul, vermelhao, black out. Fui vendo e clicando…
    Mas eu só aprendi a entender (ou me confundir) sobre essa questão da fotometria quando adaptei a lente e vi fotos que estavam escuras no fotometro mas perfeitas na composição.

    Excelente post!

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    • SamuelPaz
      31/03/2012 em 6:46 am

      Obrigado Eden.

      Também gosto de fotografia de palco (principalmente shows de rock). A iluminação é meio caótica mesmo. Muda de cor o tempo todo e nunca está no mesmo lugar.

      Geralmente o fotômetro diz que a foto está bubexposta nessas situações, principalmente no meu caso, porque gosto de muita sombra, com luz apenas em algumas partes do artista que fotografo.

      Té mais!

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  • Denise Reis
    30/03/2012 em 11:13 pm

    Desconfie sempre… gosto de chegar com a câmera perto do objeto e fazer a medição. Se fosse para acreditar de olhos fechados seria melhor deixar tudo no automático, não é?
    Abs

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  • 28/03/2012 em 6:52 am

    Samuel, como tenho fotografado exclusivamente em filme P&B, os quais revelo e amplio em casa, além do objetivo de acertar sempre mais, também tem o fator financeiro. Queimar filme sim, dinheiro não!!!
    Pra isso, tenho lido muito sobre Ansel Adams e o seu ‘Sistema de Zonas’. É muito simples, e muito produtivo. Recomendo à todos.
    E lembrando que muitas cameras, muitas excelentes, e que são usadas até hoje, não tem fotômetros, este é um equipamento obrigatório, que se bem usado, liberta qualquer mente criativa.

    Grande abraço, e Bons CLicks

    Rogerio Gomes P&B
    http://www.flickr.com/photos/rogeriogomespb/

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    • SamuelPaz
      28/03/2012 em 12:51 pm

      Boa dica Rogério!

      Confesso que não conheço muito sobre o sistema de zonas, mas já ouvi falar. Tem quem ache complexo, mas muita gente diz que consegue aumentar a produtividade e qualidade das fotos. Vou pesquisar um pouco pra depois, quem sabe, começar a usar a técnica e falar um pouco sobre ela.

      Pelo pouco que sei, parece que envolve tanto a medição de luz, quanto o processo de revelação, é isso mesmo?

      Sobre as câmeras sem fotômetro, só conheço uma (sei que tem mais por aí), a Nikkormat FS. Tem umas 5 versões da Nikkormat, mas acho que é a FS que não tem fotômetro mesmo….

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  • Claudia Bucceroni
    27/03/2012 em 1:04 pm

    Na época do Daguerre, do Nadar, do Talbot, etc. não existia fotômetro.

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