“Mas, porra! DIGITAL Photographer?” Já vai começar dando esporro? Ou vai querer ler o review? Beleza então. Vamos em frente.
O mundo capitalista é mau, pega um pega gerau. E hoje, o que dá dinheiro, pra todo mundo, menos pra Lomography, pra Toycamera, e meia dúzia de gatos pingados pelo mundo, incluindo esse que vos fala, é fotografia digital. Então, não é de se espantar que uma revista sobre fotografia em geral, independente da plataforma, tenha um nome comercial ligado à fotografia digital, principalmente quando esse nome traz toda a (boa) carga da Digital Photographer original, da Inglaterra.
Mas as aparências, e as marcas internacionalmente famosas, enganam. A DPBR não é radicalmente dedicada à fotografia digital. pelo contrário, como cuido desse blog analógico aqui, e leio ela mensalmente, posso dizer por experiência própria que, no mínimo, 50% de cada edição é de utilidade prática para qualquer fotógrafo analógico. Também, não podia ser diferente, já que a revista é dirigida pelo completamente maluco pra lá de dedicado e apaixonado por fotografia de todos os tipos Mario Amaya, que já entrevistamos aqui, em uma das maiores, e mais divertidas entrevistas desse blog.
Como já disse em alguns posts em twitters e facebooks da vida, essa é “a melhor revista, com fins lucrativos, não “paitrocinada” por uma família de banqueiros, sobre fotografia do país.” Digo isso, porque a melhor revista sobre fotografia do país é a Zum, sobre a qual já falei aqui. Só que a Zum não é uma revista. É o que alguns acadêmicos chamariam de “caderno”. É uma resma de papel publicada semestralmente com um conteúdo (e preço!) de livro. Mas, apesar de tudo, não é cara, o que prova meu ponto: ela não deve dar lucro NENHUM pro Instituto Moreira Salles*, que o publica. E, quando não se está atrás de lucro, é mole fazer alguma coisa. Não precisa de anunciante, não precisa escrever matéria pra agradar “as massas”… enfim.
Mas, voltando ao mundo real, a DPBR faz um excelente trabalho, trazendo todos os meses coisas básicas e ao mesmo tempo fuçando as masmorras da fotografia atrás de temas, tabus, e técnicas diferentes. E, apesar de trazer sempre reviews (ótimos) dos equipamentos de ponta, não se apresenta como um catálogo técnico e acerebrado como umas e outras por aí. É daquelas revistas que dá gosto colecionar pra, de vez em quando, voltar lá e ler sobre aquela técnica, ou sobre aquele fotógrafo.
Além disso, não sei se pelo cabresto do Mario, ou por ordens dos donos da marca lá fora, o cuidado técnico e estético da revista é excelente. A diagramação, o design da identidade visual, tudo leve, diferente de qualquer outra revista nacional (comercial) sobre fotografia que eu conheça.
Enfim, dado que é uma revista brasileira, deixo pra você a opinião final. Porque da próxima vez que sair de casa não pega uma na banca e dá uma folheada?
* Pra quem não sabe, o IMS pertence aos Moreira Salles, fundadores e donos do Unibanco, e hoje sócios do Itaú, que comprou o Unibanco. Os filhos do “seu Moreira Salles pai” são conhecidos. Um é o Walter Salles, que você conhece do cinema brasileiro, e o outro é o João Moreira Salles, também cineasta e dono da Revista Piauí. Todos na familia são apaixonados por fotografia, e ricos pra cacete. As revistas que eles publicam não precisam dar lucro, apesar de serem excelentes ;-)

Eu estou lembro pela primeira vez a DPBR deste mês de Junho e estou adorando. vale a pena comprar.
Eu não acho que a Zum seja revista, mas um formato intermediário entre revista e livro, com periodicidade regular – aquilo que os gringos chamam de Journal. A DPBR e suas companheiras não competem com a Zum de forma alguma. Elas são revistas segmentadas mensais ou bimestrais, suportadas pelo setor de varejo e pela indústria de consumo.
Em pleno século 21, as revistas nacionais de fotografia ainda operam segundo o modelo tradicional de tentar fisgar o leitor para uma compra impulsiva direto da prateleira da banca, o que considero defasado em relação aos rumos atuais da indústria de comunicação. Meu modelo pessoal ideal de revista seria muito diferente, envolvendo fundamentalmente a interatividade online e um modelo de assinatura – quem sabe ele não entra em prática no futuro, na forma de uma reformulação de alguma das publicações já existentes, ou como algo inteiramente novo e criado especificamente para o meio digital? Mandem sugestões para mim, via Facebook.
Paradoxalmente a DPBR vai muito além da proposta, recursos e orçamento originais fornecidos pela editora, graças à paixão e comprometimento de seus colaboradores com informação relevante, realista e útil. Aproveito para esclarecer que os ingleses não dao absolutamente nenhum palpite na fórmula editorial ou conteúdo da versão nacional da revista.
Bravo! Ou melhor, Bravo não poreque Bravo é outra revista… mas… enfim… concordo! :-)
Acho que a Zum deveria ser chamada de Caderno, como Serrote, também do IMS…
A “Fotografe melhor” só figurou na minha lista de compras até eu conhecer a DPBR. (três edições). Recomendo a todas as pessoas que se interessam por fotografia.
A Zum, vou procurar na próxima visita à Cultura
A DPBR e a Zoom se complementam… acho que você vai gostar da combinação :-)
André,
você disse tudo o que eu sempre pensei e quis ler em um blog (e demorou). A DPBR é excelente, a Fotografe Melhor é catálogo de equipamento – salvo algumas matérias, e a Zum é de cair o queixo. Agora entendo o porque de ser tão diferente de todas.
Vou dormir mais feliz, sabendo que tem mais gente que pensa assim.
abraço