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Dez fotógrafos que você deve evitar – Parte 1 de 2

por em 05/04/2012
 

O site PetaPixel publicou nesses dias um post divertidíssimo de dois fotógrafos (Bryan Formhals e Blake Andrews) sobre fotógrafos cujos estilos são repetidamente copiados (por todos nós). O Post, como vocês devem imaginar, se chamava “Dez Fotógrafos que Você Deve Ignorar”. O prólogo já avisa: não leia se você leva as coisas a sério demais.

Decidi trazer pro Queimando Filme uma tradução do post, dividido em duas partes, que vão ao ar hoje e amanhã, pra piada não perder a graça. Leiam, riam, e pensem em como é difícil admirar certos “mestres” sem querer copiá-los). Por outro lado, se vamos copiá-los, melhor rir de nós mesmos através das hilárias definições de Formhals e Andrews).

 

P.S: Acrescentei links pros sites de todos os fotógrafos citados nos nomes deles. Então se você não conhecer um e não entender a piada sobre ele, pode dar uma estudada no sujeito enquanto lê esse post.

Have fun!

Noutro dia, enquanto navegava pela internet, esbarrei em “Os 10 romances mais prejudiciais para aspirantes a escritores”. Fiquei imaginando se não deveria haver uma lista de fotógrafos também. Pensei sobre o assunto e mandei minha lista pro Blake Andrews pra ver se ele gostaria de contribuir e se divertir um pouco também. Aqui está o resultado.

Ansel Adams

Ansel Adams criou algumas fantásticas imagens e escreveu (literalmente) o livro da técnica fotográfica. Porém, no todo, provavelmente fez mais mal do que bem à fotografia. Quantos jovens fotógrafos se enrolaram sobre em qual zona colocar as sombras enquanto a luz ia embora e a foto desaparecia? Mais ainda, quantas fotos preto e branco perfeitamente expostas de paisagens ou montanhas com neve, ou rios serpenteando até o infinito, teremos que ver? A natureza é majestosa, já entendemos. “São Ansel” nos mostrou isso, e fez muito melhor do que jamais faremos. Então sai dessa ou vamos te dar nota negativa.

Henri Cartier-Bresson

Cartier-Bresson foi um gênio mas também um flautista mágico. Ele provavelmente fez mais para pavimentar a estrada da fotografia do que qualquer outro. Antes de HCB, a “Fotografia de Rua” era relativamente indefinida e genérica. Então HCB chegou e nos mostrou como é que se faz.

Você fica espreitando nas ruas por horas, caçando incansavelmente. Finalmente você vislumbra a composição perfeita, mas… está faltando o elemento crucial. O que é? Você não sabe. O cenário está montado. Você espera até a pessoa certa passar. Por quanto tempo? Horas? Dias? Você espera o quanto for preciso… e então, BAM! Num estalar de dedos o momento está decidido, e infelizmente também estão todos os próximos 70 anos da fotografia. Jovens fotógrafos desde então se torturam esperando eternamente em cantos pitorescos pelo esquivo e arredio Momento Decisivo. Uma imagem perfeitamente formada, exceto por um pedestre perfeitamente colocado, ou talvez apenas um dedo apontando pra algo sugestivamente.

Obrigado, Henri, mas eu não tenho o dia todo. Posso ter minha vida de volta agora?

Robert Frank

Robert Frank foi uma revolução de um homem só. Antes dele imagens em geral eram bonitinhas e limpinhas, pré-visualizadas, feitas em cima de tripés. Frank chegou e fez um rombo nessa estética. Felizmente ele tinha algo pra substituí-la: uma forte visão pessoal, coisa que muitos jovens fotógrafos que seguem seus passos não possuem. Eles confundem grãos, entusiasmo e coragem com substância. Foi mal, gente, mas não é o bastante. Eu sei que é necessário ter culhão pra fotografar naquele bar de vaqueiros à uma da manhã puxando seu filme pra 3200, mas isso não impede sua foto de ser tediosa. É hora de fotografar algo com o que você se importe. E não tente me convencer de que você se importa com bandeiras e classes sociais baixas.

Stephen Shore

Stephen shore foi o definitivo fotógrafo do Nada. Para olhos destreinados, e até para alguns treinados, suas fotos soam sem arte. Qual o sujeito da foto? Porque essa cena e não outra? Isso é algum tipo de truque? Uma pegadinha? Não tem nada ali. Só depois de repetidas visualizações é que o enquadramento, a precisão e o sujeito das imagens de Shore começam a aparecer profundas. Infelizmente, é tarde demais pra vários jovens fotógrafos. Eles já estão por aí fotografando Nada, na esperança de seguirem os passos de Shore. Ora, é fácil! Encontre um posto de gasolina ou um estacionamento com um muro ou algo do tipo, talvez um carro velho… as cores devem compor o quadro já que você visualizou isso, certo? Alinhe tudo e… desculpe desaponta-lo, mas você simplesmente expôs um enorme quadro de 8×10 de…Nada.

Nan Goldin

Ei novatos, não é porque Nan Goldin viveu cercada por amigos glamurosos, levando vidas fotogenicamente trágicas, que a sua própria história tem metade do interesse da deles. Goldin estava no lugar certo e na hora certa, e foi um gênio intuitivo com a câmera. Mesmo quando ela estava no lugar errado na hora errada ela era um gênio. No seu caso, a tendência é de que você esteja no lugar errado, na hora errada, e não seja um gênio. Nenhuma quantidade enorme de pós produção vai fazer aquele olho roxo auto infligido parecer acidental.

Por hoje é só, pessoal! Amanhã tem mais, e vocês não perdem por esperar! ;-)

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