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Dez fotógrafos que você deve evitar – Parte 2 de 2

por em 06/04/2012
 

E hoje continuamos a tradução do post “Dez fotógrafos que você deve evitar”, publicado originalmente no site PetaPixel. Se você não leu a primeira parte, é só ver o post de ontem (digo, o post do dia anterior ao da postagem desse post aqui… acho que deu pra entender, né?)… ou clicar aqui ;-)

P.S: Me perguntaram se eu conhecia todos esses fotógrafos. É claro que não! Se conhecia quatro ou cinco é muito… :-) Por isso aproveite a viagem pra estudar um pouco mais sobre os sacaneados abordados aqui. Eu fiz isso… ;-)

William Eggleston

William Eggleston é um pioneiro da fotografia em cor. Uma lenda. Pelos últimos quarenta anos ele esteve “em guerra com o óbvio”, trabalhando em uma “floresta democrática” onde tudo que é visível é  viável como assunto. Árvores, sujeira, placas, casa, carpete, telhados vermelhos, homens nus, homens velhos com armas, triciclos, etc. Trabalhando dessa maneira ele inspirou muitos fotógrafos a não procurarem por inspiração além de suas vizinhanças imediatas. Então surgiram as câmeras digitais, a Internet, e o Flickr. Eggleston pode ter vencido a guerra contra o óbvio, mas agora o óbvio está se vingando na forma de milhões de fotografias banais e tediosas publicadas na web diariamente. A gente não precisa ir longe pra encontrar a “floresta democrática”. Na verdade, pode ser que não sejamos mais capazes de escapar dela.

Ryan McGinley

Ryan McGinley explodiu na cena fotográfica com suas fotos descompromissadas de jovens nus saracoteando em espaços abertos. Tendo aterrisado no mundo pós 11 de Setembro, essas fotos nos mostraram que os jovens são resistente, sempre buscando, sempre amando, sempre experimentando. E, puxa! Como eles são brancos e magros… realmente brancos e magros. Isso me fez, como fotógrafo, querer alugar uma van, encontrar alguns amigos magrinhos e bonitinhos, e simplesmente pegara estrada e viver, cara… simplesmente viver a vida.

Porém, aparentemente, esse pensamento passou pela cabeça de todos os jovens fotógrafos entre 18 e 25 anos. O impulso de cair na estrada, somado ao retorno da estética de filme lo-fi, se procriou na forma de infinitos blogs, Tumblrs e contas no Flickr dedicadas a docouemtar a existência despreocupada de gente bonita e pelada que está ocupada demais sonhando pra se preocupar no quão tedioso eles soam.

Garry Winogrand

Quando se pensa em Garry Winogrand, quase que imediatamente se pensa em fotografia de rua. Ele era o fotógrafo que vagava pelas ruas de Nova Iorque nos anos 50 e 60, e também levou os “tilts” de sua Leica suaEra obsessivo e devotado, selvagem e criativo em suas composições. “Que ‘tilt’?”, ele diria brincando Que tilt? Não, não! Você não entende, jovem fotógrafo, que foram necessários anos e anos e anos pra que ele alcançasse a habilidade e a precisão necessárias para compor fotos “na hora”. Não se trata simplesmente de chamar de “tilt” suas composições  de fotografia de rua descuidadas e pobres em composição. Você só tem uma escolha aqui. Você tem que tornar seu objetivo de vida morrer com mais de 2500 rolos de filme não revelados.

Alec Soth

Paisagens líricas, retratos inexpressivos, interiores irônicos, melancolia, barba, 8×10, projetos épicos. Obrigado Soth, você colocou as expectativas tão lá em cima que todos os jovens fotógrafos estarão velhos e grisalhos antes de terminarem seus Grandes Projetos Americanos de Fotografia. E, sinceramente, você tinha que ser tão sarcástico com relação à fotografia contemporânea? Fotógrafos não precisam de ajuda quando se trata de ser rabugento e cético com relação à fotografia. Que tal isso: alugue uma van, compre uma Leica M9, convide alguns hippies sessentões pra uma viagem até Puerto Vallarta, e documente a coisa toda nu Tumblr. Opa! Mas isso também é deprimente… ok, você venceu, Soth.


Diane Arbus

Na verdade, não evite o trabalho dela. Absorva todo ele, maravilhe-se na sua genialidade e graça. Porém, quando a palavra “bizarro” passar pela sua cabeça, feche o livro imediatamente. As características que guiaram Arbus não vão ser as mesmas que vão guar você. Sua famosa frase “Eu realmente acredito que existem coisas que ninguém vai ver a não ser que eu as fotografe” se referem a uma época muit diferente. Hoje, com TV à cabo e Internet, nós vemos simplesmente todo tipo de gente, em todas as formas imagináveis. O que leva alguns fotógrafos a certas pessoas é um mistério. Abrace-o, e siga sua intuição.

 


(via PetaPixel, que pegou da Wired, que pegou da LPV Magazine, onde ele foi originalmente publicado)

Créditos das imagens: “We Like to Imitate Statues” (a primeira, do post de ontem) por Gennie Catastrophe. As outras imagens pertencem a seus respectivos fotógrafos.

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