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Uma aventura analógica em Buenos Aires – Parte 1: Errando e errando de novo…

por em 03/05/2012
 

Linda, não é? Pois aqui começou o meu primeiro erro.

Este é o meu primeiro artigo para o Queimando Filme e por isso meu Obrigado ao André pela oportunidade de dividir a experiência que vai ser útil para você leitor – ou pelo menos vai se divertir com minhas trapalhadas.

Aproveitei parte das minhas férias para passear pela capital argentina. Para a namorada seria a primeira viagem mais longa comigo. Para mim, a chance de testar minha mais nova aquisição: uma Minolta SR-T 303b, que comprei aqui em Brasília. Uma boa SLR, com mecânica recém restaurada e, aí sim, uma lente Rokkor 58mm f/1.2 MC. Seria a segunda vez que viajaria para o exterior somente com uma câmera de filme – e a primeira com uma câmera tão antiga.

Como disse antes, essa câmera tinha sido recentemente restaurada e o seu restaurador foi muito prudente em me avisar que eu deveria sair com ela e queimar um rolo “de teste” para garantir que tudo estava bem antes de embarcar para terras porteñas. Coisa que eu sumariamente ignorei.

Estúpido? Calma – It get´s better…

O gênio aqui resolveu só levar filmes de ISO alto – todos Kodak: Ultramax 400 (colorido), Tri X 400 e o infâme T-Max P3200 (ambos P&B). Seja para puxar o Tri X para 1600, ou até mesmo violentar o T-Max para 6400 (que o fotômetro da Minolta era capaz de registrar), eu estava confiante que iria jogar pesado com fotografia de rua dessa vez.

Floralis Generica, Praça das Nações Unidas. Sério: TENTA tirar uma dessas abaixo de 1/1000 e f/16, com ISO 400 vai...

Então quando coloquei o primeiro rolo – um Ultramax, para começar light, né? – comecei tirando aquelas famosas fotos de teste no apartamento, dentro do avião com as luzes apagadas e segurando o obturador em 1/30. Tudo lindo. A câmera respondia como eu esperava, e na penunmbra eu era REI.

Mas na manhã seguinte, em um dia com MUITO SOL, mesmo com aberturas mais conservadores, eu não saia com um click abaixo de 1/250. Não deu outra. A cola no velho obturador de cortina não aguentou e lá pela vigésima foto não fechava mais. Uma câmera ótima, lindas locações, uma lente fantástica… e você sem poder tirar fotos.

Lição nº1: SEMPRE viaje com câmeras que já foram exaustivamente testadas.

Mas, não temas! Você está em Buenos Aires, uma cidade grande e antiga onde existem muitas câmeras analógicas por ai dando sopa, certo? Pelo menos isso é o que eu soube pelos fórums e listas da internet.

Verdade. A capital porteña é também conhecida por ser lar de muitos antiquários e suas câmeras vintage (mais sobre isso no próximo post). E não é que, enquanto eu procurava mais pilhas para o fotômetro da Minolta, numa relojoaria ainda por cima, me deparo com uma coisa irresistível. Aquela que seria a minha primeira “alemã”…

Sras e Srs, a Zeiss Ikon Contina II

“Que maravilha! Minha câmera tinha acabado de me deixar na mão e já no dia seguinte achei outra! Vou comprar, recheá-la com Tri X e ser feliz!”

E lá fui eu, colocar filme numa câmera, NÃO TESTADA, mais uma vez. E você acha que eu cheguei longe? Essa morreu na 9ª foto. Ou no que seria a 9ª – já que o filme NÃO prendeu, uma vez que eu na minha empolgação não reparei numa “trava” que devia ter prestado atenção – ou pelo menos procurado em um manual, certo?

Sério, a câmera devorou o filme. Mastigou a charmosa película P&B que eu tive que arrancar – no braço – dessa nazista dos infernos câmera linda. Pode rir. Eu disse que seria engraçado.

Câmeras analógicas 2 X 0 Bruno

Lição nº2: Lembre-se de levar pelo menos uma câmera de reserva, igualmente testada e – especialmente – conhecida.

Obs: Quando trouxe as câmeras para Brasília, o Dedêu – o mestre Jedi que cuida dos reparos para mim – me mostrou os meus erros e me ajudou a rir um pouco de tudo isso.

Agora, permitam-me redimir. Depois de quase dar motivos para a namorada me deixar esperneando nas ruas de Palermo, decidi deixar a ideia de fotografar com filme de lado dessa vez – pelo bem do meu relacionamento e dos meus nervos, abaixei a cabeça e peguei o iPhone que fez quase todas as fotos desse artigo.

Mas nem tudo estava perdido. Deu pra encontrar e comprar muita coisa legal, como vou contar no meu próximo post, ok?

Um abraço!

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comentários
 
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  • 18/11/2015 em 4:59 pm

    Oi Luana, tudo bem?

    Em Brasília, os lugares que eu encontrei vendendo câmeras de filme foram – invariavelmente – nas lojas onde ainda fazem concertos/reparos.

    A boa notícia é que você já deve conseguir uma câmera revisada – quem sabe, com alguma “garantia” do vendedor.
    A má, pode ser, os preços. Alguns lugares não tem escrupulos de oferecer uma câmera modesta por preços BEM exagerados.

    Se você quiser a minha opinião, eu procuraria a Prisma (fica n bloco A da 505 sul – sala 103). O dono se chama Dêdeu e é um camarada bem legal de se trabalhar. Eu faço as manutenções das minhas câmeras com ele. Inclusive, foi ele que zerou essa Minolta.

    Espero que você encontre algo que você use bastante.

    Um abraço!

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  • 04/10/2015 em 3:31 pm

    Depois de anos, gostaria de saber onde você compra suas cameras analogicas aqui em brasília, como me mudei a pouco tempo (e fui obrigada a deixar minhas cameras na casa da vovó) ainda me sinto meio perdida kkk
    Bjs

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  • Ciro Gonçalves Dias Junior
    15/01/2013 em 12:14 pm

    Prezado Sr. Bruno Almeida.
    Congratulações pela sua carreira de Fotógrafo muito respeitado.
    Sou pianista e professor de piano em São Paulo.
    Li o que o senhor escreveu sobre a Câmera “Minolta”.
    Fiquei entusiasmado.
    Eu tenho duas “Minolta”(Analógicas) que eu tenho grande estima e as acho fantásticas.
    Vou a Buenos Aires no dia 21 de Fevereiro e gostaria de levar as minhas câmeras para o conserto e reparação. O problema apenas é o abrir e recolher do “Zoon”.
    Lhe seria muito grato se pudesse me dar o endereço do local que consertou a sua câmera em Buenos Aires.
    Desculpe a liberdade em escrever-lhe.
    Desejo-lhe um “Feliz 2013” repleto de felicidade completa e sucessos.
    Atenciosamente,
    Ciro G. Dias Jr.
    ———

    Responder

    • 16/01/2013 em 2:05 pm

      Então Ciro…

      Eu não consertei a câmera em Buenos Aires… eu quebrei ela lá! O que recomendo é que você procure um bom local para reparar as suas câmera antes de viajar.

      Se faltar peças, pode ser até que você encontre uma câmera por lá para canibalizar. É doloroso só de se pensar, mas a vida tem dessas coisas. Eu mesmo tenho duas Yashica Minister III – uma principal e a outra (comprada na feira de San Telmo, como contei na parte dois do artigo) que pode servir de doadora no futuro.

      Um abraço e boa viagem!

      PS: Leve uma câmera de reserva.

      Responder

  • Juliana
    04/05/2012 em 9:51 pm

    Onde fica esse Dedêu? To precisando dar uns reparos em umas analógicas aqui.

    Responder

    • 06/05/2012 em 7:13 pm

      Oi Juliana!

      O endereço dele é:
      Prisma Assistência Técnica LTDA
      W3 Sul, Quadra 505, Bloco A, Entrada 11 (frente para a W3), Sala 103.
      Os telefones de contato são: 3244-6209 ou 8469-2434.
      Fácil!

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  • 04/05/2012 em 11:40 am

    Cara, você foi na Antique Câmeras?
    Diga que sim, hehe.

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    • 04/05/2012 em 12:00 pm

      Fui sim, mas não achei tanta variedade como na P&H.
      (ver próximo artigo)

      Na verdade, o atendente nem olhou para a minha cara – estava muito ocupado com o que parecia ser uma Agfa tipo box…

      Responder

  • Joao Pedro
    03/05/2012 em 1:23 pm

    haha, pois é ~~O~~
    quantas cameras já tem?
    estou com 3 e já estão querendo me expulsar de casa, como faz? haha

    mas no final de tudo, não deu pra salvar nenhuma foto?

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    • 03/05/2012 em 1:43 pm

      Então João…

      Analógicas, já estou na 6ª (e duas são do mesmo modelo) e 3 digitais (Até agora…). O segredo é disfarçar as mais antigas como decoração – um ar vintage, sabe?

      Infelizmente, não deu para salvar nenhuma foto – eu bem que queria começar aqui com um review da Minolta e umas fotos com f/1.2, mas fica para mais tarde.

      Um abraço!

      Responder

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