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Contando Até 10 com Marcos Sêmola

por em 05/05/2012
 


O Marcos se autodenomina um cara polivalente. Eu tenho outra palavra pra definir ele: frenético. É daqueles caras que não param. Ele está conversando com você sobre uma coisa, já pensando em outra, e rabiscando uma terceira. Fotógrafo amador por paixão, engenheiro de criação, e empreendedor por excesso de energia, tá sempre com alguma novidade no ar no seu site. Atualmente, suas energias estão focadas no projeto Mosaico Minuto (um projeto coletivo do qual você também pode participar), pelo qual se apaixonou ano passado, e traz pra sua segunda edição esse ano.

Além disso é um daqueles raros fotógrafos amadores que consegue ganhar dinheiro com fotografia, vendendo suas fotos em galerias de arte (chique, né?). Mas ele não é “um cara ocupado” e pouco acessível, como pode parecer. Pelo contrário, adora um bom papo, pela internet ou ao vivo, e está sempre disposto a trocar idéias.

Com vocês, Marcos Sêmola.

1. Apresente-se pro povo…
Sou polivalente, dado o volume de projetos distintos e atividades profissionais e amadoras com as quais me envolvo, mas no mundo da fotografia sou apenas um amador autodidata que se distrai com projetos autorais, livres, por vezes coletivos (como o Mosaico Minuto) e até autossustentáveis, onde tenho a opção de praticar o que se convencionou chamar de street photography, comumente em preto e branco.

2. O que faz da vida?
Mil e uma atividades. Sou engenheiro de computação por formação, com especializações em negociação, estratégia e gestão o que me fizeram CIO de uma empresa de petróleo, vice-presidente da associação multinacional ISACA, professor da FGV, palestrante, autor de artigos e livros sobre gestão de risos, síndico e ainda fotógrafo amador. J

3. E a fotografia?
Vai bem obrigado. Para mim é autoral, livre, me permite deixar o mundo binário que profissionalmente me aprisiona há décadas. É experimentação. É compartilhamento. É coletivismo. É prazer pessoal. Eu fotografo para mim, e ponto. Vendo? Sim. Me posiciono comercialmente em galerias de arte, por ora no Brasil e em Londres, mas já costurando com marchands Franceses e Holandeses com o legítimo interesse de mostrar minha produção fotográfica e torná-la realmente autossustentável.

4. E a fotografia analógica?
É meu ponto de partida. Me atraí pela fotografia lendo livros de técnicas antigas e fui beber na fonte com equipamentos sem os modernos recursos de hoje. Me apaixonei, pratiquei o digital intensamente e agora ambos dividem o meu tempo e minha atenção normalmente escolhidos sob demanda de acordo com a natureza dos meus projetos. Montei um mini-lab químico e experimental para revelar meus negativos em casa e mais recentemente construí uma câmera pinhole com lata de sardinha para celebrar o Worldwide Pinhole Photography Day dia 29 de abril, tudo isso como parte de um processo interno de resgate, auto aprendizado e controle ponta-à-ponta do meu processo produtivo.

5. Quais câmeras analógicas você tem?
Não muitas, até porque as vejo como simples ferramentas que precisam oferecer os recursos que o fotógrafo precisa para realizar, digo, materializar uma intenção fotográfica. Começo a lista com uma Leica IIIc rangefinder fabricada em 1938 e em plena operação já que é minha principal câmera analógica, companheira co-responsável pela fotografia que mais me orgulho. Depois possuo uma Polaroid 600, uma Lomo Fisheye I e mais recentemente uma home-made pinhole Sardinha feita com uma lata da iguaria. Na pequena lista de desejos, um pinhole 5×4 mais, digamos, séria, fabricada pela Ilford que me permitirá experimentar o analógico em médio maior.

6. Tem algum filme de preferência?
O Kodak Professional BW400cn por ter me permitido mergulhar no preto e branco com a facilidade da revelação C41 encontrada em qualquer esquina e a preços competitivos. Acredito, porém, que à medida que meus experimentos analógicos forem crescendo, passarei a me atentar mais para as características de cada filme, fazendo parte do processo de escolha junto com o equipamento.

7. Tem algum estilo de preferência, dentro da fotografia com filme?
A fotografia analógica já tem grande intimidade com meu estilo de fotografia de rua em preto e branco, onde valorizo as sombras dramáticas, as texturas, o ruído e a latitude do filme, buscando quase sempre um clima de suspense noir que me atrai. É como atravessar um desfiladeiro na corda-bamba que você já conhece. Você apenas se imagina lá do outro lado e caminha ao encontro de si mesmo. Poético, não?! J

8. Tem algum fotógrafo que seja referência pra você nessa área? Porque?
Referências geralmente me incomodam como se pudessem me limitar ou inibir meu processo produtivo. Talvez tenha que aprender a lidar com isso e seja mesmo uma bobagem. De qualquer forma, entendo que tudo acaba exercendo algum tipo de influência e podem se tornar referências, mesmo que momentâneas, como a obra inteira de um fotógrafo ou apenas um período de sua produção, uma técnica temporal, ou mesmo qualquer outra expressão de arte. Vai entender… No momento, além dos célebres fotógrafos Henri Cartier-Bresson, Vivian Maier e Robert Doisneau, por exemplo, tenho alimentado meu imaginário com Rui Pires e Rui Palha, ambos de Portugal.

9. Uma dica pra quem tá começando na fotografia analógica.
Experimente sem limite. Estude o processo analógico, o filme, a dinâmica da sensibilidade à luz e volte a experimentar, pois tudo fará mais sentido e seu controle sobre o resultado será ainda melhor. Explore a técnica de fotometragem Sunny f/16 como parte do processo de desenvolvimento, o que inclui observação, percepção, sensibilidade e acuidade. Com o tempo sentirá a necessidade de controlar o processo de ponta a ponta e, assim como eu, vai se ver escolhendo filme, equipamento, química e processos alternativos de revelação, scanners de negativo e pronto, você vai estar perdido no mundo encantado da fotografia analógica! J


10. Outra dica, pra não te chamarem de egoísta…

Reproduzo o que há pouco publiquei como dez palpites ligados ao meu estilo e estética fotográfica pessoal que podem ajudar:

1) Experimente sem limites até encontrar o formato, a prática e o resultado que primeiro agrade a você.
2) Aprecie expressões artísticas das mais variadas. Isso vai ampliar sua percepção da realidade à sua volta.
3) Domine os conceitos básicos da fotografia e aprenda e manusear seu equipamento instintivamente.
4) Antecipe-se reconhecendo o terreno, imagine a composição que pretende obter e vá atrás do seu assunto.
5) Caminhe atento, procure antever um gesto, uma trajetória, uma atitude e se posicione rápido para o clique.
6) Aprenda como sua objetiva enxerga ao redor com a distância focal e se aproxime para alcançar o objetivo.
7) Esteja pronto para mais de um clique a fim de perseguir o momento chave. Tudo é muito dinâmico na rua.
8) Procure utilizar equipamentos leves, silenciosos e com suportes que ofereçam mobilidade.
9) Pós-processamento não é pecado, mas procure aprimorar o resultado sem distorcer a originalidade.
10) Em princípio deixe tudo que é regra, padrão e opinião coletiva de fora da sua intimidade fotográfica.

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