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Fotógrafos Legais: Garry Winogrand

por em 14/05/2012
 

Foto de 1950

Nos anos oitenta (sim, estou falando do século passado, quando você nem tinha nascido, e eu já estava no colégio) havia um programa na TV americana chamado “Visions and Images” que, em toda sua cafonice dos 80’s, entrevistava grandes fotógrafos da época. Um cara bem conhecido então,mas de quem ouço falar muito pouco hoje em dia é Garry Winogrand. Vendo essa entrevista, bateu aquela vontade de escrever sobre o cara.

Garry, que morreu apenas três anos depois dessa entrevista, com apenas 56 anos, ficou famoso por suas fotos estilo Street Photography (fotografia de rua) feitas nos anos 50 e 60, em uma época em que os Estados Unidos estavam enfiados em uma porralouquice de guerras, drogas, maconha, arte pop e outras cositas más. E ele ficou conhecido exatamente por desenhar um retrato dessa época bastante único.

Foto de 1969, impressa em 1984

Sempre trabalhando com preto e branco, suas imagens eram ao mesmo tempo profundas e cheias de vida, gerando curiosidade e sorrisos. Vendo as entrevistas com o cara é fácil perceber que essa linguagem vinha da natureza dele. Ele estava sempre sorrindo, pelo menos nas entrevistas, e sempre curioso, buscando imagens que o conquistassem, que o seduzissem.

Assim como muitos outros fotógrafos, ele dizia que as mulheres o interessavam muito, fotograficamente falando “como elas se movem, como se comportam…” dizia ele. Mas, diferente de outros, preocupados em endeuzar as mulheres, em cenários glamurosos e destacar belezas irreais, ele fotografava mulheres reais, em situações reais, e nem por isso menos sedutoras, carismáticas, simpáticas.

Foto de 1970, impressa em 1974

Sua visão da imagem captada também era bem diferente da de outros fotógrafos famosos. Ele dizia que fotografias não contam histórias. Nenhuma fotografia conta histórias. Ele dizia que a fotografia apenas mostrava como aquele momento se parecia, para aquela câmera, e aquele fotógrafo. E, para ele, essa era a beleza da fotografia: não ter compromisso de contar história nenhuma. Simplesmente mostrar um momento.

Ainda nessa linha de ser “do contra”, não gostava de ser chamado de “street photographer” (achava o termo estúpido). Não gostava de rótulo nenhum, aliás. Nas palavras dele, ele era um fotógrafo, que fazia fotografias. E só.

Uma maluquice do cara com a qual me identifiquei foi o hábito de uardar milhares (isso. varios montes de mil) rolos de filme sem revelar, pra, uma hora que der na telha, revelar todos. Várias de suas fotos foram reveladas e impressas mais de cinco anos depois de tiradas!

Você pode ver os trabalhos do Garry nesse link do Museum of Contemporary Photography de Columbia, e abaixo alguns videos, incluindo o citado no começo do post. Os videos valem muito à pena! Coloquei os menores primeiro pra vocês irem se acostumando com a figura, e depois a entrevista menor, que ele não deixa ficar tediosa em momento algum, graças aos seus comentários sempre inesperados ;-)

Um documentário sobre o fotógrafo, parte 1…

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=Tl4f-QFCUek]

…e parte 2:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=-Zk1nkZ3-kE]

Entrevista pro programa Visions and Images:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=wem927v_kpo]

E se você quiser mais sobre ele, é só meter o nome dele no Google. Vai dar de cara com centenas de videos, fotos e posts incríveis. Vale à pena.

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