
Polaroid e Instagram: qualquer semelhança não é mera coincidência
Eu estou a meses pra escrever esse post filosófico, e sempre fico sem tempo, dou prioridade a outro, e blábláblá… então resolvi escrever um post curto mesmo, e perguntar o que vocês acham? E aí? O que vocês acham?
Hein? Eu não falei ainda do assunto? Ah é… então tá. Vamos lá. O assunto é… Instagram! Ou melhor, a relação entre o Instagram e a fotografia analógica. Sim, existe uma.
Tudo começou, digo, a vontade de escrever sobre isso, com o post absolutamente fantásticamente absurdamente bom da Alicia Eler no site Read Write Web (que você pode ler aqui) chamado “Why Instagrams Are The New Polaroids” (ou “Porque Instagrams São as Novas Polaroids”). Em resumo, a autora diz que o Instagram cumpre hoje o mesmo papel social que as Polaroids cumpriram em seu tempo: gerar fotos de qualidade aceitável e divertidas, que podem ser facilmente compartilhadas com amigos e parentes, em um momento em que existem solucões de muito mais qualidade técnica e estética.
Mas não param por aí as semelhanças: assim como o Instagram, as Polaroids sempre foram A) muuuuuito populares e B) extremamente criticadas e descriminadas pelos autodenominados “fotógrafos sérios. Bom, sobre seriedade na fotografia eu já disse o que acho aqui, nesse post. Sobre criticas e bobagens do que é melhor e do que é pior, acho que cada um tem que ficar na sua e tirar fotos, ao invés de perder tempo tentando decidir o que é melhor (#PissContestFeelings). Já sobre a popularização, aí entra o grande bizu. Mas antes, uma lembrança do passado.
Os que têm mais de 25 anos de idade podem/devem se lembrar das campanhas do biscoito Tostines que colocavam a seguinte pergunta no ar: Tostines vende mais porque está sempre fresquinho, ou está sempre fresquinho porque vende mais? Esse paradoxo biscoital ficou conhecido como “efeito tostines”, e nada mais é do que uma versão mais “muderna” da pergunta “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”.
Então… tanto Polaroids quanto Instagrams, são populares porque são legais, ou são legais porque são populares?
Esse paradoxo talvez nunca seja respondido. Talvez Land, o criador e fundador da Polaroid, tenha sido mega corajoso em lançar sua invenção, e tenha dado sorte, e talvez os criadores do Instagram tenham dado uma sorte parecida, ou talvez ambas as empresas tenham tido histórias completamente diferentes (o que ainda é difícil definir, já que a Polaroid teve décadas de sucesso, enquanto o Instagram ainda está na sua infância). Mas o lance é que essa popularidade gerou dinheiro pra Polaroid, e gera pro Instagram. Mas, mais do que dinheiro, gera notoriedade, fama, culto. Instagram é o (ou um) herdeiro da Polaroid.

John Lennon, por Andy Warhol, com uma Polaroid
Poiaroids foram cultuadas no mundo da arte durante décadas. Andy Warhol, o famoso artista da Pop Art, foi um dos mas conhecidos, mas houveram outros, como David Hockney, Walker Evans (meu “polaroidero” preferido), e até Ansel Adams (siiim! O Tio Ansel, da trilogia imperdivel de livros!). Já o Instagram também começa a ser usado por “fotógrafos de verdade”, assim como as Polaroids em sua época, não apesar, mas sim POR CAUSA de suas limitações. Artigos como o “Porque Instagram é Péssimo Para Fotógrafos, e Porque Você Deveria Estar Usando Ele”, da WIRED, que defendem que, mesmo odiando, todo fotógrafo deveria começar a usar o Instagram pra não ser pego de surpresa, começam a pipocar, e já existem ensaios fotográficos aclamados feitos com Instagram, e seus similares, como o vencedor do Concurso Leica-Fotografe desse ano, criado pelo fotógrafo Alexandre Urch.
Enfim, a moral da história, na minha opinião, é: não subestime porra nenhuma nessa vida. Simplesmente divirta-se, porque certas coisas na vida foram feitas somente pra isso. Polaroid e Instagram são duas delas.
Fotografia analógica é a minha paixão, e se você está lendo esse blog, provavelmente é a sua também. Mas paixão é uma coisa, radicalismo, xiitismo, #mimimi de isso é melhor do que aquilo, é outra. Por isso, fica a dica: se você gosta de fotogvrafia analógica, ou de fotografia “séria”, ou de fotografia profissional, ou qualquer tipo de fotografia, e gosta do Instagram, não fique com vergonha de usá-lo. Se Andy Warhol e Ansel Adams usaram Polaroid, você pode usar Instagram, porque, no final das contas, é tudo a mesma merda coisa.
Finalmente, uma prova de que não sou só eu que penso nessas bobagens.
A Polaroid (sim, a verdadeira, a mãe das câmeras famosas) produziu (com alguns anos de atraso, total #Fail) um aplicativo que traz a experiência das Polaroids pra dentro do iPhone. O fato é que, com o Instagram e tantos clones já estabelecidos e aclamados, esse novo aplicativo, chamado de “Polamatic – Made in Polaroid” fica parecendo apenas uma cópia oficial de uma adaptação não oficial das suas câmeras originais (deu pra entender? :-)
Outra prova, pra fechar o post. O video abaixo foi produzido pra enganar otários que acreditam em tudo como forma de ironizar essa relação Instagram / Polaroid, e mostra uma câmera que o Instagram poderia vir a lançar com a primeira injeção de grana do novo dono, o Facebook. A tal câmera nada mais é do que uma boa e velha Polaroid com um logo do Instagram colado nela :-) O video mostra algo que o Instagram nunca negou, mas também nunca disse explicitamente: ele é uma versão moderna das Polaroids, em todo seu glamur, compartilhamento e experiências de usuários.
E vocês, o que acham desse babado todo? Diz aê!!



invenção é com ç.
Rapaaaz! Um erro horroroso desse e ninguém tinha me avisado ainda! Obrigado! :-)
honestamente, mas bem honestamente mesmo, acho que é tudo masturbação mental, andré.
as pessoas estão mais preocupadas com “mas o que vão pensar?” do que com “o que será que pode sair disso aqui?”. isto mais do que prova que a humanidade deu errado mesmo e que deus, este cara gozador que adora brincadeira, está lá em seu trono celestial só esperando a próxima grande merda que vamos fazer.
e eu ando com a digital pendurada no pescoço e com a analógica na mão, com a bolsa cheia de rolos, tampa da lente da digital, capa da analógica, celular e to feliz da vida. e ah, de vez em quando, ainda tiro foto com o celular mesmo e posto sim no instagram, que já se conecta diretamente com o facebook. quando não, subo diretamente no facebook a foto já “tratada e hipsterizada” com o querido pixlr o matic [que tem tanto para o uso no computador [http://pixlr.com/o-matic/] quanto o aplicativo para celular, que é muito melhor que o instagram, diga-se de passagem], ou com o vignette, paper camera ou cartoon camera, o que mais do que prova que, mano, a foto é minha e eu tiro do jeito que eu bem entender.
Um aspecto interessante aí é a incorporação por parte do programa do que, á princípio eram “erros”. Quero dizer, muito dos efeitos disponíveis eram, quando analógicos, fruto de lentes problemáticas, filmes vencidos, exposições incorretas. Por isso eram meio desconsideradas e acabaram caindo na mão de quem curte um imprevisto (alguns artistas). O instagram incorpora estes “erros” ou acasos em um programa (que, por definição, elimina acasos). Mas, de qualquer modo, continuo achando ( faço fimme p&b em pinhole, lomo, analógica, digital, instagram…) que o que conta, e sempre o sujeito que está atrás da câmera. Quando uma estética estilosa cai no gosto geral (confesso que está começando a empapuçar um pouco) acabo por pular para uma oposta justamente para me manter, na medida do possível, descondicionado. Ou não…
É bem por aí… mas essa coisa de incorporar o que antes era erro como efeito é algo que acho que deriva do fato de que chegamos em um ponto onde queríamos (o ser humano) chegar desde que inventamos a fotografia: na retratação “perfeita” da realidade. Com o digital chegamos nesse ponto… e aí, pra muitos, a coisa ficou sem graça, porque as pessoas, mesmo sem saber, querem ver interpretações da realidade. Aí entram os efeitos/erros, que acrescentam à imagem um sentimento, uma marca, uma impressão que o fotógrafo quer transmitir…
Enfim, papo ótimo pra muitos posts e centenas de comentários :-)
é vero, é o slogan do Eastman (você aperta o botão e nós fazemos o resto) levado às últimas para vender cada vez mais e mais câmeras acab por hegemonizar a parada. a redundância gerada por isto acba por despersonalizar o resultado, desumaniza a bagaça.
Eu acho é que as pessoas deveriam evitar perder tempo com essas besteiras e fazer o que mais gosta: fotografar.
Quem não gosta de instagram, não tira com ela. Problema resolvido!
Adorei o artigo! Adoro o Instagram e concordo plenamente com essa ‘função social’ citada na matéria!
Ah é, o link do post que eu vi sobre a câmera do Instagram
http://panquecaatomica.com.br/jaquero-camera-do-instagram/
Oi Débs! Obrigado !:-)
Esse projeto da camera Instagram eu também tinha visto… mas como ela é só um projeto conceitual de um designer que nem tem relação com a empresa, nem citei pra não gerar mais confusão do que a que já tá rolando sobre essa câmera. Já vi post falando que ela vai ser produzida em 2013! As pessoas nem lêem a fonte e já saem falando… :-)
Bjs!
Curti, rasgou o verbo mesmo. Nunca usei Intagram, mas já usei Polaroid, poucas pessoas podem dizer essa frase haha. Engraçado que semana passada eu vi um projeto de câmera Instagram, mas com outro formato, essa do video, como vc disse é uma polaroid com um simbolo do Instagram colado. Mas fiquei pensando que seria uma boa, acho que seria mais uma forma de eternizar momentos, conceitos e sentimentos com criatividade, afinal de contas, é pra isso que fotografia serve, né? Gostei muito do post :)