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Fotografia com filme: porque você deveria tentar – Parte 1 de 2

por em 21/05/2012
 
Up and Down

Por André Corrêa

Navegando pelos meus RSSs de fotografia, outro dia me deparei com esse texto de Heshan Jayakody, do site Pixelogist.me, que adorei de cara. Apesar de já ter escrito sobre o porque fotografar com filme aqui, achei que o texto dele poderia ser muito legal tanto pra quem quer aprender mais, quanto pra quem quer repassar pros amigos, ou ter na ponta da língua explicações e argumentos legais defendendo a fotografia analógica.

Como faço com todos os textos grandes, dividi esse em duas partes. A segunda vai ao ar amanhã. Portanto, pense nessa primeira parte não como algo pra você, mas algo pra você ter na manga pra mandar pra todos que perguntam “porque você (ainda) fotografa com filme?”:-)

Espero que gostem! 

Então, imagino que não são muitos de vocês os que estão usando câmeras de filme nos dias de hoje. Para os poucos de vocês que usam, parabéns! Essa forma de fotografia moribunda ainda é mágica pra mim. Recentemente me deparei com ela novamente, e acredito que ela me ajudou muito com a fotografia em geral.

Saber que você não vai ter como ter um preview instantâneo da foto que você está tirando te faz se concetrar mais na composição, exposição e em todos os outros aspectos da fotografia.

A SLR manual que estou usando faz com que eu tenha que me concentrar ainda mais, regulando o foco e a exposição manualmente e, como muitos já disseram, pensar na foto ANTES de tirá-la geralmente resulta em uma foto muito melhor. Pra completar, usando uma lente “prime” (de profundidade focal fixa, sem zoom) você é obrigado a se concentrar ainda mais!

Você pode estar usando uma Leica antiga dos anos 50 ou 60 ou uma SLR japonesa dos anos 80 ou 90. Mas o filme continua sendo o mesmo. É claro, as mais modernas têm modos automáticos de foco e exposição mas, fora isso, o processo básico de se usar uma câmera de filme é praticamente o mesmo. Você tira sua foto, você finaliza seu rolo, revela, pega suas impressões ou, como a maioria das pessoas faz hoje, as digitaliza. E você não tem idéia do que fotografou até que chegue o fim desse processo.

Revelar seus próprios filmes também pode ser uma experiência bastante divertida, especialmente quando você sabe o que está fazendo (e realmente não é difícil, principalmente quando estamos falando de filmes preto e branco). Isso inclusive faz você economizar uma boa grana, já que laboratórios que ainda revelam filmes podem chegar a cobrar valores absurdos por revelações, impressões e digitalizações.

Filmes vêm em vários formatos, como o 135 (35mm), que é o mais comumente usado hoje em dia, mas também em médio-formatos (120, 220 etc) que ainda são utilizados por profissionais até hoje.

Nesse post eu vou falar do filme 35mm comum, que é o que eu tenho usado, e seus diferentes tipos, marcas e outros fatores que ajudarão a explicar como sua fotografia pode variar (e melhorar) com base no uso de filmes.

Em primeiro lugar, existem dois tipos básicos de filme: filme negativo e filme slide (ou cromo, ou reversal, ou reversivel)

Um rolo do filme negativo Fuji Superia

Filme negativo é o que a maioria de vocês usou quando era criança, se é que usaram. Esse filme é revelado na forma de “negativos”, onde suas imagens surgirão de forma invertida com relação às imagens normais. Ou seja, o que é escuro vai estar claro, e u que é claro vai estar escuro. Filmes negativos vêm tanto em versões coloridas quanto em preto e branco. Filmes negativos são também muitas vezes chamados de “C41” – esse nome vem do processo de revelação mais comum para filmes negativos coloridos, que é o processo C41. Filmes preto e branco são também chamados de… bem… de filmes preto e branco.

Algumas caixas de filme slide

Filme slide (ou reverso, reversal, reversível ou cromo) é o outro tipo de filme do qual eu falei. Não usado tão comumente quanto o filme negativo, até onde eu sei, filmes slide são revelados como transparências, e não como negativos. Ou seja, as tiras do filme revelado terão as mesmas cores da imagem original, ao contrário dos negativos, que têm as cores e luzes invertidas. Isso é bom, já que pra visualizar a imagem você pode simplesmente segurar o filme contra uma fonte de luz, apesar de num tamanho bem reduzido (36x24mm por quadro). Um visualizador de slides é um pequeno aparelho que possui uma fonte de luz e uma lente de aumento. Simplesmente coloque suas transparências (slides) dentro do aparelho, e você verá uma versão aumentada da imagem. Ou seja, não é necessári digitalizar ou imprimir pra visualizar suas fotos.

Um slide em sua moldura. Observe a imagem realista.

Até onde sei, apenas slides coloridos são fabricados hoje em dia. O último slide preto e branco fabricado foi o Agfa Scala, já descontinuado a anos. Mas se você quer muito transformar suas fotos preto e branco em transparências, existem alguns métodos pra se revelar filmes preto e branco negativos como transparências positivas. Muitas pessoas mandam seus negativos preto e branco para uma empresa chamada DR5 que se especializou nesse processo. Porém, entenda que o que eles fazem NÃO É filme slide preto e branco, e sim um processo que cria transparências a partir de fotos em preto e branco de filmes negativos.

Um aparelho para visualizar slides

Uma diferença importante entre filmes negativos e slides é a tolerância à exposição. Filmes negativos são bastante flexíveis, e permitem que exposições incorretas produzam fotos bem razoáveis. Filmes slides geralmente não são tão bomzinhos. E isso faz sentido quando nos lembramos que você geralmente vê fotos em slide diretamente (contra a luz, ou com um visor, ou um projetor…), enquanto que um negativo deve ser ou digitalizado ou impresso, e é nesses processos que a exposição pode ser corrigida. Alguns dizem que slides também podem ter sua exposição corrigida se você os digitalizar ou imprimir, enquanto que outros insistem que filmes slide definitivamente não são tão tolerantes quanto negativos. Porém, como regra geral, tenha em mente que filmes negativos são definitivamente mais flexíveis do que filmes reversíveis/slide e, portanto, se você estiver usando um slide, tenha certeza de estar expondo corretamente sua foto.

Por favor note que o que estou falando aqui não tem nada a ver com o processo de se “puxar” um filme no processo de revelação. Você pode puxar tanto negativos quanto slides na revelação. Pra quem não sabe  que isso significa, o processo de puxada se refere a um procedimento que em resumo altera o processo de revelação de um filme pra que o negativo, ou slide, resultante seja “revelado demais”, o que permite que as exposições de um rolo subexposto sejam corrigidas. Existe também a puxada pra baixo (ou “Pull process” em inglês) que é o oposto. Revela-se “de menos” o filme pra que rolos superexpostos sejam corrigidos. Por exemplo, se um fotógrafo intencionalmente, ou acidentalmente, tira todas as fotos de um rolo com o ISO errado configurado em sua câmera, isso pode ser corrigido através dos processos de puxada na hora da revelação.

Quando eu digo que o filme negativo é flexível, eu quero dizer que mesmo que um rolo de negativo seja revelado “normalmente”, sua exposição pode ainda ser corrigida, geralmente com muito mais amplitude do que o permitido por um slide.

Ok, chega disso. Vamos em frente…

Sim, o autor vai em frente, mas pra gente, por hoje é só. Amanhã ele continua conosco, falando de grãos, saturação e contraste dos filmes, e depois nos dá uma canja das diferenças entre cada marca de filme! No final ele ainda dá dicas de quais filmes escolher pra quais momentos. Legal, né? Hasta mañana! :-)

 

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