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Conheça Antanas Sutkus. O Cartier-Bresson da antiga União Soviética

por em 28/05/2012
 

Antes de tudo, calma, que ninguém sério ousaria ficar usando a técnica piegas de chamar um fotógrafo de “o novo Cartier-Bresson” ou “o Cartier-Bresson de sei lá aonde”. Essa comparação é MINHA, e usei ela só porque, ao ver a exposição dele, achei que a comparação valia à pena. E vou explicar melhor aí embaixo. Conheci o trabalho do tio Sutkus sem querer, enquanto passeava por Curitiba após o Workshop que dei lá no final de abril.

Fui dar uma volta no Museu Oscar Niemeyer (aqueeeele em forma de olho…) onde sempre tiro pencas de fotos mas vejo poucas (porque sempre que vou tem mais pinturas e esculturas do que fotografias expostas) e vi que tava rolando a exposição desse maluco aí, com o nome de “Um Olhar Livre“, de quem eu nunca tinha ouvido falar. Pensei “beleza, vamulá”… Quando entrei no salão fiquei pateta, chapado, pasmado, “Barbie na caixa” como dizem meus amigos do arco-íris. As fotos me ganharam no primeiro passo pra dentro do salão.

Não conhecia a história dele, não sabia de onde ele vinha, não sabia de que época ele era, nem se ainda estava vivo ou morto. Aos poucos fui vendo as fotos, e percebendo que tudo tinha um clima denso, frio, que me fez pensar em União Soviética na mesma hora. Não deu outra. Quando fui ler a primeira plaquinha, entendi tudo.

“Antanas Sutkus é considerado um dos maiores fotógrafos da antiga união soviética. Nascido na Lituânia, em 1939, construiu toda sua obra durante o regime comunista (…)”

O texto ainda contava que ele era “sempre muito comparado com vários ícones da fotografia ocidental, tendo uma obra muito similar, mas que ele havia sido apresentado a estes somente após sua obra estar consumada”. Ou seja, como eu, muita gente achava que o que ele fazia se parecia muito com a turma européia um pouco mais velha que ele (Cartier-Bresson, Capa, Chim, Doisneau…), mas isentaram ele de culpa porque ele nem conhecia esses caras quando tirou a maioria das suas fotos, já que estava preso atrás da cortina de ferro soviética. Por outro lado, ele teve uma trajetória muito parecida com a dos caras da Magnum, por exemplo. Ele fundou uma associação na sua terra natal que se tornou tão importante quanto a Magnum (guardadas as proporções e diferenças sócio-politicas), era extremamente “street photographer”, teve que driblar censuras, restrições, governos outros obstáculos… e por aí vai. Beleza então, né? Melhor pra gente, que ganhou mais um cara pra admirar. Eu, particularmente, fiquei doido pela obra do cara, e louco pra saber mais da vida dele. Na minha cabeça, a comparação com Cartier-Bresson veio na hora, de forma positiva. Na verdade com toda a “turma da street photography” que eu admiro. Descobrir que existe mais um cara foda pra admirar, que existe mais um ângulo a ser aprendido sobre aquele estilo que você tanto curte,  é sempre bom. E foi aí que veio a segunda surpresa: não só o cara tava vivo ainda, como tinga vindo ao Brasil pra abertura da exposição, e dado uma entrevista, que entrou no livro oficial da exposição, que tratei de comprar correndo! Até porque não sabia se conseguiria encontrar ele fora do museu (e, realmente, até hoje não vi vendendo em nenhum outro lugar). Antes mesmo de sair da exposição, já sabia que iria escrever esse post aqui. E, como não sabia se encontraria muita coisa sobre o cara fora dali, tirei algumas fotos dos painéis e retratos expostos. Essas fotos estão na galeria abaixo, e recomendo a leitura dos textos, que contam pontos altos da biografia do cara.

Procurei, mas não achei em nenhum lugar se a exposição vai pra outras cidades depois de curitiba, e/ou quando. Mas acredito que uma exposição assim não fique só em Curutiba. Então fiquemos de olho que jajá devem pintar algo falando sobre isso! Aposto que a próxima cidade é São Paulo ;-) Enfim, enquanto a expo não chega, seguem uns links que achei sobre ele e sua obra.

 

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comentários
 
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  • Wellignton Glavina
    13/05/2014 em 8:24 am

    A exposição Nostalgia dos Tempos da Pureza esta no SESI Botucatu ate dia 06 de junho…

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  • 19/10/2012 em 4:28 pm

    André, acabei de ver a exposição aqui em BH e fiquei louco com o trabalho do Sutkus. Confesso que pensei a mesma coisa que você ao ver as primeiras fotos: quem é esse cara, me lembra um pouco o trabalho do Bresson, e por aí vai. Entrei no Google procurando referências dele e cai no seu post.

    Aqui em BH a exposição está no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia até o dia 04 de Novembro! Um abraço!

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    • 19/10/2012 em 6:00 pm

      Opa Alexandre, que legal! Ele é demais realmente, né? Obrigado pelo retorno e pela informação da exposição! Ainda to tentando descobrir se ela vem pra SP… :-)

      Abs!

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  • Fernando J.T.Soares
    30/09/2012 em 12:03 am

    As fotos realmente são fantásticas , sei que o curador é Luiz Gustavo Carvalho e a exposição acontece em Belo Horizonte e depois Salvador…………Imperdível !!!

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  • 17/09/2012 em 7:41 am

    Antanas Sutkus estará no Brasil para participar do Primeiro Festival Internacional de Artes de Tiradentes, suas fotografias já estão em exposição na cidade, vejam a programação no site do evento, http://www.artesvertentes.com.br.

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  • hipazia
    11/07/2012 em 10:38 am

    Não conhecia e lamento a minha ignorância! Magnifico!

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  • hipazia
    11/07/2012 em 7:25 am

    Não vi a exposição e portanto não é a mesma coisa. Aqui em Portugal acho que praticamente é desconhecoido. No entanto pelo que vi aqui neste espaço, é magnífico! Quem me dera poder ver a sua obra exposta por estes lados! Alguma ideia de como adquirir um livro com toda a sua obra?

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  • Fabio
    17/06/2012 em 10:02 pm

    Tive a mesma sensação de atordoamento e estupefação diante da exposição. Incrivel a quantidade de negativos que ele ainda tem pra revelar sobre a vida na ex-URSS. Sua comparação é totalmente válida! FOTOS FANTÁSTICAS!!! Eu vi :)

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  • Murilo
    07/06/2012 em 9:53 am

    Passei tanto (e tão pouco) tempo nessa exposição que nem consegui fotografar fora do Museu, era uma tarde linda e etc… Achei incrível a última foto que você postou no texto (algo como “A maratona”), mas eu fiquei paralisado com “Canção da solidão”. Voltarei a Curitiba nos próximos dias, e a primeira providência será comprar o livro. Jóia rara!

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    • 07/06/2012 em 3:16 pm

      Eu tô até hoje meio zureta com a descoberta. Comento com todo mundo sobre ele e suas fotos… e agora esperando pra ver se a exposição vai rodar o Brasil e me dar a chance de ver tudo isso novamente!

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  • Fabio
    28/05/2012 em 5:14 pm

    Fui na exposição do Goya, uns meses atrás e também me surpreendi com essa exposição. Entrei meio à deriva, sem nem bem perceber o que era e quando percebi… bam! Me deparei com aquela imagem do Pioneiro. A iluminação das obras, bem falando, também está fantástica.

    Também vale lembrar que ele fotografou Sartre, e que o único fotógrafo até então que tinha esse privilégio era o Bresson.

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  • 28/05/2012 em 1:46 pm

    Nada melhor do que descobertas!

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