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Jan Saudek e suas photoshopadas analógicas

por em 12/06/2012
 

Jan Saudek

O post sobre manipulação de fotos do André me fez lembrar do fotografo tcheco Jan Saudek. Eu poderia falar muito sobre ele. Coisas do tipo: é o fotografo mais pervertido que conheço, mas que ao mesmo tempo consegue ser um dos mais sensíveis, tem um olhar trash que eu adoro, criou polêmica durante a vida toda, ganhou muito dinheiro com fotografia e tal. Mas vou me ater às manipulações fotográficas que marcam o trabalho dele desde os anos 1950.

Childhood, 1966

Pessoas de mente aberta podem não gostar, o que é perfeitamente compreensível. Puristas então, ave Maria! Vão dizer que “é blasfêmia, um crime contra o bom senso, o mau gosto em plenitude”. A única coisa que posso dizer é: f… sinto muito. Eu gosto e muita gente que concorda comigo. Afinal, Saudek é um artista. Usa a fotografia como instrumento para expressar sentimentos, visão de mundo, tara e uma boa dose de loucura. Quem pode dizer que isso é errado?

Medallion, 1970

Ele não se contenta em apenas controlar a luz usada nos ensaios (o que por si só já é uma forma de manipulação do resultado), mas usa filtros coloridos, roupas espalhafatosas (ou roupa nenhuma), e até já pediu, por exemplo, para modelos cuspirem vinho em cima da lente pra dar um ‘charme’ (???). Múltiplas exposições planejadas (ou mesmo forjadas) também são comuns no trabalho dele.

Dawn No. 1, 1959

Além de fotografo, Saudek é pintor e une esses talentos para criar um puta portfolio. Em alguns casos ele amplia a foto em preto e branco e colore depois de pronta, em outros faz as interferências no próprio negativo para depois ampliar. Fica tão bom que às vezes é difícil saber onde termina a fotografia propriamente dita e onde começa a pintura. Uma estética incomparável. Mesmo quem é contra esse tipo de tratamento tem que admitir.

Pieta No. 1, 1971

Mas a técnica mais legal, na minha opinião, é a de fazer montagens (sim, montagens, isso sempre existiu). Ele abusa na hora de criar cenários que não existem, transforma pessoas em seres irreais, cria cenas que mais parecem quadros surrealistas. Essa janela aí ao lado serviu de cenário por décadas, mas a vista nunca era a mesma. Às vezes tem um muro lá fora, outras vezes tem um céu nublado, uma cidade iluminada, um trem passando em alta velocidade, ou outro cômodo onde rola alguma obscenidade. Tudo isso é fruto da mente doentia genial do velhinho polêmico de 76 anos.

Para conhecer mais a fundo o tio Jan, veja o documentário sobre a vida dele:

 

 

 

 

 

 

 

 

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