
Slow Photography com Polaroid. A espera pelo momento certo me presentaram com a apreciação de um por do sol inesquecível
E estamos de volta com o maravilhooooso mundo da Slow Photography. Hoje continuamos com Tim Wu e seu famoso artigo pra Slate onde ele define, explica e ensina a teoria e a prática da fotografia leeeeenta.
Não tem a menor idéia do que estou falando? Leia o post de ontem clicando aqui.
Hoje Tim Wu fala sobre quais são os passos pra quem quer começar nessa prática, e quais os prazeres de cada um deles.
O primeiro passo na fotografia lenta é passar um bom tempo estudando o objeto da sua foto. Como um guia diria, “Preste mais atenção no objeto do que na sua câmera”. Esse é um comando pra que você realmente use seus olhos. Ele pede que você considere não apenas o que você está vendo (uma árvore ou um cachorro) mas também as cores e formas ali presentes. Pensando “cachorro” ou “árvore” pode te impedir de enxergar o que você está realmente vendo – que é, no final das contas, uma série de fótons organizados em uma forma que você, por conveniência, chama de cachorro.
Pode parecer meio técnico demais, mas faz toda a diferença. Quando você olha tomando cuidado pra não rotular o que você está vendo, você inevitavelmente começa a perceber coisas que você não tinha percebido até então.
E se o primeiro passo é uma longa observação do objeto, o segundo passo é exercitar as escolhas criativas, que é o grande prazer que as câmeras automáticas roubam da gente. O que deve estar ou não em quadro é a mais óbvia das decisões. Mas tem também a exposição, a profundidade de campo, e mais escolhas técnicas por trás destas. E fazer cada uma dessas escolhas exige coragem, porque depois você não vai poder colocar a culpa na câmera se os resultados forem ruins. Ainda assim, essas escolhas são, pra mim, o jogo em si. São elas que tornam cada foto única, o que coloca a marca da sua personalidade em cada foto.
Depois de dar esses dois passos, tirar a foto se torna irrelevante. Você já teve a experiência. Nesse estágio, você pode até fotografar com uma câmera sem filme, e o processo ainda terá tido seu valor. Na lógica da fotografia lenta, a única razão pra se tirar fotos é ter acesso ao terceiro passo, que é brincar com a pós produção, seja em um quarto escuro ou usando softwares de edição de imagem, o que é um prazer viciante.
Pela minha experiência, a fotografia lenta é uma experiência incrivelmente prazerosa e hipinótica. As horas parecem passar voando, principalmente quando você está sozinho.
Você pode, é claro, praticar a fotografia lenta com uma câmera rápida. Mas câmeras rápidas não são desenhadas pra andar devagar. Até uma SLR digital parece te forçar a acelerar, tirar mais e mais fotos, e parar por aí. Se você realmente quer se forçar a praticar fotografia lenta, a melhor forma é buscar equipamentos antigos. Câmeras não automáticas te forçam a desacelerar. E bastante.

Tio Ansel e sua câmera de grande formato.
Eu gosto de usar antigas SLRs, em particular câmeras da Canon dos anos 70 (a A-1 e a F-1 são minhas favoritas). Mas, se você realmente quer se impor limites, uma TLR vai te forçar a investir seu tempo nisso. Eu geralmente uso uma Yashica 124-G, uma campeã de vendas de seu tempo, que comprei em Mumbai, na India, um lugar onde uma infinidade de antiguidades ainda estão em uso. Como o nome sugere, a câmera possui lentes separadas par o visor e pra câmera em si, e tira fotos no que é chamado de médio-formato. Apesar de câmeras como essa já serem ótimas, os mais puristas usam câmeras ainda mais manuais, de grande formato, como a que Ansel Adams costumava usar. Essas são câmeras que pesam uma tonelada e precisam de muito tempo pra serem preparadas. E, apesar de eu ter dito que os resultados não são o objetivo aqui, uma olhada nessas fotos em grande formato de Fred R. Conrad mostram o que a paciência pode trazer.

Por Fred R. Conrad
O nome “Slow Photography” sugere uma comparação direta com “Slow Food”, e por mais de dez anos têm havido grande reconhecimento do que a chamada “fast-food” fez conosco. E, apesar da fotografia não ser tão fundamental pra existência humana quanto a comida, o que está em jogo é o que importa: É sobre como vivemos e experimentamos a vida.
E ai? Curtiu a slow food photography? Se sentiu em casa, ou prefere mesmo é sair disparando? Diz aí!


Caramba, me identifiquei muito com esse texto. Minhas vezes meus parentes pedem pra eu tirar fotos em festas ou coisas do tipo e sempre faço, mas fico me perguntando o que realmente acontece com aquelas fotos? Acho que essa facilidade de se fotografar e o fato da fotografia hoje ser tão acessível super interessante, mas me pergunto qual a função do produto final. Lembro de pessoas que vem me mostrar fotografias de suas viagens – duzentas, trezentas fotos – e eu simplesmente não ter paciência para ver tudo aquilo. Me pergunto onde aquelas fotos vão parar.
Olá, esse foi um dos primeiros posts que li no queimando filme e amei cada palavra, não só pelo fato de eu ter me identificado com o texto, mas sim com o sentimento que tive ao ler isso, eu fotografo com uma câmera “lomografica” a 2 dias e tenho amado praticar a slow photography!
conheci a técnica por uma amiga antiga da família e me interesei tanto com o fato de vc absorver mais o objeto do que “clicar” que comprei a câmera poucas horas depois!
Em fim, adorei o post e queria dizer que acabei de encontrar um dos melhores sites sobre fotografia analógica!
Opa Diego! Que bom que gostou! ;-) E, se você chegou agora, se prepara, porque tem MUITA coisa pra ler ainda, viu? Já são mais de 300 posts no site, e todo dia tem post novo!
Abs,
Eu sempre pratiquei slow photography mesmo com digitais. Acho q isso vem da formação, do aprendizado que se teve. Embora eu tenha aprendido fotografia de verdade com uma digital, meu primeiro contato foi com uma trip 35 e não tinha tantos filmes disponíveis. Quando vc tem q pensar o slow se torna automático, por isso acho fundamental o aprendizado do analógico para as novas gerações, mesmo pra quem não pretende usa-lo constantemente.
Concordo, Ricardo… felizmente tenho conhecido muitos professores que também pensam assim :-)
Achei o post muito bom e o tema, bom… sem palavras…
André… Assino em baixo quando você diz:
“Eu gosto de usar antigas SLRs, em particular câmeras da Canon dos anos 70 (a A-1 e a F-1 são minhas favoritas). Mas, se você realmente quer se impor limites, uma TLR vai te forçar a investir seu tempo nisso.”
Fotografo com uma Rollei TLR, e acho fantástico.
Tenho também uma Canon F-1, recém comprada e estou ansiosa por testá-la…
Porém precisei manda – lá para manutenção antes disso.
Quanto ao comentário do Émerson Fraga, concordo em partes…
Acredito que é possível fazer / praticar fotografia lenta com equipamento digital, mas para isso é necessário muito mais disciplina… Nesse caso a ‘slow photography’ geralmente faz parte da filosofia de vida da pessoa…
Já com o equipamento analógico (em especial com as câmeras inteiramente mecânicas) é necessário ter vontade somente, pois a fotografia lenta é uma conseqüência natural…
Quem tem pressa não terá sucesso com uma TLR sem fotômetro por exemplo…
De qualquer forma acho que a discussão é sempre válida!
Oi Jennifer!
Sim, realmente dá pra fazer com digital. Até com iPhone dá! Mas a analógica te induz, te leva a isso com mais facilidade e prazer, na maioria dos casos. Isso só não vai acontecer se você tiver uma analógica toda automática, eletrônica e modernosa do final dos anos 90… aí a experiência vai ser muito parecida com a de uma digital: você vai estar passando a responsabilidade da foto pra câmera…
Achei bem interessante o texto, bastante reflexivo. Acredito que assim como a maioria, gosto das SLR mecânicas (como minha Pentax Spotmatic F) pelo fato de elas serem totalmente manual, não se faz nada sozinho com elas, e se não tiver um bom cuidado até mesmo o planejado pode sair errado, é sempre uma grande experiência fotografar com esse tipo de câmera. Porém, penso que o ato de fotografar está em cada um, independentemente da tecnologia que se usa. Assim como posso fazer foto lenta com analógica, posso fazer o mesmo com a SLR digital, basta saber o que se quer. Um exemplo disso é quem fotografa os astros, já experimentaram fazer star trail? é uma experiência incrível, tem muito mais que apertar um botão e não conheço nenhuma câmera que faz essa técnica de forma automática. Consiste em escolher um bom local, geralmente o mais alto possível, depois a época do ano (no caso do RS é quase só no verão), por fim reservar algumas horas, pois é preciso chegar ao local com dia claro, posicionar a câmera, ajustar enquadramento, foco, etc, aí esperar o momento certo, a falta de luz ideal e torcer para ninguém vir ao seu encontro com um lanterna, hehehe.
esse é apenas um pequeno exemplo. vejo muitas pessoas dizendo que a tecnologia fez isso ou aquilo, mas é como o jargão que diz: não são as armas que matam pessoas, são pessoas que matam pessoas, está tudo no ser humano.
Não estou em defesa de nada, até porque faço uso das duas digitais e analógicas, só que é estranho pensar que uma ferramenta muda a forma de se ver as coisas, embora isso aconteça, mas insisto que está tudo no ser humano.
Minhas fotos lentas:
http://www.flickr.com/photos/emersonfraga/6911015417/in/photostream
http://www.flickr.com/photos/emersonfraga/7173894589/in/photostream
Belíssimas fotos, Émerson! E belo depoimento! ;-)
“Pode parecer meio técnico demais, mas faz toda a diferença” – acho que isso transcende qualquer técnica, é uma experiência mais abstrata que qualquer outra coisa. Isso de desacelerar é umas das principais coisas que fazem eu adorar analógicas – além do resultado, cada processo é único e valoroso.
Bravo!
curti