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Agência Magnum: o primeiro grupo de Super-Heróis da Fotografia…

por em 28/06/2012
 

Sabe a Liga da Justiça? Os Vingadores? Os X-Men? Então… se existe um grupo no mundo da fotografia que mais se aproximou (ou se aproxima, até hoje) de um grupo de Super-Heróis (ou Super-Fotógrafos) é a Agência Magnum.

Mas vamos do começo.

Outro dia o Caio Brito, ex-aluno do Workshop de Belém do Pará, me mandou uma sugestão de post falando sobre a Fan Page no Facebook da Magnum Photos. Eu percebi então que tinha cometido a grave falha de, até hoje, não ter falado sobre a Magnum aqui no site. Então, vamos corrigir isso hoje.

Magnum Contact Sheets: um dos mais recentes livros da agência, que mostra as folhas de contato dos fotógrafos dela…

Se você já conhece a Magnum, pode clicar logo aqui e ir lá no site deles passear, porque nada do que vou falar aqui é novo. Se você conhece a Magnum, mas não frequenta o site deles, é um mané, mas também pode clicar nesse link e ir passear pelo site, enquanto conto pra quem não conhece o que é a Magnum.

A Magnum  foi criada em 1947, por ninguém menos que Robert Capa (o nome veio de uma marca de champanhe que o Robert Capa adorava), Henri Cartier-Bresson, David “Chim”, George Rodge e William Vandivert. Ela funcionava como uma cooperativa de fotógrafos, dava mais poder de negociação aos participantes junto a grandes clientes, como grandes jornais e revistas da época. Além disso, eles pegavam trabalhos e dividiam entre si, se ajudando e colaborando pra que suas fotos fossem valorizadas em conjunto: ao invés de um fotógrafo pegar um trabalho, a Agência pegava o trabalho, e os melhores fotógrafos pra cada missão eram escolhidos, gerando assim as melhores fotos sobre cada assunto em cada lugar do mundo.

Capa e Chim trocando idéia em 1947…

A criação da Magnum foi uma revolução. Numa época onde a fotografia era a responsável por fazer todo mundo ver o que acontecia fora da sua cidade, através de matérias fotojornalisticas, ter um grupo de fotógrafos conhecidos (só bem depois dessa época eles só passaram a ser mais do que “conhecidos” vistos como Super-Heróis, ou “mestres” da fotografia… se bem que super-heróis é mais divertido ;-) negociando o valor das suas fotos e, mais do que isso, gerenciando quem faria as fotos, e como elas seriam feitas, sacudiu o mercado, e acabou gerando o nascimento de outras agências do tipo.

Com o passar do tempo a Magnum foi juntando mais e mais vingadores profissionais, como Hulk, Gavião Arqueiro, Ansel Adams, Eve Arnold, Elliot Erwitt, Josef Koudelka, Dorothea Lange, e mais uma centena de nomes que chegam até hoje com Sebastião Salgado, Steve Rogers (O Capitão América) McCurry, Martin Parr, Homem Aranha, Alex Webb e dezenas de outras feras.

Cartier-Bresson na China, em 1948, pra uma “missão” da Magnum

Eu curto demais a galera fundadora (por coincidência, ou não, a turma de Paris pré Segunda Guerra é a minha favorita, incluindo alguns não-Magnum, como Doisneau)… Eles eram mais do que colegas, eram amigos. Tenho lido muitas biografias do Capa, do Bresson, da Gerda Taro (amor da vida de Capa, morta antes da fundação da Magnum) e da própria Magnum (sugestão de livros no fim do post), e é muito legal ver como eles se conheceram novos, literalmente “se cruzaram nos caminhos da vida” (cafona, mas verdadeiro) e acabaram mudando a história da fotografia com a pretensão de quem quer somente tirar uma foto pra vender pra um jornal e pagar o aluguel do quarto-e-sala…

A história da agência se mistura a história de seus fotógrafos, e vice-versa. Cada fotógrafo que fez parte da Magnum deixou sua marca na organização, assim como ela marcou a carreira de todos que passaram por lá. Até hoje o privilégio de pertencer a  essa Liga da Justiça nata de artistas é dada a poucos. Os processos de seleção foram, desde a fundação, bastante pesados e o número de vagas bastante restritas.

Galera da Magnum em 1960. A Agência já era um ícone, e seus membros tinham fama mundial. OBS: Cartier-Bresson, sentado no canto direito, morrendo de vergonha ;-)

Mas é claro que nem tudo são flores. Desde a fundação essas figuras sempre estiveram em conflito. Conta-se por exemplo que Cartier-Bresson foi colocado como sócio-fundador por seus amigos enquanto estava viajando, sem nem ter sido consultado. Sebastião Salgado abandonou o grupo em 1994 bastante descontente com a gestão da agência, e por aí vai. As reuniões anuais da Magnum são famosas pelos barracos fenomenais, com direito a gritaria, coisas jogadas nas paredes, egocêntricos saindo no meio das conversas deixando os colegas falando sozinhos e uma democrática distribuição de desprezo ao trabalho dos outros… fazer o quê né? Mundo real é assim mesmo…

Reunião de membros da Magnum Photos em 1990

Hoje a Magnum ainda existe, firme e forte. Mas como a importância da fotografia mudou muito desde aquela época, hoje a Magnum já não vive tanto de fotojornalismo, e sim de arte, direitos autorais das fotos de seus associados, e venda de produtos (aliás, que produtos!).

Estudar a vida da Magnum é estudar a história da fotografia. Acompanhar seus fotógrafos é acompanhar o que há de melhor na fotografia mundial. Conhecer as fofocas e histórias dos barracos que rolam, e rolaram, dentro da agência é diversão sem igual. Sigam esses caras, acompanhem suas fotos, ouçam as histórias, e vivam a fotografia.

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