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Raio-X de aeroporto estraga filme ou não estraga?

por em 09/07/2012
 

A listra no meio da foto é do Raio-X… a feiura é da modelo mesmo…

Pois é… essa é uma dúvida que todo mundo tem: Raio-X de aeroporto estraga o filme? Existem dezenas centenas de posts com respostas conflitantes espalhadas pela internet. Tem gente que diz que não, tem gente (incluindo o site oficial da Kodak!) que diz que sim. E ai? Como fica?

A resposta certa é “Sim, o seu filme vai sempre ser afetado pelo Raio-X”.

Mas não entre em pânico. Eu falei isso só pra te assustar mesmo, mané… pra você se tocar de que está fazendo a pergunta errada. A pergunta certa é “O Raio-X do aeroporto afeta DE FORMA RELEVANTE os filmes?” e a resposta é…Depende.

“Dãaaa… ok. Mas depende de quê?”

Beleza. Vamos ver o que eu encontrei sobre o assunto, indo além das respostas e achismos espalhados pela rede mundial de computadores, também conhecida como world wide web, a popular Internet.. e também naquelas coisas antiquadas chamadas livros.

Passar uma vez fica de boa…

Depende do ISO do filme: Segundo minhas fontes, quanto mais baixo o ISO, menos sensível aos Raios-X os filmes são. Não existe, que eu saiba, uma escala exata que diga o quanto um filme ISO 50 é menos sensível a um Raio-X do que um filme ISO 800… mas o ponto aqui é que dificilmente um filme de ISO menor que 1600 vai sofrer de forma relevante em uma passada pelo Raio-X.

Ou seja, filmes são sempre afetados pelo Raio-X. Mas a maioria é afetada de maneira tão insignificante que podemos dizer, pra simplificar, que não são afetados.

Passar umas cinco vezes fica estranho…

Depende da validade e armazenamento do filme (com controvérsias): Um filme é, inevitavelmente, afetado pelas condições atmosféricas do nosso querido planeta Terra. Isso faz que, com o tempo, ele sofra sinais de degradação das camadas sensíveis à luz, e comece a velar (mais detalhes alguns parágrafos abaixo).

Alguns sites e livros dizem que um filme mal armazenado e/ou já velhinho e um pouco velado, fica mais sensível ao Raio-X.Outros dizem que não, que o Raio-X afeta um determinado filme da mesma forma (pouco ou muito), esteja ele novo ou velho e acabado. Continuo buscando uma resposta mais definitiva pra esse ponto. Se, e quando, encontrar, posto aqui um update.

Agora, passar dez vezes é sacanagem, né?!

Depende do Raio-X: Aqui a coisa fica mais legal e o suspense aumenta… ainda mais no Brasil ;-) Primeiro que existem, segundo minhas fontes, dois tipos de Raio-X de aeroporto: aquele que dá um look nas suas malas que foram despachadas, lá nas entranhas dos aeroportos, e aquele pelo qual sua bagagem de mão passa, e aqueles caras de terno com uma cara de que estão sem o menor saco de trabalhar (também conhecido como Fiscais da Polícia Federal) ficam pedindo pra você tirar chaves, moedas e celular do bolso.

Acontece que o Raio-X das malas é BEM MAIS POTENTE (não tenho dados de quanto mais potente… mas digamos que umas 2, 3.. sei lá… 5 vezes…) do que o da bagagem de mão. Ou seja, uma coisa é certa: é melhor levar sempre seus filmes na bagagem de mãoMas a coisa não para por aí: existem diferentes aparelhos de Raio-X, com diferentes regulagens, mesmo dentro dessa separação aí em cima. Isso sem falar nas desregulagens… ou seja, aparelhos mal calibrados. Ou você acha que essas máquinas passam por todas as revisões recomendadas pelos fabricantes?

E tem mais. Reza a lenda que os Raios-X dos aeroportos da Europa e Ásia são bem mais fortes que os do Brasil… mas é claro que não existe nenhum site oficial que confirme ou desminta essa afirmação.

Depende da quantidade de vezes: Seja qual for o efeito do Raio-X no filme, ele é cumulativo. Ou seja, quanto mais vezes você passar o filme no Raio-X, mais ele vai ser afetado (mesmo que de maneira infima, como no caso dos filmes de ISO baixo).

“Ah, então não tem perigo pros meus filmes de ISO de 400 ou menos, né?” Não foi isso que eu disse. Existem casos de filmes de ISO baixo velados, supostamente, em uma passada apenas pelo Raio-X. Porque? Vai saber, né? Por um ou vários dos motivos acima, provavelmente… o lance é simples: tomar cuidado com todos os “fatores de risco” acima e, dessa forma, diminuir as chances de se f… perder seu filme.

“E filme de Polaroid?” Mesma coisa.

“E como saber se o filme foi ou não afetado pelo Raio-X?” Quando um filme é exposto ao Raio-X, na verdade o efeito é o mesmo que ser exposto à luz. Os Raios-X são, na verdade, irmãos dos raios de luz visível. Ou seja… são quase a mesma coisa. Só que o Raio-X é… invisível. Ao olho humano. Mas não pro filme. Ou seja, os raios-x do aeroporto afetam o filme como se fosse uma fonte de luz beeeeem fraquinha.

Isso provoca o que se chama de véu, que é similar a um vazamento de luz bem suave no seu filme… ele pode ser uniforme ou disforme, dependendo de uma porrada de fatores. O ponto é que ele não inutiliza seu filme, a não ser que esteja absurdamente forte. Ele deixa as fotos com menos cores, menos contraste, mais “chapadas”… mas nada que você não consiga ajustar no Lightroom ;-)

É claro que em alguns casos o bicho pode pegar, e aí sim a coisa fica “nervosa, mano”. Mas nesses casos, relaxa e aproveita a surpresa… chama de Lomo que tá tudo certo :-P

Saquinho de chumbo… de que adianta, se “os policia” vão abrir? Leva os negativos na mochila e pede pra eles verificarem manualmente!

“E se eu for muito medroso, ou só usar filmes de ISO 3600?” Compra um saquinho de chumbo, que nem esse da Photojojo. Ele funciona bem… o problema é que os caras de terno preto do aeroporto não vão deixar você passar com ele sem abrir de jeito nenhum…hehehe… >;-)

“E quais são essas tais das suas fontes?” Ok, vou revelar minhas fontes: Sites oficiais da Fuji, Impossible e Kodak, uma penca de fotógrafos experientes, que me deram depoimentos cara-a-cara, com base no que aconteceu COM ELES, e não no que eles leram por aí ou ouviram falar, e o livro “Revelação em Preto e Branco” sobre o qual já falei aqui.

Se quiser explorar mais esse fantástico mundo dos filmes versus raios-x de aeroportos, recomendo essa página da Kodak. Eles são bem fatalistas, e colocam a coisa como se fosse o fim do mundo e a chegada do diabo na terra… mas acho que é pra tirar o deles da reta e evitar processos e reclamações de usuários… ;-)

[Update de 10/07/2012:  A galera têm dado ótimas dicas aí embaixo nos comentários. Então, se você chegou até aqui, não deixe de ler eles, ok? :-D]

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comentários
 
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  • Pedro
    26/12/2015 em 7:02 pm

    Pergunta de leigo: há alguma diferença entre os danos causados ao filme que passa pelo raio-x guardado na embalagem original e o já colocado dentro da máquina fotográfica?

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  • lannaemilli
    29/05/2014 em 6:41 pm

    Adorei esse post e as dicas dos comentários, ~já que estou planejando minha próxima viagem pra Europa, meu amor~ com a minha recente aquisição analógica! hahahahahahahaha

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  • lannaemilli
    29/05/2014 em 6:39 pm

    É uma coisa chamada “ironia” e outra chamada “escrita descontraída”. É só ir lendo os outros posts do QF para você perceber essa tendência ;)

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  • Betina
    07/06/2013 em 2:41 pm

    Gente, comprei uma fujifilm polaroid e filmes para a mesma na china, só que depois andei lendo e descobri que todos os produtos passam pelo Raio X da receita federal… Alguem já passou por isso? Fiquei bem preocupada quando li, por conta dessa história de afetar os filmes e tal. Obrigada :)

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  • 23/11/2012 em 12:46 pm

    Viajei bastante pelo brasil, e recentemente para a China, não tive nenhum problema. Como o André disse as implicações são imperceptiveis, como provavelmente seu filme vai ser digitalizado, com certeza você terá que equilibrar cor e sat. Abrax

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  • 13/11/2012 em 10:40 am

    bem, eu viajo com filmes desde a década de 80 e nenhum dos meus filmes sofreu dano algum. eu acho um pouco de exagero ficar tão preocupado com isso. ainda mais com esse povo hype lomista, se estragar o filme é até bom.

    mas o ideal mesmo é levar o filme na bagagem de mão. sempre fiz isso mais por medo de sumirem com a mala e eu ficar sem filme do que preocupação com eles.

    o site da kodak, da fuji e etc tem que falar que causa danos mesmo e serem alarmistas, afinal de contas, se disserem que não e isso ocorrer uma vez, eles estariam todos fodidos.

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  • Thais
    27/09/2012 em 10:54 pm

    Comprei meu primeiro rolo de cromo ontem e nele está bem clara a indicação: Proteja do calor e dos raios-x…
    fiquei com medinho…kkkk
    vou ver se dá para comprar um saquinho desses especiais, perder meu cromo, jamais!

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    • 28/09/2012 em 7:15 am

      Thais, tenho a soluçao pra você: se é só um, em viagens coloque ele no bolso da roupa. Quando pedirem pra tirar as coisas de metal, deixe ele lá, e passe pelo detector de metal…. :-)

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      • 25/11/2013 em 1:26 pm

        tentei fazer isso. em geral os rolos também tem um pedaço de alumínio que serve para que certas câmeras automaticamente detectarem o ISO do filme. ou seja, apita :)

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  • Carlos
    25/09/2012 em 5:34 pm

    Viajei no mes passado para Nova York e ao voltar, trouxe uma bobina de filme Ilford HP5 e vários rolos de filmes diversos.
    No aeroporto de Newark ao passar no raio X ( aquele onde quase de deixam de cueca! hehe ) mostrei os filmes para o fiscal e ele não passou no raio X. Apenas passou uma especie de caneta de teste quimico em volta das embalagens.
    E em São Paulo, quando cheguei, como declarei algumas coisas compradas para pagar imposto, passei no raio X. Na hora mostrei os filmes e eles falaram que não tinha problema, mas eu expliquei que tinha sim problema e que em Nova York não tinham passado no raio X, então acabaram passando por fora.

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  • Devlin
    02/08/2012 em 3:20 pm

    Fala André!
    Seu site é excelente, dicas e afins; perco (ganho) horas por aqui! :) Parabéns.

    Fiz um mochilão recentemente para o Chile e Bolívia, com muitas escalas; no total, foram 4 escalas de ida, e 3 de volta; isso, fora as paradas nos “carabineiros” nas estradas, para passar pelo Raio-X também (3 no total, lá tem bastante fiscalização). No Brasil falei com os fiscais, e em Santiago também, sem ter problemas para passar os filmes fora do nosso amigo X, na ida e na primeira escala; porém, nos outros, eu já estava cansadão e, sinceramente, sem saco; deixei rolar. Chegando no Brasil revelei os filmes e nenhum foi afetado (vale lembrar que todos os Xs que passei foram os de mão).
    Os filmes foram: Kodak proimage com ISO 100 e Kodak 400tx com ISO 400, Fuji Velvia 50 (esse estava vencido) e Ilford FP4 ISO 125. Claro, todos são de ISO abaixo/igual a 400. E não sei se tive sorte, ou sei lá o que. De qualquer forma, vale compartilhar a experiência.

    []s e continue o excelente trabalho!

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  • Joao Agripino
    28/07/2012 em 2:48 pm

    segundo uma funcionaria do aeroporto de Lisboa, responsável pelos raios-x, “esta cientificamente provado que nao faz mal algum”, falou com bastante segurança …

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  • Fabíola
    21/07/2012 em 11:01 pm

    “Coisa antiquada chamada livro”??? Você escreve umas coisas bem legais, dá dicas interessantes, mas não trate seu leitor como uma pessoa intelectualmente limitada, nos passa a sensação de que vc tbm seja assim. Achei essa página por acaso, gostei e continuarei lendo (ou não), mas escreva melhor. Tirando isso, parabéns pelos tópicos, extremamente interessantes.

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  • 10/07/2012 em 4:20 pm

    Antigamente, ao chegar na alfandega e sempre dizia que meus filmes era de ISO alto e não aceitava que passassem raio-x. Daí eles pegavem o filme e via, tipo ISO 400… e ue emendava: este aí é rebobinado. A caixa é 400 mas o recheio é 3200 e vai estragar. Eles me deixavam ir em frente, sem passar o filme no raio-x. Mas atualmente… pra falar a verdade… eu não estou nem aí pra isso. Nem me dou ao trabalho de falar nada. Jogo no raio-x e pronto. :)

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  • 10/07/2012 em 10:26 am

    sempre viajei na ponte aérea com filmes e recentemente com instantâneos e nunca deu problema. Ontem passei com um filme 3200 na mochila mas ainda não foi revelado então não sei se deu problema…

    Só teve duas vezes que confundiram minha instax com drogas ou armas e pediram pra inspecionar a mochila :D

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  • Philippe Machado
    10/07/2012 em 2:48 am

    Duas dicas que normalmente eu faço:
    1° – antes de viajar, tire todos os seus rolos das caixinhas e das embalagens plásticas. Coloque tudo dentro de um Ziploc transparente (desses de cozinha) e leve na bagagem de mão. Na hora do raio-x mostre o saquinho pro fiscal e pede para passar por fora do raio-x. Aqui no Brasil, 99% das vezes funciona. Só tive problemas em Caracas (Venezuela) e Buenos Aires.

    2° – Como o efeito do raio-x é cumulativo, se fizer uma viagem longa, com muitas paradas (tipo mochilão na Europa), procure ir revelando os filmes a cada cidade. Depois de revelado o filme está salvo!

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  • 09/07/2012 em 1:20 pm

    Uma sacada simples para “salvar” filmes 120 é levar nos bolsos para evitar o raio-x dos dos federais, desde que sejam poucos rolos e não faça um volume suspeito. Como os cartuchos desses filmes são feitos de plástico, nada vai apitar no detector de metal. Já com rolos 35mm não tem saída.

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