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A técnica do Bracketing, ou “na dúvida, tire três fotos”

por em 12/07/2012
 

http://forums.luxology.com/discussion/topic.aspx?id=42753&show=gammaNa verdade não precisa ser três… pode ser mais. Mas, calma. Eu explico.

Bracketing (cuja tradução é meio foda de fazer, porque “bracket” é “suporte”… então “bracketing” seria “suportando”, o que não faz sentido.. . mas tudo bem, a gente chama de bracketing e tá tudo certo [Update de 12/07 às 12:30: O leitor Rodrigo Rigotti me lembrou que uma das traduções de bracket é agrupar… o que explica tudo ;-) ]) é uma técnica “das antigas” que parte do seguinte princípio:

Se você não tem certeza que as configurações da sua câmera são as certas praquela foto, tire várias fotos iguais, mudando as configurações pra mais e pra menos. Uma delas vai sair do jeito que você quer.

Parece simples, né? E é mesmo… e ajuda tanto, mas tanto, naquelas fases em que estamos aprendendo a fotografar com filme, ou a dominar aquela câmera, ou aquele tipo de filme, que se lembrássemos mais disso, provavelmente gastariamos MENOS filme pra tirar as fotos que queremos, mesmo tirando MAIS fotos da mesma coisa… porque? Porque usando essa técnica cobrimos boa parte das possibilidades da foto dar errado usando uma lógica, ao invés de simplesmente sairmos disparando a câmera sem mudar nada, simplesmente torcendo pra uma das fotos ficar boa…

O Bracketing de exposição é o tipo mais conhecido. Tanto que, quando se fala “bracketing” sozinho, geralmente está se falando de bracketing de exposição. É usado quanto você está em dúvida sobre a luz. Ou seja, não sabe se tá claro demais? Não sabe se tá escuro demais? Tá confuso? Tá com medinho da foto não sair? Moleza: tira três fotos, sendo uma do jeito que você acha que é o certo, uma mais escura e uma mais clara. Tá MUITO em dúvida? Tira cinco. A que você acha que tá certa, a segunda mais escura, a terceira mais escura ainda, a quarta mais clara que a primeira e a quinta mais clara que a quarta… deu pra entender, né? Olha o exemplo.

Imagem de http://photo-facts.com/

 Quer mais um? Então tá…

Imagem de http://aaudigitalphoto.wordpress.com/

“Mas como eu faço isso, moço?” Você pode fazer de duas formas: mudando (pra mais e pra menos) a velocidade da câmera ou a abertura do diafragma. É claro que pra fazer isso você precisa que a câmera tenha esses controles, ou alguns deles pelo menos. Por exemplo, numa SLR é moleza. Numa Diana e na Holga, dá pra mexer nas nuvenzinhas e solzinhos. Numa Olympus Tri0 35 dá pra mexer na abertura do diafragma. Já numa Supersampler, Actionsampler, Fisheye e outras que não dá pra controlar nada… já era.

…quer dizer, a não ser que você faça “Bracketing de Flash”. Em teoria, esse é um bracketing onde você usa mais ou menos a luz do flash. Mas como estamos falando aqui de fotografia amadora, e de câmeras amadoras, vamos lembrar do conceito básico do bracketing (aquela frase em itálico lá em cima, depois do segundo parágrafo) e lembrar que a gente pode também fazer um bracketing usando, por exemplo, flash ligado, flash desligado e, pra opção intermediária, flash com um guardanapo de papel na frente pra abafar um pouco a luz.

“ah… mas ai a medição da luz não é exata!” Não, não é… mas, who cares? Se sua foto sair boa, não é isso que importa? :-)

Voltando ao bracketing de flash tradicional, ele pode ser usado com flashes que tenham controle de potência e sincronia. Muita gente não sabe, mas flash não funciona só daquele jeito das câmeras amadoras, estilo “PÁ-PUM!” não. Os flashes mais espertinhos (e isso já é coisa antiga, viu?) têm potências variadas, momentos de disparos variados… enfim, dá pra fazer coisa pra caramba. Mas isso é papo pra outro post. Se você ficou muito curioso

Tem ainda o Bracketing de profundidade de campo, que é básicamente é você tirar fotos com diferentes profundidades de campo, pra depois de revelar ver qual te agrada mais. Esse é um bracketing mais estético, jánque parte do principio de que a foto “vai sair, só que talvez não com a profundidade de campo que você gostaria”. Esse bracketing é legal pra quem curte um bokeh (olha a maldade nessa sua cabeça suja!)…

Enfim, é tipo isso assim, o tal de bracketing. O legal mesmo é lembrar que você tem como aumentar suas chances da foto sair boa e, com isso, comemorar mais do que sofrer, na hora de receber o filme do laboratório ;-)

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comentários
 
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  • Fabio
    16/07/2012 em 11:15 am

    Mas falando da materia: na digital faço isso porque gosto de expor na latitude máxima do sensor pra conseguir mais detalhes nas baixas luzes. Na analógica eu faço quando não tenho certeza se os meus calculos estão corretos. O fotometro da fm2 morreu e tiro usando Sunny16, mas situações de alto contraste me confundem.

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  • Fabio
    16/07/2012 em 11:12 am

    Tem um erro no exemplo da janela, não tem? as velocidades estão trocadas. 1/500 deveria deixar a foto com -1stop e 1/125 com +1.

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  • Marcos Ferraz
    12/07/2012 em 3:41 pm

    André, parabéns pelo artigo.

    Estou redescobrindo a fotografia analógica e essa dica caiu como uma luva.

    Eu tenho uma Smena 8M que é possível diversos ajustes e como eu ainda não tenho um fotômetro sempre tenho muita dúvida qual velocidade selecionar, mesmo usando a tabelinha sunny 16.

    Agora vou começar usar essa dica e anotar nunca caderno cada foto que eu bater.

    Creio que com o tempo eu pego o “jeito da coisa”.

    Abs

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  • 12/07/2012 em 1:48 pm

    Recuperando aquilo que você falou em outro post. Quando se trata de exposição, alguns erros podem ser corrigidos na digitalização dos negativos.

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  • Alexandre
    12/07/2012 em 1:17 pm

    Legal! Faço isso com a Zenit 12xp alterando a abertura do diafragma (desconfiando do fotômetro)…Aprendi que o nome para isso é bracketing \o/

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