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Frustrado com suas digitalizações? O problema pode ser com você, e não com o scanner…

por em 02/08/2012
 

Desde a primeira semana de vida, o Queimando Filme recebe toda hora dúvidas sobre digitalização, scanners e toda essa parte digital da fotografia analógica pós revelação. Confesso que ha tempos venho procurando alguém pra nos ajudar nesse assunto, mas não encontrava ninguém afim de participar da bagunça comigo e com os demais colaboradores. Mas agora a busca acabou! A partir de hoje o Queimando Filme conta com um colaborador especializado no assunto, que trabalha com  isso, que já esteve conosco nesse post, e que pode ser encontrado ajudando todo mundo no Grupo Queimando Filme no Facebook.  

Com vocês, Rodrigo Netto, o segundo de nossa nova leva de colaboradores que vai pipocar aos poucos aqui nas próximas semanas! ;-)

Fala Rodrigo!

Silhuetas (2)

Por Cláudio Cacini

Muitas pessoas assim que compram seus scanners caseiros, chegam em casa felizes e animadas para digitalizar suas fotos em papel e filme,  e depois do primeiro scan, se sentem completamente frustradas.

Você é uma dessas? Então vai gostar desse post, porque ele vai te ajudar a entender se o problema está no scanner ou na sua expectativa do que ele pode fazer, e como.

Todos os scanners são projetados para atender a uma enorme gama de usuários, e isso inclui desde o ser que não faz ideia de como se usa o equipamento, até aquele geek que compra já sabendo todos os melhoramentos possíveis. Por esse motivo temos que saber exatamente o que esperar.

Apesar de existir no mundo uma grande gama de scanners, nós tupiniquins somos obrigados a utilizar “o que aparece”. Nesse momento o que tem de bom por aqui são alguns modelos da HP, sendo o melhor o G4050, já citado nesse post aqui, e alguns modelos Epson também citados no mesmo post. Além dessas opções temos alguns scanner simples nos quais não vou nem me aprofundar, por não valerem à pena. São scanners que têm como característica baixa resolução e e a captura direta das imagens, como se fosse uma foto digital de seu negativo ou slide, como os ION e os parecidos com ele que na sua maioria são genéricos.

Mas, Independente do scanner, quem realmente manda nessa bagunça é o software, e esse é o primeiro ponto que você deve parar pra analisar nas suas frustrações.

Closed path

Por Guilherme Balarin

Tudo bem  um Epson é muito melhor que um HP, mas se você utilizar o Epson com o driver do Windows (aquele programinha de scaneamento que já vem no Windows) e o HP com o Vuescan, por exemplo, pode acabar com uma grande frustração nas suas mãos. Isso porque mesmo o scanner tendo uma tecnologia incrível, ele precisa de um processamento incrível dentro do computador, e de um usuário (isso mesmo, você!) com muita paciência para poder, por exemplo, ajustar novamente as cores, (uma por uma) até chegar no resultado desejado.

Quando um scanner vai digitalizar a imagem, ele sempre vai tentar nivelar a luminosidade de sua imagem com base em um padrão que o fabricante colocou nele do que é “certo e errado” em uma foto (céu azul, nuvem branca, pele…cor da pele…) O resultado, se sua foto têm algumas coisas meio fora do padrão, pode conter pretos que são cinza e brancos muitas vezes coloridos, isso tudo porque ele (o scanner) não sabe como o dia estava no momento da sua foto, ele é uma máquina que pensa em números, sua imagem acabou de virar um monte de números ordenados para que sejam nivelados automaticamente. E, criativamente, conceitualmente, isso não funciona.

Quando você faz uma digitalização a melhor coisa a fazer pode ser desligar os processamentos automáticos, e ir na mão ajustando o azul, o vermelho e o verde, e a intensidade de tudo isso, e nesse momento mágico você verá sua imagem surgindo exatamente da forma como você imaginou quando clicou, ou do que você viu no negativo quando o observou contra a luz.

Untitled

Por Rênato Andrade

Esse processo é demorado, e é importante atentar a alguns detalhes que serão abordados em um próximo post sobre, como fazer esses ajustes.

Resumindo, digitalizar um negativo hoje não é muito diferente de ampliar uma foto nos laboratórios analógicos de anos atrás. Se quiser fazer bem feito, é necessário ter paciência e mão na massa. Caso contrário, é melhor pedir pro seu lab digitalizar mesmo…

Mas entenda que só você sabe o que quer de sua imagem. Por isso, é complicado receber uma imagem ajustada por alguém que você nem conhece, a não ser que você realmente queira ser surpreendido.

A sua foto é sua, faz parte de você. Foi um momento eternizado por seu olhar, e deve ser finalizado por você com o mesmo olhar que estava naquele momento do click!

Para isso não é preciso nenhum conhecimento absurdo, só um pouco de paciência e treino. Com o tempo, e a nossa ajuda, você vai passar a entender melhor o processo, e sempre chegará a um resultado de acordo com o que quer. Muitas vezes já vai poder imaginar a foto impressa na hora do click!

Estero Salado

Por Vince Muñoz

“Mas então, o post não era sobre era sobre frustração?” Sim… voltando ao assunto. Nesse momento você deve estar com mais dúvidas do que respostas. Mas essa é a idéia. O mais importante aqui é você entender que as fotos não ficam lindas sozinhas, nem na sua casa, nem no laboratório profissional. Nem na ampliação analógica, nem na digitalização digital (duh! :-). Como então sair desse buraco em que você entrou? Praticando. Lendo os manuais do seu scanner e do seu programa de digalização. Experimentando, testando… de forma nada diferente do que você já faz com a sua câmera. A prática leva à perfeição… ou bem perto disso ;-)

Assim como você não espera que um filme preto e branco faça imagens coloridas, não espere de um scanner ou de um software de digitalização coisas que eles não podem fazer, ou pelo menos que não podem fazer sozinhos, sem que você os controle, os comande pra que isso aconteça. E, pra isso, você tem que entender o processo e aprender, principalmente, que uma foto não fica pronta quando você clica ela na câmera. O click é só a metade do caminho.

 P.S. do editor: Pode esperar que em breve teremos alguns tutoriais pra ajudar a brigar lidar com seus scanners e programas de digitalização, ok? Alguns deles já estão no forno! ;-)

Quanto vale esse post pra você?
Pense nisso e, se achar justo, colabore conosco! Você pode apoiar o Queimando Filme através de doações (faça a sua aqui!), divulgando esse post para seus amigos, ou até simplesmente clicando nos banners dos anunciantes! Tudo isso ajuda o Queimando Filme a continuar postando conteúdo de qualidade para todos os amantes da fotografia analógica ;-)

comentários
 
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  • 30/12/2014 em 10:19 pm

    Olá Rodrigo Tudo bem? Estou com o mesmo problema do Daniel. Tenho um scanner epson perfection 4490, mas as imagens estão ficando com muito ruido, ao digitalizar, mesmo a foto original não ter nada de ruído. Você descobriu a solucao desse problema? Mesmo digitalizando a 6400 ppi a imagem fica com estes ruídos. Abraço!

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  • 17/02/2013 em 10:26 pm

    Olá Rodrigo.

    Acabei de instalar aqui em casa meu novo Epson V600. Todo empolgado, parti pro teste e PIMBA! Decepção… Lembrei deste post (acompanho fielmente o site “desde os primórdios até hoje em dia” – como diriam os Titãs) e já me adiantou bastante; mas ainda restam dúvidas…

    Eu pluguei meu scanner e já comecei a usar (ô ansiedade…). Mas pelo que eu entendi eu posso otimizar ele instalando um driver diferente do padrão. Taí, não entendo nada disso e ficou a dúvida de quanto isso pode influenciar na digitalização. Aliás, quais os drivers que são melhores?

    Outra coisa que notei é que minhas imagens estão saindo com muito ruído. Muito mesmo. E ruídos “digitais” sabe? Não é imagem granulada do filme não… Tem alguma pista do porquê isso pode estar acontecendo (acho que nesse caso o gerundismo é legítimo, né)?

    Pois… Acho que é isso. Se for o caso de eu lembrar ou perceber outra coisa, eu perturbo de novo… rsrs

    Um grande abraço e parabéns pelos artigos!

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  • Victor
    26/08/2012 em 11:51 pm

    Comprei um Epson V500 e estou com varias duvidas sobre o processo de digitalizaçao.
    Estou usando proprio software do scanner no modo profissional, desligando todas as correçoes e de automatico, apenas a exposiçao continua esta ligada. Sem ela, os resultados ficam bem estranhos. As fotos tendem a ficar completamente azuis.
    No histograma, eu puxo o output para 0 e 255. Salvo tudo em 4800 dpi, ja que em 6400 que, teoricamente é a resoluçao maxima sem interpolaçao, parece nao haver nenhuma melhora no nivel de detalhe. Mesmo com os negativos bem limpos e a superficie do scanner tambem, alguma poeira acaba aparecendo nos arquivos. Tiro tudo usando o healing brush do Photoshop.. Depois faço os ajustes basicos no Lightroom e alguma compensaçao de cor mais detalhada com o HSL e por fim, uso o sharpening.
    Gostaria de saber se o meu processo ta certinho, se estou pulando ou fazendo alguma coisa errada/desnecessaria.

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    • 27/08/2012 em 9:58 am

      Oi Victor,

      Seu processo está correto, para evitar as sujeiras utilize flanela anti estática e aquelas bombinhas de ar de limpar lente, ajuda bastante, tem alguns pontos que são do filme e eu ainda estou tentar uma forma de resolver isso, não sei se é da revelação, ou caracteristicas de filmes, ando fazendo testes e assim que tiver solução passo para vocês por aqui.
      Você tem que ajustar a imagem de forma que fique como você quer, esta fazendo o processo certinho, eu tenho usado o conta gotas cinza para já acertar a cor na digitalização e o resultado é bem melhor. Estou fazendo um posto com esse processo, em breve estará no ar.

      Abraço

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  • 20/08/2012 em 1:25 pm

    Bem esclarecedor o texto. Não sabia, por exemplo, que o software que usamos para digitalizar fosse uma ferramenta determinante na qualidade da imagem adquirida. Eu sempre usei programas mais leves para digitalizar e quase sempre nem ao menos instalava o programa que vinha no scanner, exceto o driver.

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  • 09/08/2012 em 5:48 pm

    Enquanto isso, os scanners estão quase dobrando de preço… :(

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  • 03/08/2012 em 1:46 pm

    Oi Rodrigo, adorei o post e to no aguardo dos tutoriais sobre os programas de digitalização! :) Tenho um HPG4050 e uso o VueScan. E sou uma dessas pessoas que se frustou com o scanner, rs…Gostaria de saber se você saberia me ajudar com o seguinte “problema” que me acontece de vez em quando. Ex: fiz os ajustes no negativo escaneado, no modo ‘preview’. Depois disso, fiz o scan final deste negativo em dois tamanhos que eu precisava, 300dpi e 2.000dpi. O que não entendi, é por que eu obtive imagens com cores e definição tão diferentes na maior imagem. Foram raras as vezes em que consegui digitalizar um negativo com mais de 1.000 ou 2.000 dpi, sem que a imagem ficasse diferente da que eu havia editado no modo ‘preview’ ou digitalizado a 300 dpi. Tem alguma explicação pra isso? Preciso desativar alguma função de ‘ajuste automático’? Se for isso, poderia me informar onde fica esse botão/opção no Vuescan ?!
    Grata!

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    • 03/08/2012 em 2:09 pm

      Oi Marina. O que pode estar acontecendo é alguma variação de preset quando você altera a resolução, outra coisa, tente sempre utilizar valores de resolução como 300, 600, 1200, 2400, 4800, isso muda bastante como o software organiza os pixel’s permitindo uma melhor qualidade, não lembro o porque disso agora, mas usando esses valores fica bem melhor. Quanto aos ajustes, o ideal é não deixar que o Vuescan use nada no automático, estou preparando um post onde faço uma digitalização passo a passo com ele, assim ficará mais fácil de explicar. Abraço

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  • Salvador Medina
    03/08/2012 em 11:04 am

    Como opção de compra, indico o CanonScan 9000F da Canon. Este scanner tem baixa velocidade de varredura, mas tem superior qualidade de imagem. Comprei um e estou satisfeito com os resultados obtidos.

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    • 03/08/2012 em 11:17 am

      Já li bons testes sobre ele, mas ainda não tive oportunidade de testar. Talvez compre um mais para frente, queria ver ele frente ao V700 ou V750. Você tem imagens digitalizadas com ele em algum site? rs

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  • F.
    02/08/2012 em 1:36 pm

    queremos saber mais sobres os detalhes!! haha
    [aguardando o novo post]

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  • Laercio
    02/08/2012 em 1:24 pm

    Mas vejam só o meu caso. Herdei um monte de negativos com 10, 20 e até 30 e até 35 anos. Herdei de meu falecido avô. Ou seja, eu não estava lá… não sei como estava a iluminação do dia. E mais, não sei se o filme puxou pra uma cor ou outra entende. :/ e não consigo ZERAR as pré-definições do scanner. A cada foto, tenho que mudar toda a configuração. Só pra constar tenho um Plustek 7600 Ai. e o softer é o silver fast. Grato!

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    • 02/08/2012 em 1:44 pm

      Então Laercio, tenho esse problema todos os dias, trabalho digitalizando fotos de quem não conheço, portanto uso de paciência, meu fluxo de trabalho nesses casos é assim, digitalizo zerado, no silverfast basta abrir o histograma e manter as setinhas do preto e branco nas extremidades e as do levels no inicio e fim do gráfico. Assim terá uma imagem mais limpa para tratar. Para acertar a cor eu constumo me utilizar dos três conta gotas existentes no levels do Photoshop, principalmente o cinza, essa ferramenta você utiliza informando ao software algo que você tenha certeza que é cinza naquela imagem, como áreas de sombra em roupas brancas, concreto, olhos, dentes, e quando não tiver cinza vale informar ao software uma área que tenha um valor tonal, mesmo que colorido próximo do cinza médio. Dessa forma você deixará a foto equilibrada. Nesses casos é bem difícil acertar ao que era no momento, você pode tentar analisar a luz e tentar imginar um tom que deixe a imagem melhor. Com certeza é uma situação bem diferente de quando você digitaliza as fotos feitas por você. Abraço
      Rodrigo Netto

      Responder

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