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Aprenda a controlar as cores da sua digitalização caseira…

por em 17/08/2012
 

Adquirir um scanner de filme é um investimento ótimo para quem fotografa com filmes como já foi visto aqui e aqui, mas e depois? Como tratar as fotos digitalizadas (sim, toda foto é tratada e o André também já falou deste assunto aqui)?

Para cada tipo de scanner e software usado o resultado sempre sairá diferente, e em alguns casos, eles tendem a “puxar” as imagens para um tom, às vezes é para o azul, outras para o amarelo, laranja, verde ou vermelho… Enfim, você nota que a digitalização não é fiel ao que você recorda de ter fotografado, e daí vem a frustração.

Você sempre pode (e deve) recorrer ao Photoshop ou outro programa de edição de imagem para tentar corrigir estes tons “errados“. E, ao pesquisar sobre em fóruns, descobri um plugin de Photoshop chamado ColorPerfect (antigo ColorNeg). O plugin funciona da seguinte forma: O ColorNeg transforma uma imagem em TIFF do seu negativo em positivo e com base em um catálogo de filmes e suas variações, busca a cor, contraste, brilho etc equivalentes deste filme e aplica na foto. Junto com esta ferramenta, o plugin provê opções de edição pós “positivação”, os chamados Touch Up e ColorPos (a junção destas duas novas funções transformou então o solo ColorNeg em sua versão 2.0 ColorPerfect).

Maravilha, né? Mas espere! Nem tudo é lindo no ColorPerfect… Você pode baixar uma demo do plugin, mas suas fotos aparecerão com uma grid, como uma espécie de marca d’água, e para se livrar delas você precisa comprar o código de licença por 67 doletas…

Outch, eu sei.

Calma, eu não cheguei até aqui só pra te sacanear. Pelo contrário! Em minhas pesquisas sobre o assunto e depois de ter entendido mais ou menos o modo operante do ColorPerfect reuní uma pequena (e humilde) base de conhecimento acerca de fidelidade de cor e pós edição de fotos originalmente vindas de negativos. Então, se você não quer/pode tirar seu suado dinheiro do bolso ou não é um expert em edição de imagens, eu vou te apresentar umas dicas de como acertar as cores e brilho/contraste de suas fotos de forma rápida, fácil e indolor.

Então tá, vamos aos macetes logo de uma vez.

Cor

Abra sua foto já digitalizada no Photoshop (como uso este programa, estou usando-o para explicar, mas outros programas de edição provavelmente possuem o mesmo recurso, senão, parecido).
Vá em Imagem >Ajustes>Curvas ou Ctrl+M.

Ao abrir a caixa de curvas, você pode optar pela opção automática, ou da forma mais “manual”: Você verá na parte inferior três conta gotas, cada um se refere a um ponto em específico na imagem para referência, respectivamente: Preto, cinza e branco. Ao clicar no conta gotas do preto, procure na imagem a região que possua preto, ou ao menos a mais escura possível, faça o mesmo com o conta gotas do branco e se houver um meio termo, ou seja, o cinza, use-o da mesma forma. Tanto no modo automático ou deste, você irá notar uma grande diferença.

Outro modo é mexendo com a ferramenta Níveis:

Vá em Imagem >Ajustes>Níveis ou Ctrl+L.

Assim como com em Curvas, você pode tentar usar o automático ou então ajustar a quantidade de preto, cinza e branco na sua imagem de acordo com sua preferência mexendo nas setas (o uso do conta gotas também vale, mas eu não

recomendo tanto quanto nas Curvas).

Brilho/contraste

Muito fácil!

Imagem >Ajustes>Brilho e contraste

Imagem >Ajustes>Exposição

Nos dois não há maiores segredos, você mexe com as setas e acrescenta ou retira os elementos selecionados.

Correção de contraste e brilho no Photoshop.

Ps.: Lembre-se de como estava o ambiente quando você fotografou e não confunda as luzes do local com a leitura de cores de seus scanner e software ;). E claro, não devemos utilizar este mesmo tipo de tratamento de fotos em

XPro, que são uma festa de cores e contrastes hiperativos ou algum filme com características implícitas de diferenças de tons como os Tungsten que tendem a abraçar os tons azuis e vermelhos, fique atento com que tipo de filme está lidando.

Correção de cores através de “Curvas” do Photoshop.

Fácil, né? Dando os clicks certos você consegue chegar a um resultado satisfatório. Lembrando que é uma questão pessoal, não existe “certo” ou “errado”, vai de cada gosto.

A edição que você faz na frente de seu computador não é muito diferente do laboratório que escolhe ou não aplicar ajustes manuais ou automáticos do próprio equipamento revelador ou o profissional que escolhe dar mais ou menos contraste, realçar ou não certa área na hora de ampliar (sem a utilização de Photoshop, Lightroom, nada! Sim, ele está editando manualmente).

Cada foto necessita de uma edição diferente, o que acontece na maioria dos laboratórios é um funcionário, leigo ou não, apertando botõezinhos e tratando todas as suas fotos da mesma maneira padrão, muitas vezes errando na leitura de tons, já que, novamente, toda foto possui características distintas e necessita de tratamento individual.

Uma das vantagens de digitalizar e tratar suas fotografias pessoalmente é a fidelidade de cada uma, mesmo que o tratamento fosse separado nos laboratórios, foi você quem tirou a foto, sabe como o ambiente estava, iluminação e cores. O funcionário de laboratório não, e infelizmente não há previsões para que a bola de cristal seja elemento obrigatório dentro dos requerimentos de admissão nos laboratórios fotográficos, então…

Também tem dicas legais de como manipular fotos? Poste nos comentários, compartilhe a sabedoria!

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comentários
 
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  • 14/05/2013 em 9:51 pm

    Post bacana, Larice. Direto ao ponto. Massa!

    Responder

  • 02/02/2013 em 2:00 pm

    Parabéns pelo site.
    Estou adorando as dicas.. As publicações, tudo muito legal.
    Abraço

    Responder

  • Susana Machado
    18/11/2012 em 7:34 am

    Muito obrigada pelas dicas Larice!
    Eu acabei de comprar um HP Scanjet 4370 usado, e entrei em pânico quando digitalizei os primeiros negativos. O resultado final estava transparente e sem cor. Graças ao seu post, consegui tratar as fotos até elas parecerem reais de novo.
    Mas continuo com um problema: falta de nitidez. Quando comparo a foto que eu editei com aquela que veio do laboratório, a minha está muito menos nítida. Será devido à (falta de) qualidade do scanner?

    Responder

    • Larice Barbosa
      19/11/2012 em 1:07 am

      Oi Susana,
      fico feliz que o post tenha te ajudado! Então, esse problema com a nitidez pode ter diferentes motivos, como resolução, pré-configurações do software, entre outros…
      Configure seu scanner para digitalizar em 2400 dpi, 24-bit Color, se já não estiver com essas numerações
      Você usa o software da HP? Ele é bem fraquinho, talvez isto esteja comprometendo a qualidade das imagens, tente usar o VueScan ou SilverFast e compare os resultados
      Revise as configurações do programa que está usando, desative opções como “Suavizar”, “Máscara suavizadora” etc, alguns recursos ao invés de ajudar, acabam lendo “errado” e prejudicando o resultado da imagem, tente usar o mais cru possível de opções e prefira fazer a pós edição no Photoshop, onde você poderá controlar tudo

      Se nada funcionar, tente salvar a imagem com uma extenção diferente, a pré configurada normalmente é em JPG, tente salvar em TIFF, as fotos ficarão bem mais pesadas, mas a qualidade é superior.

      Espero que isso te ajude :)
      Se tiver alguma dúvida, não hesite em perguntar!

      Responder

  • 20/08/2012 em 12:36 pm

    LARICE EU TE AMO!!!!!

    Responder

  • 20/08/2012 em 7:38 am

    Uma pergunta: os scanners possuem algum sistema de digitalização que gere um arquivo bruto, tipo os RAW das câmeras digitais?
    Seria muito interessante receber um arquivo digitalizado de filme, com 16 bits, ao invés dos meros 8 do JPEG… Dá mais alcance na hora de ajustar cores e até mesmo recuperar uma foto sub ou sobrexposta!

    Responder

    • Larice Barbosa
      20/08/2012 em 3:24 pm

      Émerson, sim!
      Ao menos o que uso, um Epson, no software tem várias opções (PDF, JPEG, TIFF…), acredito que o melhor formato para o que você procura é o TIFF. No programa também dá para controlar a quantidade de bits, de 8/16/24/48. O próprio VueScan, programa popular pra quem escaneia negativos tem várias opções de saída. Desde uma imagem comprensada em JPEG, com quantos dpi quiser, até o controle de bits e formato do arquivo com elevada definição de cores, você é que escolhe!

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      • 20/08/2012 em 8:22 pm

        Muito interessante! Qual o modelo do seu scanner? Ou qual você recomenda para quem não tem muita grana, estava pensando em pegar um HP G4050, mas poderia ser um epson… o que me indica, ou não indica, ehehehe.
        Outra coisa, não sei nem como perguntar, mas seria algo como: até quantos megapixels eu consigo atingir escaneando um negativo 35mm, não sei se depende do iso, ou não, mas considere isos baixos (100)? Ou até que tamanho eu consigo ampliar? Chega a 30×45? Só para constar, sou super exigente com qualidade :D
        Obrigado pela ajuda, desde já!

        Responder

        • Larice Barbosa
          22/08/2012 em 4:13 pm

          O meu é um V330. Dizem muito bem do G4050, eu consideraria também o Epson V700 que assim como esse da HP, digitaliza médio formato. Isso de tamanho depende muito de modelo de scanner, o ISO que utiliza na câmera e filme não tem nenhuma relação com isso, fique tranquilo! Não sei te dizer com certeza acerca de ampliação pois nunca as fiz depois que adquiri um scanner, mantenho apenas em meu computador. Mas acredito que, com a variação de dpi que você escolhe e opções de software, você consegue ótimas ampliações. Quem deve saber melhor dessas especificações é o Rodrigo, que também é colaborador, provavelmente ele entrará nestes detalhes em seu próximo post sobre scanners e digitalização caseira. :)

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