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A evolução do filme na fotografia (versão resumida)

por em 27/08/2012
 

Hoje é dia de ler texto traduzido (e autorizado pelo autor! ;-). Jason Row é um fotógrafo de viagens nascido na Inglaterra e que mora hoje na Ucrânia. Ele escreveu esse texto pro site Light Stalking, que fala sobre “fotografia em geral” o que hoje, como sabemos, é o mesmo que falar apenas de fotografia digital :-)

Mas o texto dele, apesar de escrito POR e PARA fotógrafos digitais, é bastante carinhoso com nosso amado filme, deixando apenas a desejar no final dramático e pessimista, do qual discordo. Mas o texto é bom. Muito bom. Resume em poucos parágrafos uma história longa, complexa (ou rica, se preferir) de uma forma que fica fácil entender, aprender, e se lembrar.

Portanto, abram espaço pra esse gringo que, com sua capacidade de síntese, vai nos contar um pouco da história do filme na fotografia. Faja Jason!

Com a fotografia digital chegando pra ficar, hoje vamos vamos dar uma olhada breve porém nostalgica na história do filme fotográfico, desde os seus primeiros até os dias de hoje de estado da arte.

Uma câmera de daguerreótipo de 1850, por Mr T in DC, no Flickr

A Acensão do Daguerreótipo

Assim como os sensores digitais dos dias de hoje o filme é apenas um meio de se registrar a luz em um meio fisico. O primeiro filme foi chamado de Daguerreótipo, e era na verdade uma placa de cobre coberta por iodeto de prata, que é sensível à luz.

Aqueles de vocês acostumados com os loucos ISOs das modernas DSLRs teriam alguns problemas com o ISO de um daguerreótipo. Os primeiros fabricados, em situações de boa luz, tinham tempos de exposição de aproximadamente de até oito horas. Eventualmente, o processo evoluiu até alcançar tempos de exposição de minutos ao invés de horas. Mas mesmo assim, as pessoas fotografadas precisavam ficar perfeitamente imóveis durante vários minutos, e usavam aparelhos para prender a cabeça numa posição fixa por todo o tempo de exposição. É mais ou menos por isso que pessoas retratadas em fotos da era vitoriana pareciam tão incomodadas e desconfortáveis.

Kodak Entra na Briga

A próxima grande novidade na evolução do filme veio em 1850, com o uso de placas de vidro ao invés de placas de cobre, gerando uma imagem de qualidade bem superior. Em 1855 a Eastman Kodak Company lançou o primeiro filme flexível, basicamente uma emulsão fotográfica cobrindo um papel grosso,  seguido rápidamente em 1889 pelo primeiro filme “plástico”, feito de nitrocelulose.

Em 1908 a Kodak lançou o primeiro filme feito de celulose, chamado então de “filme seguro” (uma frase que foi impressa nas laterais da maioria dos filmes Kodak até muito recentemente). Esse foi provavelmente o primeiro filme feito em um formato que reconheceríamos até hoje.

Um Autocromo de 1912. O Autocromo foi o primeiro processo de sucesso para fotos coloridas. – Por Tekniska museet, no Flickr

E a Cor?

A cor apareceu nos filmes surpreendentemente cedo, em 1861, quando imagens coloridas eram produzidas através de um sistema que usava três placas de vidro. É claro, esse era um processo bastante trabalhoso e pesado, e estava disponível apenas para os praticantes mais financeiramente saudáveis de uma profissão que era naquela época muito cara.

A cor surgiu nessa época, mas foi somente em 1936 que a fotografia colorida surgiu para as massas. E foi novamente Eastman Kodak que deu esse passo, dessa vez criando o mais icônico filme da história da fotografia: o Kodachrome.

Muitos dos que aprenderam sobre fotografia na era digital devem ter lido sobre o fim do Kodachrome e o encerramento do processo de revelação Kodachrome, mas não devem ter compreendido o real impacto que esse filme teve na história da fotografia. O Kodachrome era reverenciado pelos fotógrafos profissionais por suas cores vibrantes e incrível nitidez, e muitos fotógrafos da National Geographic usavam milhares de rolos desse filme em um único projeto.

Sem dúvida o maior filme de todos os tempos – por Ian Muttoo, no Flickr

O maior problema do Kodachrome era a revelação, que era muito complexa e disponível apenas em laboratórios autorizados pela Kodak. Pra combater isso, a Kodak lançou a revelação “Série E”, que acabou gerando o processo E-6, muito mais simples e que podia ser realizado até mesmo em um laboratório caseiro. Foi o processo E-6 e sua contraparte para negativos coloridos, o C-41, que iniciaram uma corrida tecnológica, a princípio entre a Kodak e a Fuji, para conquistar primeiramente os fotógrafos profissionais com filmes cada vez mais rápidos, de melhor resolução e contraste, nos anos 1980.

Por volta de meado dos anos 1990 o filme chegou em seu ápice técnico. Qualquer rua tinha vários laboratórios (mini labs), todos clamando serem os mais rápidos, entregando suas fotos impressas em até 30 minutos. O filme fotográfico era barato e fácil de achar, com uma enorme variedade de fabricantes, tipos e velocidades.

 O Impacto da Era Digital

O destino da Kodak e da Fuji podem muito bem ser vistos como um retrato da história da era digital. Enquanto a Fuji admitia bem cedo que a fotografia digital teria um enorme impactona industria da fotografia, a Kodak andava muito mais devagar, acreditando que a fotografia profissional permaneceria trabalhando apenas com filme. Apesar da morte lenta do filme ter ocorrido provavelmente na primeira década desse milênio, seu declínio mais dramático ocorreu entre 2004 e 2006, quando câmeras digitais para consumidores comuns se tornaram tão baratas quanto câmeras de filme.

Quando o fotógrafo da National Geographic Steve McCurry acionou seu disparador sobre o último rolo de Kodachrome, ele efetivamente colocou o filme 35mm no arquivo da tecnologia, ao lado dos Laser-discs, fitas cassete, betamax e a máquina de Fax. Para os fotógrafos apegados a sentirem o celulóide na palma de suas mãos, foi um dia muito, muito triste.

Ok… ora de enxugar as lágrimas e lembrar que, apesar do drama contado por Jason, o filme está bem vivo, pelo menos por enquanto ;-)  LONG LIVE THE FILM!

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