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Quero clicar em Grande Formato. E agora? – Parte 1

por em 02/10/2012
 

Imagem de Ken Rockwell

Quando se fala em fotografia analógica, sempre existe uma história toda emocional por trás do nosso começo: minha “coisa” com a 4×5 foi quando um amigo ganhou uma Linhof Kardan toda emperrada e largou lá no estúdio, por falta de espaço – foi amor à primeira vista, e não deixei esse amigo em paz até que ele me vendeu o equipamento, que nesse meio tempo eu já tinha desmontado, limpado e desemperrado. E tudo isso sem sequer bater uma única foto, porque faltavam algumas peças, que consegui depois – o que me faz pensar que a razão por trás desse amor todo está na imagem gigante que se forma na nossa frente, ainda na fase de foco….

Mas isso é história pra um outro post. O tema deste são as coisas que eu tive de descobrir sozinho enquanto tentava fazer aquela Linhof funcionar, e que eu adoraria que alguém tivesse me dito quando me interessei pelo formato. Quem leu o post passado provavelmente está tentado a experimentar, mas não faz a menor idéia de por onde. Então vamos lá: me dêem as mãos, meninos e meninas, que vamos dar um passeio pelo fascinante mundo do grande formato!

OS TIPOS DE CÂMERAS

Existem basicamente três tipos de câmeras 4×5 (vou falar mais desse tamanho de negativo porque é o mais acessível; tanto câmeras como filmes são mais baratos e mais fáceis de achar): as câmeras de imprensa, as de campo e as de trilho, conhecidas por aí pelos seus nomes em inglês, respectivamente “press”, “field” e “monorail” ou “view camera”.

PRESS

Estiloso, não? Este é Weegee, fotojornalista famoso das décadas de 30 e 40

Estiloso, não? Este é Weegee, fotojornalista famoso das décadas de 30 e 40

Na categoria “trambolho” em que estamos trabalhando, estas câmeras são as únicas que dá pra segurar na mão, sem tripé; têm ajustes limitados, e não podem usar todo tipo de objetiva – visualmente são classudíssimas, o enquadramento é feito por um visorzinho em separado, e têm suporte para flash.

Não é nada que dê pra levar no bolso, mas é a mais móvel e portátil de todas elas. A marca mais famosa é a Graflex, que produziu a SpeedGraphic e a Crown Graphic, rainhas do segmento. Dignas de nota são a Linhof Technika Press e a Toyo Super Graphic.

Todas elas podem ser encontradas no mercado de usados por menos de 300 dólares, frequentemente com uma lente inclusa.

FIELD

Uma Tachihara! Fala se não é uma belezinha…

Na escala da portabilidade, as câmeras de campo estão no meio da escala. Precisam de tripé para se apoiar e frequentemente são pesadas, mas são menos pesadas que as de trilho, assim como menos versáteis. Por outro lado, são as mais bonitas de todas (é comum serem feitas de madeira), são feitas até hoje (é possível comprar uma absolutamente 0Km) e dobram até se tornarem pequenas maletinhas, além de terem muitos ajustes possíveis. A possibilidade de deslocamento é tentadora: em uma mochila grande dá pra levar a câmera, uma lente extra e todos os acessórios necessários.

O melhor das câmeras field é que elas viram maletinhas – esta é uma Shen Hao

A oferta também é imensa: entre as metálicas há a famosíssima Linhof Technika e a Toyo Field, e entre as de madeira as Tachihara são celebradas. Ao contrário das câmeras de imprensa, os valores dessas no mercado de usados são elevados; uma alternativa a se considerar é comprar uma nova de marcas chinesas – não se deixe assustar pelas palavras “chinesa” e “barato”, as câmeras são de ótima qualidade – como a Chamonix e Shen Hao.

 

VIEW CAMERAS

A infinidade de acessórios e peças das Sinar – precisão tem seu preço, e é mais peso do que dinheiro

Essas são o topo de linha em termos de versatilidade: constituem sistemas completos, trocam peças, aceitam todos os tipos de lente, têm todos os ajustes possíveis e imagináveis, fazem todo tipo de foto. A desvantagem é que são pouco práticas, pesadas e cheias de peças.

Podem ser encontradas com relativa facilidade por aí a bons preços, porque até a década de 90 todo estúdio que trabalhasse com foto publicitária tinha de ter pelo menos uma dessas, mas hoje elas não são mais utilizadas.

Várias fábricas como a Toyo, Linhof, Calumet e Horseman, pra citar algumas, fizeram câmeras de trilho sensacionais – mas as queridinhas dos control freaks da fotografia grandalhona são a Sinar e Arca-Swiss. Se encontrar alguma destas por aí agarre, mas lembre-se que transportar uma dessas é um porre; a vocação delas é o estúdio.

Bom, por hoje é só – mas não percam os próximos posts, onde vamos ver outras coisinhas que precisamos para fotografar grande, e como se opera uma 4×5! Até lá!

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comentários
 
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  • Eduardo
    18/12/2014 em 9:46 pm

    Parabéns pelo post! Tomara que você possa dar sequência a série . Aproveitando, eu estou fotografando em LF 4×5 colorido. Estou com dificuldades de encontrar alguém que possa revelar as chapas em cores. Você conhece alguém ?

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  • 29/07/2013 em 12:46 pm

    Massa, achei o post Alex.
    Vc já tem um próximo em andamento?

    Poderia falar sobre a anatomia da GF, especificidades das lentes (pq uma lente de medio formato não funcionaria numa GF?), diferenças entre monotrilho e com 2 trilhos… recursos exclusivos – como o TS… que mais…?!
    Estou curioso para saber mais detalhes. :)

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  • Marcelo
    04/10/2012 em 10:19 am

    André, você conhece o filme “Testemunha Ocular” (“The public eye”) que é uma biografia romanceada do Weege ? Assita. Ele faz maravilhas com a fotografia de filme.

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  • gabriel do rio
    02/10/2012 em 2:09 pm

    a Sinar é legal por de mais! Studio, Industria, Natural, Artistico e Registro

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