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Escolhendo o melhor filme pra cada situação – Parte 2: Coloridos

por em 16/10/2012
 

Estamos de volta com a Diana Eftaiha e seu texto – dividido aqui em duas partes – sobre escolher o filme “certo” pra cada situação. Ontem falamos (ou melhor, a Diana falou)  sobre filmes Preto e Branco. Hoje falamos sobre coloridos.

Se você não leu o texto de ontem, é importante ler, pra entender “a coisa como um todo”, ok?

Assim como ontem fizemos alguns alertas sobre questões técnicas, hoje quero dar um “relaxa e ignora” pras observações que ela faz sobre o uso de filtros pra que as imagens não fiquem com tons diferentes por causa das diferentes temperaturas de cor da luz local… e ai, entendeu? Não? Então. Foi exatamente isso que quis dizer: relaxa e ignora ;-) Como amador, e principalmente se for iniciante, basta você saber que diferentes tipos de luzes produzem tonalidades diferentes nas fotos. Pros profissionais isso é um saco, porque quando eles querem que uma coisa apareça na foto com EXATAMENTE a mesma cor que têm na vida real, têm que ficar se preocupando com isso… ok? Repetindo: relaxa e ignora ;-)

Fala Diana!

imagem em filme negativo colorido por Yang Du

Filme Negativo Colorido:

O filme negativo colorido, particularmente o de 35mm, é fartamente fabricado em todos os tipos e velocidades. Possui uma grande latitude de exposição, o que significa que ele é mais adaptável a erros de exposição (fotometria) e consegue lidar muito bem com situações de alto contraste.

Negativos coloridos são geralmente balanceados pelos fabricantes para a luz do dia e luz de flash (de 5500K a 5600K). Quando fotografando dentro de casa sob luz de tungstênio (lâmpada normal caseira incandescente), que possui temperatura de cor próxima dos 3400K, você precisa usar um filtro de conversão azul sobre as lentes pra evitar que a foto fique muito amarelada / alaranjada. É possível também corrigir desvios de cor durante a revelação, mas usar um filtro é mais simples e mais eficiente.

Tabela de temperatura de cores. Pra entender melhor, leia esse posts sobre o assunto.

Algums filmes negativos coloridos são balanceados para temperaturas de cor da luz de tungstênio, mas não são mais tão fáceis de achar. Porém, se você fotografa com um desses sob a luz do sol ou usando um flash, certifique-se de usar um filtro laranja pra evitar tonalidades azuis na imagem final.

De qualquer forma, filmes negativos coloridos são em geral considerados os tipos mais adaptáveis de filme em termos de temperaturas de cor misturadas ou incorretas (até um certo ponto, é claro).

Assim como nos negativos PB, filmes de ISO 400 oferecem um bom meio-termo entre velocidade, grãos e resolução, e podem ser considerados os melhores pra uso geral, podendo ser usados nas mais variadas situações.

Imagem em negativo colorido por Bethan Phillips

Filmes negativos coloridos são fabricados em uma variedade imensa, com diferentes características para diferentes resultados para atender a todos os gostos, desde cores vivas a cores sutis, naturais ou  destacadas, Filmes mais lentos tendem a ter cores mais vivas, enquanto filmes mais rápidos tendem a ter cores mais suaves.

Você pode, com base em negativos coloridos, conseguir de forma fácil e barata, ampliações pra colocar em suas paredes. Muitos laboratórios  conseguem ainda produzir imagens preto e branco  à partir das suas imagens coloridas, te dando assim o melhor dos dois mundos.

Negativos coloridos também são adaptáveis em termos de erros de exposição e te dão alguma latitude pra correções durante a revelação (geralmente até um stop/ponto de luz de subexposição e até dois de superexposição).

Imagem em slide colorido por Mel Stoutsenberger

Filme Slide Colorido e Transparência:

O filme slide colorido, ou cromo, ou positivo colorido, é um reversível onde a imagem positiva (ao contrário do negativo) se forma no filme. O resultado final é um filme que você pode recortar e colocar em molduras.

Você também pode conseguir impressões de slides, mas o custo é mais alto do que o de o de impressões de filmes coloridos [Nota do Tradutor: talvez fosse assim quando não se digitalizavam fotos antes de imprimir/ampliar. Hoje dá no mesmo…].

O termo “slide” ‘geralmente usado para filmes reversíveis em 35mm, enquanto “transparência” é usado mais para filmes reversíveis de maior formato.

Imagem em slide por nat urazmetova

Slides e transparências entregam uma imagem de qualidade excepcional em termos de resolução, saturação de cores e detalhes, especialmente em filmes lentos (de ISO baixo). Eles apresentam ainda um alcance dinâmico maior do que qualquer impressão em papel. Em filmes com ISO mais alto a perda de saturação das cores e o aumento da granulação é mais evidente em filmes slide do que em filmes coloridos de mesmo ISO. Slides são também menos adaptáveis à exposições incorretas já que possuem menor latitude (geralmente um ponto de luz de subexposição e meio ponto de luz para superexposições)

Eles são menos adaptáveis a balanços de cor também. Então, você vai precisar ter ainda mais atenção na hora de combinar o filme escolhido com as condições de luz ambiente disponíveis. Assim como com negativos coloridos, os reversíveis são em sua maioria balanceados pra luz do sol e luz de flash. Alguns poucos são balanceados pra tungstênio. Certifique-se de usar um filtro azul se estiver fotografando com um filme colorido sob luz de tungstênio, e filtro laranja ao fotografar com filme de tungstênio sob a luz do sol.

Enquanto os nomes dos negativos coloridos são geralmente seguidos da palavra “Color” (Cor/Colorido), como em Kodacolor, slides têm seus nomes geralmente seguidos da palavra “Chrome” (Cromo), como em Kodachrome.

Conclusão:

Como você pode ver, cada tipo de filme tem suas características. É uma boa idéia experimentar cada tipo e ver qual corresponde melhor às suas expectativas. Pode também ser produtivo ficar fotografando com um mesmo tipo durante um tempo até que “assuma o controle” e saiba como trabalhar com ele a seu favor.

Geralmente, se você está trabalhando em projetos onde a consistência tem grande importância, recomenda-se ficar com o mesmo tipo de filme do começo ao fim, já que vimos aqui que diferentes tipos de filme produzem tipos de imagem com, em alguns casos, resultados dramaticamente diferentes.

E ai, curtiram? Eu aprendi pra cacete com a Tia Diana aí… espero que vocês também! ;-)

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comentários
 
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  • 04/08/2014 em 7:46 am

    Olá Daniele, tudo bem?

    Olha, a Diana F+ usa por padrão filme 120. 120 é o formato, que nem pilha palito, pequena, grande, sabe? Pois é a mesma coisa. Assim como num aparelho que usa pilha palito (AAA) você pode usar pilha AAA de qualquer marca, em uma câmera que usa filme 120 você pode usar qualquer filme desse formato, ok?

    O mesmo vale pra câmeras com filmes do formato 135, 110… :-)

    Responder

  • Daniele Queiroz
    01/08/2014 em 11:03 pm

    Olá, André!
    Estou entrando no mundo analógico e (por muita sorte) encontrei o seu site e estou amando os seus posts!! Estou aprendendo bastante! A sua linguagem técnica é de fácil entendimento! Desde já agradeço muito!

    Tenho um pergunta…
    comprei uma analógica Diana F+, porém ainda está para chegar…(estou ansiosa!)

    E…não comprei o filme para ela, pois eu não sei se posso colocar qualquer marca de filme na Diana F+ … Tenho que somente usar filmes da marca da Lomography, ou posso utilizar um Kodak, por exemplo?

    Responder

  • 19/10/2012 em 11:54 am

    haha, não havia visto essa ainda. Ta valendo.
    Mas eu tinha dito no estilo de postagens dessa página:
    http://www.facebook.com/HipsterDaDepressao
    Com postagens frases coadjuvantes das imagens do fundo. E frases irônicas. Mas já tem essa página. então fkfodsapokpfdskapfdask
    até mais.

    Responder

  • 18/10/2012 em 11:16 am

    Olá André, sabe o que estive pensando? Fazer uma página clichê no facebook, estilo a Hipster da Depressão, só que de fotografia.
    Fotografo da depressão. Usando nas montagens, 100% de imagens tiradas com máquinas analógicas. Acho que ia misturar o pessoal do site mais, poderia fazer propaganda do site as vezes.
    Não sei, talvez seja fora de cogitação. Só uma sugestão que achei que cairia bem.
    Tenho uma página assim, dá um baita trabalhão. Mas enfim.
    Fica a dica.
    E sobre o post, nem preciso falar, sempre esclarecedor em seus posts.
    Abraço.

    Responder

  • Marcos
    16/10/2012 em 1:16 pm

    Opa, gostei da matéria, vc sabe em Sao Paulo onde encontro cromo pra vender?

    Valew

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