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Opinião: E quando não dá nada certo?

por em 12/11/2012
 

Hoje é dia de estréia no QF! Andrea Xavier, que sempre deixa seus pitacos aqui no site e no Grupo Queimando Filme no Facebook, passa a partir de hoje a fazer parte da nossa equipe de colaboradores ;-) E ela começa falando errado. Ou melhor, falando de quando dá errado. 

Fala Andrea! E bem-vinda! :-)

Sim, fotografia analógica pra mim é mais coisas que dão errado do que dão certo. Mas é aí que tá a graça de tudo, não?

Gosto do ato de fotografar, do ritual de escolher a câmera, o filme, o local, enfim, tudo que é de praxe para qualquer fotógrafo e qualquer fotografia. Costumo dizer que sou uma fotógrafa sem fotos.

E porque disto? Por que eu adoro uma gambiarra! Experimento de tudo, desde abrir a câmera no meio do filme tirado, até corromper a película. Uma mancha, uma desfoque pra mim é mais interessante do que aquela super imagem que seguiu todas as regras da fotografia e ficou reconhecível como realidade.

Nossa, que abstrato! Não, não é… quer um exemplo? Construí uma câmera pinhole usando uma caixinha de filmes de 135, o dito buraco de agulha ficou enorme e daí saíram imagens desfocadas, que ficaram ao meu ver muito mais bacanas do que se fossem nítidas. E antes disto estraguei dois rolos de filme testando os tempos de exposição e usando uma tabela de tempo que funcionaria bem num filme 120. Então, da minha experiência, pouca é verdade, foi a esta conclusão que cheguei: A tabela é pro filme 120 e os tempos são relacionados ao formato do filme. Eu adaptei o tempo de exposição do 135 deixando por menos tempo exposto. Então comecei a tratar os filmes de 135 adaptando o tempo de exposição e invalidando algumas situações. Sol muito forte não é uma boa para filmes ISO 400 ou maior porque o tempo de exposição do filme à luz é muito curto e eu não consigo abrir e fechar a “janelinha” da câmera em menos de 1/2 segundo para dias de sol. Por isto usei a tabela como está na imagem aí! Até fiz umas flechinhas em vermelho pra não confundir.

 

Pura tentativa e erro, só que deu certo! Desta vez…”

 

Acho que vocês viram a receita de sopa de filmes que foi publicada aqui no QF, né? Então, tentei fazer a minha receita. Coloquei água, sabão, sal grosso e conhaque numa vasilha e deixei de um dia para o outro. Até aí, tudo corria bem, mas como sempre é tempo fazer algo diferente, resolvi não secar a película com secador de cabelo (como o recomendado) e decidi passar papel toalha. Sim, você adivinhou! Limpei a emulsão que recobre a película e perdi o filme.

Tá, mas o que eu quero com tudo isto, afinal? Nada, ou melhor, não espero nada além de ver o resultado da experiência. Entro em sites, blogs e tutoriais por aí e me deparo com um mundo lindo de imagens maravilhosas e experimentações que sempre dão certo. Que lindo! Na realidade, eu sei, porque experimentar é errar, que até se conseguir um resultado satisfatório, jogamos muita coisa fora.

Não tenha medo de se arriscar, de ousar. Afinal, eu comparo o momento que estamos vivendo ao momento criativo que passaram os pintores pós-fotografia. Eles sentiram-se livres para retratar o mundo à sua maneira e nós estamos vivendo exatamente este momento, livres para errar e livres para criar um mundo diferente.

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comentários
 
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  • Eduardo Andrade
    15/11/2012 em 2:59 am

    Comprei recentemente duas câmeras cujos fotômetros estão inoperantes: uma Canon FTb e uma Yashica TL-Electro. Estou no primeiro rolo de filme em ambas. Quero só ver no que vai dar essa aventura (apesar de eu geralmente acertar fazer exposição manual)… O que me alivia é saber que o filme tem um alcance dinâmico legal e que talvez algumas fotos não saiam tão ruins assim…

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    • 15/11/2012 em 8:46 am

      Não entre em pânico! hehe Já aconteceu comigo tbm. O problema é que só descobri a falta do fotometro da minha Pentax Spotimatic no segundo rolo. As fotos saíram boas, principalmente porque depois de um tempo usando SLR vc meio já conhece os ajustes para este ou aquele tipo de luz. As fotos saíram com um ar antigo bem bacana.
      No caso de não ter fotometro eu sempre uso a regra sunny 16 e dá certo com qualquer câmera. =D

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  • Renato Naves Prado
    12/11/2012 em 8:05 pm

    A Débora se adiantou no meu comentário.
    Então digo que desde o princípio, quando se discutia se fotografia era ou não arte, o argumento mais forte em prol da Arte é que a imagem era PB, com desfoques e outras alterações que não permitiam que ela fosse a realidade.
    Ou seja, concordo muito com você. Experimentemos.

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  • 12/11/2012 em 5:12 pm

    Gostei muito da matéria, e das idéias da Andrea, retirar a excelência técnica da fotografia e construir imagens usando uma plataforma pouco explorada. Em tempos de sensores enormes e photoshop, a técnica fotográfica foi reduzida (opinião pessoal) a quanto dinheiro você pode investir nisso ou a quanto você sabe manipular o programa.
    A fotografia analógica libertada do rigor técnico vira então objeto escultórico.

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    • Andrea Xavier
      12/11/2012 em 6:55 pm

      pedro, partilhamos de um pensamento parecido.
      Acho que é desviar o olhar para o resultado. As técnicas são só um meio de chegar e a fotografia analógica está aos poucos se libertando das convenções.

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  • Thais
    12/11/2012 em 3:22 pm

    Sei bem como é… fotos atrás de fotos, tentando mostrar o que não é de verdade… o que não é real… e nem precisei alterar o estado original dos filmes…

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  • 12/11/2012 em 2:53 pm

    Parabéns pela Estréia! Curti! :)

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  • Debora
    12/11/2012 em 2:39 pm

    Interessante a comparação com os pintores pós-fotografia, já que eles tinham a imagem perfeita (na foto) e não precisavam mais fazer imagens realistas. É o que vivemos hoje, basicamente: fotografias perfeitas com digitais incríveis… ou seja, não precisamos mais nos preocupar com elas :D

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  • 12/11/2012 em 12:31 pm

    Temos que perder o medo e a mania de ficar pensando ‘e SE der errado…’, porque se não fosse por essas pessoas, como você, que arriscam, não teríamos tantas gambiarras e tutoriais na internet. Bora arriscar!

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