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KombiNação: O fantástico museu itinerante de fotografia

por em 28/11/2012
 

A kombi em ação

Eis que o Facebook não serve só para compartilhar memes bestas, fotos de animais mortos ou atualizações do seu cardápio Instagram. Não, ele também pode possuir conteúdo relevante!

Digo isto pois foi graças à rede social que conheci o KombiNação!

Ao me deparar com uma foto compartilhada de uma kombi repleta de adesivos de câmeras, fui logo clicando pra saber do que se tratava e a surpresa e entusiasmo ao conhecer algo tão incrível foi além das minhas expectativas naquela noite pacata em frente ao computador…

Mas afinal, o que é essa tal de KombiNação? Vou tentar explicar em poucas palavras: É um projeto que envolve o mundo da fotografia, uma kombi customizada, VÁRIAS câmeras em exibição, cursos, um grupo de pessoas apaixonadas pelo que fazem e com motivações para literalmente percorrer quilômetros! O projeto conta com figuras como Fernando Talask, Caio Bittencourt Talask e Elias Gass.

Mas… Convenhamos que esse meu resuminho não deu pra matar a curiosidade, né? E nem faz justiça ao projeto! Conversei com Fernando Talask e ele topou participar de uma entrevista para o Queimando Filme! Nada melhor do que as palavras de um dos próprios criadores sobre a KombiNação, né? Então chega do meu nhénhénhé e vamos ver o que o Fernando tem a dizer:

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Bom, eu comecei na fotografia aos 11 anos e aos 13 já trabalhava em um jornal aqui de Niterói. Com 19, abri minha primeira loja e desde aquele ano tivemos muito sucesso. O negócio cresceu e tivemos mais de 100 funcionários, e aí a fotografia virou negócio e deixou de ser legal.

Viajei o mundo todo, por feiras e eventos, participei de associações internacionais, mas sempre acreditei que um dia voltaria às origens.

Depois de uma separação traumática e 30 anos de trabalho, parei como empresário. Até que no começo desse ano, comprei uma sucata de kombi num leilão da Vital Brazil que produz soro antiofídico, a kombi em pauta cortava capim para cavalos. Um amigo meu precisava levar uma impressora para o Festival de Fotografia de Tiradentes e me pediu para transportar o equipamento. Quando ele viu a kombi, mudou de ideia… mas já era tarde pra desistir de ir pra Tiradentes, como eu tenho um acervo de câmeras considerável, por que não tirá-las do armário e levar o museu para o público?

Junto com minha familia, consertamos, plotamos e revestimos o carro em apenas 10 dias. Criamos catálogos multimídia, enfim, o desafio foi abraçado por todos! Ao fim do 10º dia, partimos para Tiradentes e depois de 7 horas de viajem, pasme: A kombi chegou sem nenhum enguiço. Foi um sucesso, ganhamos matérias em revistas, visitamos universidades, participamos de outro grande evento que foi o Paraty em Foco e hoje, 9 meses depois da ideia meio louca, cada vez mais pessoas se interessam e nos pedem para visitar escolas, cidades e eventos.

O próximo será de novo em Tiradentes, onde tudo comecou, ontem estávamos na Universidade Estácio de Sá num evento de comunicação. Hoje temos algo em torno de 300 câmeras e 200 objetivas e aos poucos estamos descobrindo o que fazer com a velha cortadora de capim, pois são tantas possibilidades que ficamos tontos! Então está aí: Kombinação. Vem do nome do veículo Kombination, do alemão combinação, ou seja, um veículo que serve para múltiplos usos. Aí pra combinar o kombi na ação, kombi + nação. Dá um monte de trocadilhos que por incrível que pareça, combinam com a nossa vocação.

Customizando a “cortadora de capim”

Por que usar uma kombi como museu?

Por ser um veículo emblemático em todos os sentidos, generoso, que abriga os mais diversos serviços. Acho que com o museu achamos mais uma utilidade para kombi.

Quem está por trás do projeto?

O projeto nasceu da vontade de juntar minha família depois de uma separação dura. Viajar por esse Brasil numa Caravana Rolidei como no filme “Bye Bye Brasil”, mas hoje ficou muito maior, agregamos muitas pessoas que abraçaram o projeto. Colaboradores de todas as formas, assim, quem compartilha a ideia já é um membro da equipe, e hoje precisamos de muitos, principalmente uma acessoria de imprensa pra divulgar o trabalho.

Vocês participaram do Paraty em Foco agora em 2012, conta um pouco como foi essa experiência.

KombiNação no Paraty em Foco

Paraty em Foco foi uma experiência entre o céu e o inferno… Fomos porque um amigo falou que poderíamos usar um espaço que seria “off Paraty”. Bom, estacionamos em um local próximo ao evento, colocamos as câmeras em exposição e foi um sucesso, assim que chegamos dezenas de pessoas no cercaram, sucesso! O céu… 

Daí chegou uma organizadora do evento e depois o organizador que nos disse que não poderíamos ficar num espaço público, nos deu alguns minutos para recolher tudo e ficou esperando… Inferno…

As pessoas ficaram tão pasmas com a atitude que meio que houve uma revolta… O pior é que não conseguíamos recolher nada, o público não deixava. Acho que a organização viu que aquele não era o modo de tratar a gente e reconsiderou, nos mudou de lugar para perto do próprio evento… Céu de novo.

E foi um sucesso, com mais de 1.000 visitantes de todos os estados e até alguns gringos! No final, conversamos com a organização do Paraty que é muito profissional e nos convidou para integrar de modo oficial o evento. Fiquei muito feliz com todos.

E o curso KombiNação?

O curso KombiNação na verdade é uma extenção do projeto. Dar aulas de fotografia, coisa que fazemos deste 1983, com enfoque mecânico… Ou seja, usar a história para ilustrar o curso.

Câmeras, câmeras, câmeras!

Dá pra notar que grande parte do acervo de vocês é composto por câmeras de filme antigas. Como é a relação da fotografia analógica e digital para vocês? Existe uma preferência?

Realmente o acervo é analógico. A relação com o digital é a melhor possível porque acreditamos que a nova tecnologia é uma evolução. Nada ficou obsoleto, somente trocamos a película pelo sensor, o resto é igual: Velocidades, diafragmas, ISO… Hoje já temos até algumas câmeras digitais na KombiNação.

Qual é a reação do público ao ter contato com as atrações da KombiNação?

A reação do público é realmente única porque não existe um museu em que as pessoas possam manipular o acervo, tocar nas câmeras que escreveram com luz a história dos últimos 2 séculos. Percebemos isso pela alegria com que ouvem atentamente as explicações e depois correm para trazer os amigos. Fantástico!

E as câmeras, surgiram de uma coleção? De onde vieram?

As câmeras surgem pela garimpagem em várias partes do mundo. Por força da minha profissão, viajamos muito, então Alemanha, França, EUA, China etc… Cada lugar, uma câmera diferente. Por exemplo, no furação Sandy eu estava em NY e comprei em um antiquário a última aquisição: Uma câmera 4×5 feita para o exército americano em 1942. A loja tinha acabado de abrir depois da tragédia, faltavam poucas horas para voltar para o Brasil, a câmera viajou do meu lado, não tinha nem como colocar a maleta junto com a bagagem. Enfim, onde tem câmera, estaremos lá.

Rogério e Sady na Universidade Estácio de Sá

Algum de vocês fotografa com filme?

Todos fotografamos com filme. Agora estamos reativando o laboratório PB, ninguém resiste a uma câmera antiga sem querer usar. É como ter um LP sem ouví-lo na vitrola. Também acredito que como expressão é uma forma bem diferente do digital, como usar o quarto escuro ao invés do quarto claro*.

*Nota da editora: Lightroom, quarto claro… Hãn hãn, pegou?

Por onde a KombiNação pretende passear? Diferentes estados? Existe uma programação?

A kombi já foi convidada pelo organizador do Festival de Tiradentes “Foto em Pauta”, onde fizemos o nosso batizado, e como todos em Minas, fomos recebidos de braços abertos, apesar de sermos do Rio. O mineiro tem essa cultura linda de tratar todo mundo bem, somos muito gratos! Essa semana visitamos 2 universidades, mas nesse ano vamos ficar pelo Rio mesmo.

Por último, quais são os planos para o futuro da KombiNação?

O futuro é fazer da KombiNação um veículo de aglutinação para todos aqueles que amam fotografia, instigar debates, trocas de experiências e sobretudo, divulgar para todos não importando a idade, a mágica que é a fotografia, essa que resgatou a minha vida em diversas fases difíceis… É uma paixão que recomendo a todos serem contaminados.

Ah! Eles também tem lojinha com câmeras, lentes y mucho más!

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comentários
 
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  • 16/03/2013 em 6:20 pm

    qual o roteiro desta kombi, sou de vitoria es.

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  • 15/03/2013 em 11:03 pm

    O tal amigo que ia usar a Kombi de transporte sou eu…. e o tal amigo que disse que ele deveria ir para Paraty…. também sou eu ….. GRANDE Fernando, ótimas idéias. Pura emoção. Como ele costuma dizer sempre “tamo junto” ha ha ha ha

    Responder

  • aline
    03/12/2012 em 11:45 pm

    Para os amantes da fotografia…e conhecer as historias das maquinas..que marcaram varias epocas….e so curtir e embarcar nesta viagem…KombiNacao!!!!

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  • Larice Barbosa
    30/11/2012 em 5:38 pm

    É isso aí, gente! Bora divulgar projetos legais assim para que continuem encantando e “culturizando” :)

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  • FRANCISCO APARECIDO ROMERA RUIZ
    29/11/2012 em 10:16 pm

    PARABENS PELA INICIATIVA AFINAL ALGUEM DEVERA PRESERVAR A MEMORIA DA FOTOGRAFIA AFINAL EU TAMBEM FUI CONTAMINADO PELO AMOR A ARTE FOTOGRAFICA E SINTO QUE ESTOU CADA VES MAIS APAIXONADO

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  • 29/11/2012 em 10:32 am

    Cara, conheci esse maluco da Kombi no Paraty em Foco e com certeza foi uma das atrações mais legais do festival (que pasmem, realmente queriam tirar o cara de lá, totalmente sem sentido!) comprei dele um “fotômetro” antigo bem diferente. Esse Fernando ai me contou várias histórias com as câmeras, fiquei maluca. Virei fã do projeto! :D

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  • gustavomahoney
    29/11/2012 em 10:05 am

    da vontade de sair por aí junto com esses caras viu!!!! hehe

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  • Joyce Cristina
    28/11/2012 em 4:42 pm

    Amei essa matéria!!! temos que divulgar essa idéia pelo Brasil. Projetos como esses são necessário, para a nossa cultura!!!

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  • 28/11/2012 em 2:23 pm

    Próxima parada: Uberlândia-MG
    hahahah

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