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Sony MAVICA: ela é mais analógica do que você imagina

por em 18/12/2012
 

Chegou o dia que vocês não esperavam: o dia em que o Queimando Filme postaria um artigo sobre uma câmera digital!

“Mas o quê está acontecendo? Realmente é um prelúdio para o fim dos tempos?” 

Calma, gente. Peço que leiam tudo até o final sem espumar de raiva e vocês vão passar a ver essa câmera com outros olhos. :)

Sony MAVICA. O acessório em cima, montado na hotshoe, é uma luz contínua. A lente acoplada era a 50mm f/1.4. Ao lado da câmera está o disquete de 2 polegadas que ela usava.

Alguns leitores mais velhos talvez conheçam alguma câmera da Sony da série MAVICA. Talvez as mais atuais, que já gravavam em mini-CD, ou talvez as mais populares, que gravavam em disquete. Todavia, essas câmeras já eram consideradas digitais em todo seu modo de funcionamento (tinham uma tela de LCD, tiravam as fotos, gravavam em arquivos JPG na mídia de destino).

A MAVICA que estamos falando aqui é a original, datada especificamente em 25 de agosto de 1981. Sim, a primeira câmera “digital” (para fins comerciais) do mundo nasceu no começo dos anos 80. Só que ela não era, digamos, digital. Não digital do jeito que conhecemos hoje.

A MAVICA original era uma SLR, sendo comercializada até 1986, quando foi substituída por outro modelo da mesma linha, porém um pouco mais avançado, a MAVICA MVC-A7AF. A câmera, em si, gravava as imagens em disquetes de 2 polegadas, possuía uma hotshoe para uma luz contínua e a velocidade era fixa em 1/60″. Ela também era capaz de fazer múltiplas exposições de até 20 frames. Como vocês podem perceber, era uma SLR, com a diferença que não usava filme: no lugar dele havia um sensor CCD, com sensibilidade equivalente a um filme de ISO 200, que captava as imagens com uma resolução de 570×490 pixels – mas, ainda assim ela não é digital.

“Como assim? Se a câmera não utiliza filme e possuí um sensor no lugar dele, ela é digital, não?” 

Calma! Olhando de longe, sim, ela é uma câmera digital. Mas, ao mesmo tempo, ela não é, pois, na verdade, se trata de uma filmadora. Isso mesmo: a MAVICA foi anunciada pela Sony como uma câmera de vídeo still. Cada disquete tinha a capacidade de gravar, em média, 50 imagens. E é aqui que mora a pegadinha da coisa: ela gravava imagens congeladas, ou stills, de vídeo, para depois reproduzir essas imagens no televisor. Nada mais que isso. O sinal captado pelo sensor era analógico, e a forma de reprodução também – suas fotos eram impossíveis de serem impressas.

Quando a câmera foi anunciada, muitos puristas consideraram uma loucura da Sony. Mesmo com todo seu know-how em vídeo, era, de fato, a primeira “câmera fotográfica” que a marca lançava. A MAVICA não só foi a primeira câmera da Sony, mas a primeira câmera a utilizar um sensor eletrônico – e até hoje se debate se ela foi, de fato, a primeira digital comercial a ser lançada, visto que existe uma boa discussão sobre ela ser analógica ou não. A unica coisa fora de questionamento, e que todos concordam, é que a MAVICA foi um boom no mercado fotográfico, deixando Nikon, Canon e outros fabricantes de cabelo em pé, dando início a uma corrida entre outros fabricantes – corrida essa que deu início à fotografia digital  que conhecemos hoje.

Junto com a MAVICA original a Sony lançou três objetivas: duas fixas (25mm f/2 e 50mm f/1.4) e uma zoom (16-65mm f/1.4). Todas as objetivas seguiam o padrão da época, tendo um anel de controle de abertura e e outro para o foco; a 16-65 ainda tinha um terceiro anel, para o zoom.

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