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Começando a digitalizar fotos em casa – Parte 1

por em 19/12/2012
 

A gente já postou aqui outros artigos  traduzidos da Diana Eftaiha (aqui, e aqui, e aqui… e se bobear tem mais que não achei). Ela é boa em resumir em um ou dois posts temas complexos, como “como escolher o filme certo pra cada ocasião”. E, nessa série de dois artigos (que vão ao ar hoje e amanhã), vai dividir os conhecimentos, e dar a opinião dela, sobre digitalização de filmes, assunto que sempre é motivo de dúvidas aqui no QF

(Aliás, se você ainda não leu o que já foi publicado sobre esse assunto, dá uma olhada aqui)

Assim como nos outros artigos, vale lembrar que tudo que é dito aqui é a opinião dela, e que pode não ser necessariamente a dos colaboradores do QF. O que é bom, porque quase sempre existem várias respostas certas pra mesma pergunta, e ler opiniões diferentes sempre nos faz aprender mais ;-)

Mas chega de enrolação. Vamos ao post.

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Se você está fotografando com filme, passar as fotos pro computador é um pouco mais complicado do que fazer o mesmo com fotos digitais. Você vai precisar revelar e depois digitalizar (ou scanear) as imagens pro seu computador se você tiver a intenção de compartilha-las na internet, ou passa-las por um programa de edição de imagens. A idéia desse artigo é fazer esse processo ficar mais simples pra você.

Tipos de Scanner:

Existem basicamente três tipos de scanners que você pode usar pra digitalizar seus filmes fotográficos: os scanners dedicados de filme, o scanner de mesa (“flatbed”) e os scanners de tambor, ou de rolo (drum scanners).

Tipos de Scanner – Scanners Dedicados:

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Um scanner de filme dedicado é um aparelho feito especialmente pra digitalizar imagens de filmes fotográficos diretamente para o seu PC sem a necessidade de outros equipamentos ou programas.  São geralmente feitos pra digitalizar filmes 135 (35mm) e, em alguns casos, formatos um pouco maiores e transparências (cromos/slides). Alguns deles também oferecem opções de configurações bem úteis, como definir as dimensões e o corte das imagens digitalizadas, assim como remoção de arranhões e grãos e controle de reprodução de cores. Alguns possuem até a opção de digitalização em multiplas exposições (N. do T: ou “passadas”, como dizemos no Brasil) para se obter melhores resultados.

Com scanners dedicados, você geralmente pode inserir tiras de filmes de até seis poses, ou quatro slides montados em molduras, que são movidas através da lente e do sensor CCD.

4Tipos de Scanner – Scanners de Mesa:

Um scanner de mesa te permite digitalizar impressões, e muitos scaneiam transparências também. A imagem é posicionada com a face virada para um tampo de vidro, com uma tampa opaca sendo colocada por trás pra proteger o processo da luz ambiente. Uma forte luz ilumina a imagem de baixo pra cima enquanto um sensor vai registrando a área iluminada.

Para digitalizar filmes e transparências, alguns scanners de mesa vêm com um sistema especial de iluminação que emite luz por trás do filme, através da tampa opaca.

Tipos de Scanner – Scanners de Tambor, ou de Rolo:

Scanners de tambor são as escolhas mais profissionais e eficientes quando se fala em digitalização de imagens. O filme é colocado em um cilindro acrílico chamado de tambor, que roda em alta velocidade enquanto uma fonte fixa de luz projeta a iluminação no filme, enquanto a imagem é captada por um PMT (photo-multiplyer tube) ao invés de por um sensor.

O PMT é mais sensível à luz do que um sensor, o que permite que ele capture mais informação luminosa e registre um maior alcance dinâmico e uma gradação de cores mais suave, sem os ruídos tão associados aos sensores digitais.

Comparados aos scanners de mesa, os de tambor são realmente muito caros, e são geralmente usados apenas por grandes empresas de publicidade e propaganda, editoras e revista, assim como gráficas, empresas especializadas em preservação e arquivamento de imagens e, apesar de ser possível encontrar scanners de tambor de segunda mão (usados) por valores bem mais baixos, esses valores ainda vão ser de alguns milhares de dólares ou mais. Além disso, eles não são nada fáceis de usar.

Resolução do Scanner:

6A resolução do scanner é geralmente medida em pixels por polegada (ppi – pixels per inch) ou amostras por polegada (spi – samples per inch), o que é largamente utilizado em propagandas e manuais. Existem basicamente dois tipos de resolução de scanners: resolução ótica e interpolada.

O grau de detalhe obtido na cópia digitalizada da imagem original é limitada principalmente pela resolução ótica do scanner, já que ela expressa o número de pixels existentes no sensor do scanner.

A resolução interpolada te ajuda a obter uma digitalização com maior resolução e dimensões de pixels. Isso é possível através da criação de detalhes extras da imagem através de um processo que observa os pixels vizinhos pra estabelecer as características de um pixel. Logo, ele não te dá a informação real, mas sim uma “adivinhação” do que deveria estar alí.

De qualquer forma, se você precisa de de dimensões de pixels maiores do que as que são possíveis com a resolução ótica disponível, eu sugiro que você digitalize suas imagens ou filmes com a resolução ótica mais alta possível, e então redimensione elas para o tamanho desejado utilizando seu editor de imagens favorito, como o Adobe Photoshop.

É claro que, quanto maior a resolução, mais pixels sua imagem digitalizada vai ter, e tamanhos maiores de ampliação/impressão você vai conseguir ainda mantendo os detalhes da imagem.

Os fabricantes de scanners geralmente representam a resolução de seus produtos através de dois números. Por exemplo, se você olhar as especificações do scanner, vai alguma coisa do tipo 1200 x 2400. Os primeiros digitos se referem ao número de elementos em uma linha do sensor do scanner, e é a verdadeira resolução ótica máxima do equipamento. Esse número é, portanto, o mais importante de ser observado. Logo, se o seu scanner de mesa tem, 10 polegadas (aprox 24 centímetros) de largura com uma resolução especificada de 1200 x 2400 ppi, então o sensor comtém 10 x 1200 pixels, o que é igual a 12000 pixels por linha horizontal.

O segundo número se refere à distância que o sensor viaja (o degrau mecânico) para obter e registrar a próxima leitura.

Velocidade de Digitalização

A velocidade da digitalização pode ser um fator pra se ter em mente quando se vai comprar um novo scanner, especialmente se você está pensando em digitalizar uma quantidade grande de imagens ou documentos, o que pode consumir muito tempo.

Apesar dos fabricantes trabalharem continuamente pra melhorar a velocidade de digitalização dos equipamentos, o que importa é que ela vai sempre estar sujeita a resolução que você está usando na hora da digitalização. Quanto maior a resolução desejada, mais tempo a digitalização vai demorar pra acontecer.

7Profundidade de Bits (Bit-Depth) do Scanner:

A profundidade de bits afeta diretamente a qualidade das suas digitalizações, já que ela tem um papel importantíssimo na representação final das cores e gradação tonal da imagem digital.

O scanner geralmente te oferece a opção de escolher a profundidade de bits mais adequada pras suas imagens digitalizadas, sendo a profundidade de 1 bit a que te dá duas cores, ou seja, preto e branco, 8 bits, que te entrega uma escala de cinza de 256 tons do preto absoluto ao branco absoluto, 24 bits, que te entrega uma cor verdadeira com mais de 16 milhões de tons de cores, e por aí vai.

Alcance Dinâmico do Scanner:

Alcance dinâmico é a relação entre o valor mais claro e o valor mais escuro que um scanner consegue registrar (ou seja, a quantidade de tons, dos mais claros aos mais escuros, que podem ser capturados em uma imagem). Os valores mais claros/brilhantes vão, é claro, corresponder aos brancos da imagem, enquanto que os mais escuros corresponderão aos pretos/sombras da imagem.

O alcance dinâmico de um scanner é geralmente expresso em unidades de densidade (D) medidas usando-se uma escala logarítmica. Você vai ver as especificações do alcance dinâmico de um scanner expressos em algo como: 3.6, ou 4.2, ou 4.8, e por aí vai. Resumindo, quanto maior o número, maior e melhor o alcance dinâmico do scanner.

8Geralmente, registrar detalhes em áreas brancas/brilhantes é simples, quando falamos de positivos, sejam eles impressões ou slides. O problema maior é quando se quer registrar detalhes em sombras profundas sem gerar muito ruído.

Com negativos o conceito se inverte, e registrar detalhes em áreas claras se torna o maior desafio. Scanners de tambor são os que têm o maior alcance dinâmico dentre todos os tipos de scanner, e portanto registram muito mais detalhes escuros do que o resto, com o mínimo de ruído possível.

O alcance dinâmico está ligado também à profundidade de bits e a qualidade do sensor usado no scanner. Enquanto uma profundidade de bits maior pode acomodar um alcance dinâmico maior, ele não garante isso por si só, já que são coisas diferentes. Além disso, como dito acima, a qualidade do sensor se torna um fator importante, já que ele controla o grau de ruido gerado nas áreas escuras da imagem.

É claro que, como acontece também com os sensores das DSLRs e outras câmeras digitais, os melhores são também os mais caros. Portanto, um scanner de 36 bits com bom sensor é melhor do que um de 48 bits com um sensor de baixo custo, mas também vai custar mais caro.

Em resumo, tente não ser enganado pelos números, já que eles podem ser bem traiçoeiros. 

 

Porém, se você quer apenas scanear positivos (fotos impressas), você não tem que se preocupar muito com o alcance dinâmico do scanner, já que imagens impressas já possuem um baixo alcance dinâmico de qualquer jeito. Scanear filmes ou slides, por outro lado, requer um alcance dinâmico mais alto com certeza.

Conclusão:

Se você é alguém que gosta de fotografar com filme e também gosta de digitalizar suas imagens pra compartilhar ou pra fazer algum pós processamento e manipulação no seu computador, você pode sentir que está precisando de um scanner se você revela seus próprios filmes, ou se o seu laboratório não oferece o serviço de digitalização por um preço razoável e/ou qualidade aceitável.

As idéias que tentei compartilhar aqui devem ser o bastante pra te ajudar a distinguir um bom equipamento de um ruim.

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comentários
 
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  • Luciano
    31/08/2015 em 10:36 pm

    Olá André tudo bem?

    Já decidi que vou comprar um scanner para digitalizar meus negativos antigos e os novos que vou fazer com minha Canon AE-1. :)

    Vi um vídeo sobre o V700 e claro que ele é bem bacana mas não estou tendo condiçõe$$ pois importar hoje fica inviável e o valor dele aqui está um pouco alto. Achei como opção o V600.

    Não achei muitos sites que compraram os 2.

    Minhas perguntas:

    1-A qualidade do V600 é próxima do V700 em relação ao resultado final? (sem edição claro).

    2-A principio as minhas ampliações serão em sua maioria até 30×45 mas consigo chegar no 60×40?

    Muito obrigado e parabéns pelo site!

    Responder

  • Daniel
    07/07/2015 em 10:59 pm

    Oi André, vc sabe me dizer se qualquer scanner que digitaliza transparências também digitaliza filmes ? É que tenho acesso a um scanner (de grátis heheh) que, segundo o site do fabricante, pode digitalizar transparências, porém não menciona nada sobre filmes fotográficos. Mas pelo que tenho pesquisado, as especificações necessárias para digitalizar ambos parecem ser as mesmas..
    valeuu

    Responder

  • Dona
    23/06/2014 em 1:02 am

    o jeito é juntar grana e comprar urgente, rs, um scanner.
    nesse processo, é tranquilo pedir a revelação só do filme nesses labs? eles cobram barato, menos de 10,00.
    obg!

    Responder

  • 08/03/2014 em 10:41 pm

    Olá! Tem um amigo vendendo um scanner Epson perfection 4490. O que pensa sobre ele? Meu propósito é escanear fotografias realizadas em viagem com minhas Nikon FM2 e Canon Pellix realizadas atualmente.

    Responder

  • 16/01/2014 em 12:48 pm

    Oi André, acesso o site a algum tempo, e sempre me ajudou muito na minha aventura analógica. As matérias são tão bem escritas que nunca precisei comentar pedindo ajuda, mas dessa vez não teve jeito. Veja se consegue me ajudar:

    Utilizei um HP G4050 para digitalizar negativos, mas não tenho a forma para colocar o filme (ou como diz no manual: adaptador de materiais transparentes – TMA).
    Fiz com o negativo direto sobre o vidro, mas achei que o resultado ficou aquém da qualidade do scanner. Algumas imagens saíram com as áreas claras estouradas e outras com a cor muito lavada, repeti o processo para saber se eram as imagens que estavam ruins ou o processo, e melhorou, o resultado muda praticamente a cada vez que eu digitalizo. Não consigo fazer de uma única vez, preciso repetir o processo 3 ou 4 vezes para ter todas as imagens com qualidade.

    Você sabe me dizer se é por que estou fazendo com o negativo direto sobre o vidro?
    O TMA é tem algum filtro que ajuda durante a digitalização? Você sabe onde eu consigo encontrar essas formas TMA?
    Tenho que tampar as áreas expostas do scanner durante o processo? Alguma dica?

    Desculpa pelo monte de perguntas, mas preciso de uma luz heheh

    Obrigado.

    Responder

    • 24/01/2014 em 4:51 pm

      Opa Gabriel! Desculpe pela demora…

      Acho que existe a possibilidade de os erros estarem acontecendo pela ausência das mascaras sim. Primeiro porque pelo que sei o scanner é calibrado pra ter o foco perfeito na altura em que a mascara deixa o filme, o que é poucos milimetros acima da superficie do vidro.

      Além disso, sei que o 4050 “se perde” quando colocamos os negativos muito perto das bordas do scanner. Já tentou colocar os negativos somente no centro do scanner?

      Responder

  • Iannis N. Papaioannou
    17/12/2013 em 11:49 pm

    Tenho uma EpsonV600 e vários negativos muito antigos. Antes de passar no scanner como posso limpar o negativo ? Alguns tem sujeira e não gostaria de estragar os negativos. Qual a recomendação ?

    Responder

  • Rafael
    02/12/2013 em 12:16 am

    O que voce acha sobre os scanners pequenos, da Ion, de 5 megapixels e resolucao de 1800/3600, ou seus similares chineses? O objetivo seria scannear para publicacao em web.

    Responder

  • 29/08/2013 em 5:43 pm

    Não existe a possibilidade de digitalizar o filme sem ter que revelar as fotos? Lendo o texto achei que havia a possibilidade com os scanners dedicados (primeiro modelo explicado) mas depois que li sua resposta á Mariah fiquei em duvida.

    Responder

    • 29/08/2013 em 6:02 pm

      Oi Guilherme! Não, não existe. A imagem fotográfica não existe no negativo antes da revelação quimica. É a revelação que faz a imagem aparecer no negativo, e se fixar, fazendo também com que o negativo não fique mais sensivel à luz.

      Ou seja, sem revelação, não existe foto :-)

      Abs!

      Responder

      • 30/08/2013 em 7:56 am

        Revelar o filme, então, não significa revelar as fotos, isso? Desculpa, não entendo nada de fotografia, mas tenho interesse de conhecer mais sobre o assunto.

        Responder

        • 30/08/2013 em 8:26 am

          Guilherme, revelar o filme = fazer com que as imagens registradas no filme, e latentes (invisíveis) até então sejam visíveis no negativo. Ampliar as fotos = passar as fotos do negativo pro papel fotográfico através do processo chamado “ampliação”.

          Espero ter ajudado! ;-)

          Responder

  • 25/02/2013 em 8:55 pm

    Esse HP G2710 tem alguma referência? Preciso comprar um com urgência, mas estou insegura…

    Responder

    • 26/02/2013 em 5:29 pm

      Oi Patty… o que você quer dizer com alguma referência? Se for maiores informações e reviews, sugir procurar no Google mesmo… colocando “HP G2710” aparecem varios sites de reviews, e até videos! :-D

      Responder

  • Mariah
    12/02/2013 em 3:36 am

    É só tirar o filme da câmera e digitalizar?

    Responder

  • Richard
    24/01/2013 em 11:38 am

    Alguma recomendação de marcas ou modelos para scanners dedicados?

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