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Começando a digitalizar fotos em casa – Parte 2

por em 20/12/2012
 

Continuando com um dos assuntos que despertam mais curiosidade entre os amantes da fotografia analógica, hoje postamos o segundo post da Diana Eftaiha sobre o assunto.

No post anterior, nós demos uma olhada nos principais tipos de scanner disponíveis, e em como escolher o melhor equipamento. Hoje nós vamos continuar nossa jornada.

Então, você saiu e comprou seu scanner. E agora? No post de hoje, vamos dar uma olhada em detalhes em como fazer cópias digitais de suas fotos feitas com filme, sejam fotos impressas ou negativos

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Programas de Digitalização:

A primeira coisa a fazer depois de conectar scanner ao seu computador é instalar o programa que vem no CD que acompanha o aparelho. Ele é chamado de driver do scanner e pode vir tanto como um programa independente quanto um plugin que funciona como uma interface entre o scanner e o seu programa de edição de imagens. Se você está trabalhando com a versão plugin, você vai ter que rodar ele de dentro de seu programa de edição de imagens (por exemplo através do menu “Arquivos > Importar” do Adobe Photoshop).

Seja qual for a opção escolhida, o programa virá com alguns recursos e opções que te darão controle sobre o resultado final da digitalização. Essas opções incluem tamanho da imagem, resolução, espaço de cor e configurações de formato. Outras opções podem incluir ajustes de brilho e contraste, eliminação de desvios de cores, restauração de cores para fotos desbotadas, remoção de poeira e arranhões, dentre outras.

Escolhendo a Melhor Resolução:

A resolução com a qual você vai digitalizar suas fotos depende principalmente do uso que você vai dar pras imagens digitalizadas. Você pode querer as imagens pra compartilha-las na internet, fazer cópias impressas depois de fazer ajustes nelas, ou usa-las em publicações de livros ou revistas. Portanto, o uso que você vai fazer define a resolução que você vai escolher.

O tipo de imagem que vai ser digitalizada também tem um papel importante na resolução final da imagem. Por exemplo, digitalizar impressões típicas de fotos de filmes 35mm, em formato 10x15cm, não vão se beneficiar de digitalizações com mais de 300ppi, porque esses positivos possuem uma qualidade bem menor do que a dos negativos originais dessas mesmas fotos. Logo, digitalizar em uma resolução maior só vai te deixar com um arquivo maior, e não com mais detalhes.

Além disso, uma impressão de uma foto é maior do que a imagem de um negativo e, por isso, ele precisa de uma resolução de digitalização menor pra se obter um arquivo do mesmo tamanho.

Já os filmes têm como uma de suas características a capacidade de propiciar ampliações sem a perda de detalhes, e é por isso que é sempre melhor digitalizar um negativo original do que as fotos impressas pra se conseguir mais detalhes e qualidade.

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No final das contas, a regrinha é simples: a resolução da digitalização determina o tamanho (em dimensões) do arquivo digital, que é medido em pixels. Logo, se você digitaliza uma impressão de 6×4 polegadas (o nosso conhecido tamanho de impressão de 10x15cm) a 300ppi (“pixels per inch”, ou pixels por polegada), vai obter uma imagem de 1800×1200 pixels (6×300 = 1800 e 4×300 = 1200). Portanto, antes de digitalizar, você precisa saber se o tamanho que você vai obter vai atender às suas necessidades.

Quanto maior a resolução, maior será a imagem. Uma resolução baixa cria imagens menores. Além disso, seguindo o que falamos acima, é óbvio que você vai precisar de uma resolução mais baixa pra digitalizar uma imagem impressa maior do que precisaria pra scanear um negativo, ou uma impressão menor, e ter o mesmo tamanho de arquivo no final. Seu programa de digitalização geralmente calcula e te apresenta o tamanho final da imagem, levando em conta o tamanho da imagem original e a resolução escolhida praquela digitalização.

Porém, se você pretende, mais tarde, imprimir sua digitalização, então você tem que escolher uma resolução que seja adequada ao tamanho da impressão que você vai querer fazer, e a resolução de impressão que você vai usar. Ou seja, se você vai imprimir uma cópia de 6×4 polegadas a 300 dpi (“dots per inch”, ou pontos por polegada), você pode digitalizar uma imagem a 300 ppi se a imagem original tiver também o tamanho de 6×4 polegadas. Já se a imagem original tem o tamanho de 3×2 polegadas, por exemplo (aproximadamente 5cm x 7,5cm), você vai precisar digitalizar com resolução de 600ppi pra ter no final o mesmo arquivo de 6×4.

Já pra imprimir com o dobro do tamanho da imagem original, dobre a resolução. E pra imprimir na metade do tamanho, digitalize com metade da resolução de impressão.

2Mas e quando você estiver digitalizando filmes negativos? Negativos precisam de resoluções de digitalização mais altas porque são menores em tamanho do que suas cópias impressa. É claro que pra digitalizar filmes maiores é necessário menos resolução. A imagem ao lado mostra a diferença de tamanho entre uma típica cópia 10×15 e uma tira de negativo com quatro fotos.

Uma típica imagem em um negativo 35mm (filme 135) tem 1.4 x 0.9 polegadas (aproximadamente 35mm por 23mm) que, digitalizada a 2700 ppi resulta em um arquivo com as dimensões de 3780 x 2430 pixels (1.4 x 2700 = 3780 e 0.9 x 2700 = 2430). Quando você for imprimir essa imagem a 300 dpi, vai conseguir uma imagem com 12.6 x 8.1 polegadas (32 x 20 cm), já que 3780 dividido por 300 dá 12.6 (polegadas) e 2430 dividido por 300 é igual a 8.q polegadas.

Isso é nove vezes o tamanho original da imagem no negativo. Esse valor (nesse caso, nove) é conhecido como fator de ampliação, e é também igual à resolução do scanner dividida pela resolução de impressão (2700 / 300 = 9). Já que a origem da impressão é a digitalização de um negativo, a impressão, mesmo tendo com 9 vezes o tamanho da imagem original, terá ótima qualidade já que negativos são feitos para permitir grandes ampliações sem perda de detalhes da imagem.

3Pra facilitar, alguns programas de digitalização apresentam resoluções de digitalização pré definidas com base no tamanho da imagem original e da “saída” que você quer dar à imagem (compartilhar na internet, imprimir numa impressora caseira, impressão com qualidade fotográfica, e por aí vai).

Analógico versus Digital:

Imagens feitas com filme possuem tonalidades contínuas, onde é inclusive difícil dizer onde começa e onde termina determinado tom. Isso é chamado de gradação tonal contínua. Se a gradação tonal entre valores de tons intermediários é suave, sem áreas vazias, a separação tonal vai ser contínua e você vai ter uma imagem com transições suaves, onde as áreas claras vão aparecer consistentes e sem interrupções entre um tom e outro.

O simples ato de digitalizar uma imagem significa transformar esses tons contínuos em valores digitais, onde o resultado final é um conjunto de cores e tons específicos, e a gradação tonal deixa de ser totalmente suave e ganha “degraus”.

4Ao lado está parte de uma imagem que foi ampliada em 400%, e que mostra como imagens digitalizadas são formadas por pixels com determinados valores de cor. Como você pode ver, a transição entre os tons possui degraus ao invés de ser contínua, e você pode ver com facilidade a cor de cada pixel. Isso porque o conjunto de cores oferece um número finito de cores que podem ser contidas em uma imagem digital.

Dicas de Digitalização:

Antes de digitalizar um negativo ou uma foto impressa, você precisa limpar sua superfície de qualquer poeira ou marca, já que essas ficam bem visíveis na imagem digitalizada. Além disso, se você estiver usando um scanner de mesa, certifique-se de que o tampo de vidro também esteja bem limpo. Pra isso você pode usar uma flanela suave e uma bomba de ar desenhada especialmente pra isso.

Se estiver digitalizando negativos, lembre-se de colocar o filme na posição recomendada pelo fabricante. Dependendo do scanner, pode ser com a emulsão virada pra baixo, pra cima, na horizintal ou na vertical…

Se estiver digitalizando fotos impressas, qualquer coisa escrita no lado de trás da foto pode acabar sendo vista na imagem digitalizada. Você pode tentar evitar isso colocando um papel preto atrás da foto pra evitar que o texto do verso seja iluminado, mas isso pode resultar em uma imagem um pouco mais escura. Por outro lado, você pode ajustar o brilho tanto antes de fazer a digitalização através dos controles do programa, quanto depois, no seu programa de edição de imagens.

Alguns scanners de mesa são modificados pra que possam digitalizar filmes além de imagens impressas. Se você tem um desses, ou se você está usando um scanner dedicado, o melhor a fazer é scanear seus negativos ao invés das fotos impressas. Isso porque, como já dissemos acima, as cópias impressas têm menos qualidade e detalhes do que os negativos destas mesmas imagens, já que o alcance dinâmico dos papéis utilizados é menor do que o dos filmes. Além disso, o balanço de cores e a nitidez das imagens podem ser diferentes das dos filmes.

Lembre-se ainda que você deve configurar no programa de digitalização o tipo de filme que está digitalizando (negativos coloridos, positivos (cromo/slide) ou negativos preto e branco. Alguns scanners te permitem até escolher a marca e o modelo do filme, e possuem perfis específicos de diitalização pra que possam produzir as melhores imagens possíveis com base nas características de cor e de emulsão de cada filme.

Conclusão:

Se você gosta de fotografar com filme, provavelmente vai chegar uma hora em que você vai querer colocar suas fotos na internet, publica-las em livros ou revistas, ou simplesmente imprimir depois de fazer alguns ajustes. Se você conseguir absorver as idéias básicas desse post, você deve ter uma experiência bem prazerosa com seu scanner.

Lembre-se apenas de ser paciente, e de cuidar de seus negativos com carinho.

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comentários
 
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  • Celso
    27/01/2015 em 10:24 am

    Não sabia que dá para fazer isso. Scanner comum?

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  • 16/03/2014 em 10:52 am

    tenho uma scanner, portátil, sem necessidade de computador, 2.4″lcd panel, mas não consigo usar. pode me ajudar?gostaria de uma aula pessoalmente.

    Responder

  • 03/05/2013 em 9:14 pm

    Comprei um Epson V330 e estou curtindo bastante… Só que não consigo fazer 126 nele, pois ele não reconhece as divisões certas dos fotogramas… Ainda estou tentando achar uma solução para isso. Depois fiquei pensando que 120 também não vai caber no espaço dele… É que por enquanto, só fiz 135. Será que tem um jeito de aproveitar o mesmo scanner pra diversos formatos de filme?

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    • 07/05/2013 em 4:25 pm

      Oi Patty, depende do scanner e do software. Esse lance de não reconhecer as divisões é coisa do software, e voce pode usar outro sem ser o que vem no scanner, ou marcar as áreas manualmente.

      Quanto a área pra caber o 120, acho que o v330 realmente não tem…

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  • 22/12/2012 em 6:46 pm

    André, me peguei com vontade de um scanner *-*
    Mentira, não é bem vontade (:
    Minhas primeiras analógicas foram uma Fisheye e uma Action Sampler, da Lomo, e mandei os primeiros filmes para revelar em laboratorios de bairro que nao diferenciam revelação de ampliação, e já te entregam a foto impressa. Otimo, pagava 0,50 por foto e amava.
    Pois bem. Comprei uma Diana Mini, e tirei algumas fotos half frame. Nenhum lab de bairro tah afim de me entregar como meio quadro. Eles querem que eu pague por 72 fotos 10×15, sendo que o tamanho delas é de duas em uma. –‘
    Nao quero minhas fotos assim, entao comecei a pesquisar labs melhores que revelam e digitalizam, para que depois eu editasse (se fosse necessario), e ampliasse minhas fotos como devem ser (duas em cada foto).
    Mas ai vi que os valores são de 25,00 (Lomo) ou 27,00 (337), para esse serviço. Fiquei pensando com meus botoes: Com 15 filmes, eu pago um v330, que está por 360,00 no magazine luiza. E gastaria cerca de 12,00 (Lomo) para revelar, depois digitalizaria em casa. E isso ainda me traria a vantagem de ter outras cameras (Panoramicas ou até 120, arriscando uma gambiarra no scanner), jah que hoje nao as tenho pelos labs de bairro nao realizar esse tipo de revelação.
    Entao, decidi comprar o scanner.
    Eiis que acho a Foto Ferrara que pelo que vi na net, cobra 9,50 por revelação + scanner. Ou seja, fiquei na duvida de novo. HUAHUSUHASHUAS
    Resuimindo (depois desse SUPER comentario), tenho DUAS duvidas:
    1) eu sei que voc ama seu scanner, isso jah ficou claro, UHAHUSHUAS, mas voc acha que FINANCEIRAMENTE, compensa? Pois podem existir labs que façam a digitalização por preços muito bons, mas qual seria a qualidade?
    2) Fica claro no post que eh necessario instalar o CD do programa para conseguir digitalizar, mas eu tenho um Mini notebook, que nao tem acesso a CD. Será que conseguiria digitalizar apenas “conectando” o usb da impressora? Com minha scanner normal, eu consigo fazer isso…será que com essa seria diferente? Depois eu apenas editaria no photofiltre (editor de imagens que costumo usar).

    Ai ai, eu to meio assim: nao sei se caso, ou se compro uma bicicleta. Mas ficaria MUITO feliz se pudesse responder minhas perguntas. *-*

    Beeijos, muito obrigada, e parabens, pelos excelentes posts, e pelo excelente blog (:

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    • 24/12/2012 em 9:53 am

      Oi Danielle! Vamos lá :-)

      1) Vai depender do quanto você digitaliza, de onde você digitaliza e, como você mesmo disse, a qualidade que deseja. A conta é fácil. Quando comprei o meu, fiz as contas de com quantas digitalizações de minilab eu pagaria meu scanner. O resultoado foi por volta de 60. Como eu sabia que ia scanear bem mais do que 60 negativos, comprei. Já scaneei mais de 120 rolos :-D

      2) Gralmente dá pra baixar no site do fabricante tudo que vem no CD. Isso deve resolver seu problema ;-)

      Bjs!

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  • Vanessa
    20/12/2012 em 4:49 pm

    Revelei meu primeiro filme 120 e de acordo com algumas orientações que li na net, pedi para não cortar meu filme.

    Agora, como eu corto meu filme e qual a melhor maneira de guardá-los?

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  • Renato N. Prado
    20/12/2012 em 2:10 pm

    Pessoal, em termos concretos. O que esse aqui consegue fazer? Qual seria a maior foto que consegueria ampliar com ele se utilizar a resolução interpolada? Desculpe, é que me perdi nas fórmulas e conversões do post.
    http://www.macrosolution.com.br/viewprod.php?prod=135

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