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Esclarecendo confusões sobre “o tamanho da foto” – Parte 2

por em 04/01/2013
 

Foto acima: Por Lígia D. Ferreira

No post anterior dessa série, começamos a falar sobre esse lance de “tamanho da foto”, que é uma pergunta tão, ou mais, vaga do que “qual é o sentido da vida”, e começamos a quebrar ela em pedacinhos pra entender como chegar nas respostas.

Hoje vamos falar de outra coisa que é a mesma coisa, ou algo assim: os tais dos “tamanhos padrão”, que por sua vez estão ligados aos “aspect ratios” que, na falta de forma melhor de traduzir, vou chamar de razões de proporção. E é por aí que vamos começar.

As razões de proporção são (ou eram), digamos, os padrões de altura e largura de uma foto. Deixando a parte criativa e estética do lado (regra dos terços, proporção áurea e etc), elas são simplesmente medidas padrão que fotos podem (ou poderiam) ter com base em formatos que as câmeras “imprimissem” nos negativos.

O padrão de um filme 35mm (ou 135), por exemplo, costumava ser o de 1×1,5 (um por um e meio), ou seja, a largura é uma vez e meia maior do que a altura. Outra forma de expressar essa proporção é 2:3. Isso significa que a foto “vai ter dois por três centímietros? “NÃAAAAAOOOO!!!!! Isso significa que, independente do tamanho da ampliação que você vai fazer, independente da digitalização que você vai fazer, sua imagem (desde que não seja editada, cortada, “cropada”, alterada em suas dimensões) vai ter sempre a largura com uma vez e meio o tamanho da altura (ou o contrário, se ela estiver na vertical ao invés de na horizontal). Vamos ver na prática.

Mt Pleasant Alley

Por Tyler Wilson

Se a gente olhar um negativo 35mm usado em uma câmera “comum” (calma, você vai entender o porque desse “comum” jajá), vai ver que as fotos no negativo tem essa proporção, em uma medida de 24mm de altura por 36mm de largura. Faça as contas e você vai ver que esse tamanho segue exatamente a razão de 2:3.

A partir daí, se você quiser imprimir essa foto em um lab, vai ser moleza. isso porque os labs (ainda) consideram essa proporção como a padrão, e oferecem impressões nessa proporção em vários tamanhos, sendo que a mais famosa e usada é a tal da 10×15 (10cm por 15cm… largura com uma vez e meia a altura, sacou? ;-).

Bom, com isso a gente meio que termina a explicação básica sobre a parada. Falta apenas dizer que (no mundo analógico) existem ainda outros padrões também aceitos como… padrões, como o 1:1 (foto quadrada), muito usado em câmeras de filme 120.

Mas a coisa complica com a chegada de câmeras “que fazem diferente”*, como as da Lomography, que resolveram, em prol de experiências mais divertidas, usar proporções diferentes das padronizadas.

Aqui uma pausa: estamos falando de proporções diferentes, e não de tamanhos. Uma Olympus Trip 35 e uma Olympus Pen EE-2, por exemplo, produzem imagens de tamanhos diferentes em seus negativos, mas com a mesma proporção (a famosa 2:3).

Lomo

Por Paula Pedrosa

Voltando, a Lomography (e outras fabricantes de câmeras amadoras) começaram a brincar com as proporções. O resultado é que hoje temos câmeras panorâmicas que fazem imagens com larguras mais de três vezes maior do que a altura, temos câmeras 360 que fazem uma imagem que ocupa quase metade de um rolo, temos técnicas pra colar/sobrepor fotos… e tudo isso transforma o lance das proporções padrão em algo meio assim… inútil :-)

Mas é claro que isso dá uma dor de cabeça na hora de imprimir as fotos. Isso porque o mercado de impressão (ou seja, os laboratórios, os papéis fotográficos pra impressoras caseiras, etc), não trabalha com proporções aleatórias. Ela trabalha com as mais usadas, ou seja, principalmente e basicamente com uma: a 2:3. Por isso os tamanhos tipicos de impressão são 10×15 e 20×30.

Mas existem também outros tamanhos (que seguem outras proporções). Nesse site de revelação online dá pra ver uma variedade deles. Mas você vai perceber que algumas proporções ainda serão difíceis de encontrar. Por exemplo, se você tem uma Sprocket Rocket, ou uma Spinner 360, vai ter dificuldades pra encontrar um tamanho de impressão com as dimensões exatas das fotos produzidas com essa câmera?

“E ai? #comofaz?” Simples: imprime em um tamanho qualquer, pedindo pra imagem ser usada por inteira, e não redimensionada para o tamanho da folha  (ou seja, pra sobrar espaço em branco na folha, e não pra cortarem pedaços nas laterais da imagem).

Portanto, se tiver uma imagem quadrada (na propirção 1:1), pode imprimir numa folha 10×15 e cortar o papel que sobrar, ficando com uma foto 10×10. O mesmo vale pra uma 20×30 (cortando o que sobrar vai ficar com uma 20x20cm). Pra fotos panorâmicas é o mesmo: imprima numa folha grande (20x30cm por exemplo) e corte as bordas brancas em cima e embaixo da imagem. Vai ficar com uma imagem de 30cm de largura e… sei lá quantos de altura, porque não sei qual a proporção de uma imagem da Spinner ou da Sprocket.

Tapete Vermelho 360º / Red Carpet 360º

Por André Corrêa

Mas acho que deu pra entender, né?

Bom, por hoje é só, mas qualquer dia a gente volta pra falar de outras dúvidas sobre “tamanhos das fotos”. Se tiver dúvidas, coloca aí nos comentários! De repente sua dúvida vira um post! ;-)

*Na verdade, a coisa já era complicada no início, e depois melhorou, pra piorar agora de novo. No começo do século passado, com centenas de câmeras diferentes tendo cada uma seu formato de negativo e de imagem. Com a evolução do mercado fotográfico, os fabricantes viram que alguns padrões eram necessários, e assim surgiram os padrões dos quais falamos.

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