16comentários

Dicas pra hora de caçar câmeras antigas #01

por em 14/01/2013
 

Foto acima: Por Tadeu Bara

Outro dia, nos comentários do post onde pedimos pros leitores sugerirem o que queriam ver no QF em 2013, o Diego Frankley pediu um post com dicas e alertas pra hora de caçar uma câmera num brechó ou numa feira de antiguidades. Na hora pensei “puuuutz… é muuuita coisa pra prestar atenção… não vou lembrar de tudo!” Mas em seguida veio a luz “Ué, mané… escreve por partes! Escreve agora o que se lembrar e, conforme for lembrando, vai postando mais dicas!” Dãaaa… é claro! :-D

Nos últimos 15 meses, tenho visitado quase que religiosamente feiras e brechós todas as semanas atrás de câmeras antigas, principalmente pra vender na Lojinha. Isso acabou me ensinando bastante, com muitos erros e acertos. E, durante os meus workshops, a gente sempre visita (ou tenta visitar) uma dessas feirinhas, e passo pros alunos “na prática” o que eles devem observar nessas horas. Transmitir esse mesmo conhecimento em texto não vai ser fácil… mas vou tentar. Aí vão (algumas das) dicas (que me lembro) do que prestar atenção nessas situações:

  • Esquece. Você não vai encontrar o que procura de primeira. Se prepare pra fazer algumas visitas, pelo menos, a uma ou mais feiras/lojas. Portanto, relaxa e curte a caçada (não é atoa que os gringos chamam essa procura de “Camera Hunting”, ou “Caça de Câmeras”).
  • Esquece (2). Você não tem como fugir de uma ou outra compra errada. Nunca vai dar pra ter certeza de que tudo na câmera está funcionando antes de comprar, e nem dá pra saber se ela não vai quebrar na sua mão dias depois da compra. Câmera velha é isso aí. Portanto, relaxa e aproveita, sabendo que pode ser que aquela câmera acabe apenas como uma peça de decoração da sua casa, e parte fundamental da sua educação fotográfica.

Pausa pro depoimento: a atual paixão da minha vida é a Olympus 35 SP. E eu digo “é a” e não “é uma” porque já tive três delas em menos de um ano. A primeira funcionou perfeitamente por três meses e depois quebrou sem esperanças de reviver. A segunda achei, por coincidência, na mesma feira onde tinha achado a primeira (Benedito Calixto, SP), e era uma variação mais rara dela (a 35 SPn) que não me agradava tanto estéticamente. Por isso, quando, numa prova de que raios caem várias vezes no mesmo lugar, achei a terceira 35 SP, ainda mais linda que as duas primeiras, vendi a segunda e agora estou feliz com a 3a câmera, tendo ainda uma (aquela primeira, pifada) pra canibalizar quando precisar de pessas sobressalentes pra consertar a atual! :-D 

Untitled

Por Victor Arlé

  • Nem todo vendedor é igual. Alguns sabem o valor do que vendem, outros não. Alguns têm bom caráter, outros não. Ao chegar na feira, passeie por toda ela antes de fazer uma compra, batendo um papo inicial com os vendedores. “Sinta” eles, como eles conversam com você, como eles falam do produto, e como eles te tratam. Acima de tudo, ouça sua intuição. Se não for com a cara do sujeito, pense bem antes de comprar, e analise trocentas vezes o que for levar. Se for uma loja é mais fácil, mas o processo é o mesmo :-)
  • Não menospreze câmeras que você não conhece.  Muita gente que conheço achou a “câmera da sua vida” numa dessas feiras olhando atentamente pra câmeras que não conhecia e não estava procurando. Pense no seguinte: hoje, quando se fala em comprar uma câmera digital nova, nosso universo de pesquisa é de… sei lá,.. 50 câmeras. 10 se for um modelo específico, como uma DSLR, porque você não vai querer modelos digitais muito antigos. No mundo analógico a coisa é beeeem diferente. Só nos últimos cinquenta anos foram produzidas trocentas centenas de modelos de boas câmeras analógicas que podem te atender perfeitamente, e de marcas que você pode nunca ter ouvido falar, como Voightlander, Zenit, Mamiya… uma coisa que gosto de fazer é acessar, da rua mesmo, via celular, o site Camerapedia (http://camerapedia.wikia.com), que é uma Wikipedia só de câmeras. Lá, em textos bem simples de entender, dá pra ver se aquela câmera é vagabunda, boa, famosa, tosca, vale ou não vale o preço… e o site tem uma versão pra acesso mobile que facilita ainda mais ;-)
  • Não se assuste com sujeira. Por baixo daquela camada de décadas de sujeira pode estar uma câmera excelente. Pegue a câmera suja nas mãos sem medo, passe o dedo pra ver se a sujeira é só sujeira mesmo (levar um paninho também se ficar com #nojinho de passar o dedo) e até (não fique com #nojinhoooo) molhar seu lindo dedinho indicador com saliva e passar na parte suja pra ver se a craca se dissolve (o que significa que, em casa, você vai conseguir tirar ela com pano e cotonete umedecido com facilidade). Uma forma de ver o quanto a sujeira está de fato afetando a câmera é abrir a tampa traseira. Se o interior estiver também sujo, é sinal de que a câmera foi mal guardada, e talvez tenha sido guardada aberta. Se ela estiver limpinha por dentro, é sinal de que a câmera pode estar apenas precisando de uma limpeza. DICA: não bote o dedo sijinho de volta na boca. Não faz bem pra saúde.
Untitled

Por Victor Arlé

  • Lentes são uma coisa complicadinha de explicar por texto como avaliar. Mas, em resumo, faça também o teste do dedinho com cuspe molhado pra verificar se tem muitos arranhões na frente da lente. Arranhão SEMPRE vai ter. A Câmera é velha. Mas arranhões leves não costumam afetar tanto as imagens. Se forem lentes avulsas, faça isso na frente e atrás, com cuidado pra não arranhar a lente se ela estiver muito empoeirada. Já se ela estiver com fungos (olhe através dela e veja se existem manchinhas no formato de teias ou de bolinhas dentro da lente), considere comprar mesmo assim e levar pra um técnico. Existe sempre um risco dos fungos não sairem, mas mesmo assim pode ser uma boa compra, porque pode ser que os fungos nem afetem a imagem!
  • Fungos no corpo da câmera não devem preocupar. Geralmente saem com facilidade na hora de limpar.

Bom, gente… esse post já tá enorme, e a gente mal começou a falar sobre o assunto. Portanto, vou parar por aqui hoje, mas logo logo posto mais uma parte dessa série (que tende a ser infinita :-) de dicas de Camera Hunting, ok?

Quanto vale esse post pra você?
Pense nisso e, se achar justo, colabore conosco! Você pode apoiar o Queimando Filme através de doações (faça a sua aqui!), divulgando esse post para seus amigos, ou até simplesmente clicando nos banners dos anunciantes! Tudo isso ajuda o Queimando Filme a continuar postando conteúdo de qualidade para todos os amantes da fotografia analógica ;-)

comentários
 
Deixe uma resposta »

 
  • 06/06/2015 em 10:14 pm

    Salve André! Massa o post. Acabei de comprar uma zenit 12xp (dessas fabricadas na zona franca de manaus). Estou atrás de um local para desmontá-la e limpá-la. Conhece algum lugar para indicar em SP? Qualquer lugar que fazer limpeza geral em câmeras analógicas antigas.

    Responder

  • arthurssoaresArthur Soares
    19/01/2015 em 12:40 am

    Eduardo, tenho uma Yashica TL Electro, ela realmente não precisa de bateria? E o local para encaixa-la? É muito dificil encontrar bateria pra ela, só tem lá fora.

    Responder

  • Isabelle
    21/03/2013 em 1:40 pm

    Oi André, tudo bom? Parabéns pelo site!
    Então, tô com uma baita duvida aqui. Encontrei uma camera antiga aqui em casa, do meu pai. Uma Olympus AFL quick flash. Achei inclusive na internet: http://camera-wiki.org/wiki/Olympus_AFL_%26_AFL-S. Só que pelo que entendi essa câmera tem bateria de litium, no site tá escrito que ela “was one of the first cameras to use a non-replaceable lithium battery”. Isso significa que ela provavelmente não funciona mais, né? Vou tentar testá-la, mas estou com poucas esperanças. :(
    Obrigada pela ajuda!

    Responder

  • Eduardo Andrade
    23/01/2013 em 6:48 pm

    Graças a Deus eu sempre dei sorte de encontrar algum exemplar decente das câmeras que gostaria de ter, já comprei algumas que eu achava que eram muito legais, e depois de comprar e usar, vi que não eram tão legais assim (como a minha Canon AE-1, já vendida). Hoje em dia, tenho algumas câmeras que são minha paixão, a maioria encontrada no Mercado Livre, todas em excelente ou muito bom estado, revisadas e prontas p/ o que der e vier. Mas dentre todas as que possuo (9 no total, apenas analógicas), tenho um carinho especial pelas totalmente mecânicas, que dispensam qualquer tipo de pilha ou bateria p/ funcionar, dentre elas, posso nomear 4 que são as minhas preferidas absolutas: Yashica TL Electro, Pentax Spotmatic SP, Canon Ftb e Minolta SRT101. Eu gosto tanto de cada uma delas que, às vezes, o problema é decidir qual delas colocar na bolsa…

    Responder

  • 19/01/2013 em 1:54 pm

    Não tinha visto a foto no post, ficou bem legal. Abraço André.

    Responder

  • 18/01/2013 em 2:10 pm

    Adorei o post, André. Uma das experiências mas legais que eu tive foi visitar a Feira da Praça XV, no RJ. Espero pelo próximo post, abraços.

    Responder

  • Max
    16/01/2013 em 8:52 pm

    Obrigados pelas dicas, acabo de conhecer o site e já tá nos meus favoritos, adoro fotografia analógica, acho muito mais emocionante esperar pelo resultado. No início do ano ganhei do meu tio uma Minolta XE-5 com três lentes e estou apaixonado por ela. Vou usar suas dicas pra “caçar” mais lentes e quem sabe mais câmeras para coleção. Você (vocês na verdade) tem um ótimo site, parabens.

    Responder

  • claudia
    14/01/2013 em 6:23 pm

    André, acho q li em um post o comentário de alguem que “limpa” o fungo da lente com o ultravioleta do dentista . Vc sabe dizer se funciona mesmo?

    Responder

    • 15/01/2013 em 9:08 am

      Oi Claudia! Também já vi/li isso… mas nunca testei, nem tenho muitos detalhes. Mas eu ACHO que deve apenas matar os fungos e impedir que eles continuem crescendo. Não sei se de fato limpa a lente… deve ficar o “defunto” do fungo lá… :-)

      Responder

  • Diego Frankley
    14/01/2013 em 1:42 pm

    Valeu André! Já começou a me ajudar, pois antes não tinha o costume de analisar fungos na lente. vou prestar mais atenção agora =D

    Responder

  • Alexandre
    14/01/2013 em 12:43 pm

    Fui procurando uma Pentax, acabei achando uma Yashica e – por hora – ela é a câmera da minha vida. Valeu por escrever minha história, rs.

    Responder

Deixa aí seu comentário!