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E agora, revelar em E6 ou fazer processo cruzado (xpro)?

por em 28/01/2013
 

Foto acima: Fuji Provia 100 em dois momentos: revelado em E6 (esquerda) e em C41 (direita).

Você compra um rolo de cromo pra utilizar. Coloca na sua câmera, fotografa, tira da câmera e vai deixar no laboratório para revelar e surge aquela dúvida: e agora, revelo em E6 ou faço processo cruzado? Muitos irão responder, de primeira, para fazer processo cruzado, até porque sai mais “barato” que o processo em E6 (nome dado ao processo tradicional de revelação de filmes cromo/slide), só que isso causa uma diferença significativa nas imagens. E, apesar de eu ser do time do chefe que prefere cromo revelado em E6 do que processo cruzado, decidi fazer um post mostrando as mesmas fotos usando os dois processos. How cool is that? ;)

O que? Você não sabe o que é revelação em E6? Bom, digamos que E6 é o processo de revelação correto para filmes cromo/slide, transformando a imagem do filme em um positivo, sendo possível visualizar as cores reais a olho nu. Já o processo cruzado – ou xpro – consiste em revelar um cromo/slide no processo químico de um negativo comum, o C41.

IMG_20130117_173130

Uma das partes mais legais de revelar cromo em E6 é essa aqui, oh. :D

O filme escolhido para o teste foi o Fuji Provia 100 e as câmeras utilizadas foram uma Canon EOS 5 (com a objetiva Canon EF 50mm f/1.4 USM) e uma Canon AE-1 (com a objetiva Canon FDn 50mm f/1.8). Todas as fotos foram feitas usando os mesmos parâmetros (velocidade e abertura).

Ao verem as fotos vocês vão perceber que o xpro não só satura as cores (que já são saturadas em um cromo), mas como também aumenta o contraste (e o grão) da imagem de forma absurda – fotos com flash direto tendem a ficar extremamente estouradas, então é bom ter cuidado com isso caso vá fazer xpro. No mais, vale lembrar duas coisas: a primeira é que cromo não possui a mesma latitude de um negativo, ou seja, você deve acertar a luz com cuidado para que não role uma super (ou sub) exposição – sendo claro: evite utilizar cromo em câmeras sem fotômetro e/ou controles de abertura/velocidade, mesmo que automáticos, pois o resultado pode ser frustrante; e a segunda é que, assim como negativos, diferentes tipos de cromo produzem diferentes resultados, principalmente em xpro.

Sem mais delongas, fiquem com a galeria comparativa. Essas mesmas fotos foram postadas em minha página do Facebook, então fiquem à vontade caso queiram comentar em alguma foto específica. ;)

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comentários
 
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  • 13/08/2014 em 3:57 am

    Obrigado André! Foi exatamente aí que eu encontrei logo depois e já comprei. Abraço!

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  • 11/08/2014 em 11:23 pm

    Amigo, onde eu acho filmes cromo? Tô penando aqui e não encontro nada na net. Abs e obrigado se puder me ajudar.

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  • Guilherme
    27/07/2014 em 4:33 pm

    Mas afinal, qual é o diferencial de um cromo devidamente revelado em E-6 e um negativo em C-41? Não consigo entender qual é a graça do cromo quando não for feito o processo cruzado. Ele é melhor ou não do que um negativo? O Ektar, por exemplo, me parece alcançar os mesmos resultados de um cromo sem precisar ter preocupações a mais.

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  • 27/02/2013 em 1:55 pm

    Cara, onde vc revela xpro mais barato que E6? Conheço um lugar que faz E6 de 135 por R$22,00 e outro que faz C-41 de 135 por R$23,00. Preciso mesmo de mais opções…

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    • 27/02/2013 em 2:16 pm

      Alguns laboratórios cobram mais caro se você pedir para revelar um cromo em processo cruzado. Como o químico suja e acaba perdendo a eficácia, o laboratório vai acabar tendo que trocar o químico mais cedo, então eles acabam cobrando mais caro para compensar esse químico que vai acabar sendo descartado depois de alguns ciclos. ;)

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  • 11/02/2013 em 1:05 pm

    Eu particularmente acho que é melhor decidir qual vai ser o tipo de revelação antes de fazer as fotos. Tem temas que não ganham nada com revelação cruzada e outros temas que só se sobressaem em revelação cruzada. Assim, se você decidiu como revelar, já pode buscar a composição na hora de fotografar porque sabe que aquelas cores vão ficar malucas.

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  • Fabio
    28/01/2013 em 5:26 pm

    Perguntei num lab aqui da cidade se eles faziam revelação cruzada. Eles responderam na lata que não. Os balconistas geralmente não entendem nada de fotografia analógica. Será que rola eu chegar e falar pro balconista “revelar em C-41”, meio que dando uma de joão sem braço? O laboratorista ta acostumado com as minhas manias de levar filme ao contrário dentro do rolo e tal, geralmente ele só dá risada.

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    • 28/01/2013 em 6:46 pm

      Você tem duas formas de fazer isso. A primeira é dar uma de joão sem braço master, e funciona bem com cromos rebobinados (ou o da Lomo em que vem escrito “C41 or E6”): Simplesmente entrega no laboratório e não diz nada. Funciona melhor se você entregar mais uns 3 ou 4 rolos de negativos juntos, porque o cara vai simplesmente tacar o dane-se e processar na máquina. Se duvidar nem vai ver que é um cromo.
      A outra é a forma que você falou, honesta, sendo claro e tal. Se eles aceitarem fazer ou cobrar a mais por isso, maravilha! Pelo menos os caras tem a noção do que estão fazendo.

      Só tenha em mente uma coisa: toda vez que você revelar um cromo no químico de negativo comum, você vai sujando o químico ao ponto que, em determinado momento, o químico vai estragar e estragar um negativo que pode estar pra ser revelado. Isso é a longo prazo, mas pode acontecer, e se for o unico laboratório da sua cidade, vale ponderar se vale a pena estragar o químico ao ponto de estragar o negativo. Limite seu número de cromos entregues ao laboratório (um ou dois por mês) para o químico da máquina ter rotatividade e você – e outros usuários do lab – não terem negativos estragados, ok? No mais, boas fotos! ;)

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  • 28/01/2013 em 2:52 pm

    Adorei o post…chegou na hora certa! Tenho alguns cromos para revelar e não sabia como revelar, morria de medo do Xpro…
    agora to achando até bacana!
    só tenho uma dúvida: se puxar um cromo pra baixo (ISO 50) e revelar em xpro com o iso de fábrica (100) , as chances de não sair nada são muito grandes? (meu cromo já está vencido há um tempo e não sei como foi armazenado)

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    • Bruno Massao
      28/01/2013 em 3:16 pm

      Thais, eu desaconselho puxar cromos. Como a latitude deles é bem menor que a de um negativo, os riscos das fotos saírem erradas é enorme. Se você expôs um cromo como ISO 50 e revelar em xpro como ISO 100, ele vai ficar todo estourado. As fotos que eu fiz para esse post foram fotometradas e reveladas no ISO nativo do filme, e em xpro elas já tiveram alguns estouros, imagina expondo o negativo mais do que o normal dele. ;)

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  • 28/01/2013 em 12:27 pm

    Vixi… agora fique até tentado…

    Tenho um Provia 100F que bati tem um mês em uma viagem a Portugal, e estava esperando a oportunidade de revelá-lo em E6 (quando for em alguma capital…).

    Aqui não tem E-6 e não queria cruzar um filme batido tão “especialmente” como esse, mas o que queria saber é se essas cores que foram obtidas são mais ou menos “padrão” pro E-6 dele? Achei bel lavadas, cores não tão satisfatórias, sei lá, esperaria mais..

    A pergunta.. se o lab não for tão bom em E-6, tem chances da revelação sair meio porca?

    Bai um Agfa CT Precisa 100 (cromo) e esse sim vai pro lab (C-41) essa semana =)

    Obrigado desde já!

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    • Bruno Massao
      28/01/2013 em 2:17 pm

      As cores são bem padrões para o Provia 100F, Samuel. Claro que existem variações de acordo com o laboratório, mas no geral elas são assim mesmo. Acontece que ele é um filme que puxa pro magenta e você tem que corrigir com filtros. Se você corrigir e expor corretamente, ele fica mais ou menos assim: http://www.flickr.com/photos/dropletcafe/5452959766/

      Se você não corrige, elas ficam numa tonalidade meio magenta: http://www.flickr.com/photos/francescomascolo/8251274437/

      A ideia desse post foi comparar, sem correção alguma, as fotos. E, mesmo assim, eu não as considerei tão “lavadas” assim, viu? Acho que o termo mais correto seria “com a cor errada”. ;)

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      • Francesco
        29/01/2013 em 6:47 am

        Ciao,
        mi fa piacere dare il mio contributo riguardo alla foto citata. (http://www.flickr.com/photos/francescomascolo/8251274437/). Il viraggio colore è dovuto al fatto che il Kit E6 TETENAL non ha tempi corretti per le pellicole Fuji. Usando i tempi del manuale tetenal si ottiene un primo sviluppo carente e uno sviluppo colore eccessivo. Questo è il motivo del viraggio. Applicando tempi di sviluppo differenti, con la stessa pellicola si ottengono colori più bilanciati.

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        • 29/01/2013 em 2:54 pm

          Grazie mille, Francesco! Ho intenzione di aggiungere informazioni al l’articolo, ok? E dispiace per il mio italiano, non lo parlo e ha dovuto usare Google Translate. ;)

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  • 28/01/2013 em 12:11 pm

    Taí um post que sempre quis fazer e nunca tive…saco :-) Felizmente temos o Massao, um maniaco em detalhes, pra nos fazer esse teste, essencial pra quem quer entender a diferença entre um cromo revelado normalmente e em xpro.

    Uma observação que acho que vale colocar é que, certamente devido ao ambiente/luz do dia em que as fotos foram tiradas, o cromo relevado normalmente não apresenta, nas fotos acima, todo o contraste (cores vivas) que caracterizam os cromos. As únicas exceções são a da máscara do Bumblebee e a da menina sentada de pernas cruzadas…

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    • Bruno Massao
      28/01/2013 em 2:04 pm

      Sim! O Provia não é dos melhores filmes para se utilizar ao “ar livre”. Nisso o Velvia é bem melhor.
      Em ambientes fechados e com luz controlada, por exemplo, ele acaba saindo bem melhor. :D

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    • Belchior
      12/01/2014 em 8:15 pm

      Me entrometendo no meio da conversa mais nem todo o cromo tende a ter uma grande saturação de cores, dependendo do filme que se usa ele é mais suave, o fato que nos leva a pensarmos isso é que nos acostumamos com as fotos que antigamente usavam cromos com muita saturação como o velvia para fotos de paisagens, e nos da essa ideia de que essa saturação seja natural; cromos tem uma capacidade de reproduzir cores melhor que filmes negativos, assim como alguns também tem uma tolerância de exposição, podendo serem puxados ou empurrados ao menos 1 ponto, filmes como o pro160 sem edição são muito crus, mais tem uma boa latitude, e são feitos para serem editados devido a essa característica, vou deixar aqui um link de um comparativo de filmes cromo da fuji para quem tiver interesse em ler mais sobre o assunto: http://www.timparkin.co.uk/2009/06/fuji-velvia-provia-astia-and-pro160/ , foi bem esclarecedor para mim quando busquei informação sobre cromos; no mais parabéns pela matéria eu estava tentando decidir se valeria a pena fazer processo cruzado num provia 100F, mais optei por ir atras de algum laboratório para revelar em E6 mesmo pois quero tirar proveito das qualidades desse filme difícil de se encontrar aqui no Brasil, e se eu falei alguma bobagem por favor me corrijam pois sou um mero aprendiz desse universo que é a fotografia, abraços.

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      • 13/01/2014 em 11:28 am

        Oi Belchior. A unica coisa que precisa de correção no seu comentário é sobre o Pro 160. Ele é um negativo de ISO baixo muito utilizado para paisagens devido ao seu grão, algo bem próximo do Kodak Ektar, que também é negativo de grão fino. Fora isso, ele é um negativo comum, por isso sua latitude é maior e suas cores mais “cruas”. :D

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  • 28/01/2013 em 12:09 pm

    Tava esperando esse post :D Provia é um dos poucos que eu acho que fica mais legal em xpro do que em E6. As fotos ficam com um tom azulado muito legal.

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