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Dez coisas a se aprender com o livro Magnum Contatos

por em 14/02/2013
 

A gente já falou aqui (e aqui) do livro Magnum Contatos (ou Magnum Contact Sheets, no original), em um post do Eric Kim que traduzimos. Mas desde que esse post foi ao ar, uma coisa muito boa aconteceu. A editora do Instituto Moreira Salles publicou o livro no país, com a mesma qualidade do original e, pra surpresa de muitos, com um preço razoavelmente acessível pra um livro tão grande e de material tão rico. Enquanto a versão importada estava passando dos R$400,00, a nacional está R$190,00 ou menos, se você der sorte de encontrar em promoção (eu comprei por R$155,00 na Livraria Cultura, na liquidação que eles fazem entre natal e ano novo)

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O tal do livro…

E é exatamente por isso que voltamos a falar desse livro aqui, e gritar pros quatro ventos:

“COM-PRA! COM-PRA! COM-PRA! COM-PRA! COM-PRA!!” ;-)

Pronto. Agora que já fizemos nossa apologia ao consumismo, vamos explicar porque pode ser legal você comprar. E no “vamos” me refiro a mim e ao Eric Kim (sim, ele, de novo ;-) que, de tão apaixonado pelo livro (assim, tipo eu), redigiu um post sobre as dez coisas que fotógrafos de rua podem aprender com esse livro. E eu ia traduzir esse texto, mas desisti, e resolvi roubar os dez motivos dele e escrever minha própria versão que, é claro, em muitos casos é parecida com a dele.

P.S: Se você chegou até aqui, pretende continuar lendo, e não sabe o que é uma folha de contato, volta no começo do post e clica nos links dos posts do Eric Kim. A explicação do que é a folha de contato tá no começo do primeiro post. Mas recomendo ler os dois inteiros ;-)

1. Desmistificando a aparente qualidade mágica da fotografia.
A gente fica vendo livros de grandes fotógrafos, ou até de outrs nem tão conhecidos, e pensando… “putz… esses carasm mandam muito bem”. Mas o lance é que a gente se esquece de que, assim como nós, esses caras fazem trocentas fotos pra aproveitar uma, duas. E a prova disso é exatamente a folha de contato. É nela que a gente vê os comentários, as escolhas, as sequências enormes das quais o cara aproveitou só uma foto. Ou seja, não é muito diferente de quando você manda revelar aquele filme e percebe que só uma ou duas fotos ficaram do seu gosto. Na verdade, é a mesma coisa… e o livro vai te mostrando isso página por página, ao mostrar folhas de contato onde estão algumas das fotos mais famosas do mundo… ao lado das que foram feitas no mesmo dia, pelo mesmo cara, mas que foram rejeitadas.

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Henri Cartier-Bresson, na sede da Magnum em Paris, analisando suas folhas de contato…

2. Fotógrafos famosos também ficam desapontados ao olharem pro seu trabalho.
Meio que um complemento do primeiro ponto, aí em cima, né? Mas é isso mesmo. Todo mundo fica frustrado quando olha pro seu próprio trabalho. É normal. Até porque quando a gente olha, a gente vê tudo que deu certo e o que deu errado, enquanto quando os outros olham pro nosso trabalho, ou nós olhamos pro trabalho dos outros, vemos só o que ficou bom, o que foi selecionado, e temos a impressão de que tá tudo bom. E é isso aí. O importante é entender que cada “olhar” tem o seu momento, como o livro mostra.

3. Se julgue pelos seus contatos, e não pelas suas fotos selecionadas.
É numa folha de contato (ou numa sequência ordenada de fotos que você fez, caso as tenha scaneado) que você consegue ver e entender o que passou pela sua cabeça quando você estava fotografando. E é olhando sua folha de contato (ou sua sequência de fotos, no computador ou no negativo) que uma pessoa consegue começar a vislumbrar o seu estilo, suas características como fotógrafo. A Magnum, aliás, antes do digital tomar conta, julgava os fotógrafos que eram candidatos a entrar na agência assim, avaliando suas folhas de contato, e não suas fotos finais.

4. Perceba suas forças e fraquezas, seja no filme ou no digital.
Uma das grandes vantagens de se fotografar com filme é exatamente o filme. A existência do filme permite a confecção das folhas de contato, te permite pegar um rolo e ver, na ordem em que foram tiradas, todas as fotos de uma determinada ocasião. Você não precisa de um computador pra isso. Você e seus olhos dão conta (mesmo com negativos, acredite!). E esse processo te deixa mais conectado com as fotos que você fez, o que por sua vez te faz perceber, entender melhor o que você fez. O livro possui várias citações de fotógrafos sobre esse tema.

5. Seja autocritico e brutal com você mesmo quando estiver editando suas fotos.
Se ficou ruim (pra você, não pros outros), assuma que ficou ruim. Aprenda com os erros e toca a vida. Aparentemente só tem uma boa? Então beleza, é isso. Só tem uma boa e pronto. Não tem nenhuma boa (novamente, na SUA opinião)? Então não tem, pronto, cabô. Isso não é erro, não é falha. É aprendizado. E você vai ver no livro que os caras que você admira eram bastante críticos com seu próprio trabalho…

m36. Pegando dicas de como editar suas melhores fotos.
O livro tá cheio de lições dignas de se ler, reler e pensar sobre. Por exemplo: “Se você está vendo na sua frente várias fotos boas de uma mesma cena, escolha uma, e apenas uma, que represente o momento.” Cruel? Funcionaria pra você? Talvez essa frase do Cartier-Bresson ajude: “Escolher uma única foto de uma folha de contato é como ir a uma adega e escolher uma garrafa de um bom vinho pra compartilhar.”;-)

7. Se você der de cara com uma boa cena, tire muitas fotos.
Não se deve economizar filme, e isso o livro ensina bem. A gente vê folhas de contato inteiras com uma única cena, e que resultaram em uma única foto considerada boa pelo fotógrafo. É claro que não estamos falando de sair disparando a câmera sem parar. Estamos falando de pensar uma foto, tirar ela, pensar mais uma, tirar ela, pensar uma outra parecida, mas com alguma coisa diferente, tirar ela… e por aí vai. Disparar “direto”, sem mudar nada entre uma e outra – a não ser que seu objeto esteja em movimento – só vai resultar em um monte de fotos iguais, com os mesmos acertos… e erros.

8. Fotografe para entender o mundo a sua volta.
Eu sempre digo que fotografo pra mim, e não pros outros. Os outros gostarem das minhas fotos é consequência – e não o motivo – de elas serem feitas. E isso tem a ver com esse ítem: os fotógrafos da Magnum que aparecem no livro vez ou outra contam histórias em que estavam fotografando e existia uma possibilidade imensa daquelas fotos nunca serem vistas por outras pessoas (porque estavam numa guerra, ou num navio naufragando…). E essas situações mostraram pra eles que eles não tiravam fotos pros outros, mas sim pra si mesmos, e pra entender o que estava acontecendo a sua volta.

m99. Carregue pouco equipamento.
Essa é uma dica feita pros street photographers, pra quem o Eric Kim escreveu esses dez pontos, mas também serve pra nós, amadores. A não ser que voc6e esteja envolvido em um projeto de grande formato, ou esteja indo pra uma saída fotográfica, ande com pouco equipamento. Aliás, andar com equipamento reduzido e leve vai te permitir andar SEMPRE com uma câmera, o que por sua vez vai permitir que você esteja sempre pronto pra fazer uma foto legal…

10. Revisite seu trabalho.
Simples assim. De vez em quando, pare pra olhar rolos e folhas de contato antigas. Pare pra ver aquelas fotos que você não publicou no Flickr nem no Facebook. Pare pra olhar as sequências, os momentos. Veja como as coisas mudaram daquele primeiro rolo de filme pro trigésimo… e novamente pro centésimo. Ver nossas fotos antigas (as boas), a gente vê todo dia, nos nossos sites, nas nossas redes sociais, nas nossas paredes. Mas ver a folha de contato (ou uma versão moderna dela) é algo que temos que nos lembrar de fazer de quando em vez, pra nunca nos esquecermos.

Gostou? Quer ler o texto completo do Eric Kim? Vai nessa! É só clicar aqui e curtir ;-)

OBS: Todas as imagens desse post foram tiradas, com autorização, do post original do Eric Kim, cujo link está aí em cima.

 

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