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Curiosidade: Você sabia que o “olho” do HAL9000 era uma lente fisheye de verdade?

por em 21/02/2013
 

Primeiro, você sabe quem é o HAL9000? É o supercomputador inteligente e meio psicopata do filme “2001, Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick. O computador se comunicava com o exterior através de painéis que tinham esse olho gigante, com uma pequena luz vermelha atrás. Eu sempre achei que era algo criado para o filme, mas como toda boa produção dos anos 60/70, é resultado de uma bela gambiarra lindamente executada que custou uma verdadeira merreca (quase nada) para a produção do filme.

A tal lente é a Nikkor 8mm f/8 Fisheye, que compraram baratinho e enfiaram no painel que aparece no filme, também comprado baratinho. Claro, para o filme eles deram um belo acabamento, com plaquinhas com o nome do computador e tal, mas no fundo é uma gambiarrinha. Ela até pode ter custado baratinho no passado mas hoje é super rara e considerada peça de colecionador, só porque foi fabricada por poucos anos e logo depois foi descontinuada, de 1962 até 1966. Quando li isso no PetaPixel minha cabeça explodiu! Como assim nunca pensei que a tal lente do olho do HAL era uma lente mesmo, de fotografia? E pior, pode ser considerada a primeira fisheye de produção em massa para 35mm.

Ela era chatinha de usar: precisava travar o espelho levantado para que a lente encaixasse esse tubo preto debaixo dela no corpo da Nikon e só dava para enquadrar usando um visor externo acoplado à câmera. Mala. Mas essa peculiaridade permitia que a lente fosse supercompacta.

Outra curiosidade, nas cenas em que vemos o ponto de vista de HAL Stanley Kubrick usou outra lente, uma tal de Fairchild-Curtis – uma fisheye de 160º de campo de visão, por ser compatível com as câmeras de cinema que usava.

Isso foi só pra descontrair, eu sei que muita gente nem sabe do que estou falando, mas vale a pena mencionar.

Ps.: Para quem não viu 2001, nem vem reclamar de spoiler do filme. Expor detalhes de um filme de 1968 não pode ser chamado de spoiler!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=HwBmPiOmEGQ]

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comentários
 
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  • Gileno
    20/10/2013 em 11:19 am

    Cara, seu texto é interessante, mas…
    Você possui critérios um tanto toscos para avaliar uma produção artística.
    Quer dizer então que “reciclar” um material para outro fim diminui seu valor de uso?! E o pior ainda, seu valor artístico.
    Gambiarra é uma palavra pejorativa, e devo supor que você saiba disto. Assim sendo empregou-a mal.
    Gambiarras ou armengos são plasticamente notórios. E se você só “percebeu” que o diretor fez uma “gambiarra” 45 anos depois (!), então aquilo NÃO é um armengo. Faz parte de uma composição artística.
    Revise suas “influências “hollywoodianas” das grandes e CARAS produções artísticas, onde só a específica “criação” industrializada não constitui um armengo.

    Meus cumprimentos,

    Gileno Amaral

    Responder

    • 21/10/2013 em 10:30 am

      Gileno, obrigado pela sua observação, mas preciso dizer que você tem acertos e erros aí. O acerto é que sim, a obra é invejável e inequivocamente perfeita, tanto em forma quanto em conteúdo. Sim, ninguém aqui tem cacife para criticar o trabalho do Kubrick. Estamos falando de 2001, talvez o mais incrível filme de ficção científica da humanidade.

      Agora teu erro foi interpretar a palavra gambiarra como pejorativa. Realmente foi usada um elogio, pois sou um grande apreciador das soluções criativas e sim, discordo completamente da sua interpretação e NÃO, reciclar algo para um uso nobre como a arte até aumenta o seu valor. O que coloquei foi que em termos de Hollywood elementos de produção podem custar verdadeiras fortunas, mas grandes gênios atemporais podem sim pegar elementos sem valor comercial alto (o cara gastou poucas dezenas de dólares), investir criatividade e transformar em um dos objetos mais lembrados do cinema. Não estou aqui avaliando nenhuma obra artística, só expressei minha surpresa em saber que não era um vidro qualquer, era uma lente que é até rara. Meus critérios para avaliação de obras artísticas nem de longe foram ativados para esse texto.

      Acho que todos que leem regularmente este blog sabem que a maioria, senão todos, colaboradores são fãs e adeptos da gambiarra, que é usar criativamente coisas que a em uma primeira vista não tem nada a ver com o que você está fazendo.

      Agora, se olhar bem atentamente, dentro dessa ótica de que gambiarra nem de longa é pejorativo, vai perceber que a grande maioria das maiores obras do cinema se aproveitaram de gambiarras épicas para nos convencer de que o estamos vendo é possível. Se percebermos a gambiarra, ela foi mal feita.

      E agradeço sua participação, é sempre legal ter um ponto de vista diferente para enriquecer a discussão.

      Responder

      • 21/10/2013 em 12:43 pm

        Complementando, não existe cinema sem gambiarra (novamente aqui como ferramenta /ou adjetivo positivo). Quem trabalha ou trabalhou com cinema sabe que essa expressão é largamente usada por todo o escalão de um set de filmagem para variadas adaptações e soluções que viabilizem o andamento da produção, desde “uma gambiarra no roteiro” pra permitir que tal cena se ajuste às condições do set, até “faz uma gambiarra pra colocar esse fresnel no teto” quando um Diretor de Fotografia pede à sua equipe de eletricistas e maquinistas para instalar um refletor no teto do set ;-)

        Responder

  • Reuel Almeida
    19/03/2013 em 12:40 pm

    Filmaço!!

    Responder

  • 21/02/2013 em 4:44 pm

    Tá aí um filme que preciso rever! Hal é um dos meus personagens favoritos!
    Bem que podia ter mais posts sobre filmes que falam/são/possuem curiosidades ou peculiaridades sobre fotografia… :)

    Adorei o post e quero uma lente Hal9000 pra mim!

    Responder

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