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E aí, conhece o APS, ou “sistema avançado de foto”?

por em 01/03/2013
 

Acima: Nikon Pronea S junto com um cartucho de APS – Foto por Thiago Ramos

Kodak Advantix, Konica Centuria, Agfa Futura e Fuji Nexia. Já ouviu falar de algum desses filmes? Pois bem, aqui vai uma histórinha de “não muito tempo atrás”.

Voltando à 1996, algumas empresas “pequenas” do ramo fotográfico se juntaram a fim de criar um filme fotográfico “à prova de burrices”, mais fácil de ser utilizado por amadores. Entre as empresas nessa parceria estavam Canon, Nikon, Minolta, Konica, Fuji, Kodak e Agfa. Nascia, então, o APS, sigla para Advanced Photo System.

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Classic Buick Le Sabre – Foto por Phillip Pessar / Câmera: Fujifilm Nexia Q1 – Filme: Kodak Advantix 200

O APS possuía cinco grandes vantagens:

  • Ele era um meio termo entre filmes 35mm e 110. Ou seja: ele tinha mais definição que o filme 110, mas seu tamanho físico era menor que o de um filme 35mm.
  • Você guardava o negativo dentro do próprio cartucho. Isso mesmo! Nada de álbuns para negativos ou de sujar com digitais o filme: o APS, após revelado, era devolvido ao fotógrafo no próprio cartucho.
  • Você conseguia distinguir quais filmes você já havia batido por inteiro, parcialmente, quais já haviam sido processados ou eram novos de acordo com indicações na parte inferior do cartucho.
  • Você podia produzir imagens em três formatos diferentes a partir de um mesmo rolo. APS-C, o formato convencional do 35mm, com proporção 3:2; APS-P, fotos panorâmicas, com proporção de 3:1; e, por último, APS-H, para fotos wide, com proporção de 16:9.
  • O filme não era capaz de gravar apenas a imagem. Da mesma forma que ele conseguia gravar a proporção escolhida pelo fotógrafo, ele também era capaz de gravar a data e o horário em que a foto foi tirada, além de informações como abertura e velocidade.

Mas como?! Que filme mágico é esse?

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Na ordem: 1 – não exposto; 2 – parcialmente exposto; 3 – totalmente exposto, mas não processado; 4 – filme processado

Calma! A explicação é bem simples: o filme APS era inteiro marcado magneticamente. Todos os cartuchos possuíam um código de barras (similar ao DX) que era lido pela câmera e pela máquina que processava o negativo antes de ser revelado no minilab. Todas as fotos eram batidas de forma com que ocupassem o quadro todo, no caso a proporção 16:9, mas o usuário escolhia a proporção… que era marcada magneticamente no filme. Assim, quando o laboratorista fosse imprimir as imagens, a própria máquina do minilab já apontava qual era a proporção escolhida pelo fotógrafo. Indo mais além, nada impedia um fotógrafo de voltar no laboratório e escolher que aquela foto que foi impressa com uma proporção fosse impressa com outra.

Apesar da grande maioria de câmeras que utilizavam APS serem compactas, a Minolta, a Canon e a Nikon produziram SLRs para o formato. O legal, aqui, é ver como cada empresa seguiu um rumo diferente: a Canon escolheu compartilhar o mount de suas SLRs 35m em suas SLRs de APS, enquanto a Nikon criou um mount novo, o IX, porém compatível com toda a linha F, utilizada em suas SLRs de 35mm. Já a Minolta desenhou um mount totalmente novo, não sendo compatível com suas objetivas da linha Alpha.

O legado do filme APS foi tão grande que até hoje ele vive, principalmente na suas digitais. Quem tem uma DSLR ou uma mirrorless já deve ter ouvido falar sobre fator de corte (crop factor) e tamanho de sensor, certo? Os sensores usados em câmeras não fullframes são chamados de APS-C, por terem exatamente as mesmas dimensões que uma imagem de proporção APS-C, e o mesmo fator de corte (1,6x na Canon, 1,5x nas câmeras da Nikon e Sony/Minolta) era causado usando lentes de 35mm em câmeras APS.

O APS foi extinto em 2011, quando a Fuji e a Kodak, as duas últimas fabricantes do formato, também encerraram sua fabricação. Mas você consegue encontrar o filme com uma certa facilidade, principalmente fora do Brasil. Ele era vendido em rolos de 15, 28 ou 40 exposições.

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comentários
 
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  • Marcello
    06/07/2015 em 12:32 pm

    Alguém em qualquer lugar do Brasil sabe onde ainda processa APS? Já tentei alguns lugares de Fortaleza e São Paulo e nada :/

    Responder

  • 14/03/2013 em 2:20 pm

    Dei meus primeiros passos na fotografia numa SLR APS da Minolta. Tenho até hoje ela em casa. O APS era uma ideia muito boa que chegou tarde e foi suplantada pelo digital.
    Abraço.

    Responder

  • Debora
    04/03/2013 em 11:31 am

    E se a pessoa tem o filme, a câmera.. onde pode processar o moço?

    Responder

    • 05/03/2013 em 10:00 pm

      Olha, boa parte dos laboratórios que processavam filme 35mm costumam ter o maquinário para processar APS. A química é a mesma, apenas a maneira de tirar o negativo e recolocá-lo que exige um equipamento especial.
      Ligue para os laboratórios da sua cidade e procure se informar a respeito. ;)

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  • Sarah
    02/03/2013 em 12:15 am

    Eu tenho uma fuji que usa filme aps e sou louca para usa-la mas nunca achei o filme aqui no rio nem mesmo no brasil pela internet.. Só fora do brasil mesmo :/

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