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Wet Plate: a fotografia mais artesanal que você pode querer fazer…

por em 12/03/2013
 

O processo de colódio úmido foi inventado pelo inglês Frederick Scott Archer (1813-1857) em 1848, mas difundido somente a partir de 1851. Este processo tinha esta denominação porque empregava o colódio (composto por partes iguais de éter e álcool numa solução de nitrato de celulose) como substância ligante para fazer aderir o nitrato de prata fotossensível à chapa de vidro que constituía a base do negativo. A exposição devia ser realizada com o negativo ainda úmido – donde a denominação colódio úmido – e a revelação devia ser efetuada logo após a tomada da fotografia.

Este foi o processo de confecção de negativos dominante durante a segunda metade do século XIX, porque, como usava chapas de vidro como base, produzia negativos bem mais nítidos e com maior gradação tonal do que os negativos de papel encerado empregados até então. Seu apogeu durou até o início da década de 1880, quando foi definitivamente substituído pelas chamadas placas secas, que haviam sido lançadas em 1871.

– Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais.

A técnica de wet plate, ou colódio úmido, não é para os fracos, nem para os ansiosos. É uma técnica que gasta muito tempo, dinheiro, e dá muito trabalho. É uma técnica muito, muito antiga e, por isso mesmo, se a alguns anos atrás você procurasse no google por imagens associadas a essa técnica, encontraria basicamente imagens bem antigas, com mais de cem anos de idade.

Mas isso mudou nos últimos anos. Se você fizer essa busca hoje, vai encontrar centenas de imagens recentes, algumas de projetos que estão inclusive ficando famosos, como o Siver & Light, do qual falamos aqui outro dia. Segundo Ellen Susan, que deu uma palestra sobre isso na B&H, e cujo video você vê aí em cima, alguns anos atrás haviam apenas umas mil pessoas usando essa técnica em todo o mundo. Hoje já são alguns milhares de pessoas.

Esse é o processo (ou um dos processos) mais artesanal que já vi. E, hoje em dia, é o processo perfeito pra quem está mais interessado no meio do que no fim, no processo do que no resultado. Pra quem quer fazer fotografia, e não simplesmente tirar uma foto, ou registrar um momento.

A grosso modo, o nome (wet plate = placa molhada) resume tudo. Você pega uma placa de metal, passa um produto que torna essa placa sensível à luz, coloca essa placa numa câmera, faz a foto como se fosse com filme, e depois revela essa placa. O resultado é que a imagem se forma na placa. Mas entenda que a placa não faz o papel nem de um negativo (que precisa ser ampliado) nem de uma ampliação (feita através de um negativo. A placa É a imagem final, positiva. Cada placa é única, cada imagem é única. E você molha a placa NA HORA de fazer a foto. Ela é exposta ainda molhada (daí o nome).

Enfim, é um processo pra poucos (eu mesmo confesso que tenho minhas dúvidas se conseguiria me dedicar a ele), mas absolutamente fantástico. Ele é conhecido também (como aparece na palestra/video) pela qualidade incrível das imagens (novamente, se não viu ainda, veja o post Siver & Light).

Agora… vamos a razão de eu ter colocado nesse post um video de uma palestra de mais de uma hora de duração, ao invés de trocentas imagens e links de videos rápidos e curtos: a palestra (do video) é uma palestra que eu adoraria ter assistido e adoraria poder um dia ministrar pros meus alunos. Apesar das esquisitices da palestrante, ela viaja bem pelo assunto, com metáforas, explicações básicas, exemplos… e essa uma hora passa rápido, como se a gente estivesse realmente naquele auditório assistindo a palestra. Foi por isso que escolhi esse video: porque ele não mostra apenas técnicamente como utilizar a técnica. Ela explica porque a técnica é legal, e mostra quem a usa bem.

Além do mais, se a técnica é pra quem tem paciência, taí um primeiro teste: se você não aguentar assistir pouco mais de sessenta minutos de uma palestra em video sobre esse tema, melhor pensar duas vezes sobre entrar nesse mundo… :-D

Apague as luzes, e bom video!

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comentários
 
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  • 09/07/2014 em 10:07 pm

    Legal ver o vídeo que eu dirigi sobre o John coffer por aqui. Saber que essa arte está sendo difundida aqui no Brasil foi exatamente a ideia deste documentário. Se alguem se interessar mais sobre o documentario e o processo entre em contato comigo. http://www.cristianomendes@msn.com

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  • 12/03/2013 em 10:15 pm

    Gostei do post.
    Vale a pena dar uma olhada nesse vídeo:

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  • 12/03/2013 em 2:32 pm

    Estou fazendo colódio úmido há pouco tempo no Brasil. Infelizmente é uma técnica para poucos devido as dificuldades do processo e a restrição e o perigo dos químicos. Mas o resultado é de um característica única.
    O processo originalmente foi criado com o vidro como suporte (ambrótipo) podendo ser um negativo ou um positivo. O ferrótipo (tendo uma chama de metal como suporte) foi concebido posteriormente e é apenas um positivo.
    Discordo de você quando diz que é para quem está mais interessado no meio do que no fim, mas apenas tem que se dedicar muito no meio pra chegar em um fim que você ache bom.
    A quem se interessar, tenho algumas imagens do processo no facebook:
    http://www.facebook.com/media/set/?set=a.532013446843737.1073741826.100001052592224&type=3

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    • 12/03/2013 em 10:04 pm

      Thomaz.
      Parabéns por você estar trabalhando com esta técnica. Realmente não é pra qualquer um. Mais uma vez parabéns.

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    • Vanclécio
      16/03/2013 em 11:13 am

      Olá Thomaz, onde você compra os materiais necessários? E parabéns pelo seu trabalho e por usar essa técnica.

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    • Mariana
      22/01/2014 em 3:56 am

      Olá Thomaz, estava doida para ver as suas imagens mas o conteúdo está indisponível, será que eu tenho que te adicionar para isso?
      Abraços,

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