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10 lições que William Eggleston me ensinou sobre street photography

por em 16/04/2013
 

© William Eggleston / Steidl

Opa, pessoal! Mais uma tradução aqui no Queimando Filme, e dessa vez vinda diretamente do blog do Eric Kim, street photographer. O texto é um belo artigo sobre a fotografia (em cores) de William Eggleston e as lições elas podem ensinar para você usar em suas fotografias. Apenas um aviso: o texto original era extremamente longo e com aspectos técnicos que talvez não interessem a muitos amadores. Esses trechos foram retirados da tradução de forma com que ele ficasse mais dinâmico. Estamos entendidos? Sem mais delongas, fica com a palavra aí, Eric. ;)

 

Eu escutei a respeito de William Eggleston através de um grande amigo e talentoso street photographer, Charlie Kirk, mais ou menos há um ano e meio. Ele havia dito que acabara de comprar uma cópia de “Chromes“, do Eggleston – e que era um de seus livros fotográficos favoritos. Eu perguntei para o Charlie sobre o que era o livro, e ele me respondeu que era um set de três livros, publicados pela Steidl (que eu considero a melhor editora do mundo), com algumas de suas fotos coloridas mais amáveis que, impressas no livro, parecem mais impressões em fine art do que reproduções.

Eu fiquei bastante empolgado em escutar isso pois estava me interessando mais e mais por fotografia colorida. Fiz a busca imediatamente no Amazon e quase caí da cadeira com o preço: US$300. Eu nunca gastei mais de US$100 em um livro fotográfico, e eu não sabia como levar o pensamento de gastar tanto em um livro.

chromes_steidl

Chromes, publicado pela Steidl.

Mas aí eu pensei comigo mesmo: se eu queria aprender mais a respeito de fotografia colorida, eu teria que investir nisso. Além disso, o livro, na verdade, são três livros, então acabaria custando em torno de US$100 por cada um. Não apenas isso, mas se as impressões realmente fossem tão boas quanto o Charlie comentou, seria como comprar 364 impressões por menos de US$1 por foto. Isso sem contar que, na pior das hipóteses, se eu odiasse o livro eu poderia devolvê-lo.

Eu respirei fundo, peguei meu cartão de crédito e fiz a compra. O livro chegou alguns dias depois e eu fiquei surpreso pelo peso que ele tinha. Ele veio em uma bela box de papelão e com um suporte que segura os três livros dentro do box. Assim como um estudante empolgado, eu abri o pacote (gentilmente) e retirei os livros de dentro.

A primeira coisa que eu senti foi o toque dos livros: era algo muito delicado, bem feito, daqueles que você percebe a qualidade de longe. Quando abri o livro, amei a textura do papel e as cores absolutamente implodiram em minha mente. Vermelhos intensos, roxos exóticos, verdes orgânicos. Mas eu estava meio desapontado.

Eu não “entendi” as fotografias. Por que Eggleston estava fotografando aquele monte de coisa aleatória? Suas fotos pareciam um monte de disparos aleatórios, fotografados sem muito pensamento ou convicção. Apenas as coisas banais e ordinárias do dia a dia. Eu queria me socar no estômago por ter gasto US$300 em um livro que não me interessava.

Eu, então, mandei uma mensagem para o Charlie, perguntando por que ele havia gostado do Chromes e que eu estava desapontado. Eu me recordo dele dizendo simplesmente “que as cores são lindas.” Ele não disse muita coisa após isso.

Determinado, eu voltei para o livro e decidi olhar para as cores, com cuidado e com tempo. Na primeira vez que eu olhei o Chromes, eu simplesmente passei pelas páginas, observando cada fotografia por menos de um segundo. Desta vez, eu fiz uma bela caneca de café, sentei numa tarde preguiçosa de domingo e analisei cada fotografia com todo o tempo necessário.

O que eu descobri me surpreendeu.

 

Eu logo comecei a gostar da visão de Eggleston. O que eu pensei ser, inicialmente, um monte de fotos estúpidas de coisas normais e chatas, era exatamente o que ele queria. Ele não estava interessado em fotografar “momentos decisivos”, como Bresson, nem em capturar personagens exóticos ou momentos extraordinários. Ele procurava encontrar a beleza nas coisas simples.

Não apenas isso, mas como Charlie me disse: as cores são absolutamente lindas. O livro é uma compilação de suas fotos não publicadas tiradas com Kodachrome (algumas com Ektachrome e Agfachrome) e as cores simplesmente pulam nos seus olhos. Elas são brilhantes, cheias de vida, e você consegue ver que Eggleston tem um belo de um conhecimento em teoria de cor. Suas fotos não são apenas um monte de cores aleatórias, mas sim um sútil contraste harmonioso. Por exemplo, muitas de suas fotografias possuem tons quentes no fundo (vermelho, laranja ou amarelo) enquanto o assunto das fotos normalmente é de uma cor bem fria (azul, verde ou violeta).

Além disso, boa parte das fotos apresentadas nos livros foram tiradas sob claridade. A maioria de suas fotos foi feita durante a “golden hour”, quando a luz é mais suave tanto ao nascer quanto ao pôr do Sol – o que faz as fotos brilharem com calor e beleza, e me fizeram apreciar a natureza de suas imagens.

Hoje eu sou um grande fã de William Eggleston. Eu amo sua filosofia sobre fotografar, assim como sua abordagem mais democrática, como ele encontra beleza no comum e seu olhar crítico capaz de encontrar as mais fascinantes combinações de cores. Muitas de suas fotos não possuem pessoas, mas eu acho que uma fotografia pode se tornar mais interessante sem elas. Uma simples lata de Coca-Cola no capô de um velho Ford no pôr do Sol pode parecer tão vivo quanto uma pessoa de verdade.

Para esse artigo, eu decidi compartilhar algumas das minhas lições pessoais sobre o trabalho de Eggleston. Eu sei que o próprio pode não concordar com muito do que eu tenho a dizer, mas isso é algo pessoal para mim. Eu espero que vocês percebam algumas coisas sobre o trabalho do Eggleston através das minhas experiências:

 

1. Fotografe democraticamente

Como street photographers, nós tendemos a procurar momentos extraordinários da vida. Nós queremos encontrar os personagens mais malucos, os gestos mais estranhos e momentos que aparentem ser surreais.

No entanto, Eggleston pegou essa convicção e a inverteu em sua cabeça. Ele não tem interesse nas coisas estranhas e malucas da vida, mas sim, das coisas monótonas, chatas, banais do dia a dia – e quis mostrar uma beleza incomum em coisas bem simples que nós costumamos subestimar.

A beleza da aproximação do Eggleston está no fato dele fotografar “democraticamente”, tratando todos os objetos como iguais. Ele não olha para o pôr do Sol e o considera mais especial que um secador de cabelo, ou mesmo uma privada suja com urina.

2. Fotografe a sua cidade natal

Eggleston passou boa parte dos últimos 50 anos documentando sua cidade natal, Memphis (no Tennessee). Eu nunca fui até Memphis, mas já ouvi dizer que é um lugar tedioso – foi isso que o fotógrafo Juergen Teller disse quando foi para lá pela primeira vez e o quão desapontado ele estava:

“Ele (Eggleston) é a  pessoa mais livre que eu conheci – ele faz tudo o que ele quer. E, sabe, se você for até Memphis, eu me desapontei muito quando cheguei lá. Era mais ou menos ‘meu Deus, que tédio’ – parece um lugar horrível. É muito calmo, nada acontece!”

Como fotógrafos, nós queremos sempre fotografar novelas – coisas que são extraordinárias e contam uma história. Nos acostumamos com a nossa vizinhança, nossa cidade, nossa vida rotineira. Nós sempre achamos que “a grama é mais verde no quintal vizinho” e que fotografar as ruas de Paris vai ser mais interessante que fotografar o bairro que nós vivemos. Eu conheço muitos fotógrafos que vivem em bairros afastados, e como não têm acesso a cidades grandes, como Chicago ou Nova Iorque, que eles não podem tirar fotografias interessantes.

Mas vamos ver o trabalho de Eggleston – o mestre em transformar o chato em interessante. Ele viveu no mesmo lugar por mais de 50 anos e ainda não se entediou do lugar. Ele fez boa parte de seu trabalho em Memphis e continua a fotografar todos os dias. Mesmo depois de tanto tempo documentando sua cidade natal, ele continua a achar motivação e paixão em encontrar partes da cidade que ele não descobriu ainda.

3. Cultive seu olhar

Eu acho que a qualidade mais importante de um street photographer deve ser seu olhar. Não importa o quão caro é seu equipamento ou o quanto de técnica você possua – se você não tiver um olhar treinado, suas fotos nunca serão interessantes.

Como Eggleston foi capaz de cultivar seu olhar? Bem, ele é bastante curioso sobre os objetos – e consegue ficar olhando por horas (mesmo sem fotografá-los). Sua filha, Andrea Eggleston, disse o seguinte:

“Suas fotografias indicam bem quem ele é e como vê a vida, e eu não percebi isso apenas com suas fotos, mas também pelo modo que ele observa as coisas, o que ele olha e o que ele percebe. Ele definitivamente possuí um olhar diferente. Já o peguei olhando por horas para um set de pratos chineses, mas sem qualquer valor significativo. É meio incomum, mas ao mesmo tempo fascinante.”

Martin Parr, fotógrafo renomado da agência Magnum, completa:

“O que você procura no trabalho de outros fotógrafos é um senso de visão – você consegue reconhecer o jeito de alguém fotografar olhando para suas fotografias. Parece algo fácil, mas na fotografia é uma das coisas mais difíceis de se fazer.

Se você quiser entender isso, entenda que Eggleston é um fotógrafo de fotógrafo, porque sua visão é praticamente indescritível. É muito mais difícil descrever que a visão da maioria das pessoas, porque se trata de fotografar democraticamente e fotografar nada tornando tudo interessante – e isso, para mim, é uma das coisas mais difíceis de se atingir.”

4. Veja o mundo em cores

A maioria dos street photographers fotografa em preto e branco. Por quê? Bom, há um sentimento de nostalgia que temos ao olhar para as fotos monocromáticas de Bresson: nos lembra do passado, quando as coisas eram mais “interessantes” e “românticas”.

Por muito tempo, o mundo fotográfico apenas considerou preto e branco como arte. Fotografar em cores era algo feio, vulgar. Nenhum fotógrafo sério fotografava colorido.

Para aqueles que experimentar fotografar em cores, eles tiveram um momento difícil. Eles estavam tão acostumados em fotografar em preto e branco que cores se tornou outra variável, deixando o trabalho de fotógrafo ainda mais difícil. Então, mesmo que esses fotógrafos estivessem fotografando em cores, eles estavam vendo o mundo em preto e branco.

John Szarkowski comentou sobre essa dificuldade no livro “William Eggleston’s Guide”, dividindo em duas principais razões: a primeira era que os fotógrafos da época não usavam as cores na fotografia para adicionar um resultado, eram simplesmente “jogadas” na imagem sem muita atenção; a segunda é que os mesmos fotógrafos falharam em ver as cores como algo bonito a se adicionar à uma imagem.

Não bastando apenas isso, os fotógrafos tinham uma dificuldade em ver o mundo em cores.

Mesmo assim, muitos fotógrafos da época conseguiram superar essa barreira e observaram o mundo de forma colorida – e Eggleston é, certamente, um desses fotógrafos.

 

5. Você será criticado

Qualquer artista ou fotógrafo revolucionário sempre foi criticado por tentar algo novo. Sempre que nos rebelarmos contra o comum haverá alguém para criticar e tentar manter as coisas do jeito que são.

Quando Eggleston fez sua primeira exposição fotográfica no MOMA, em Nova Iorque, no ano de 1976, ele foi de encontro a um monte de criticismo, negatividade e ódio. Um crítico de arte do New York Times citou que a exposição “era a mais odiável do ano.” Outro crítico chamou a exposição de “totalmente entediante e perfeitamente banal” (o que, ironicamente, sempre foi o ponto das fotografias de Eggleston).

Sendo entrevistado após sua primeira grande exposição, Eggleston não se deixou abalar pelas críticas. Ele percebem que havia feito algo radical, novo, moderno. Ele mesmo cita:

“Foi maravilhoso ter minha primeira grande exposição no MOMA. Fui extremamente reconhecido, apesar da maioria desse reconhecimento ter sido negativa. Eu realmente me senti mal por eles, porque era algo tão óbvio e eles não entenderam o que olhavam. O trabalho deles era entender: arte moderna, no Museu de Arte Moderna. E eles escreveram coisas bastante estúpidas. Só que meu trabalho foi reconhecido no mundo todo e, então, os críticos que haviam escrito tudo aquilo se desculparam porque estavam errados.”

6. Seja um sonhador

Uma das coisas mais fascinantes que eu descobri sobre Eggleston é o quanto ele é sonhador a respeito de sua fotografia, tanto figurativamente quanto literalmente. Em suas próprias palavras:

“Muitas vezes eu tenho esses ‘sonhos fotográficos.’ Eles são apenas um monte de fotos bonitas, uma atrás da outra – só que elas não existem. Pouco tempo depois e eu nem me lembro delas. Apenas me recordo de estar bastante feliz durante o sonho. E sempre em cores.”

Eggleston muitas vezes compartilhava esses sonhos com seu filho, Winston:

“Ele [Eggleston] me contava ‘eu tive um sonho fotográfico fantástico outra noite. Ele [Deus] estava me falando sobre todas essas cores envolvidas.’ Eu acredito que meu pai, de alguma forma, conseguiu incorporar esses sonhos em sua fotografia.”

7. Fotografe o presente

Sempre que olhamos para as fotos do passado, nós sentimos uma certa nostalgia. Eu costumava olhar várias fotos de Bresson e pensar “Cara, como eu queria ter vivido nos anos 20. Tudo parecia mais interessante.”

Entretanto eu acho que isso é algo em que não devemos cair. Por que não? Bem, tenho certeza que as coisas eram tão tediosas quanto para as pessoas que viviam nos anos 20. Mesmo quando Eggleston documentava Memphis do final dos anos 60 em diante, eu tenho certeza de que as pessoas da época não achavam que aquelas placas retrô da Coca-Cola ou carros clássicos com cauda de tubarão eram interessantes.

Então para onde Eggleston olha quando está fotografando? No documentário da BBC, Imagine, ele responde que foca no presente momento:

“Quando estou fotografando é uma pergunta difícil de responder. E o melhor que consegui chegar foi em ‘na vida, hoje.’ Eu não sei se acreditam em mim ou não, nem o que significa. [aponta para uma foto] Eu não sei o que dizer sobre aquilo, só sei dizer que foi hoje.”

8. Aceite a ajuda de outras pessoas para editar seu trabalho

É difícil para nós escolhermos nossas próprias fotografias. Sempre é bom ter uma segunda opinião, já que as outras pessoas normalmente são melhores em apontar quais são nossas melhores fotografias. Isso porque nós costumamos nos abraçar emocionalmente nossas imagens e não as julgamos num padrão mais objetivo.

No caso de Eggleston, ele recebeu muita ajuda de John Szarkowski. Eggleston chegou em Szarkowski com centenas de imagens, que Szarkowski resumiu em menos de 50 imagens.

Martin Parr compartilha a importância de ter Szarkowski editando as fotos de Eggleston, já que ele possuía muito mais experiência em edição do que Eggleston:

“Mais do que gosto pessoal, Szarkowski foi brilhante como curador ao encontrar essas imagens – Eggleston é um fotógrafo bastante prolífico, ou pelo menos era naquela época. Ele possuía milhares de fotos e não tinha a menor ideia de quais eram as melhores. Ele precisava de alguém para ajudá-lo a criar uma forma, criar algo que funcionasse.”

9. Não subestime nenhuma parte do quadro

Sempre que as pessoas pedem para eu editar/criticar suas imagens, ao invés de olhar para o assunto principal (o que a maioria das street photographers faz) eu costumo olhar para o fundo da imagem primeiro, buscando distrações ou detalhes interessantes.

Rosa Eggleston, esposa de Eggleston, compartilha uma anedota interessante sobre uma conversa que teve com William sobre não subestimar nada em uma fotografia:

“Uma coisa que eu nunca esquecerei foi o que ele [Eggleston] me disse: ‘Nunca subestime nenhuma parte da imagem quando estiver olhando para uma fotografia. Nunca faça isso. Cada pedacinho dessa imagem funciona e conta como um todo.'”

Eggleston sempre priorizou a composição de suas fotografias quando se trata de “construir” uma imagem, e boa parte dessa inspiração veio do Bresson:

“Eu tinha um amigo que também era bastante interessado em fotografia, e certa vez ele comprou vários livros sobre fotojornalismo e eles não eram interessantes para mim. Mas eu acabei vendo um dos livros [“O Momento Decisivo”, de Henri Cartier-Bresson] e pensei ‘meu Deus, isso não é fotojornalismo – isso é arte.’ A composição, traços claros de conhecimento de pintura… O jeito de construir uma imagem.”

Quando eu olhei para o trabalho de Eggleston pela primeira vez, eu achei suas composições chatas e tediosas. Entretanto isso ocorreu porque eu não analisei as fotos com tempo. Se você olhar com atenção para o fundo de suas imagens, sempre há pequenos detalhes fascinantes. Algumas de suas fotos são cortadas em locais estranhos e não usuais, mas isso faz parte de seu diferencial artístico – e Eggleston coloca bastante enfase sempre que vai fazer uma imagem. Por causa desse seu estilo tão intencional, ele apenas fotografa uma vez por cena. Em suas próprias palavras:

“Eu tenho uma meta pessoal de tirar apenas uma foto de um objeto. Não duas. Se eu tirar mais que uma foto, eu acabo me confundindo depois, sempre tentando adivinhar qual será a melhor imagem. Eu pensei ‘isso é ridículo, vou tirar apenas uma foto.'”

10. Melhore aos poucos, um dia após o outro

Não existem atalhos quando queremos nos aperfeiçoar ao máximo em alguma habilidade, e isso certamente se aplica à fotografia. Melhorar como fotógrafo é algo lento, uma jornada gradual – você não pode esperar resultados da noite para o dia.

A mesma coisa é válida para a fotografia de rua. Você não vai melhorar sua confiança, suas composições, tampouco criar imagens melhores com apenas um ou dois dias de prática. Nós colocamos tempo, energia e persistência para criarmos imagens memoráveis.

Uma das coisas mais fascinantes sobre Eggleston é que ele não é apenas um fotógrafo faminto por imagens, mas também um músico que adora tocar piano. E o que isso tem a ver com o assunto? Bem, ele aprendeu a tocar piano um dia após o outro, e com o tempo acabou ficando bom. Não apenas isso, mas ele faz uma analogia sobre o instrumento usando a fotografia como referência:

“Sem instrução alguma, numa idade precoce, eu já tocava piano. Qualquer coisa, apenas precisava escutar uma vez. Não lia partituras. Eu sempre me sentava no piano que tínhamos em casa e ficava um bom tempo nele, tentando tocar alguma coisa – sem sucesso. Mas com o tempo eu fui melhorando, melhorando, e o tempo foi passando. E eu nunca toquei a mesma música mais de uma vez. Não é muito diferente do jeito que eu fotografo hoje.”

 

Conclusão

William Eggleston, quer você ame-o ou não, é um dos pioneiros na fotografia em cores. O que ele fez na sua época foi meio radical – não fotografar em preto e branco como outros fotógrafos “sérios” faziam.

Mas ele não decidiu fotografar em cores porque queria fama ou algo do tipo. Ele simplesmente achou que a fotografia em cores seria um desafio maior e mais fascinante. Ele não reclamou que vivia em uma parte tediosa do sul do país ao invés de morar em um lugar “interessante” como Nova Iorque. Ao invés disso, ele focou em documentar sua própria cidade natal de maneira unica e pessoal, fotografando todos os dias e procurando por luzes brilhantes e cores que  faziam sua comunidade unica.

Existem várias lições que podemos aprender de Eggleston e sua aproximação com a fotografia. Quer você ame ou odeie seu trabalho, isso não importa. O que eu acho importante é que você pelo menos aprecie o que ele fez pela fotografia, e como acabou influenciando street photographers por todo o mundo.

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comentários
 
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  • 22/03/2014 em 12:27 pm

    Muito bom ,

    Me identifiquei muito com o estilo de fotografia dele.

    Responder

  • Isa
    14/09/2013 em 1:10 pm

    Típica frase: Beleza de chorar.

    Responder

  • Danilo
    17/04/2013 em 8:43 pm

    Muito bom o artigo, engraçado como eu não conhecia o trabalho de Eggleston até ler esta matéria, e ao mesmo tempo me identificando com suas fotografias e seu estilo de fotografar, que além de ser único é um dos que eu mais gosto, fotografar coisas banais, que passam despercebidas pela maioria das pessoas, a parte sobre crítica é bem isso mesmo, principalmente de leigos, do tipo – Por que vc está fotografando essa placa enferrujada?
    enfim, street photography é isso, tudo é possível!

    Responder

  • 16/04/2013 em 8:14 pm

    Adorei o artigo. Obrigada por compartilhar. Se precisar de revisora da tradução do inglês, posso contribuir te ajudando. Um abraço

    Responder

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