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Stefanie Schneider: Uma inspiração para se reinventar

por em 06/05/2013
 

Não é novidade que algumas pessoas gostam e usam filmes expirados em busca de experiências/desafios para suas fotos, e claro, pela variedade de tonalidades que o tempo, forma de conservação, validade etc podem afetar no filme.

Stefanie-Schneider-The_EndCom tantos tipos diferentes, hoje estou aqui para apresentar um pouco sobre o trabalho da fotógrafa alemã Stefanie Schneider. Stefanie usa filmes de polaroid expirados para criar atmosferas surreais e únicas devido à deterioração dos químicos que compõem o filme instantâneo. Muitas de suas fotografias lembram stills desbotados de filmes produzidos em câmeras antigas como a Super 8, e não só isso, mas o modo que ela compõe os cenários a serem registrados também sugere uma interpretação ou influência cinematográfica bem acentuada.

Sua técnica consiste exatamente em trabalhar em cima da instabilidade das cores, texturas e contraste que variam de filme pra filme conforme seu estado. O resultado é sempre diferente e interessante, as tonalidades presentes na maioria de suas fotografias são um dos elementos que mais chamam a atenção: Manchas amareladas, tons de azul, pouca ou muita saturação ajudam a montar juntamente com suas preferências de composição oportunidades de diferentes narrativas, entrando em campos como sonhos, desejos, memórias, medos…

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Posso adivinhar? Vocês devem estar pensando que ela não está a fazer grande coisa, não é? Já que muitas pessoas compram os filmes da Impossible Project interessados justamente neste padrão de qualidade das imagens. Diversos lotes de filmes da Impossible eram mais tentativas quase às escuras de “acertar” na composição de químicos e blablabla do que um produto finalizado e satisfatório, gerando estes “defeitos” e características que estão sendo citados e observados aqui, nas fotos de Stefanie, logo, o que há de tão diferente no que ela faz e… Calma, eu explico.

Lá pelo começo dos anos 2000 (ou até previamente, é mais provável!), antes da Impossible Project surgir e disponibilizar filmes de características defeituosas duvidosas e “exóticas” a fim de substituir os falecidos originais da Polaroid que todo mundo já está familiarizado, Stefanie já experimentava renovar padrões pré-estabelecidos, como usar um material considerado inválido, se aproveitar dos aspectos visuais alterados que filmes polaroid expirados (ou dos temperamentais da Impossible Project, alguns anos mais tarde) poderiam oferecer e como ela os usaria a seu favor.

Sem Instagram ou actions modernosos de PS para explorar as possibilidade de efeitos em fotos, antes da “moda Polaroid” vier à tona novamente, Stefanie já aproveitava daquilo que era descartado pela maioria das pessoas: Os tais filmes expirados. Uma vez que a Polaroid já havia anunciado o encerramento de produção, era só isso mesmo que sobraria, filmes fora de validade, a diferença entre ela e algumas pessoas que automaticamente já jogavam os filmes fora é que ela encontrou lugar quentinho e agradável em seu laboratório pessoal para os desprezados, e em retorno estes lhe proporcionaram uma linguagem rica em narrativas e interpretações, uma bela troca com alguém de mente aberta e ativa.

lCom material que muitos consideram lixo ou inutilizável, Stefanie Schneider reutiliza e renova significados com seus filmes alterados, em um humor inevitavelmente retrô, exagera em componentes, trajes e ambientações que certas horas emanam um clima nostálgico e doce e em outras um pop agressivo, com toque sensual e ousado.

Não tenho certeza se Stefanie utiliza dos filmes da Impossible Project (não duvidaria nada que use e muito), porém, em tempos que a empresa ainda não havia crescido e acendido novamente o interesse à fotografia instantânea, a fotógrafa alemã já inventava e reinventava suas práticas com o que ainda sobrara das antigas fabricações pela Polaroid. Stefanie Schneider (e muitos outros artistas) enxergou além, foi além com o que aparentemente poderiam oferecer à ela e as limitações que estes detinham, e é esta a ideia que acredito muito dos posts aqui do Queimando Filme encorajam a fazer: o desafio a si mesmo, sair da sua zona de conforto e ter a possibilidade de crescer, criar, experimentar.

tumblr_lxpq4vzbEn1qzhl9eo1_1280Em resumo, eu também me aproveito da oportunidade e me coloco em posição de estimular a todos a se atreverem sempre, assim como Stefanie. Se questionar – “será que posso fazer mais?“, “como?“, “por quê?” são indagações que exercitam a imaginação e instigam o “pôr a mão na massa”.

Esta é uma receita básica, mas que se modifica para cada um, resultando em coisas incríveis, inovadoras e prazerosas tanto para seu criador quanto para quem observa.

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comentários
 
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  • 16/11/2013 em 1:40 am

    thank you for the article! i’m glad somebody finally realized i was there before impossible. doc actually visited my studio in berlin years before they bought the factory in the netherlands and said the reason why that wanted to save polaroid was beause they loved my work. they always promised to support my “29 palms, ca” project but then they never did. have you seen my last film “the girl behind the white picket fence” >> heatherdreams.com ? 4000 polaroids edited into a story line. and yes, ive used impossible films on a few occations but mostly i’m still using the rest batches of my polaroid films.

    Responder

    • 16/11/2013 em 1:27 pm

      Hi Stefanie! Great to see you here with us! Thank’s to Google I guess… :-)

      I’ll let your fan and post author Larice answer your comments properly. I am sure she wiil, be thrilled with your comments.

      In my name and in the name of all the collaborators, please make yourself at home at Queimando Filme!

      Responder

    • 17/11/2013 em 12:50 am

      Stefanie, what a great pleasure to see you here! Indeed, I was very happy when I saw that somehow you found this post. “The Girl behing the white Picket Fence” is awesome, I’ve appreciated your line of work since the first time I’ve found it on the internet, and one of the first things I thought when I was writing the article was about the fact that you really started all before the “boom” of the Impossible, and how cool was that. What can I say? Thanks for your feedback and keep doing such a great job!

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  • 16/11/2013 em 1:37 am

    thank you for the article! i’m glad somebody finally realized i was there before impossible. doc actually visited my studio in berlin years before they bought the factory in the netherlands and said the reason why that wanted to save polaroid was my work. have you seen my film “the girl behind the white picket fence” >> heatherdreams.com ? 4000 polaroids edited into a story line. and yes, ive used impossible films on a few occations but mostly i’m still using the rest batches of my polaroid films.

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