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Livros Legais: A Visão do Fotógrafo, de Michael Freeman

por em 10/05/2013
 

Foto acima: da série Dream/Life, 2001, por Trent Parke. Bastanjte citada no livro…

Primeiro veio “O Olho do Fotógrafo” que, meio desconfiado, li e fiz o review. Seis meses depois, já cusioso, veio “A Mente do Fotógrafo”, que li com carinho, e novamente fiz o review, dessa vez já sem medo de elogiar o autor, que já tinha me conquistado com sua visão democrática, simples e equilibrada entre o técnico, o conceitual e o criativo. E agora, pra fechar a trilogia de livros (até que venha um quarto, e digamos que ele veio pra fechar a quadrilogia…), caí dentro do “A Visão do Fotógrafo”. E, finalmente, sem a menor vergonha na cara, afirmo: virei fã do cara.

Não vou aqui ficar resumindo novamente os dois livros anteriores (sugiro que você leia os reviews deles aqui e aqui), mas comparar é importante pra entender como eles se completam: o primeiro fala de o que o fotógrafo vê quando está fotografando, e o segundo fala do que o fotógrafo pensa quando está fotografando. Já esse terceiro faz uma curva de cantar pneu e fala sobre o que o fotógrafo vê e pensa… enquanto está VENDO uma foto.

8305.aspxAgora diz… que outro livro desse tipo – sem ser acadêmico, estilo Susan Sontag – você já viu, que te ajuda a entender a fotografia que você vê todos os dias, seja no Facebook, no Twitter, no Google Art Project, ou no Louvre? Certamente existem… mas concorda que são raros, e mais raros ainda os bons?

“Ok…ok… já entendi que o livro é legal. Agora fala um pouco mais sobre como ele é!”

Ó, ele é assim: começa te tranquilizando sobre vários aspectos, principalmente sobre o (chatíssimo) debate do que é e o que não é fotografia (não vou fazer spoiler do que ele diz… mas é um ponto de vista do qual compartilho :-). Em seguida tenta organizar a forma de ver e entender a fotografia, tratando de pontos como “em que consiste uma boa fotografia” e “o público importa”? Mas faz isso de forma madura, pouco opinativa, e sempre construtiva. Ou seja, não diz “é assim porque sim, e pronto!” em nenhum momento. Ao contrário, te dá elementos pra você chegar à sua própria resposta (novamente, sem cair em textos longos e cansativos sobre conceitos acadêmicos centenários ou revolucionários).

Em seguida ele vai se tornando mais prático no sentido de te ajudar a entender a fotografia. Tenta dividir as fotografias (apenas pra te ajudar a entender o propósito da fotografia em questão) em gêneros (paisagem, fotojornalismo, científica) sem perder o foco no fato de que não existem definições perfeitas, segue perguntando o porque daquela fotografia ter sido feita, questionando o momento histórico em que foi feita e, finalmente, o efeito que aquela foto teve, pode vir a ter, ou deveria ter em quem a vê.

Ou seja, o livro te pega pela mão, te dá um chá de camomila e te ajuda a entender o que você sente quando vê uma foto, mesmo que não sinta nada. E faz isso sempre de forma muito ilustrada, exemplificada, e sem enrolações, como numa boa conversa entre amigos. O resultado é que – diferente do que ocorre ao final do “A Mente do Fotógrafo” (vide o final do review que fiz), ao final desse livro aqui, você se sente mais tranquilo com suas dúvidas e inseguranças (e por ter dúvidas e inseguranças!), e mais preparado pra pensar sozinho sobre o que você acha que aquela fotografia significa e representa (sim, porque significar e representar são coisas diferentes).

Assim como os anteriores, acho que esse livro nem é só pra fotógrafos, mas pra todos que curtem fotografia, nem que seja só via Instagram. É um daqueles livros pra se ler com calma, curtindo, pensando, conversando com os amigos e até – porque não? – pulando capítulos ou páginas que não te interessem muito (se bem que eu acho que você não vai conseguir fazer isso ;-)

E, pra terminar, se você – como eu – ficou com vontade de conhecer mais sobre o autor, e ver o que mais ele já escreveu, cuidado pra não cair pra trás quando acessar esse link! E comecem comigo a campanha pra Editora Bookman continuar traduzindo os livros dele \o/

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