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Depoimento: O dia em que eu usei uma Leica… e fiquei desapontado

por em 11/05/2013
 

Não, o texto a seguir não se trata de uma cruzada contra uma das empresas mais clássicas do ramo da fotografia – tampouco um texto que vai falar mal de graça de uma de suas criações. Peço um pouco de paciência e que os fanboys da Leica leiam tudo até o final. ;)

Desde que eu resolvi pegar sério na fotografia e aprender, eu fiz Senac quando a transição para o digital ainda era uma incerteza – e uma Rebel D custava quase dois mil obamas dólares. Ou seja, eu aprendi a fotografar com filme e mexi nas mais diversas câmeras. Não que eu seja extremamente orgulhoso disso, ou que queira esfregar na cara de vocês, leitores do site. O que eu quero é mostrar que o que eu vou dizer realmente é pessoal. O texto todo tem um fundamento bem pessoal. É quase a história de uma vida.

Enfim, voltando ao Senac: tive contato com as mais diversas câmeras no período em que eu estudei, desde Pentax 67 até Yashica Lynx, passando pelas mais diversas (e adversas) SLRs e compactas “avançadas”. E como o digital ainda era uma incógnita, duas câmeras chamavam bastante a atenção na época: as Leica R8 e R9. O motivo? Elas eram SLRs de filme, mas, ao mesmo tempo, eram digitais.

Como? Simples: as Leica R8 e R9 tiveram, dentre sua enorme gama de acessórios, um back digital chamado “Digital Modul R”. Era a aposta da Leica: se o digital vingasse, os fotógrafos teriam um acessório a parte e continuariam usando a mesma câmera, tornando-a digital; caso contrário, o fotógrafo continuaria utilizando-a de forma analógica.

Além disso, elas eram (são, na verdade) SLRs lindas – principalmente a Leica R9. Não preciso nem dizer que eu já conhecia toda a fama das Leicas na época, principalmente da série M, e ao conhecer a série R, uma chama se acendeu em mim: eu queria ter uma SLR da Leica.

Leica R9

Leica R9, back in black, sendo o que ela sempre foi: toda linda

Esse desejo permaneceu ao longo dos anos. Sabe, tipo paixão platônica adolescente? Você se apaixona por uma garota, sabe que nunca vai tê-la, toca sua vida como pode e bola pra frente.

A garota que eu nunca teria, no caso, era a Leica R9.

Dê um salto de uns bons anos e você vai perceber que eu toquei a vida: entrei em um “relacionamento sério” com a Canon – tanto em filme quanto digital. Continuo fotografando. Continuo lendo e relendo sobre câmeras de outras marcas. Mas a Leica R9 está lá, dentro do coração, em algum cantinho.

Quando eu voltei a fotografar com filme, após o digital ter se estabelecido, eu fui atrás de uma Leica R. Nunca achei nenhuma R9, tampouco a R8. Fui atrás e nada. Acabei conhecendo toda a linha R na esperança de ir atrás de uma Leica R. Pesquisei sobre. Nada. Até que eu desencanei. Se um dia aparecesse, eu compraria. Se não, ok.

Pois bem, e qual não foi minha surpresa quando uma amiga minha, a filmmaker Mariara Freitas, me mandou um Whatsapp com a seguinte pergunta: “Quanto custa uma Leica R4?” Eu li, reli, fiquei me perguntando porque ela estava me perguntando isso e… Respondi. Fiz uma busca rápida no Mercado Livre e no Ebay, ponderei uma média e respondi “uns R$2.500 sem a lente, uns R$3.500 com a 50mm f/2”. Na hora ela me respondeu com um “wow”, seguido de um “acabei de ganhar uma.” Não vou entrar nos méritos do que aconteceu pra ela ganhar essa câmera, pois isso é motivo para outro post – que eu quero que ela própria escreva -, só vou direto ao ponto: ela ganhou uma Leica R4 (a R4s, para ser mais exato) e, logicamente, eu fui tirar uma casquinha.

bradpitt

Eu me senti assim quando segurei a Leica R4s pela primeira vez

Nos encontramos numa segunda-feira. Ela me mostrou a câmera e eu a achei, numa primeira olhada, linda. Quer dizer, “maravilhosa” é um adjetivo melhor. O peso da câmera é na medida certa: nem tão pesada, mas nem tão leve. Ela é ergonomicamente sensacional de se usar. Tem pegada. Mas o encanto durou só até eu colocar o olho no viewfinder – que decepção.

Não, o viewfinder não é inferior ao de nenhuma outra câmera. Só que ele também não é superior. É simplesmente… Igual. Igual sua Canon, sua Nikon, sua Zenit – ou seja, lugar comum, você consegue esquecer completamente que está com uma Leica na mão.Ela é bem longe do que é uma Leica M – o sinônimo da perfeição. Ela é bem longe, assim, anos luz. Eu me desapontei.

Mesmo assim, usei a câmera. Fiz algumas fotos da Mariara, e a unica coisa que me encantava na câmera era o meu subconsciente dizendo “você tá com a Leica que sempre quis na mão!” Mas, na real, tava bem escancarado, com letreiros de neon, que a câmera não era nada demais. E isso foi o que me desapontou: eu esperava muito da câmera, justamente por ser uma Leica – e aparentemente tudo o que eles queriam era uma câmera como outra qualquer. 

Fazer o que, né? Bola pra frente. Espero que, pelo menos, as fotos que eu fiz fiquem bacanas – quem sabe a ótica das lentes não apague um pouco do choque de realidade que a R4s deu em mim. Ou quem sabe alguém não aparece com uma Leica R9 e toda a minha opinião mude acerca dessa linha.

—————————–

UPDATE (antes mesmo do post ir ao ar, mas é assim que a coisa funciona):

Aqui tem uma das fotos que eu fiz da dona da câmera, a Mariara.

Mariara Freitas

Mariara Freitas | Foto: Bruno Massao (Leica R4s + Leica Summicron R 50mm f/2 – Kodak Gold 200)

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comentários
 
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  • Martin
    05/04/2014 em 9:04 pm

    A R4 não é “bem” Leica. O mecanismo é Copal. Se não me engano tem dedo da Minolta no design. Era montada em Portugal. As lentes, apernas, são Leitz.

    Das reflex acho legais as Leicaflex antigas, realmente agradáveis de utilizar (especialmente a SL2). Mas fico mesmo com as de telêmtro…

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  • Ricardo
    27/05/2013 em 11:04 am

    Olha, vou te dizer uma coisa, tive a oportunidade de usar uma R8 sem o tal Modul-R e vou te dizer uma coisa: não parece “a” Leica. E isso é estranho.

    É estranho porque a coloca num patamar de comparação inevitável com outras SLR, coisa que a Leica sempre correu por fora sendo uma rangefinder.

    E a partir do momento que vc compara o que era incomparável, perde o encanto.

    Mas isso só do lado psicológico, pq a máquina é ótima, e jamais me interessaria em desparafusar a máquina para adicionar o “back”.

    Aliás, se a dona não quiser a R4, tem quem quer, viu? (rsrsrs)

    Responder

  • 19/05/2013 em 11:18 pm

    Sou apaixonado por Leica, tive algumas, mas so sobrou uma M7 Com uma Mate Tri elmar 28 35 50, meu segundo filho.
    Leica e uma grife. Claro, que pensando na otica, mecanica e construção, se encaixa mais em obra de arte. Mas só isso.
    É uma camera ruim de focar e nao pratica. Durante a decada de 60 seu sistema foi deixado de lado por esses motivo e alguns outros tbm.
    Eu a admiro e respeito, e para criar essa paixao, somente tendo uma e entendendo ela.
    É uma camera com alma, precisa entede-la, é como mulher saca….rs
    Agora quer uma camera analogica facil de trabalhar, simples e nao deixa na mao, FM2 da Nikon!
    abraçao

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  • mateus
    18/05/2013 em 8:18 pm

    alem das leicas r8 e r9, tem algum outro modelo que seja digital e analogica?

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  • vinicius
    17/05/2013 em 11:28 pm

    a camera não sei mais a mariana é ótema.

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  • mateus
    16/05/2013 em 2:44 pm

    além das leicas r8 e r9, exite outra câmera que seja analógica e digital ao mesmo tempo?

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    • 17/05/2013 em 2:44 pm

      Boa parte das câmeras de médio formato “ganharam” backs digitais, mas é um acessório bem caro (tipo, CARO MESMO) e você pode converter de volta pra filme a hora que quiser. ;}

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  • 14/05/2013 em 9:37 pm

    Ufa, comecei o post achando que vc ia dizer que alguma Leica M te desapontou. Mas foi com uma R… ah, nunca liguei pra ela mesmo!

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  • Silvano Rocha
    12/05/2013 em 8:51 am

    Bruno, belo post e como falou o Yago, o que faz uma bela foto é o fotógrafo. Também já peguei uma na mão e não gostei do viewfinder (também, depois de usar a OM-1 :)), mas a foto que tiraste fala por si só, pena que está em tamanho pequeno e não dá pra ter noção da qualidade, olhando assim em tamanho pequeno dá pra dizer que uma Zuiko 50/1.4 ou uma nikkor 105/2.5 ficam iguais até no formato ovalado do bokeh com a lente aberta, principalmente a nikkor 105/2.5, achei muito parecido.

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    • 12/05/2013 em 1:09 pm

      Opa, Silvano! Valeu pelo elogio! :}

      Olha, a foto aqui no site eu subi em baixa porque peguei direto do Facebook da Mariara (era o que eu tinha na mão na hora), mas no meu 500px tem a foto com uma resolução melhor: http://500px.com/photo/33471829

      Pena que o filme não condiz tanto com a câmera (acho um dos piores filmes que a Kodak já produziu), mas em breve vou fotografar com essa mesma câmera e utilizando um filme melhor. Vamos ver como ela se porta nessa segunda vez. :D

      Valeu pelo comentário!

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  • yago
    11/05/2013 em 2:58 pm

    O que ressalta ainda mais que o que faz uma boa foto é o fotógrafo, não a máquina!

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