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Manipulação e fotografia: de mãos dadas desde… SEMPRE

por em 14/05/2013
 

Antes mesmo de virar colaborador do site, um dos posts que eu mais gostei, foi esse aqui que o André escreveu. Porque eu realmente achava que não existia de forma alguma um tipo de manipulação, montagem, etc na fotografia analógica. Que essa era a forma mais pura de se fotografar. Engano meu e de muitos.

Então resolvi falar um pouco mais sobre a manipulação na fotografia analógica, mas não sobre contraste, brilho, etc, mas sim de manipulações que causam/causaram muita polêmica. E vou dividir esse tema em duas partes: A primeira, que vamos ver hoje, é sobre fotos encenadas. A segunda, sobre fotos manipuladas no laboratório, nada mais nada menos do que o Photoshop da época da sua vó.

Lembrando que no meu primeiro post eu falei um pouco sobre a foto “Morte de um miliciano” do Robert Capa, então clica aqui antes de continuar.

Já leu? Ok, vamos viajar no tempo agora.

A primeira foto vou que mostrar é de um cara chamado Hippolyte Bayard, a foto foi tirada em 1840 (isso mesmo, mil oitocentos e quarenta!!), e se chama “Self-portrait as a Drowned Man” (auto-retrato de um afogado, em tradução livre). O cara da foto é o próprio Bayard, que quis registrar seu “suicídio”. Não, ele não se matou de verdade, isso foi uma forma de protesto.

Lá pelos anos 1830, aconteceu uma disputa pra ver quem seria o primeiro a aperfeiçoar o processo fotográfico e, como alguns devem saber, o grande vencedor dessa disputa foi Louis Daguerre, o primeiro a patentear o processo. Mas nosso amigo Bayard, na mesma época inventou um processo diferente, chamado “impressão positiva direta”, só que ele não ficou famoso, muito menos rico como Daguerre e nem teve um apoio do Governo Francês. Então Bayard ficou muito #chatiado, e resolveu tirar o que hoje é conhecida como a ‘primeira foto encenada do mundo’, e ainda escreveu no verso:

“O cadáver que você vê aqui é de M. Bayard, inventor do processo que está sendo mostrado para você. Eu sei o quanto este incansável pesquisador  ocupou-se por 3 anos por essa descoberta. O Governo que só tem sido generoso com o senhor Daguerre, disse que não pode fazer nada pelo senhor Bayard, e o pobre miserável se afogou. Ah, os caprichos da vida humana! Ele esteve no necrotério por vários dias e ninguém o reconheceu. Senhoras e senhores, é melhor passar adiante por medo de ofender o olfato, pois, como vocês podem observar, as mãos do cavalheiro estão começando a decompor.”

Self-portrait as a drowned man

Já ouviu falar na lenda do Monstro do Lago Ness? Pois é. A próxima, acho que é mais conhecida, mas não ‘menos bizarra’. É conhecida como The Surgeon’s photo.

Pessoas afirmam que nesse lago na Escócia vive uma espécie de monstro, mas ninguém nunca conseguiu provar, mas até que em abril de 1934, um tiozinho chamado Robert Wilson estava dando andando de carro próximo ao lago e viu um movimento estranho na água, parou imediatamente, desceu do carro e fotografou o que parecia o pescoço do monstro fora d’água. Era a prova de que o monstro existia.

Mas o próprio Robert nunca quis ter seu nome associado a essa foto. Por que será? Imaginem a polêmica que essa foto deve ter causado. Foram anos e anos de investigações, chegaram a dizer que aquilo não passava de um elefante (what?), ou algum tipo de animal marinho. E então descobriram que aquela foto, na verdade, foi ‘cropada’ para dar um close e a impressão que o monstro era gigante, mas na verdade a foto foi tirada de longe, o que dava pra ver só um pequeno pescoço/cabeça na água e chegaram a conclusão de que não era um monstro devido ao tamanho. Até que em 1994 a verdade veio à tona. Um homem chamada Christian Spurling , confessou que teria colocado no lago um submarino de brinquedo com um pescoço feito por ele, com ajuda de seu padrasto e do Robert Wilson para ser o fotógrafo.

Surgeon's photo

Mistério resolvido, nada de monstro.

Nossa última foto é muito mais famosa do que as duas de cima, na verdade é uma das fotos mais famosas do mundo, foi tirada por Robert Doisneau. O André já até falou aqui, sobre um dos livros dele.

Essa é a foto O beijo do Hotel De Ville, tirada em 1950. A foto basicamente tem um casal se beijando como se estivessem sozinhos em uma rua de Paris, enquanto as pessoas continuam passando por ali.

Doisneau afirmou ter sido uma fotografia espontânea. Maaaas em 1988, Jean-Louis e Denise Lavergne viram a foto na TV e se reconheceram como o casal da foto. O que eles fizeram? Entraram com um processo contra o fotógrafo. Então, Doisneau confessou ter mentido que o casal da foto foi contratado por ele, para posar para uma foto que ele iria fazer para a revista Life. É… a casa caiu mermão. Mas vale lembrar que os dois espertinhos que tentaram se passar pelo casal, não receberam nada.

Claro, que não dá pra listar aqui todos os casos conhecidos, senão ia ficar um post gigante. Mas conta pra gente, que outro caso curioso você conhece? Comenta aí.

E no próximo post, vou falar de algumas montagens feitas em fotos da época que não existia nenhum software pra isso. E tenho certeza que vou te convencer (ou não) a parar de torcer o nariz para seu amigo que usa photoshop nas fotos tiradas com câmeras analógicas.

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