5comentários

Opinião: Desconstruindo a regra “não pense” da Lomography

por em 17/05/2013
 

Antes de iniciar esse post, gostaria de ressaltar uma coisa: esse post NÃO é um boicote aos produtos da Lomography, mas sim um boicote à sua afobação, como usuário iniciante, que acabou de comprar sua Diana (ou Fisheye, ou La Sardina, ou qualquer que seja a “lomo” que você tenha escolhido), enfiou um filme na câmera e tá fotografando tudo por aí.

Ok, me chamem do que quiser, mas uma coisa é clara: a primeira reclamação de qualquer pessoa que começa a mexer com “lomografia” (que fique bem claro que eu ODEIO esse termo, já que o fundamento de qualquer câmera da Lomography é o mesmo de qualquer câmera fotográfica “normal”) é sobre a quantidade de fotos que perdeu no primeiro rolo de filme. Mas assim, você que já teve uma experiência desagradável, já parou para pensar na razão disso ter acontecido?

Vamos aos fatos: qualquer pessoa que mexe com fotografia analógica – e principalmente lomo – há algum tempo já deve ter parado para ler as “10 regras de ouro da lomografia”.

31830004

Bia | Foto: Bruno Massao (Lomography Fisheye #2 + Lomography Xprochrome 100 -em xpro)

Apesar de ter algumas regras interessantes (carregar sua câmera para todo lugar é uma delas), existe uma, em particular, que me irrita profundamente: a regra número 6, “não pense”.

Sim, ela me irrita. E por vários motivos.

As regras da Lomography foram pensadas com a LC-A em mente, e o grande problema é que as pessoas assumem que elas são válidas para todas as câmeras da marca – o que está bem longe de ser verdade. A LC-A é a câmera mais foda da Lomography – e fim de papo. Ela é a única “lomo” que não é considerada uma “toy camera”, sendo uma das únicas que possuí um fotômetro embutido (a outra sendo a Belair). Entendeu o motivo dessas 10 regras não serem aplicáveis para todos os usuários de câmeras da marca?

A LC-A, querendo ou não, é a única câmera da Lomography que vem com a garantia de que todas as suas fotos sairão – talvez não da maneira que você imaginou. Nem a Belair, que também possuí fotômetro, tem garantia de que 100% das fotos sairão.

Ou seja, o “não pense” deles é válido para apenas UMA câmera, entre as mais de dez câmeras do line up. Assim fica fácil você dizer “não pense” quando a câmera faz todo o trabalho – e um trabalho muito bem feito, diga-se de passagem.

Os problemas começam a ocorrer quando as pessoas que usam qualquer outra câmera da marca começam a adotar essas regras. Quer um belo exemplo? Você usa uma Diana Mini. Você sai com ela, vê alguma coisa na rua e “click”, faz a foto. Não pensou, não se ligou das condições climáticas, não sabe se o filme que está dentro da câmera é o mais adequado, enfim, fez tudo de forma afobada e impensada. As chances da sua foto não saírem são imensas. Agora repete o mesmo procedimento com uma LC-A e você vai ver como o resultado é completamente diferente.

31870017

Merging with the city | Foto: Bruno Massao (Lomography Fisheye #2 + Lomography Xprochrome 100 – em xpro)

Reconheço que a Lomography é importante para o  legado da fotografia de filme, mas temos que admitir que ela ainda é uma empresa, e como qualquer empresa ela espera lucro. A regra “não pense”, ao meu ver, não adiciona nada ao usuário iniciante – apenas o induz ao erro da afobação.

Portanto, ao invés de comprar uma câmera da Lomography e depois #xingarmuitonotwitter reclamar na internet que suas fotos não saíram, faz o seguinte:

  • Leia o manual da câmera – ele sempre diz coisas valiosas, como qual tipo de filme usar;
  • Não tem paciência para ler? Participe de algum workshop da Lomography. Eles vivem fazendo workshops sobre as mais diversas câmeras;
  • Pesquise sobre ela na internet, lendo (e vendo) a opinião e fotos de outros usuários da mesma câmera, tanto positivas quanto negativas;
  • Aprenda um pouco sobre o fundamento básico da fotografia e fotometria, já que, no fundo, uma “lomo” nada mais é do que uma câmera qualquer.

Eu sei que a afobação e a ansiedade acabam tomando conta, mas se você parar e pensar um pouco, antes de tudo, sua (talvez primeira) experiência analógica seja muito mais proveitosa. ;)

Quanto vale esse post pra você?
Pense nisso e, se achar justo, colabore conosco! Você pode apoiar o Queimando Filme através de doações (faça a sua aqui!), divulgando esse post para seus amigos, ou até simplesmente clicando nos banners dos anunciantes! Tudo isso ajuda o Queimando Filme a continuar postando conteúdo de qualidade para todos os amantes da fotografia analógica ;-)

comentários
 
Deixe uma resposta »

 
  • m.
    14/01/2014 em 11:07 pm

    comprei a la sardina na promoção da lomo de sp, já nos últimos dias pra fechar. a câmera ñ veio com manual, fora da caixa… enfim, coisas que você passa por comprar algo na super promoção.
    então, coloquei um filme iso 200 da kodak, fiz o passo a passo. só que agora não consigo fotografar. sei lá, a câmera tá travada ou sou eu? O.o
    já pesquisei aos montes na internet, mas basicamente os sites falam a mesma coisa. eu confesso estar perdida rsrs
    obrigada, curti demais o post ;]

    Responder

  • Rodolfo
    02/06/2013 em 11:43 pm

    Esta sensação de “pulga atrás da orelha”, ao abrir o envelope da loja de fotografia e se deparar como tão poucas fotos ficaram boas, é uma coisa muito constante comigo e outros amigos que começaram a queimar filmes… E a resposta mais comum que ouvi sobre este problema é que “precisamos de um filme especial” para tirar fotos (geralmente os da Lomo).

    Esta falta de consciência sobre a câmera e as condições gera um certo desanimo para aqueles que estão começando, e esta regra número 6 não ajuda muito com isso não…

    Responder

  • 17/05/2013 em 5:07 pm

    Bruno, vc escreveu este post sem pensar, não foi?!
    Calma, isso foi só para lhe irritar. :)
    Gostei dessa sua observação. Faz muito sentido. Belo post.

    Responder

  • Marcos
    17/05/2013 em 11:02 am

    Pois é. Tem gente que ainda pensa que fotografia é um ato impensado.
    O que eu mais gosto de fotografia analógica é que eu tenho que pensar antes de clicar (se não fosse assim eu usava uma digital e apagava o que “deu errado”). Fazer a vida ficar mais lenta…

    Responder

Deixa aí seu comentário!