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Estoicismo e a (sua) fotografia de rua… Parte 2

por em 22/05/2013
 

Foto acima por Luciia Motta

Bom dia, queridos 23 19 leitores! Hoje vamos continuar falando de filosofias de boteco. Perdeu a parte 1? Não tema: leia aqui.

No post anterior falamos de 2 medos: (1) Acabar com a sua câmera destruída; (2) Ouvir Insultos.  Hoje vamos continuar com os restantes tópicos.

Fala Eric!

3. As outras pessoas olharem você como uma criatura estranha

Street photography é uma coisa estranha. Com certeza não é uma prática popular! Afinal, que tipo de criaturas estranhas faz fotos de pessoas que não conhece sem a sua permissão?

Aceite o fato de que aquilo que fazemos não é normal. Mas saiba também que o resto do mundo tem os seus hobbies “estranhos”. Somos todos criaturas estranhas, por isso simplesmente aceite o fato de que você vai ter olhares estranhos, por vezes, ao fotografar em público. O que eu sempre faço é fingir que sou um turista asiático idiota e sorrir e acenar para as pessoas. Funciona que é uma beleza! As pessoas vão simplesmente ignorá-lo depois de um tempo.

4. Ser agredido fisicamente
Esta foi uma das maiores preocupações que eu tive quando comecei a fazer street photography. Já tive casos no passado em que fui empurrado, pessoas tentaram pegar minha camera pela alça, foi vítima de um golpe de kung-fu na parte de trás do pescoço por um velhinho chinês, e fui até chutado na bunda, em Tóquio, e o meu flash quebrou. Mas isso foi o pior que me aconteceu em 7-8 anos de street photography.

por Rogerio Vasconcelos

por Rogerio Vasconcelos

Eu provavelmente já sofri danos piores jogando basquete (quase quebrei um tornozelo), levantando pesos (rasguei tendões nos meus ombros), ou quando fui rejeitado por garotas em quem eu estava interessado (acho que a dor psicológica é pior do que a física).

Também nunca ouvi nenhuma história em que um fotógrafo de rua tenha sido fisicamente agredido. Afinal, você está apenas tirando fotos! Em quase todas as situações em que estive envolvido, as pessoas gritaram comigo, pediram para eu apagar a imagem ou chamaram a polícia. Se alguém agredir você, chame você a polícia! Processe-os, saia ganhando e compre umas Leicas para encerrar o caso.

5. Ser preso
Se você estiver fotografando na rua, em um lugar público, na maioria dos países você estará a salvo de ser preso. Contudo, a maior parte das pessoas desconhece a lei e algumas podem ameaçar você de chamar a polícia.

Eu tive um caso em que tirei a foto de uma mulher, nas ruas de Melbourne, na Austrália. Ela ficou chateada e chamou a polícia. Eu pedi desculpas mas, ainda assim, ela estava chateada e exigiu que eu apagasse a fotografia. Eu lhe disse que estava fotografando com filme e que isso seria impossível. Daí ela me pediu para deitar fora o rolo inteiro! É claro que eu recusei! Então ela chamou a polícia. Depois de meia hora lado a lado, constrangedoramente em silêncio, a polícia chegou e ela riu na minha cara, falando que eu ia ser preso. Então os polícias saíram do carro e explicaram calmamente que eu não tinha feito nada errado. Falaram para eu pedir desculpas para a moça, eu pedi desculpas novamente e saí de cabeça erguida pelos meus direitos enquanto ela continuava furiosa.

por Udayam R. Bassul

por Udayam R. Bassul

É claro que tem havido histórias em que os fotógrafos são presos injustamente. Mas mesmo nesses casos, os fotógrafos acabam ganhando o caso junto da justiça e ganham grandes somas de dinheiro! Então, se você for preso injustamente, veja isso como uma benção! Processe que te prender, recolha seu dinheiro e compre uma viagem para a Índia e fique lá por uns meses fazendo street photography. (nota do tradutor: com uma Leica!)

E aí? Perdeu essa tremura de perna? Ganhe consciência que é uma criatura estranha mas que tem direitos, e vá para a rua fotografar em paz!

Quanto vale esse post pra você?
Pense nisso e, se achar justo, colabore conosco! Você pode apoiar o Queimando Filme através de doações (faça a sua aqui!), divulgando esse post para seus amigos, ou até simplesmente clicando nos banners dos anunciantes! Tudo isso ajuda o Queimando Filme a continuar postando conteúdo de qualidade para todos os amantes da fotografia analógica ;-)

comentários
 
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  • Mari
    11/03/2014 em 9:53 pm

    Eu sofro muito com Fotografia de Rua. Sempre penso mil vezes em trocentas possibilidades horríveis que podem acontecer antes de sair de casa. Aí eu, na maioria das vezes, decido por não sair. =( Confesso que o post me deu um pouco de coragem para encarar o “mundo lá fora”, principalmente na hora que eu penso nas tantas fotos que estou perdendo dia após dia. rs

    Bom, mas a minha dúvida maior de todas e mais frequente (e que NUNCA consigo uma resposta satisfatória) é com o tal do direito de imagem. Como proceder com a fotografia de rua? Eu posso tirar fotos e publicar na internet sem a autorização dessa pessoa? Sei que para casos de comercialização deve-se pedir a assinatura, mas e quando é somente para acervo pessoal ou portfólio, por exemplo?

    Obrigada pelos textos, sempre!

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  • 23/05/2013 em 12:35 pm

    Que maneiro, usaram a minha foto :)

    Não sei se eu estou na contagem dos 20 leitores, mas eu também sou leitor assíduo do blog.

    Responder

  • Caroline
    23/05/2013 em 12:03 pm

    Olá, eu gostaria de saber como você conseguiu essa foto do Rogerio Vasconcelos. Na qual estou nessa foto..

    Sem pedir autorizaçao nenhuma a pessoa ..

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    • 23/05/2013 em 12:58 pm

      Oi Caroline!
      Olha, normalmente ilustramos os posts do QF com fotos do Grupo Queimando Filme, do flickr. Nas regras de nosso grupo consta que todas as fotos lá inseridas podem ser utilizadas para ilustrar nossos posts – e nós nos propomos a sempre creditarmos o autor da imagem. Se você não gostou da sua foto aqui publicada, converse com o fotógrafo, pois ele autorizou o uso assim que adicionou a foto ao grupo. No entanto, caso necessário, poderemos retirar a foto imediatamente. Basta dizer! Espero que tenha ajudado.

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  • 22/05/2013 em 10:48 am

    Muito bom este artigo! Street Photography ainda é pra mim um certo problema. Tenho algumas boas (boaszinhas) fotos até, mas sempre vestindo a minha cara de menininha dócil que está apenas se divertindo com sua câmera. Nunca levei chute nem brigaram comigo e se me olharam com cara feia, eu estava sorrindo pro outro lado apontando pra alguma coisa como se fosse uma turista maravilhada.
    Bem, mas aí vem a França. Até já cliquei por lá, mas não exercitei muito a s.p. – e eis que outro dia me deparo com o seguinte artigo postado no FB pelo Sato: http://lens.blogs.nytimes.com/2013/04/23/paris-city-of-rights/
    É bem interessante (e triste) ver como o país do Cartier-Bresson se tornou tão averso à s.p. e como discussões atuais podem retomar a tradição.

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    • Diogo G
      22/05/2013 em 6:57 pm

      obrigado pelas palavras Mariana! acho que essa técnica de turista maravilhada é ótima! ahah espero que essa série te ajude a remover o “certo problema” :)
      e é verdade…é absurdo que não se possa fotografar de forma livre…

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  • andrezza
    22/05/2013 em 10:25 am

    vc tem 20 leitores! =D
    leio todo santo dia!

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